A energia solar pode abastecer o mundo e o Brasil precisa acelerar o passo


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Mehran Moalem, professor de Berkeley, PhD, especialista em materiais nucleares e no ciclo dos combustíveis nucleares, afirmou recentemente que “a despeito de de sua especial dedicação por essas áreas, é difícil defendê-las; e aqui está a matemática simplificada por trás dessa percepção”:

“O uso total de energia em 2015 – originada do carvão, petróleo, hidroelétricas, nuclear e renováveis – foi de 13 bilhões de toneladas equivalentes de petróleo, ou 17,3 TW de fluxo contínuo de energia durante o ano (1 TW = 1 milhão de MW).

“Se cobrirmos uma área do planeta com 335 X 335 Km com painéis solares, até mesmo de eficiência moderada, facilmente alcançáveis atualmente, é possível alcançar a produção de 17,4 TW.  Isso significa que 1,2% da área total do deserto do Saara é suficiente para atender à demanda global de energia por mais de 12 horas por dia (algo como 1 milhão de km²).”

Essa é uma área pouco inferior à área total do polígono das secas (segundo relatório do ministério da Integração Nacional, página 36).

Seguindo em seu raciocínio, o especialista em energia nuclear afirma:

 “Não maneiras da energia oriunda térmica do carvão ou petróleo, ou de fontes nucleares, ou mesmo da energia eólica ou geotérmica competir com esse potencial.  O custo do projeto seria de U$ 5 trilhões (sem considerar nenhuma economia de escala aos preços de hoje (2016).  Menos do que o valor do socorro financeiro concedido pela administração Obama aos bancos na última recessão, 1/4 do débito do governo norte-americano ou 10% do produto nacional bruto do mundo num único ano.  (…)  Não há nenhum futuro em outras fontes de energia.  Em 20-30 anos, a energia solar terá substituído as demais fontes.

“É evidente que ainda haverá necessidade de combustíveis líquidos, mas provavelmente serão oriundos da eletrólise da água feita com energia solar.   Então, navios-tanque e dutos distribuirão o hidrogênio em todo mundo.”

teor integral da entrevista de Mehran Moalem (em inglês) se estende sobre outros aspectos da questão.  O deserto do Saara é apenas um exemplo, já que há outras áreas desérticas no mundo.  Do deserto de Nevada (nos EUA) ao de Atacama (no Chile), áreas de pouco ou nenhum potencial para a agricultura já vêm sendo ocupadas com grandes plantas de energia solar capazes de geração de eletricidade 24 horas por dia (com a acumulação de energia em torres com sal líquido em altíssimas temperaturas).

Os países no entorno do deserto do Saara já começaram a investir massivamente na energia solar.

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É lento o avanço da energia solar no Brasil e parece inacreditável que tantas pessoas ainda demonstrem reações contra essa forma de geração, não importando se tais reações sejam culturais – relacionadas à inércia mental – ou para defender os interesses de outros lobbies – empreiteiras e concessionárias de distribuição.  Como é típico das autoridades brasileiras, fala-se em crescimento percentuais enormes.  Tolice.  Partindo-se de uma base desprezível, qualquer crescimento percentual é “enorme”.

É preciso mudar essa postura urgentemente, sobretudo considerando-se que a geração hidrelétrica torna-se a cada dia mais cara e os ciclos de escassez hídrica estão se acentuando.  Esta, sim, é uma questão de segurança econômica e social – hídrica, energética, alimentar.

O que, afinal, nos impede de utilizar grandes áreas no Polígono das Secas – até mesmo para prolongar a capacidade de reservação das hidrelétricas do nordeste em períodos de seca -, senão a incapacidade de formular uma política de estado de longo prazo – considerando os mencionados aspectos de segurança – e, por outro lado, o emaranhado de interesses das empreiteiras que preferem construir hidrelétricas e barragens caríssimas em locais cada vez mais distantes.

Já é mais do que passada a hora do governo, seus órgãos reguladores, como a ANEEL – e outros órgãos, como a Empresa de Pesquisa Energética – EPE – avançarem e procurar saber o que está acontecendo no mundo.  O Brasil não pode continuar medindo-se pelo próprio umbigo.

Para que não conhece, abaixo, a imagem do Polígono das Secas.

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Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?