Mudanças climáticas – Cresce a percepção e aumentam as reações


-- Download Mudanças climáticas - Cresce a percepção e aumentam as reações as PDF --


Universidade de Yale realizou a sua última pesquisa sobre a percepção pública dos norte-americanos sobre as mudanças climáticas: 73% dos entrevistados acreditam que as mudanças climáticas estão em curso com danos já acontecendo no presente.  Esse programa de monitoramento da opinião pública realizado por Yale iniciou-se em 2008 e alcançou o índice mais baixo em 2011.  Agora, apenas 14% dos cidadãos dos EUA acreditam que tais mudanças não estão ocorrendo, e 62% acreditam que as causas são as atividades humanas.  Com os devastadores incêndios na Califórnia nos últimos meses de 2018 e a temperatura de Chicago tendo sido inferior a algumas áreas da superfície de Marte em janeiro de 2019, esse número tende a aumentar (não importando o que pensa Trump).

Pela primeira vez, uma revista tão convencional quando The Economist publicou uma reportagem de capa acusando as petroleiras de mentirem, com ênfase no programa de investimentos da ExxonMobil que, como a Vale e a Petrobras, tem a cara de pau de ter uma área de sustentabilidade em sua página na internet.  “O mercado não pode resolver por si só os problemas das mudanças climáticas: uma vigorosa ação do governo se faz necessária”.

Em 2.000, a British Petroleum – BP desencadeou uma grande campanha na qual afirmava que a empresa estava se movendo para além do petróleo (bp – Beyond Petroleum, aproveitando a sigla da empresa). Mas o lero-lero durou pouco, e em 2013 a multinacional já o havia abandonado.  Nada diferente do cinismo da Total, que entrou no Brasil arrotando energias renováveis e logo se moveu em direção a propostas de exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas (licença felizmente negada pelo Ibama).

Ondas de ações judicias chegam aos tribunais norte-americanos alegando que as empresas de petróleo sabiam dos riscos das mudanças climáticas para seus acionistas e não os alertaram de maneira adequada.

Enquanto isso, o renomado MetOffice, Serviço de Meteorologia da Inglaterra, subordinado ao Ministério da Defesa (e, portanto, livre de “ambientalistas”), divulgou nas últimas semanas um relatório em que afirma que a década 2014-2023 será há mais quente dos últimos 150 anos, com chances de que até 2023 ocorram episódios de um aquecimento superior a 1,5 C, o limite proposto pelo Acordo de Paris.

Em novembro de 2018, o mesmo MetOffice publicou um estudo no qual enfatizava que extremos climáticos, como chuvas anormalmente intensas e concentradas no espaço territorial estavam diretamente correlacionas as mudanças climáticas, assim como a frequência e a intensidade dos furacões.

Sinais de esperança surgem um juiz australiano suspendeu, no dia 1/2/2019, a licença para uma nova mineração de carvão com base nos riscos relacionados às mudanças climáticas.   O juiz de apelação da instância superior recusou o recurso (aqui, daria STF, com efeito suspensivo até o final dos tempos).

Não há o que fazer?  Há, sim, e muito!  Trabalhar sobre os temas da segurança energética, hídrica e alimentar dos brasileiros.  Inclusive os governos estaduais e municipais, que podem, sim, ter planos e programas de proteção contra enchentes, de micro-geração distribuída, de proteção dos aquíferos subterrâneos, de reuso de águas e muito mais.

Já o governo federal, agora com um “ministro astronauta”, pelo menos ouvisse direcionasse o Painel Brasileira de Mudanças Climáticas a fazer coisas úteis, de interesse dos cidadãos e de uma sociedade de transição para uma nova realidade climáticas, já seria muito bom.

***

Com um pouco de animação ajuda, aí vai, um curto vídeo do Foro Econômico Mundial.

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?