Agricultura urbana, hidroponia vertical e segurança alimentar


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A agricultura urbana vem se expandindo nos países mais desenvolvidos, onde existe uma boa percepção da segurança alimentar e, também, dos custos de transporte de alimentos até os pontos de abastecimento de grandes cidades.

No torpor mental em que o Brasil se encontra, seria interessante que o poder público – em todos os níveis – incluindo prefeitos – e a iniciativa privada pensassem mais nessa alternativa.  Afinal, o país é um grande exportador de alimentos mas deles carece o consumo humano a preços menos sujeitos às oscilações do clima e do consumo de combustíveis.

Não há nada de novo na hidroponia.  Ela já é usada até mesmo no interior do nordeste brasileiro, e deveria ser incentivada em decorrência do baixo consumo de água e de pesticidas.  Boa parte dos vegetais que chegam à mesa dos cidadãos das grandes cidades brasileiras já é produzida por esse método.  Assim, os exemplos que se seguem envolvem apenas um elemento adicional: a redução do custo de transporte!  Nada que não se possa fazer no Brasil.  E algo que os municípios podem ajudar a estimular.

A forma mais inovadora – e talvez a mais econômica – de produção de alimentos para o abastecimento de grandes centros urbanos tende a ser a agricultura hidropônica vertical, que reduz em até 95% o consumo de água, não está sujeita às oscilações do clima, não usa pesticidas e não contamina os recursos hídricos com nutrientes de fertilizantes.

Mesmo para aqueles que não entendem o inglês, as imagens de uma curta reportagem podem dar uma excelente ideia do que está sendo feito em diversas partes do mundo.   Trata-se apenas de uma das empresas norte-americanas que vêm se expandindo rapidamente.  A Bloomberg, uma mega-empresa de consultoria financeira, não costuma jogar conversa fora com notícias sem relevância nos setores que despertem a sua atenção.

A reportagem abaixo, do Discovery Channel, pode ter as legendas em inglês ativadas, e começa com um exemplo de fazenda vertical urbana em Singapura, combinando a produção de vegetais e a piscicultura, com significativa redução nos desperdício de alimentos, num belo exemplo de economia circular.

O exemplo da China, ainda que não muito diferente, também merece visualização (as legendas em inglês podem ser ativadas).

Não é uma boa ideia ficar esperando por uma solução mágica vinda de um governo central ou de governos estaduais cujas propostas até agora se limitaram à redução do deficit público (algo necessário, mas insuficiente).  Os municípios podem e devem tomar iniciativas nessa área, no mínimo flexibilizando o zoneamento urbano.

Faz-se urgente a introdução de políticas públicas setoriais envolvendo inovação, eficiência e dinamização da economia real por baixo dos grandes números do deficit público.

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Algum desses financistas / contadores ou mesmo empresários já se perguntou que parcela do custo da produção de alimentos vegetais refere-se ao transporte dos produtos da fonte até os locais de distribuição, incluindo o trânsito pesado?

E, ressalte-se, não há necessidade de alta tecnologia para fazer algo assim, apenas de bons agrônomos e um pouco de apoio financeiro para a elaboração e implantação dos primeiros projetos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?