Estocagem de energia solar e eólica em mega-baterias – Austrália inaugura uma com capacidade de 100 MW


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Um dos problemas centrais das energias renováveis – excetuadas as células de combustível/hidrogênio – é que nem sempre a geração se dá nos momentos de maior consumo.  Daí a preocupação com a estocagem, entre outras como as redes inteligentes (smart grids).

O Brasil tem um sistema de estocagem já implantado mas mal utilizado no que se refere à sua integração com a energia solar e eólica: os reservatórios das hidrelétricas.  Se as assim chamadas autoridades setoriais soubessem fazer contas ligeiramente mais sofisticadas e cuidassem da automação das hidrelétricas, estocaria água – e portanto energia – nesses reservatórios no período da geração com energias renováveis fora dos horários de demanda de pico.

Países que não têm essa alternativa, como a Austrália, optaram pela estocagem de energia eólica e acaba de completar a implantação da maior bateria de lítio-íon do mundo, com capacidade de 100 MW.

O sistema foi instalado em Hornsdale, no sul da Austrália, utilizando uma rede de empresas líderes no setor, com capacidade de 100 MW na primeira fase e o preço mais baixo de geração de energia renovável já alcançado no país, total transparência por parte da empresa e também das autoridades governamentais.

Uma parte divertida da história foi que quando encomendada a mega-bateria à Tesla, Elon Musk declarou, através das mídias sociais, que se a bateria não fosse entregue em 100 dias, ele assumiria a conta (algo na faixa de US$ 100 milhões).  E a Tesla entregou o equipamento no prazo, depois de vencer uma concorrência com 90 outras empresas.

O sistema entra, agora, em fase de teste.

É hora do Brasil começar a comparar os preços de novos gasodutos e termelétricas ditas “de reserva”, que não operam quando o regime de chuvas é favorável mas ainda assim são pagas por todos os usuários, com os preços da reservação em baterias, na geração de células de hidrogênio ou mesmo no melhor uso dos reservatórios como formas de estocagem.

Tais estudos deveriam, obrigatoriamente, constar do licenciamento ambiental – que inclui a obrigatoriedade de alternativas tecnológicas -, já que a ANEEL não avançou muita coisa em seus conceitos desde a sua criação.  Mas isso requer o trabalho conjunto da engenharia de boa qualidade com analistas financeiros competentes e criativos, combinação que não é comum em órgãos governamentais brasileiros.

 

 

 

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! – e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

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