O Brasil perdeu a oportunidade de tornar-se uma “sociedade de conhecimento”

“Foi o conhecimento que nos tirou das cavernas, e só o conhecimento nos tirará da atual confusão em que nos encontramos” – se não foram exatamente essas, foram próximas as palavras do presidente da Agência Espacial Européia ao final do bem sucedido pouso num asteroide, em 2014.

Evidentemente, nem todo conhecimento ocorre no quadro da ciência e da tecnologia no senso estrito dessas palavras.  Instituições de Direito, a evolução e a disseminação das noções de Ética, da Estética, o senso de comunidade.

A geração de riqueza material, no entanto, depende bastante umbilicalmente do conhecimento científico e tecnológico, e da capacidade de um grupo, etnia ou, mais modernamente, de uma nação, de organizar, de sistematizar e de utilizar esse tipo de conhecimento.

Construções como a Grande Muralha da China, Machu Pichu, toda a civilização hidráulica cujo centro se encontra em Angkor e por aí afora são exemplos de desenvolvimento científico e tecnológico, bem como de sua organização, disseminação e utilização.

Contemporaneamente, outras nações – e até com tradições muito mais conservadoras – compreenderam a importância da geração de conhecimento e de sua transformação em produtos de interesse do mercado para assegurar a geração de valor econômico e financeiro.  Entre elas, por exemplo, a Coréia do Sul, que há algumas décadas não tinha a mais vaga chance de ser vista como “o país do futuro”, como se dizia do Brasil.

Um dos exemplos mais surpreendentes encontra-se no pequeno país árabe o Qatar – que durante tanto tempo viveu apenas da receita do petróleo e há algum tempo resolveu investir em educação, pesquisa, ciência e tecnologia.  E assim foi criada a Cidade da Educação, em parcerias com dezenas de universidades estrangeiras, algumas dentre mais avançadas do mundo. de forma a criar exatamente uma “sociedade de conhecimento”.

As universidades norte-americanas convidadas para participar da iniciativa não apenas receberam grandes doações como, também, comprometeram-se a disponibilizar de professores – com melhores remunerações – até as estruturas organizacionais e administrativas necessárias para uma educação à altura daquela que essas instituições oferecem nos EUA.

Como se não bastasse, já há algum tempo que os os Emirados Árabes fecharam um acordo com o MIT para implantar o Instituto Masdar de Ciência e Tecnologia, focado em energias renováveis/novas energias e em eficiência energética.

Assim se constrói um futuro e se adiciona valor – numa época em que o petróleo perde valor.  Com uma boa noção de futuro, de estratégias, das parcerias necessárias, e investimento pesado em educação de excelente qualidade, com tudo o que ela requer no que se refere à gestão dos conhecimentos.

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?