Congresso Nacional institucionaliza o roubo, estimulando a ineficiência do setor elétrico

O Mecanismo – como descrito na excelente minissérie sobre a Lava Jato, dirigida por José Padilha – age em muitas frentes simultaneamente.  São matilhas de lobos famintos no topo de todas as esferas de poder.  Agora, uma dessas matilhas age em prol de um pequeno grupo de concessionárias de energia elétrica.  E o Congresso Nacional prepara mais um bote nos bolsos dos brasileiros honestos, em detrimento de toda a economia do país.

A Câmara dos Deputados aprovou a institucionalização do roubo, da caridade com o dinheiro alheio, a ineficiência e a incompetência das concessionárias, ou tudo junto?

De fato, ao aprovar a gratuidade do fornecimento de eletricidade para as “famílias de baixa renda”, os parlamentares fizeram um pouco disso tudo e certamente beneficiaram as concessionárias com o repasse dessa conta para os consumidores residenciais em geral.

De fato, no pacote, encontram-se outros jabutis, desses que suas excelências aprovam por preguiça na esperança de que alguém vá vetar, ainda que os autores possam ter mesmo é recebido um jabá qualquer dos interessados, direta ou indiretamente.  Esse é o caso do repasse para os consumidores que pagam as suas contas das perdas com gatos e de parcela dos valores de gás utilizado pelas termelétricas.

Essa defesa do roubo institucionalizado tramita sob o olhar complacente da ANEEL – um escritório de defesa dos interesses das concessionárias e geradoras termelétricas “de reserva” (mas que recebem o delas permanentemente) -, e do MPF, que já poderia ajuizar uma cautelar para que O Mecanismo não se aposse ainda mais do setor elétrico brasileiro.

Para animar a leitura, algumas imagens um tanto pornográficas da suruba entre o poder público municipal da cidade do Rio de Janeiro, da Light, e das prestadoras de serviço de internet e de telefonia.  Uma beleza.  Depois, dizem que não sabem onde estão as perdas por ineficiência, os gatos, e pedem novos reajustes por serviços de péssima qualidade.

Isso, num bairro considerado “nobre”, na Barra da Tijuca, Avenida das Américas, lado oposto ao Barra Shopping, em frente a agências de grandes bancos, concessionárias de automóveis de luxo e um clube dito “social”.  O bairro pode ser nobre, mas o comportamento dessa gente é ignóbil.

Com essa lei de programa, misturam-se políticas públicas sociais de consistência no mínimo duvidosa com os interesses privados mais sórdidos.

Feiura pura.  Desempenho ignóbil como o dos congressistas de programa que apoiam projetos alheios também ignóbeis apenas em troca do apoio aos seus projetos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?