Brasil – Ministério faz teste com painéis fotovoltaicos em hidrelétricas (e se vangloria de ser “o primeiro do mundo”)

O ministério de Minas e Energia anunciou a colocação de 16 placas solares fotovoltaicas flutuantes no reservatório de Balbina como um projeto “pioneiro no mundo”.  Logo fará o mesmo reservatório de Sobradinho.  Excelente iniciativa, ainda que nesta etapa tenha caráter piloto.

Projetos desse tipo – em escala muito maior – já se encontram operacionais no Japão e outros encontram-se em diferentes fases de implantação nos mais diversos países.  Atualmente, o sendo segundo maior está na Califórnia, com capacidade instalada de 12,5 MW;  deverá entrar em operação ainda em 2016.

No Japão, já está implantado a sua quarta planta solar fotovoltaica flutuante, e não com 16 mas com 51.000 painéis e capacidade total instalada de 13.7 MW.

Nas vizinhanças de Londres, no Reservatório Rainha Elizabeth II, já se encontra em fase final de implantação um sistema idêntico com 23.000 painéis fotovoltaicos, primeira etapa do plano da concessionária de águas Thames Water para gerar 1/3 de sua demanda energética a partir de fontes renováveis até 2020.

Não importa se numa hidrelétrica ou num reservatório usado para irrigação!  O  governo brasileiro não precisa afirmar que é “o primeiro no mundo”, contando com a desinformação ou a falta de vocação para a pesquisa na internet do jornalista que viajou à convite das autoridades.

A iniciativa é boa e certamente não requer tantos estudos de “impactos sobre o meio ambiente” se as parcerias corretas forem feitas.

De fato, o ideal seria acelerar a implantação desses projetos e adotar modelos semelhantes para os grandes reservatórios que abastecem as áreas urbanas e mesmo para os canais de irrigação do São Francisco – e até para a tal da “transposição” – de maneira a reduzir as perdas por evaporação, benefício adicional que já vem sendo testado na Índia e na Austrália.

Basta ceder esses espaços todos para a iniciativa privada que se chegará muito mais rapidamente a soluções em escala comercial.  De fato, a proximidade/disponibilidade de estações reduz muito os custos e os reservatórios das hidrelétricas podem ter um percentual razoável aproveitado para essa (e outras finalidades) sem demasiadas firulas mascaradas de estudos ambientais.

***

Difícil compreender por que as placas fotovoltaicas serão importadas da China quando já existe pelo menos um fabricante no Brasil.  Os órgãos de financiamento público não costumam insistir com um percentual mínimo de “conteúdo nacional”?

***

Já há centrais fotovoltaicas flutuantes em operação pelo menos desde abril de 2015, no Japão.

Ou na Coréia, até mesmo com sistemas rotativos que acompanham o movimento do sol, aumentando a eficiência do sistema em cerca de 36%.

E na Índia, em 2012, já entrava em operação a primeira planta solar sobre canais de irrigação, para evitar o uso de terras agrícolas e reduzir as taxas de evaporação.

A lerdeza mental nos processos decisórios tem pernas tão curtas quanto a mentira ou…sejamos condescendentes, os excessos de auto-elogios.

Acorda, Brasil!  É preciso avançar rapidamente!  Por que não a concessão não onerosa de áreas de reservatórios de hidrelétricas e outros onde já exista a infraestrutura para a conexão da energia fotovoltaica à rede?

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?