A Petrobras e o Brasil em questão – Até quando essa estatal será um bom investimento


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Novamente, um estudo de grande seriedade indica que o petróleo pode perder rapidamente o seu peso relativo na economia internacional em decorrência dos rápidos avanços nas energias renováveis e na área de eficiência energética em geral.

“A rápida redução na demanda por combustíveis fósseis poderá resultar em perdas econômicas entre US$ 1,3 e US$ 5.3 trilhões até 2035”, afirma o estudo (cf. reportagem do The Guardian com o cursor no trecho acima sublinhado, que contem um link para o estudo em negritos).

Em palavras simples, mais uma vez demonstra-se que investimentos em combustíveis fósseis podem simplesmente resultar em prejuízos num prazo relativamente curto.  Nas estimativas do novo estudo, isso acontecerá até 2035.

E justamente por essa razão multiplicam-se os “desinvestimentos” em combustíveis fósseis já iniciados há alguns poucos anos em particular por grandes fundos de pensão (que têm o olhar de mais longo prazo).  Não se trata apenas e nem principalmente de uma questão apenas ou principalmente ética, mas sim de um conjunto de indicadores econômicos provenientes de avanços tecnológicos.

Aqui, vale transcrever algumas considerações feitas pelo especialista Sylvio Eugenio de Araujo Medeiros, mestre em gestão previdenciária que, em comunicação pessoal, afirmou que nesse campo (previdenciário), 17 anos é considerado curto prazo (de 2018 a 2035).

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Preocupo-me sempre com a Petrobras. Entre as minhas inquietações está seu direcionamento estratégico, que parece apostar na longevidade do petróleo.

Não sou especialista em óleo e gás, mas tenho lido alguma coisa sobre as mudanças nas matrizes energéticas de vários países. Me parece bem claro que cada vez mais, as energias limpas ganham espaço frente às geradas por combustíveis fósseis.

Às vezes, as informações estão em detalhes. Chegava de avião no Galeão e percebi cartazes da Total. Nenhum deles mostrava qualquer atividade ligada ao petróleo, embora todos mostrassem fontes energéticas. Ou seja: o negócio dessa empresa é energia, não petróleo e seus derivados.

Estamos falando em pré-sal como se fosse uma avenida para o amanhã, mas não podemos nos esquecer que o futuro depende da redução de emissões de carbono. Essa preocupação chega a tal ponto que todos os organismos internacionais de financiamento e fomento têm linhas para investimentos na redução das emissões de carbono e nenhum deles para obras ligadas à exploração de petróleo.

Há previsões da University of Singularity que apontam que em no máximo 10 anos, as empresas petroleiras estarão quebrando.

Então, mais do que fixarmos o futuro da Petrobras na transitoriedade da formação de preços de derivados de petróleo, temos que olhar para o fim da linha que ela vem seguindo, de apostar na sobrevida da velha economia.

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Num país que não consegue pensar direito sobre o que há que ser feito no próximo ano e no  qual tanto governantes quanto candidatos – em todos os níveis de poder – continuam na velha “política” do lero-lero genérico, esse prazo é certamente muito longo.  Mas é indispensável que tais tendências mundiais sejam consideradas, ao menos para reflexão sobre se ainda é possível recuperar algo daquele Brasil que já foi um país do futuro.

O Brasil ainda engatinha no campo das energias renováveis – que hoje já inclui sistemas de estocagem bastante sofisticados e seguros -, para não falar na eficiência energética – inclusive na construção civil e instalações prediais.

Os preços das energias renováveis – solar e eólica – vêm caindo tão rapidamente que hoje tais fontes já são superam em preços o carvão e começam a empatar com os demais combustíveis fósseis.  Em escala das concessionárias, os preços das energias renováveis já serão menores do que as demais fontes fósseis em 2020.

O Brasil tem um sistema de estocagem de energia já amortizado, já pago, que pode ser muito melhor utilizado: os reservatórios das hidrelétricas.  Consumindo a eletricidade de outras fontes durante os períodos do dia em que as fontes  renováveis estão em suas melhores posições, estoca-se energia sob a forma da água nesses reservatórios.   Mas não é isso que acontece, e são mantidos leilões separados para cada fonte.

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O ministro de Minas e Energia – temporariamente, Moreira Franco – poderia muito bem dar um uso nobre aos jatinhos da FAB que transportam autoridades e dar um pulo ao Chile para ver como o país passou de importador a exportador de energia num tempo bastante curto investindo em geração solar com estocagem de energia no deserto de Atacama.

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Por enquanto, seria bom pelo menos parar com a baboseira de concluir Angra III, cujos preços nunca mais serão minimamente competitivos com as fontes renováveis (sobretudo se considerados os custos de estocagem dos resíduos nucleares).

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?