Shell reconhece que capitais estão fugindo do petróleo – Petrobras insiste em cobrir rombos da roubalheira e da má gestão


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Avança o movimento internacional pelo “desinvestimento” na área de combustíveis fósseis, que já levou alguns dos maiores fundos de pensão e até mesmo fundos soberanos do mundo a anunciarem que não colocariam mais dinheiro nesse tipo de fonte de energia.

Pela primeira vez, uma grande petroleira – a anglo-holandesa Shell – reconheceu, em seu Relatório Anual, que essa fuga de capitais é preocupante.  Além dele, o crescente número de processos judiciais de todos os tipos, incluindo por sonegação de informações sobre os riscos dos investimentos em energias fósseis resultantes das mudanças climáticas.

Além disso, no capítulo sobre “sustentabilidade“, o Relatório admite que é imperativo mover o planeta na direção de uma economia de baixo carbono, já que “as mudanças climáticas são amplamente causadas pela emissão de gases decorrente do uso de combustíveis fósseis”.

De fato, a organização 350.org estima que 688 instituições e 58.399 indivíduos (leia-se, bilionários) em 76 países já se comprometeram a afastar-se dos combustíveis fósseis, o que resultará numa saída de US$ 6 trilhões desse tipo de investimento.

O movimento de desinvestimento em combustíveis fósseis não é novo, mas vem se alastrando, como se pode ver na reportagem abaixo do reputado jornal inglês The Guardian (é possível ativar as legendas).

A questão é: por que os brasileiros e a economia do país teriam que continuar a sustentar a Petrobras e sua péssima gestão, recheada de privilégios, que têm como alvo um petróleo de profundidade cujo extração tem custos bastante elevados?  Não seria melhor pressioná-la para pelo menos tomar iniciativas básicas na área de energias limpas?  Ou, caso isso seja difícil em função da inércia – a Total pelo menos finge! -, passar a outras formas de ação direta.

A Petrobras foi, no passado, motivo de orgulho.  Agora, é só um rombo na economia nacional – em função do alto preço dos seus combustíveis – e motivo de muita preocupação.

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A Petrobras anunciou, hoje, uma parceria com uma outra estatal, chinesa, para dar continuidade à implantação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ, cujas obras foram alvo de investigações da Lava Jato e encontram-se paralisadas, abandonadas de fato, há anos.   Os chineses vão querer trazer uma refinaria pronta.  A Petrobras – que além de estatal é listada em bolsas – afirmou que não poderia divulgar os termos do acordo  Isso, sim, é transparência.

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O etanol definitivamente não é uma solução, já que compete diretamente com a a produção de alimentos.  Evidentemente, o fim dos subsídios ao etanol – disfarçados na sua mistura obrigatória à gasolina – é imprescindível liberar a venda direta das usinas de álcool para os postos de abastecimento.

Há um grande número de outras medidas que podem e devem ser incentivadas, mas o desinvestimento na área do petróleo é uma excelente iniciativa.

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?