Combustíveis – O poder público e a Petrobras sonegam informações


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O debate em torno dos elevados preços dos combustíveis fósseis no Brasil não é produtivo porque sonegam informações básicas.

De fato, todos os países têm acesso aos mesmos preços internacionais de petróleo, e segundo fontes internacionais as diferenças nos preços ao consumidor são devidas aos impostos e taxas locais.

No entanto, tais fontes não são suficientes para explicar as imensas diferenças de preços entre os diversos países.  Ainda sabendo que os impostos sobre combustíveis fósseis no Brasil sejam elevados, nesse raciocínio não encontram incluídos fatores como (a) a situação de monopólio de fato da Petrobras e (b) os custos de extração do petróleo em águas profundas quando comparados com os preços internacionais.

De fato, os custos de produção de petróleo no Brasil são muito mais elevados do que em outras partes do mundo.  Tomando por base os custos por barril no ano de 2016, US$ 34,99 no Brasil, contra US$ 26,64 no Canadá, US$ 21,31 na Noruega, US$ 20,99 nos EUA, US$ 19,21 na Rússia e US$ 8,98 na Arábia Saudita.  O link anterior, trecho sublinhado, permite ver não apenas os custos totais mas, levando-se o cursor a cada barra do gráfico, é possível ver, também, as taxas incidentes sobre a produção, deixando evidente que os preços não se elevam em função dessas taxas e nem dos custos administrativos e de transporte.

 

 

 

 

 

 

 

Então, pode-se deduzir que os muitos reajustes sucessivos feitos pela Petrobras em seus preços na refinaria não se devem às variações dos preços internacionais – ao menos não apenas -, mas a outros fatores sobre os quais não existe qualquer transparência ou um mínimo de esforço para dar transparência aos números.

Da mesma forma, não há uma política clara para o setor, exceto aquela de ocultação de responsabilidades.  E esse não é um fenômeno apenas da atual administração – para evitar a turma que gosta de polarizações maniqueístas do tipo “esquerda” X “direita”, mas uma tradição de arranjos entre amigos entre a Petrobras e o poder público.

Considerando o imenso impacto dos derivados de petróleo na economia brasileira, deveria ser exigido que os postulantes aos cargos públicos nas próximas eleições apresentassem propostas concretas baseadas em análises mais aprofundadas do cenário nessa área, em lugar do usual blá-blá-blá genérico.  Afinal, de que servem candidatos escoltados por grandes nomes da economia que se comportam com contadores e se limitam a falar em reduzir o deficit nas contas públicas?  Com essa linha de “pensamento” um petróleo mais caro é bom porque implica em maior arrecadação, assim como a doença gera mais crescimento do PIB do que a saúde.

A questão é: ao pagar um preço muito mais elevado pelo combustíveis fósseis, os brasileiros não estariam subsidiando a extração de um petróleo demasiadamente caro em benefício de uma empresa ineficiente?

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?