Devastação do Rio Doce – A Vale e a BHP Billinton Como Responsáveis Solidárias pelas Perdas

Além das imagens do mar de lama da Samarco + Vale + BHP Billinton estendendo-se ao longo do litoral, mais divulgadas pela imprensa, se o ministério do Meio Ambiente estiver trabalhando mesmo na avaliação dos danos ambientais, seria bom divulgar análises diárias da água – incluindo traços de metais tóxicos, inclusive nos sedimentos de fundo dos rios atingidos.

Aliás, seria ótimo se além disso fossem convidados hidrogeólogos independentes para acompanhar como está se comportando o leito desses rios, para que se possa ter uma ideia de como evoluirão os prejuízos e riscos ambientais da incompetência da empresa e de seus dois acionistas tão dedicados à sustentabilidade e às relações com as comunidades… ao menos em suas páginas corporativas na internet.

Para tanto, é possível determinar aos autores desse crime que contratem auditorias independentes, isentas, contínuas, segundo metodologia bem definida por equipes multidisciplinares.

Senão souberem como proceder, talvez possam pedir orientações às comunidades indígenas peruanas que ano chegaram a um acordo extra-judicial com uma multinacional de petróleo, depois de um processo que se iniciou em 2007 na Justiça dos EUA depois de um processo que se iniciou em 2007, por mortes, nascimento de bebês com defeitos e danos ambientais.

Uma empresa internacional de engenharia ficou encarregada dos serviços de descontaminação, que já se encontram em andamento há cerca de um ano, às expensas da petroleira.

Ou então podem buscar orientação com os advogados dos equatorianos que não venceram contra a Texaco nos tribunais norte-americanos  mas, em setembro deste ano – 2015 – conseguiram autorização da Corte Suprema do Canadá para processar a subsidiária da Chevron naquele país (ver ao final do texto  – o link está no texto sublinhado – em “Canadian proceedings”).

E se os grupos brasileiros prejudicados optarem por processar a Vale e a BHP Billinton na Suíça e na Austrália, respectivamente?  Afinal, os sócios controladores da Samarco são, sim, responsáveis solidários pelos danos, da mesma forma que são beneficiários dos lucros

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?