Roraima e segurança energética – Brasil, um país do passado

O Brasil opõe-se à inovação – mesmo quando já consagrada no mundo inteiro! – e continua movido pela mesmice, nessa época de rápidas transformações.  Um bom exemplo é o abastecimento de energia elétrica para o estado de Roraima, um problema já por demais conhecido, que se agravou porque a eletricidade do estado vem da Venezuela e o mesmo blá-blá-blá “emergencial” de sempre.  Nenhuma visão estratégica.

E isso não é coisa da atual administração que possa estimular os fora isso ou aquilo.  É assunto que vem de longe.

A “emergência” é tão antiga que vale começar voltando no tempo.  Já em 2015, sabia-se que Roraima era o melhor estado brasileiro para o desenvolvimento de energia solar e também excelente em termos de potencial eólico.  E nada foi feito.

A eletricidade de Roraima vem da caótica Venezuela que agora ameaça cortar o fornecimento porque não recebe os pagamentos da Eletronorte que alega que não consegue remeter o valor das contas pelo sistema bancário em decorrência das sanções impostas ao país por Trump, mas nem considera a troca das dívidas da Venezuela com o BNDES – até agora US$ 274 milhões  – como forma de compensar essa conta.

E a lenga-lenga cria as condições para a turma do “mais do mesmo” insistir na construção de uma linha de transmissão de alta tensão estima em R$ 2 bilhões, no chutômetro e sem usuais aditivos aos contratos (além dos pedágios para os indígenas – sempre intermediados pela Funai).  E sem prazo definido para a realização das obras.

Enquanto essa turma se reúne para tentar impor como “emergencial” uma dispendiosa solução antiquada.. mas de interesse dos empreiteiros amigos e ainda mais antiquados.

Os preços da energia solar vêm despencando no mercado internacional.  Ao final deste ano – 2018 -, será inaugurada no México uma ccentral fotovoltaica com capacidade para abastecer 1,3 milhão de residências. E com o tipo de leilão adotado depois de uma radical reforma no setor elétrico, o preço ofertado caiu de US$ 50 para US$ 20/MWh.  A mesma ENEL, responsável pela central em fase de conclusão no México, tem investido muito no Brasil mas só fará algo em Roraima se for autorizada pelo governo federal. (Valeria uma comparação entre os preços atingidos no México, considerados um recorde internacional, e os praticados no Brasil).

Para finalizar, e antes que algum otário venha dizer que a energia fotovoltaica não serve como garantia de energia “firme”, isto é, nos horários em que não há insolação, vale uma rápida pesquisa sobre tecnologias já amplamente adotadas no Chile, na Espanha, no Marrocos – entre outros: energia solar concentrada, mais conhecida pela sigla e pelo nome em inglês – CSP, Concentrated Solar Power.  Quem sabe um ministro das Minas e Energia brasileiro consegue ir de jatinho da FAB até o Chile, que de importador de eletricidade passou a exportador usando esse tipo de tecnologia e já oferta os excedentes para o mercado brasileiro.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?