Petróleo na costa do Nordeste


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Um vazamento de petróleo na Venezuela atingir a costa brasileira parece algo altamente improvável, já que isso seria facilmente detectável por satélites e as correntes equatorianas não favorecem essa ocorrência.

O bombeamento do petróleo de um navio-tanque (tanker) para uma certa profundidade de maneira a que o óleo só aparecesse dias depois não deve ser descartado, em particular considerando-se que a Venezuela não tem mais capacidade de estocagem e selar poços de petróleo seria uma decisão demasiadamente arriscada para uma futura retomada da produção.  Se a isso for somada a “politização” de tudo por parte da ditadura venezuelana, um atentado desse tipo é algo a se considerar, e muito,  muito grave em termos geopolíticos.

Mas tampouco deve ser descartada a possibilidade de um vazamento diretamente de alguma sondagem a grande profundidade, tendo em vista as  descobertas do pré-sal ali na região e as consequentes atividades de sondagem.

A Petrobras não é a fonte adequada para as investigações, considerada a sua tradição de pequenos e médios vazamentos nem sempre reportados.  Recomenda-se a investigação das licenças dadas pela ANP para sondagens no pré-sal nos campos de Sergipe até Alagoas, uma área considerada por seus diretores como “muito promissora”.

Abaixo, um trecho da reportagem da Agência Estado publicada em 17.06.2019 (o grifo é nosso).

Pelos dados do MME, para delimitar o reservatório e construir um gasoduto até a costa, a Petrobras deve gastar US$ 2 bilhões ainda neste ano. A estatal não revela os planos para a Região. Informou apenas que “as águas profundas de Sergipe vêm mostrando grande potencial para o desenvolvimento”. Disse também que o orçamento do projeto está previsto em seu plano estratégico para os próximos cinco anos. Por enquanto, a estatal está trabalhando apenas na exploração, mas não na produção dos campos.

A conferir!  Afinal, o pior vazamento de petróleo da história ocorreu a partir do fundo do mar e mesmo para quem não domina o inglês, as imagens são suficientes.

Só não vale é transformar um acidente num fato político-partidário!  Ninguém responsabilizou a administração Obama pelo vazamento do Golfo do México durante a administração Obama.

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?