A Namíbia já faz reuso potável de água para abastecimento público desde 1968


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Windhoeke, capital da Namíbia, iniciou o reuso de água de esgotos para o abastecimento de sua população desde 1968!

Windhoek tem uma população de 380.000 habitantes que cresce a uma taxa anual de 5%.  Essa capital situa-se a uma altitude de 1.600 m, com chuvas anuais de apenas 370 mm, numa região onde a taxa de evaporação anual situa-se na faixa de 3.000-3.500 mm.  A cidade encontra-se a 300 km do oceano Atlântico e o rio perene mais próximo encontra-se a 700 km de distância.  Secas ocorrem com regularidade, o que motivou a iniciativa (a dessalinização e o bombeamento de água seria seguramente uma opção não econômica).

Os efluentes de uma estação de tratamento secundário de esgotos são em grande parte utilizados no abastecimento da população – o reuso industrial é estritamente separado do consumo humano.  Todo o sistema foi concebido para evitar vírus e outros patógenos, bem como elementos-traço (isto é, em quantidades apenas detectáveis), que pudessem resultar em riscos para a saúde humana.

Desde o início desse programa nunca ocorreram problemas com a transmissão de doenças por via hídrica ou outros impactos negativos sobre a saúde da população.

“O desenvolvimento econômico e social da cidade não teria sido possível sem esse tipo de reuso.”

Os níveis de precipitação pluviométrica em Windhoeke são inferiores aos da região nordeste do Brasil.  Nesta região, as chuvas do litoral leste alcançam a média de 1.000 mm/ano, reduzindo-se progressivamente quando se avança em direção ao Agreste e chegando a 500 mm/ano no Sertão, como se pode ver aqui.

As políticas públicas brasileiras – federais e estaduais – sobre a gestão de água precisam avançar nessas regiões, com a absorção de tecnologias já consagradas.

Os dados gerais do projeto foram expostos num webinar sobre reuso de água e dessalinização promovido pela International Water Association /  Associação Internacional de Água . A íntegra do webinar foi gravada e disponibilizada no Vimeo abaixo.  A apresentação sobre o projeto de Windhoeke inicia-se aos 15:50 minutos do webinar.  Ela é antecedida de um panorama dessas iniciativas e seguida por outros casos, incluindo a reinjeção de água tratada no subsolo para conter a intrusão de língua salina e a dessalinização.

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?