Dilma – A Mesmice e os Improvisos nas Políticas de Mudanças Climáticas

Dilma corre para fechar o pacote do clima a dois dias de apresentar metas – essa foi a manchete dos jornais.  Será divertido ver que tipo de mesmice será apresentado nessa monótona improvisação “sem fins criativos”.

Desmatamento zero, pela enésima vez?  Difícil de alguém acreditar, tanto pelo descumprimento sistemático das promessas anteriores quanto – e sobretudo – pelo fato do país – leia-se, o governo – não conseguir sequer cuidar minimamente dos parques nacionais brasileiros, lá foram conhecidos como “parques de papel” (paper parks), já que o estado não detém sequer a titularidade das terras no interior dos mesmos, nem sequer dos mais antigos.

Dilma saiu do plenário em tese para reunir-se com dois ou três assessores que já estão nos cargos há bastante tempo sem nunca terem mostrado por que os ocupam ou em que contribuíram para a melhoria do desempenho dos órgãos que “lideram” (as aspas, aqui, são indispensáveis).

Dizer que as energias renováveis aumentarão a sua participação na matriz energética brasileira sem deixar claro que mecanismos serão utilizados – além da compra periódica, pela surrada ANEEL, é muito pouco, quase nada.  Talvez pudesse, pelo menos, cumprir os compromissos de conectar todos os parques solares e eólicos à rede…

A definição de regras claras para a medição nos dois sentidos da energia gerada através da micro-geração distribuída já seria um incentivo.   A viabilidade econômica da energia solar e eólica aumentaria muito com a certificação de medidores nos dois sentidos, sistema já comprovado nos países avançados onde é conhecido como net metering.

A introdução de uma política agressiva de eficiência energética, não deverá ser sequer mencionada, nem mesmo no que se refere à substituição massiva de iluminação pública com LED, como já aconteceu ou vem acontecendo na maioria das grandes cidades dos países avançados.  Repotencialização das hidrelétricas – com a substituição de turbinas antigas e automação -, então, nem pensar, ainda que isso possa ser feito mediante parcerias público-privadas e a remuneração dos investidores através da divisão da energia suplementar daí decorrente.

Afinal, o aumento da eficiência global da economia através de políticas setoriais não está na lista de prioridades do governo que só consegue mesmo pensar é em aumentar impostos.

Assim sendo, restará a promessa de plantar alguns milhões de árvores.

Nesse improviso que será produzido em 48 horas, nunca é demais citar uma das máximas de Einstein: “insanidade é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes.

Ah – faltou dizer: passar o pires pedindo dinheiro e colocar a responsabilidade nos outros devem ser itens presentes no “pacote”.

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Nas próximas semanas, a Corte Suprema da Flórida começará a julgar a questão da área de concessão das concessionárias de energia elétrica que colide com os incentivos à venda direta de energia a outros consumidores por pequenos produtores que investem em energia solar.  A Flórida é um dos quatro estados norte-americanos que ainda proíbem essa prática.

Lá, eles são uma república federativa de verdade, e o órgão federal não mete o bedelho em tudo e tampouco tem poderes imperiais.  Aqui, os estados e municípios poderiam fazer muita coisa, se quisessem.  A geração direta para auto-consumo não lhes é proibida, nem as medidas de eficiência energética.  “Só” falta iniciativa e criatividade.  Com todos os cargos comissionados – de chefia – leiloados para incompetentes ou semi-competentes por indicação política, fica difícil ou é impossível contar com esses dois fatores.  Tudo se paralisa.

E aqui, podemos ao menos pensar iniciar uma transição terminar de vez com essa história de áreas de concessão tanto na produção e na venda de eletricidade pelo menos para alavancar as energias renováveis e a micro-geração distribuída?

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Enquanto a vaca tosse e vai para o brejo, a China atingiu a marca de 100.000 MW de capacidade instalada de geração de energia eólica com a Bloomberg estimando que seu mercado atingirá a marca de US$ 3 bilhões de investimentos anuais até 2022.  Assim se mantem o dinamismo da economia, além de uma bela contribuição para a redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas.

Apenas para efeito de comparação, a capacidade de geração instalada em Itaipu é de 14.000 MW e a do Brasil é de pouco mais de 140.000 MW.  A capacidade de geração eólica instalada é de 6.600 MW (EOL), com pouco menos de 4.000 MW em construção.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?