Avanços na geração de energia solar por concentração da luz (CSP)


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Existem duas formas de geração solar de energia elétrica: painéis fotovoltaicos, que apenas começam a se disseminar no Brasil (que ainda não domina a tecnologia) e aquela que é conhecida pela sigla CSP – concentrated solar power ou energia solar concentrada, que ainda não chegou no Brasil e consiste, basicamente, de milhares de espelhos concentrando a luz solar numa torre central na qual aquece uma mistura de sal aquecido a temperaturas muito elevadas que o derrete, permitindo a estocagem de energia por longos períodos após o pôr do sol e até a geração de eletricidade 24 horas por dia.

Aqui, já se escreveu sobre a rápida disseminação dessa tecnologia em países do Oriente Médio (até mesmo em países exportadores de petróleo), em Israel e, agora, num anúncio mais recente, a China deu o primeiro passo para atingir a meta de 10.000 MW desse tipo de geração até o ano 2020.  Este primeiro passo consistiu num acordo com uma empresa norte-americana para a implantação de uma central com capacidade instalada de geração de 1.000 MW.

É difícil comparar preços, por razões diversas: (a) não se pode comparar com os preços da energia hidrelétrica brasileira sem considerar os valores da energia térmica, fornecida ou em modo de espera, sobre o que não há transparência e (b) os preços brasileiros não refletem a questão da segurança no abastecimento, já que todos as previsões especializadas indicam no sentido da repetição das “crises hídricas” com maior frequência e gravidade.

Ao longo da última década, os avanços da energia fotovoltaica no Brasil foram esparsos em decorrência da resistência dos “barrageiros” (denominação dadas às empreiteiras que só gostam de construir barragens e controlaram durante longo tempo o orçamento do setor para aumento da capacidade de geração) e das concessionárias que, pessimamente geridas, não gostam da ideia da micro-geração distribuída que reduziria as suas receitas (é bem verdade que também nos EUA ocorreu esse tipo de resistência por parte das concessionárias, mas lá só 3 estados ainda mantem a figura legal do “cliente cativo”).

Se tivermos no “novo” governo um mínimo de bom senso e uma redução da usual resistência contra a inovação tecnológica, seria altamente positiva a designação de um grupo executivo de trabalho para disseminar a geração de energia solar no Brasil, em lugar das usuais discussões teóricas, um tanto abstratas e centradas no presente, quando não no passado mitológico da abundância do potencial hidrelétrico.

Evidentemente, como é usual na China, o contrato agora assinado com os fabricantes norte-americanos inclui cláusulas de transferência de tecnologia (em lugar de nossa usual bobagem de tentar forçar o “conteúdo nacional”, como se fosse possível fazer transplantes de cérebros), com a articulação da capacidade local de absorver essas inovações.

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A política de compras periódicas de energias renováveis pela Eletrobras – sobretudo quando as linhas de interconexão foram implantadas com anos de atraso, com um custo adicional não contabilizado com transparência – não permite afirmar que o Brasil é um dos países que mais cresce no uso dessas fontes de energia.  Sobretudo em números per capita!

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?