Mudanças climáticas – Temendo a “esterilização” do texto, cientistas vazam documento oficial


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O pensamento retrógrado de Trump fez com que, pela primeira vez, funcionários das agências governamentais norte-americanas vazassem para a imprensa a minuta do minuta do último relatório do Relatório do Programa Norte-Americano de Mudanças Climáticas Globais.  O que vazamento para a imprensa de informações de interesse público sonegadas pelos governos deveria ser uma prática ética amplamente adotada.  É o que deveriam ter feito os responsáveis ou participantes do relatório brasileiro que já estava na gráfica quando o ministro Roberto Mangabeira Unger chateou-se e mandou tudo para o lixo.

O link acima permite o acesso ao documento integral que, no entanto, ainda é de difícil leitura por não se tratar da versão aprovada pelo governo e conter numeração de parágrafos.  No entanto, é possível destacar as principais conclusões, contidas no capítulo intitulado Mudanças no Clima Global.

Os diversos parágrafos terminam com expressões como “alta confidencialidade” e “muito alta confidencialidade”.

  1. O clima global continua mudando rapidamente quando comparadas, essas mudanças, com as que ocorreram ao longo da história do planeta.  As tendências na temperatura média global, na elevação do nível dos oceanos, na temperatura da camada superior dos oceanos, no degelo nas mais variadas regiões e outras variáveis fornecem evidências de um planeta em aquecimento.  Essas tendências observáveis são muito robustas e foram confirmadas por grupos de pesquisa em todas as partes do mundo. (“Confidencialidade muito alta”).
  2. A frequência e a intensidade de fortes precipitações e ondas de calor estão crescendo em todas as regiões do mundo.  (…)  As tendências para outros tipos de eventos extremos, como enchentes, secas, e intensas tempestades têm características mais regionais. (“Confidencialidade muito alta”).
  3. Muitas evidências demonstram que as atividades humanas, em especial as emissões de gases causadores do efeito estufa, são as principais responsáveis pelas mudanças climáticas observadas na era industrial.  Nenhuma explicação alternativa e nenhum ciclo natural podem ser achados para justificar as mudanças observadas. (“Muito alta confidencialidade”)
  4. As projeções são de que as mudanças climáticas continuarão ao longo deste século e além dele.  A magnitude dessas mudanças nas poucas décadas à frente dependerá basicamente das quantidades de gases causadores do efeito estufa (que retêm o calor) emitidas e da sensibilidade do clima da Terra para essas emissões. (“Muito alta confidencialidade”)
  5. As variações naturais, incluindo o El Niño e outros padrões recorrentes das interações entre os oceanos e a atmosfera  têm influências importantes mas limitadas no clima global ou regional em escalas de tempo que vão de meses a décadas. (“Muito alta confidencialidade”)
  6. Os registros de longo prazo indicam que nas décadas recentes as temperaturas foram muito mais elevadas do que em qualquer época desde há 1.700 anos ou mais. (Alta confidencialidade)

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Enquanto alguns relatórios dependem da aprovação da Casa Branca para a sua divulgação final – entre outras coisas porque resultam do trabalho conjunto de diversas agências -, outros não requerem a regressão medieval anti-científica de Donald Trump.  Entre esses, um relatório sintético da Administração Nacional da Atmosfera e dos Oceanos, conhecido pela sigla NOAA, no qual destaca-se a elevação dos níveis de emissões/concentrações atmosféricas do metano, que tem efeitos mais graves do que as emissões de carbono (consideradas as diferenças quantitativas).

O gráfico abaixo, constante do relatório, mostra que após uma relativa estabilização por poucos anos,

 

 

 

 

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A pergunta que não quer calar é: além de se comprometer a reduzir as suas emissões, o que exatamente o poder público brasileiro – em qualquer nível – têm feito para aumentar a resiliência das cidades e das regiões?  Um país que se defronta com uma “crise hídrica” que já dura há sete anos, com aumentos frequentes nos preços da eletricidade e mesmo do abastecimento de água, com grandes riscos, não se move além de alguns poucos / escassos estímulos para promover a geração eólica e solar descentralizada?

Zero planos para a gestão dos recursos hídricos num quadro de mudanças climáticas aceleradas!

Cidades, municípios e regiões não devem ficar esperando por uma solução vinda dos poderes federais!  E tampouco os cidadãos….

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

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