O Chile dispara na energia solar e os preços da eletricidade caem


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O Chile adotou uma política inovadora no campo da geração de energia: em leilões abertos, qualquer fonte concorre com qualquer outra fonte.  Uma concepção bem diferente da brasileira, na qual o poder público faz leilões periódicos para a aquisição de energia de cada fonte, mas não larga o osso das hidrelétricas de grande interesse das empreiteiras.

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No último leilão realizado, em agosto de 2016, uma empresa espanhola venceu com o menor preço já atingido para o fornecimento de eletricidade por centrais solares: US$ 29,10 por MWh, ou algo em torno de R$ 96 MWh, bem abaixo do preço estabelecido recentemente pelo governo brasileiro que, com o usual intervencionismo estatista, estabeleceu estabeleceu recentemente preços que variam entre R$ 115 e R$ 290 por MWh.

Não seria o caso de adoção do mesmo modelo chileno que, há não muitos anos atrás, tinha um dos mais elevados preços de eletricidade da América Latina e agora tem um dos mais baixos (senão o mais baixo)?  De fato, com o último leilão o Chile espera reduzir os preços da energia elétrica em 20%.   Além disso, é fantástico notar que a expansão dos investimentos em energia solar e o desempenho das centrais que utilizam essa tecnologia foi de tal ordem que em algumas regiões o preço da eletricidade foi ZERO por mais de 100 dias neste ano, podendo chegar a 200 dias, nas estimativas das autoridades locais.

Uma parte disso se deve à queda na demanda pela indústria de mineração e outra à necessidade de implantar 3.000 km de redes de transmissão para integrar aquelas já existentes.   Mas o país não pensa em subsídios – os investidores correram o risco, faz parte do mercado – e o ministro da Energia afirmou que “ministro de Energia, Máximo Pacheco, em entrevista, em Santiago. “quando você embarca em um caminho de crescimento e desenvolvimento como o que temos tido, obviamente surgem problemas”.

Talvez seja hora de nosso jovem e inexperiente ministro da Energia fazer uma visitinha às autoridades chilenas, levando consigo alguns representantes de outras áreas, em particular da Fazenda, que não consegue escapar do mantra dos cortes no orçamento e em novos impostos.  Políticas públicas consistentes também geram emprego, renda e, consequentemente, aliviam deficits fiscais!

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De importador de energia elétrica, o Chile passou à condição de exportador, e até junho deste ano já havia exportado 95.500 MWh para a Argentina.

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?