Aumentando a eficiência do setor elétrico brasileiro, enfim…. e ainda lentamente


-- Download Aumentando a eficiência do setor elétrico brasileiro, enfim.... e ainda lentamente as PDF --


Com o atraso que é peculiar ao setor público brasileiro, a ANEEL aprovou Resolução que permitirá a todos os consumidores – mesmo os residenciais – a deslocarem o seu consumo para fora dos horários de pico, quando a eletricidade é mais cara.

O difícil é entender por que a ANEEL adiou para 2020 a possibilidade de adoção de tais sistemas para consumidores residenciais comuns.  Até porque as alterações tecnológicas são simples, demasiadamente simples, e resultam em economias para as concessionárias que podem fazer a leitura remota dos medidores, além de economizarem na gestão das redes.  Talvez as concessionárias de distribuição e os fabricantes (estrangeiros?) desses medidores inteligentes (smart meters) tenham tido a palavra final.

É igualmente difícil de saber se uma integração de políticas públicas entre a ANEEL e a iniciativa privada, as áreas de financiamento de projetos como BNDES, as federações das indústrias e outras já está evoluindo para que esses equipamentos sejam produzidos e certificados no Brasil, com avanços econômicos ainda maiores, ou se o Brasil em breve estará importando os medidores da China e de outros.

É preciso acelerar, também, a implantação de sensores na rede que permitam uma otimização ainda maior da produção, transmissão e distribuição de energia elétrica – com a instalação de redes inteligentes (smart grids).

Evidentemente, técnicos das melhores distribuidoras já sabem disso.  A CEMIG já tem redes inteligentes em sua página na internet, mas como algo do futuro – ainda que há muito essas redes já sejam uma realidade nos países mais avançados (e nos quais os ministérios da energia e seus equivalentes realmente agem).  A CPFL já vem investindo tanto em redes inteligentes quanto no armazenamento de energia, mas ainda em projetos experimentais ou pilotos, quando a tecnologia já está totalmente consagrada.

Aliás, a estocagem de energia difunde-se da Europa aos EUA, passando pela Austrália, com imensos benefícios não apenas para a estabilidade das redes mas, também e em particular, para as energias renováveis como eólica e solar.

Tecnologias de estocagem de energia nas próprias usinas solares que concentram o calor em torres centrais já permitem que elas operem 24 horas por dia – o calor acumulado sob a forma de sal pastoso é utilizado para mover turbinas quando não há radiação solar.

Outras formas de estocagem de energia avançam rapidamente e, aqui, vale assistir à apresentação de Elon Musk no lançamento das powerwalls (como traduzir?) da Tesla, que permitem a total autonomia energética dos consumidores domiciliares de eletricidade e até de outros de porte um pouco maior. (As legendas em inglês podem ser ativadas; essa apresentação foi escolhida pelo estilo de Elon Musk).

A Tesla não é a única a estar produzindo essas baterias, que já ganham espaço na Austrália e na Europa.  E, muito provavelmente, o Brasil continua exportando os minerais e terras raras necessários à sua fabricação sem qualquer beneficiamento.

Assim, não há como aumentar a receita do poder público e gerar empregos para realmente sair da crise de maneira que não seja imaginária ou apenas transitória.

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?