ONS e CHESF demonstram despreparo ou irresponsabilidade mesmo


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De repente, a vazão de um rio passa de 550 m³/segundo para 1.000 m³/segundo.  E sai inundando tudo rio abaixo, com perdas para a população ribeirinha.  Não é a primeira vez que isso acontece, mas uma estatal do governo – a CHESF – acusa um órgão do mesmo governo – o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, que teria dado uma ordem “emergencial”.  No marasmo geral em que o país se encontra na área de políticas públicas, a notícia passou meio desapercebida.  O  ministro de Minas e Energia não foi questionado e nem se pronunciou.  Ganha uma passagem para Petrolina quem souber o nome de memória e algo da experiência dele no setor energético.

Afinal, ninguém estava acompanhando a elevação do nível de água do reservatório da Hidrelétrica de Xingó?  Certamente, não!  Não há tampouco indícios de que exista um sistema minimamente automatizado de coleta e transmissão de informações em tempo real, ou de automação das comportas para a sua abertura gradual.

Como a elevação da vazão de descarga “emergencial” – que causou inundações e prejuízos – deu-se apenas por algumas horas, fica a pergunta: o Operador Nacional do Sistema Elétrico e a CHESF não sabem e nem podem saber exatamente o que fazem se não têm um sistema de informações em tempo real e a modelagem matemática que preveja a necessidade da abertura das comportas.

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Para a melhor gestão do sistema elétrico brasileiro, faz-se urgente tanto a automação das hidrelétricas quanto a implantação de redes inteligentes – já um padrão nos países sérios – que, aqui, são muito faladas mas só avançam a passos de cágados.

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Desconhecimento, falta de capacidade de estabelecer prioridades e normas em decorrência da indicação de apadrinhados despreparados de “políticos” para os cargos de comando, despreparo do próprio ministro, lerdeza devido ao fato de que investimentos em tecnologias não criam oportunidades para a “propinocracia” das antiquadas empreiteiras, ou um pouco de tudo na geleia geral da “politica” brasileira que há muito abandonou qualquer noção de Nação?

O setor elétrico brasileiro já foi melhor e não se preparou para a nova era de automação e geração decentralizada de energia!

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

3 comentários sobre “ONS e CHESF demonstram despreparo ou irresponsabilidade mesmo”

  1. A Chesf só recebe ordens com a obrigação de cumprir, afinal é uma concessão. A bacia é controlada pela ANA e ONS. E ultimamente a ANA passou a decidir os rumos do Rio devido ao baixo volume dos reservatórios.
    Ah, e o controle e o monitoramento da Chesf ocorre em todo a bacia em tempo real.

  2. Ótimo texto Luiz! Continuar incomodando as pessoas mostra que você está no caminho certo. Grande abraço!

O que você pensa a respeito?