Agência regulatória de energia dos EUA rejeita proposta anacrônica de Trump – Como seria algo assim no Brasil?


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Em países onde as agências regulatórias são sérias, “ordens” presidenciais são rejeitadas como sugestões e propostas de quaisquer outras organizações e entidades.  Isso ocorreu há dias com uma proposta de Trump voltada para subsidiar a geração de eletricidade de fontes térmica a carvão e nuclear.  A decisão dos 7 conselheiros da agência regulatória de energia dos EUA foi unânime, mesmo com 4 deles tendo sido indicados pelo atual presidente.

Um comentarista da área ironizou a proposta de Trump: os fatos ainda importam e ao recusá-la a Agência equivalente à nossa ANEEL – conhecida pela sigla FERC – evitou que essas fontes de geração de eletricidade empurrassem na conta dos clientes e/ou dos pagadores de impostos uma conta de US$ 1,4 bilhão ou o equivalente a R$ 4,3 bilhões.

O que aconteceria se fosse no Brasil, onde o setor é gerido por uma agência de indicações político-partidárias que se limita a reajustar os valores, seja lá quais forem.

Bem, no Brasil ainda estamos no tempo das térmicas de reserva, movidas a óleo diesel, alguns antigos, sem que haja qualquer tipo de auditoria para verificar se os equipamentos já foram amortizados ou se a manutenção está sendo feita de maneira adequada para que não haja redução do fator de capacidade, se as mais modernas tecnologias de controles digitais foram adotadas e que benefícios trariam, e por aí afora.

Então, a sociedade é refém de um sistema que não é transparente, sem indicações dos valores reais envolvidos em cada térmica, desde a depreciação e amortização, e assim por diante.  Parte-se do princípio que geração térmica é o melhor caminho porque beneficia os interesses já existentes e enche de dinheiro as empresas dos amigos dos amigos.  E dispensam auditorias técnicas periódicas mesmo que seja só para verificar se os níveis de eficiência e de obsolescência dos equipamentos (desconsideram os avanços tecnológicos que continuam ocorrendo também nessa área).

Fartam-se com o risco zero os produtores independentes de energia que têm contratos de longo prazo com o poder público na modalidade de energia de reserva…  e todos pagam a conta!  Dirigem à noite sem faróis e com os olhos voltados para o retrovisor.

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?