Carros Elétricos e Híbridos – Enfim, Um Avanço nas Políticas Públicas

O governo federal resolveu dar os primeiros incentivos fiscais à importação de carros elétricos, híbridos e movidos a células de combustível (hidrogênio).

Para os primeiros, a alíquota de importação será reduzida a zero, e para os segundos a redução da tarifa de importação cairá dos atuais 35% para entre 2% e 7% (dependendo da eficiência energética), ou com isenção total de tarifa de importação se as montadoras importem os veículos em partes para montagem no Brasil).

A decisão tomada pela Câmara de Comércio Exterior foi publicada hoje, 27 de outubro.

Ainda que limitada às importações do Mercosul – o que restringe bastante a alegação de que o objetivo é colocar o Brasil na rota das novas tecnologias de motores veiculares.

Numa boa reportagem sobre o assunto assinada pelo jornalista Eduardo Laguna no Valor Econômico (só acessível em seu teor integral para os assinantes), encontram-se excelentes ressalvas:

“Os obstáculos à introdução das novas tecnologias, porém, ainda são grandes.  Primeiro porque falta no país uma rede nacional de estações de recarga.  Além disso, mesmo com as alíquotas de importação reduzidas, os carros elétricos seguem sem ter um tratamento tributário específico e pagam a taxa mais alta no Imposto de Produtos Industrializados (IPI) – 25%, ou 55% se fora da cota de importação das marcas habilitadas ao regime automotivo.  Para completar, a valorização do dólar tem encarecido as importações.”

Ou seja, medida “meia boca”, ou mesmo 1/3 de boca.

Isso não impede que as prefeituras – ao menos as das principais capitais – comecem a agir no sentido de mudar o código de posturas municipais e determinar que num prazo não demasiadamente longo os estacionamentos com um número maior de vagas de automóveis (em prédios comerciais, residenciais, shoppings) disponibilizem vagas com pontos de recarda de eletricidade.  Essa decisão, tomada na Califórnia na origem dos carros elétricos, deu um impulso significativo para a sua adoção.

Finalmente, vamos ver quanto tempo o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA levará para rever as suas normas de maneira a isentar totalmente esses carros dos hoje já um tanto inúteis teste de emissão veicular.

Afinal, a adoção progressiva de carros elétricos é uma contribuição decisiva para a redução da poluição nos grandes centros urbanos e, se acelerada, pode resultar em importante contribuição do Brasil para a redução das mudanças climáticas.

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As prefeituras e os governos estaduais podem – e deveriam – também acelerar a introdução de ônibus híbridos já fabricados no Brasil por mais de uma montadora.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?