A Índia comprova a viabilidade de barcas solares de passageiros


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O estado de Kerala, na Índia, comprovou a viabilidade técnica e econômica de embarcações solares, com redução de 97% nos custos operacionais de embarcações de transporte público com capacidade para 75 passageiros sentados.

Com base nessa experiência, o governo central da Índia já deu indicações de que aprovará um pedido de subsídios para a construção de outras 10 embarcações similares, apenas com ajustes no desenho para adaptá-las a outros corpos d’água.

Como ocorre nessas situações, foram constatadas tentativas de sabotagem do catamarã, que já demonstrou, também, ter muito maior estabilidade do que as embarcações até agora usadas na Índia.  Ainda não há notícias sobre investigações.

A empresa que fabrica as embarcações – Navgathi – já fabrica embarcações com capacidade de até 150 passageiros!

A história das pesquisas, testes e uso de embarcações solares ou híbridas de pequeno porte não é recente.  Mas, finalmente, em 2012, a primeira circunavegação do planeta foi completada por um iate-catamarã que percorreu 60.000 km, visitando 28 países, ao longo de cerca de 2 anos.  Um sem número de embarcações solares já cruzaram o Atlântico.

Em maio de 2015, um ferry elétrico – ainda que não solar – de grande porte entrou em operação na Noruega: o Ampere, com capacidade para transportar 120 automóveis e 12 caminhões, fazendo 34 viagens por dia numa travessia de 5,7 km.  Em novembro de 2016, essa embarcação já havia completado 116.000 km de navegação.

Com base nessa experiência, a Siemens realizou uma análise do projeto e concluiu que as 112 rotas no país podem ser atendidas por embarcações elétricas com uma taxa de retorno – payback – de 5 anos, considerados todos os parâmetros técnicos.

Novas encomendas desse tipo de embarcação de maior porte já estão sendo feitas na Noruega, diversos outros países já avançam no mesmo sentido, e são muitas as regiões do mundo que adotaram embarcações elétricas de pequeno porte para o turismo em águas interiores, objetivando evitar a poluição de seus lagos.  Essa é uma ótima alternativa para as lagoas costeiras do Rio de Janeiro e, em especial, para as lagos Rodrigo de Freitas e da Barra da Tijuca.

No momento em que a prefeitura do Rio de Janeiro volta a falar em transporte em águas interiores ou costeiras, essas alternativas merecem consideração, entre outras coisas em decorrência da estabilidade, do silêncio e da total ausência de poluição resultante do uso de motores a diesel.

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Impossível aceitar que a travessia da baía de Guanabara ainda seja feita por barcos velhos, antiquados, que não recebem manutenção adequada e apresentem problemas com frequência.  Quando foi mesmo a uma auditoria técnica e econômico-financeira determinada pela agência reguladora nas operações da concessionária?  Hora de liberar outras concessões, com embarcações de menor porte que façam o trajeto para novas direções, como Botafogo ou Caju / Ramos.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?