Tóquio – Uma Herança Verdadeira das Olimpíadas de 2020

O prefeito/governador de Tóquio (como é o caso de nosso Distrito Federal), resolveu investir num legado de verdade das Olimpíadas que lá se realizarão em 2020: hidrogênio como combustível tanto para a geração de eletricidade quanto para o transporte público.  Enfim, algo que dá um forte impulso numa tecnologia já desenvolvida e que necessita de apoio institucional para a redução de seus custos.As células de combustível – como é conhecida essa tecnologia – não são uma novidade e encontram-se em operação nos mais diversos países sérios, isto é, que pensam e agem estrategicamente, de maneira planejada, tanto para utilizações estacionárias  quanto em veículos automotores.

O Japão foi um dos primeiros países a investir seriamente em células de combustível para reduzir a sua dependência do petróleo importado.  Já em 2005, avançava com um programa de pesquisa, demonstração e desenvolvimento, instalando células de combustível em residências para testes de maneira a coletar informações operacionais, incluindo falhas e níveis de eficiência, objetivando a redução de custos e o aumento da vida útil de maneira a possibilitar a comercialização desse equipamento.  Em parceria com indústrias japonesas, o programa levou à redução dos subsídios em 40% por unidade nos primeiros 3 anos, e permitindo que se estabelecesse a meta de 10 GW de capacidade instalada até 2020.

Também nos EUA os programas de desenvolvimento de células de combustível – ou de hidrogênio – avançam rapidamente com o apoio do Laboratório Nacional de Energias Renováveis (NREL, na sigla em inglês, pela qual é mais conhecida internacionalmente), que vem trabalhando com sistemas de membranas de prótons, óxidos sólidos, acido fosfórico e carbonatos liquefeito, em sistemas estacionários de 5 kV até 2,8 kV.

Diversos participantes do programa compartilham informações através do Centro Nacional de Avaliação de Tecnologias de Células de Combustível, e entre eles encontram-se fabricantes de caminhões e de veículos em geral, além de órgãos do governo, da Associação de Células de Combustível e Energia do Hidrogênio e da Parceria para Células de Combustível da Califórnia.

As Olimpíadas que se realizarão em Tóquio, elas sim, deixarão uma herança diferente de meras obras públicas: conhecimento, tecnologia, e ar limpo para a cidade.  Além de uma contribuição significativa para o futuro da humanidade e para o poderio econômico do Japão.  Afinal, a herança maior que cada geração deixa para a próxima é mesmo o conhecimento.

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Neste ano, 2015, a Toyota anunciou que disponibilizará suas patentas relacionadas à produção, estocagem e uso do hidrogênio para todos os que desejarem utilizá-las, como pode ser visto copiando e colar o link abaixo (já que não conseguimos incluí-lo no post).  Legendas em inglês estão disponíveis na barra inferior de ferramentas.
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Na preparação das Olimpíadas de Londres, a opção do governo foi a reabilitação de áreas urbanas industriais que haviam sido abandonadas e a melhoria do sistema de coleta de esgotos / drenagem de águas pluviais (inclusive com o tratamento destas últimas).
O oposto do que foi feito no Rio, onde a concentração dos investimentos se deu na já mega-valorizada região da Barra da Tijuca.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

2 comentários sobre “Tóquio – Uma Herança Verdadeira das Olimpíadas de 2020”

  1. Será que um dia, em algum tempo, o Brasil deixará uma herança dessas para seu povo? Estou aqui pensando e me perguntando se venceremos a crise (que conheço desde sempre ora mais intensa, ora menos) que é mesmo de caráter e que está no DNA de nossos políticos.

  2. Não creio que esteja apenas no DNA dos políticos, mas também do povo, que em sua maioria despreza o conhecimento, o trabalho em equipe (os egos prevalecem), e o longo prazo.

    Seja como for, às vezes piora e muito, como agora, depois de 15 anos de apologia da ignorância e de miséria; da promoção do dissenso entre grupos étnicos e religiosos; da disseminação da falsa noção cristão de que uns só não têm porque os outros têm (que resulta em violência crescente), com total desprezo por qualquer mérito.

    Aqui, os ídolos são Tiradentes (que foi derrotado antes mesmo de começar sua rebelião), “padinho” Ciço, Lampião “Rei do Cangaço”, Antonio Conselheiro, “os ‘8 do forte” e toda uma malta de fracassados. São mais conhecidos do que Villa-Lobos, Santos Dumont, Oswaldo Cruz, Rondon e tantos outros. Onde as homenagens a JK como uma espécie de Franklin Roosevelt brasileiro – guardadas as devidas proporções? Não! Preferem Getúlio, “o Pai dos Pobres”, um sub Mussolini.

    O Brasil já teve pelo menos esperança, já foi o país do futuro, e agora a distância cresce tão rapidamente que vamos ficar mesmo é só comendo a poeira da estrada.

O que você pensa a respeito?