A bandeira vermelha na tarifa de eletricidade e a incompetência institucionalizada


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Com o total domínio da força da inércia e da preguiça que lhe são características, a carimbadora de reajustes solicitados pelas concessionária que atende pelo codinome de ANEEL tungará novamente o bolso dos consumidores de energia elétrica a partir deste início de novembro, com a achaque destinado a financiar novas  térmicas de reserva e a dar vazão ao caro gás da obsoleta Petrobrás.

Como o Brasil não tem qualquer política de segurança hídrica e a maioria de sua geração de eletricidade é de fonte hídrica, qualquer seca mais prolongada compromete tanto a geração de energia elétrica quanto o abastecimento público de água.

Como o planejamento do setor elétrico no Brasil é uma esculhambação, só se consideram os interesses já consolidados das térmicas e a mesmice caricatural do do jovem ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, descendente de um clã político oriundo de Petrolina, em Pernambuco.  Nada demais, já que pior do que Edison Lobão seria no mínimo altamente improvável.  Mas, na prática, a diferença entre ambos é mínima, já que navegam com a corrente, sem nenhuma noção de estratégias, de planejamento de menor custo (least cost planning), de custos evitados ou sequer de tendências mundiais nos campos do desenvolvimento tecnológico e da segurança energética.

Em resumo, querem porque querem mais termelétricas para melhor atender aos interesses já constituídos, evitando estudos mais consistentes e a inovação.

O Brasil está muito atrasado até mesmo na geração hidrelétrica ou na gestão de seus recursos hidrelétricos.  Para não falar na exaustivamente estudada repotencialização das hidrelétricas brasileiras – a começar pelas mais antigas -, ou seja pela mera troca de turinas por outras mais modernas e eficientes, até a automação das mesmas e a adoção de redes inteligentes (smart grids) que conectam os consumidores diretamente às geradoras, de maneira a que eles possam também ajustar os seus picos de consumo, o Brasil está atrasadíssimo.

Afinal, nessas medidas que aumentam a eficiência geral do sistema não trás oportunidades para as mastodônticas e anacrônicas empreiteiras brasileiras que só conseguem ter como meta a venda de horas de máquinas pesadas e Deconcretagem, nunca de tecnologia.

Enfim, tudo isso já é por demais conhecido.  E inaceitável porque resulta em prejuízos imensos para os brasileiros e para a economia nacional   O ponto adicional, agora, é o também já anacrônico sistema de leilão de compra de eletricidade oriunda de fontes renováveis como algo separado do conjunto do setor.

De fato, enquanto os outros países avançam no sentido da adoção de sistemas solares que incluam estocagem de energia – sistemas de baterias de grande porte ou residenciais (battery storage) ou sistemas de estocagem em meios fluidos com altíssimas concentrações de sal (molten salt), que ainda têm um custo mais elevado mas permitem a acumulação da energia para ser despachada 24 horas por dia ou fora dos horários da geração solar (por exemplo).

Pois bem, os cálculos da geração solar no Brasil simplesmente não consideram que essa fonte pode ser utilizada durante o dia para estocar água/geração hidrelétrica nos reservatórios, um sistema de estocagem já amortizado.  Nada!  Cada coisa na sua caixinha, porque as caixinhas “mentais” são muito reduzidas e não se intercomunicam.

Como se não bastasse, é claro, o Brasil não adota práticas já disseminadas há décadas nos países sérios onde não predomina o estatismo ou os feudos de grupelhos partidários: o bombeamento reverso para reservatórios intermediários.  Tais sistemas já são usados há décadas, o maior deles encontrando-se na China e um dos menores da Grécia.

Mais recentemente, já se iniciaram os sistemas de estocagem de energia eólica e elétrica para bombear água para reservatórios mais altos, como se pode ver no vídeo abaixo (vale ativar as legendas).

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

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