Singapura aproxima-se rapidamente da alta suficiência em água


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Com uma capacidade de planejamento próxima a um século no futuro, Singapura aproxima-se da resolução total de seus problemas de abastecimento de água.  E não adianta dizer que Singapura é um dos países mais ricos do mundo, porque quando tornou-se independente, em 1965, era apenas um país pobre, subdesenvolvido, sem recursos naturais e com uma população de imigrantes de baixa qualificação profissional ou tradição.

Muitas iniciativas foram tomadas, sempre mantendo o governo pequeno, com elevada reputação de honestidade, e capacidade de formular e implementar programas estratégicos.

Talvez valha começar por uma curta apresentação sobre NeWater (até para nos dar uma ideia do atraso tecnológico e gerencial).

A cidade-estado que tem assinou diversos contratos de fornecimento de água proveniente da Malásia, o último dos quais em 1900, com validade de 70 anos, trabalhou com tal dedicação para alcançar a sua autonomia no abastecimento de água que seus habitantes sequer perceberam quando as autoridades da Malásia foram obrigadas a racionar água para a sua população em decorrência de ciclos de seca.  Singapura já se prepara para a auto-suficiência em 2060, quando o expirará o contrato com a Malásia.

Qual são mesmo os horizontes de planejamento no Brasil?

Um dos segredos de Singapura, é ter uma Agência Nacional de Águas séria.   Em segunda lugar, um pouco de uma breve história, essa Agência Nacional de Águas (Public Utilities Board), determinou, em 1998, o seu primeiro estudo para avaliação do reuso de água como alternativa viável para o abastecimento.  O estudo, denominado NEWater.

Já em 2000, a autoridade de águas inaugurava sua primeira unidade de reuso de água, com uma grande campanha de conscientização que deu origem à marca New Water Resources.

Desde então, as autoridades e suas equipes técnicas embarcaram num programa de reuso maciço de água de esgotos, de chuvas e de dessalinização (uma quarta planta de dessalinização deve entrar em operação em 2019).  Note-se que o reuso de água de chuva em larga escala estende-se ao planejamento da coleta e reservação dessas águas de escorrimento superficial ou através de redes de drenagem nas diversas bacias drenantes.

Simultaneamente, o governo investiu massivamente no desenvolvimento tecnológico, o que os levou a estar entre os líderes mundiais de dessalinização, com plantas implantadas na China, na Arábia Saudita, em Oman, na Argélia, na Nigéria, na Índia e no México.

Singapura tem, hoje, 180 empresas prestadoras de serviços de água e esgoto, além de 26 centros de pesquisa privados.

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Um acordo de cooperação técnica entre o BNDES e/ou o governo do estado do Rio de Janeiro com a Agência de Águas de Singapura poderia contribuir em muito para uma solução aceitável para a controvertida privatização da Cedae, que vem sendo conduzida a toque de caixa.  Essa privatização deve –  ou deveria – ter por objetivo principal a ampliação rápida dos investimentos no setor, e não fazer caixa para o governo falido, entre outras coisas pelo excesso de isenções fiscais.

Olhando apenas para o próprio umbigo e com o horizonte de tempo limitado ao final do mês ou do ano orçamentário, o setor de saneamento não chegará a lugar nenhum.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?