Cedae, estações de tratamento de esgotos inoperantes, obstáculos à participação da iniciativa privada no setor


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A seguir, imagens aéreas de uma Estação de Tratamento de Esgotos – ETE da Cedae na Barra da Tijuca, nitidamente não operacional.  As imagens são dos últimos dias de abril de 2019.

Essa ETE foi inaugurada mais de uma vez.  Mas jornalistas nunca tiveram acesso ao seu interior.  Da mesma forma, uma deputada ex-presidente da Comissão de Meio Ambiente ou de Saneamento (não me lembro) da Assembléia Legislativa tentou uma visita “solo” e foi impedida.  Ninguém passa da sala na qual se fazem apresentações ilustrativas, animações mostrando como funcionaria a estação.

Talvez ela nunca tenha funcionado, ou só tenha funcionado parcialmente no início.  Mas as imagens mostram tanques de sedimentação vazios e até tubos de maior diâmetro abandonados.

Mas em torno dela ocorreu uma imensa badalação pré-eleitoral, como se pode ver nas imagens abaixo.

A questão não é saber se os penduricalhos do final da publicidade foram feitos ou não.  Não foram!

As questões centrais são (a) a ETE funciona de maneira apropriada e (b) que parcela do anunciado foi executada, se os recursos foram aplicados de maneira correta.

Por essas e outras, concessionárias como a Cedae – e não são poucas – são um estorvo a participação da iniciativa privada no setor de saneamento.  Elas não sabem o grau de obsolescência de suas redes, se é que têm as redes digitalizadas.  E quem vai querer investir em concessões que podem incluir grandes áreas com tubulações que já deveriam ter sido substituídas, além de um parque de hidrometração totalmente desatualizado (e antiquado)?

Não se trata de discutir se a Cedae prestou e ainda presta serviços à população, mas a qualidade e a eficiência desses serviços.  Além do conceito de que é possível lançar esgoto no mar por emissários sem tratamento (Ipanema, por onde são lançados os esgotos brutos de uma área que vai do Flamengo ao Leblon) ou só com tratamento primário (os países sérios exigem tratamento secundário).

Além do que, é evidente que se uma concessionária ou indústria privada fosse flagrada fazendo isso seria multada, haveria ACP por iniciativa do MP, e muita imprensa, ONGs, um fuzuê absoluto.

O “mercado” não vai resolver todo o problema de saneamento do Brasil, mas pode ajudar a direcionar os recursos públicos para áreas carentes enquanto áreas com mais alta renda são entregues a operadoras privadas, trazendo modernização tecnológica e até pagando direitos de outorga para um fundo que financie os investimentos em áreas de menor renda.

Enfim, assuntos para reflexão.

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A observação não chega a ser uma novidade para uma região metropolitana que bombeava água de um rio para mostrar aos jornalistas o funcionamento da ETE Alegria – a maior do estado – ou que manteve paralisadas, por muitos anos, as obras de uma ETE em São Gonçalo, outra em Campo Grande, e por aí afora.

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?