Estocagem de energia – Mercado explosivo


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O mercado de equipamentos de estocagem de energia continua “explodindo”, crescendo a taxas exponenciais.  Só nos EUA, as previsões são de que em 2017 as novas instalações atinjam 6.000 MW, saindo de uma base de apenas 340 MW em 2012-2013.  As previsões constantes da página da Associação de Estocagem de Energia dos EUA indicam que a instalação anual de capacidade adicional deve atingir 40.000 MW em 2022.

Os sistemas de estocagem de energia vêm avançando de maneira acelerada, viabilizando mais instalações solares e eólicas tanto para gestão eficiente das redes de transmissão e distribuição inteligentes quando para assegurar a autonomia dos clientes (após o medidor de consumo individual – industrial, comercial ou residencial).

O vídeo abaixo mostra, em poucos minutos, como o Havaí anunciou, em abril de 2017, a sua autossuficiência em energias renováveis através da implantação de um sistema de estocagem de energia solar e eólica, assim como políticas na mesma área adotadas na Califórnia (vale ativar as legendas em inglês).

Mas a verdade é que desde pelo menos 2014 algumas cidades, como Nova York, já investem em sistemas de estocagem de energia para melhorar a gestão de seus sistemas de produção, transmissão e distribuição, com redução dos preços finais para os consumidores (é óbvio que nada disso seria feito se benefícios para os consumidores finais e, portanto, para a economia em geral).

De fato, atualmente, cerca de 60 milhões de consumidores de energia em treze estados norte-americanos (além da capital, DC) já são de alguma forma atendidos por sistemas de estocagem de energia com significativas reduções nos preços finais.  O mercado desses sistemas de estocagem, que eram de apenas US$ 200 milhões em 2012, foi catapultado para US$ 19 bilhões em 2017.

Sistemas de estocagem de energia poderiam ser utilizados no Brasil para melhorar o rendimento de centrais solares se redes inteligentes já estivessem implantadas – ou seja, se a ANEEL não fosse refém e indutora da preguiça das concessionárias.  Tais sistemas gerariam empregos e reduziriam os preços da eletricidade, com impactos positivos na economia em geral.  Mas, para isso, seria também necessário ter “política econômica” que não se limitasse ao encontro das colunas da receita e da despesa, mas se estendesse a estímulos para tecnologia de ponta em geral, com redução dos impostos de importação e o fim da exigência genérica de “conteúdo nacional” nos financiamentos do BNDES.

Também são imprescindíveis políticas setoriais que não sejam instrumentadas pelos grupos fabricantes de usinas térmicas, mas isso aí é bem mais difícil em decorrência da usual aversão do poder público brasileiro à inovação.

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Estes comentários se concentram na disseminação dos sistemas de estocagem de energia nos EUA, mas o mesmo está acontecendo na Europa, na Austrália e em boa parte da Ásia.  Em todos os casos, há variadas tecnologias no mercado e sempre sendo aperfeiçoadas.

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! – e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

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