Os Legados das Copas do Mundo e das Olimpíadas

A Copa do Mundo custou aos brasileiros um valor que nunca foi totalmente esclarecido.  Algo como R$ 25,8 bilhões, segundo estimativas de maio de 2014, ou US$ 11,5 bilhões, estimados a não se sabe que taxa de câmbio.

O interessante, no entanto, é que no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro foram exibidos dois filmes sobre o assunto que não receberam nenhuma divulgação da imprensa: o documentário Brasil vs Brasil, do muitas vezes premiado diretor e produtor brasileiro Marcos Prado, e A Marcha dos Elefantes Brancos (uma referência aos muitos estádios de futebol construídos para a Copa do Mundo no Brasil), do diretor sul-africano Craig Tanner, autor de Fahrenheit 2010, um documentário tão crítico da atuação da FIFA na África do Sul que, lá, nenhum canal de televisão quis exibir.

“A única verdadeira vencedora da Copa do Mundo de 2014 no Brasil foi a FIFA, com o faturamento líquido de US$ 5 bilhões e agora cercada de escândalos de corrupção.” – afirmou The Washington Post, complementando que a FIFA não respondeu ao seu pedido de fazer comentários sobre os filmes.

A mesma reportagem afirma que durante a sua exibição no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, no momento em que autoridades como Dilma Roussef e Lula aparecem abraçando Josep Blatter ocorreram manifestações de repúdio nos cinemas – ainda que o público do Festival seja usualmente mais “cult” e bem comportado.  A imprensa não deu nem resenha sobre os documentários – afinal, são muitos os anúncios sobre as Olimpíadas.

Ambos os documentários defendem que tanto a Copa da África do Sul quanto a do Brasil deixaram um rastro de muito dinheiro gasto inutilmente e com super-faturamentos monumentais.

A imprensa brasileira, agora, silencia sobre os muitos badalos em torno das Olimpíadas do Rio de Janeiro que propiciou uma enxurrada de dinheiro na cidade e obras de “mobilidade urbana” de caráter altamente duvidosas e sem a necessária transparência quanto aos custos totais.

De fato, Estocolmo, Roma, Munique e Saint-Moritz (Suíça) rejeitaram sediar as Olimpíadas de Inverno de 2022 alegando terem outras prioridades de investimentos.  Afinal, qual será mesmo o tal legado das Olimpíadas do Rio de Janeiro?

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Não, nenhum estrangeiro que conheça um pouco de urbanismo em nossos dias está chamando o Rio de Janeiro de “smart city”.  Cidades inteligentes são muito mais do que alguns centros de acesso à internet em bairros de população mais humilde.  Mas esse é outro assunto.

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?