Exxon Mobil – Quando o Crime Talvez Não Compense… Tanto

Há poucos dias, uma profunda investigação objetivando determinar em que medida a Exxon Mobil – a maior petroleira privada do mundo – se a empresa mentiu para o público e para os acionistas sobre os riscos para as suas próprias atividades decorrentes das mudanças climáticas foi iniciada pelo procurador-geral do estado de Nova York.De acordo com fontes do New York Times, o procurador/promotor teria intimado a empresa a apresentar extensos registros financeiros, emails e outros documentos que possam ter relação com o assunto desde o final dos anos 1970, incluindo um período de pelo menos uma década ao longo da qual a empresa financiou grupos orientados a sabotar as ciências climáticas.

A ação talvez resulte em queda no valor das ações da Exxon Mobil se for constatada a sonegação de informações com prejuízos para os acionistas que, então, poderá pedir indenizações.  É aí que  reina o perigo.

Segundo informações obtidas pelo mesmo New York Times, já se encontra em andamento uma investigação semelhante sobre a empresa Peabody Energy, a maior produtora norte-americana de carvão (com atividades em outros países) e que também ostenta em sua página informações sobre as suas atividades na área de responsabilidade socio-ambiental.  Esta investigação, que iniciou-se há dois anos, objetiva saber se os acionistas foram adequadamente informados dos riscos financeiros da substituição progressiva de combustíveis fósseis por energias renováveis.

As investigações poderão se estender a outras empresas de petróleo e de carvão, agora não mais de maneira difusa sobre danos ao meio ambiente e sim no formato mais pragmático dos danos aos bolsos de milhões de acionistas – incluindo fundos de pensão – em decorrência da sonegação de informações sobre a rápida queda nas margens de lucro decorrente da explosão das energias renováveis e nas tecnologias de estocagem das mesmas.

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A Exxon Mobil, a maior petroleira do mundo, ostenta na sua página corporativa na internet uma ampla área sobre suas ações de proteção ambiental, fazendo o mesmo na página de sua filial no Brasil.

Mas no início de julho deste ano – 2015 – a máscara começou a cair com a publicação de uma extensa reportagem pelo jornal inglês The Guardian com o título “A Exxon sabia das mudanças climáticas desde 1981“.

A prova, o email de um veterano cientista da empresa sobre a iniciativa de desenvolver o campo de petróleo de Natuna, na costa da Indonésia.  No email, o cientista Lenny Bernstein afirmava que “essa é uma imensa reserva de gás natural, mas com 70% de CO2”, o dióxido de carbono, principal indutor das mudanças climáticas.

“Quando fui informado sobre o projeto Natuna, em 1989, a projeção era de que esta seria a maior fonte pontual de emissão de CO2 no mundo (…), mas como as emissões de CO2 cresceram mais rapidamente do que o projetado à época, esse percentual certamente foi menor.” – escreveu Bernstein num resposta a uma pesquisa sobre a ética no mundo dos negócios promovida pelo Instituto de Ética Profissional Aplicada da Universidade de Ohio.

Ainda sabendo – até pelos seus próprios profissionais – das causas e consequências das mudanças climáticas, a Exxon Mobil decidiu financiar grupos científicos e outros que trabalharam para questionar a credibilidade dos estudos sobre as mesmas durante 27 anos.

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E a Petrobrás, onde fica nessa história, ainda que em 2014 tenha ocupado apenas o 14° lugar no ranking das maiores produtoras de petróleo do mundo (além da mais envidada dentre as companhias de petróleo do mundo)?  Sinceramente, o Brasil pode até reflorestar a Amazônia inteira, de lá retirando todos os seus habitantes, que isso não compensará a crescente emissão de CO2 decorrente da extração e do uso de petróleo.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?