Petróleo na costa do Nordeste – Um novo tipo de terrorismo


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Os laboratórios brasileiros de referência já comprovaram que o petróleo que atingiu as praias do Nordeste é de origem venezuelana.  O alto comando da Marinha, que fez o anúncio formal, ainda se mostra, compreensivelmente,  cauteloso quanto às possíveis origens da ocorrência.  Não fala em acidente, mas tampouco na alternativa do bombeamento intencional do petróleo para águas mais profundas ou de média profundidade, em qualquer caso com o navio em movimento ao longo da costa.

Com o navio se deslocando porque não há um ponto onde esteja ocorrendo ou tenha ocorrido o vazamento, como demonstra a distribuição de pequenas quantidades ao longo de uma extensa área costeira.  Em decorrência, essa hipótese, levantada no artigo anterior deste blog, está descartada.

Outros laboratórios brasileiros, além do Centro de Pesquisas da Petrobras -CENPES chegaram à mesma conclusão sobre a origem, como foi o caso do laudo do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia.  Os bancos de dados do “DNA do petróleo” são suficientemente sólidos!  Se restassem dúvidas, os Greenpeaces da vida já teriam enviado o óleo para laboratórios similares no Canadá ou na Holanda.

Desesperadas, as parcelas mais vazias ou manipuláveis da auto-denominada “esquerda” brasileira utilizaram esse tipo de ocorrência para atacar como uma alcateia de hienas, tentando politizar o assunto.

Compreende-se a cautela do alto comando da Marinha, já que só a prisão do comandante e de alguns tripulantes do navio poderiam comprovar que o óleo foi intencionalmente bombeado para alguma profundidade ao longo da costa do nordeste, além de sua procedência.

Isso porque é evidente que o navio navegava sem bandeira ou com bandeira “pirata”; e mais, com o transponder (equipamento que permite a navegação por satélites) desligado, ao menos por algum tempo.   Se assim não fossem, teria seguido as normas e diretrizes da Organização Marítima Internacional relativas à poluição por petróleo (conhecidas como Marpol) ou, pelo menos, pedido socorro.

De fato, por mais pesado que seja o petróleo, o que faz com que não se mantenha na superfície, isso não não ocorre de imediato no caso de um derramamento comum proveniente de um navio ou no momento da transferência de petróleo entre navios.  Haveria uma mancha inicial que seria detectável por imagens de satélite.  O volume de óleo é muito grande para ter passado desapercebido por satélites!

E mais, pode-se considerar o bombeamento com o navio em deslocamento, se considerada a distribuição e o tamanho das manchas que atingiram as praias do Nordeste.  De fato, não há qualquer chance de uma ocorrência num único ponto e os bombeamentos de quantidades menores de petróleo já foram comuns na Baía da Guanabara, para a limpeza de tanques.  Esse óleo só aparecia na superfície depois que no navio já se encontrava em alto mar.

Aí, fica caracterizado um atentado terrorista usando petróleo de densidade escolhida com cuidado para danificar as praias do Nordeste do Brasil. E sem qualquer possibilidade de que fosse acionado um plano de contingência (que usualmente envolve embarcações e equipamentos das próprias empresas de petróleo).

Atingiram o objetivo: nenhuma mancha flutuante visível, possível de ser contida por barreiras ou que possibilite o uso skimmers (separadores de petróleo da água), sem chance do uso de dispersantes (de efeito duvidoso).  Pequenas quantidades que afloram aqui e ali já muito próximo ao litoral ao longo de centenas de quilômetros, sem uma fonte única de vazamento ou derramamento.  Nada!

Enfatize-se, algo sem comparação em toda a longa história de acidentes com petróleo no mundo.  Definitivamente, não foi um acidente.

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A única outra hipótese, não formulada publicamente por um notório especialista da área – incluindo sua participação na elaboração do plano nacional de contingência – é a ocorrência de um acidente durante o transbordo entre dois navios, conforme transcrito abaixo (o grifo é meu).

“De duas uma, ou ocorreu um vazamento na transferência de óleo entre dois navios no Atlântico, com certeza oriunda de venda clandestina no mercado negro, o que vem acontecendo, ou o lançamento por navio foi proposital. De qualquer modo contínuo afirmando que o ocorrido se deu antes da bifurcação da Corrente Sul Equatoriana para formar a Corrente do Brasil que desce para o sul a partir da altura do Rio Grande do Norte, e a Corrente das Guianas que sobe em direção às Guianas, passando por Ceará, Maranhão, etc, locais atingidos, assim com Pernambuco, Alagoas, Bahia, etc pela vertente da Corrente do Brasil.  Esta é a única possibilidade para todos esses locais terem sido atingidos.  Quanto ao deslocamento, passou desapercebido até chegar próximo ao litoral, onde as placas afloraram, pois com certeza, por serem de densidade elevada, petróleo muito viscoso, o petróleo perdeu fração leve por evaporação, ficou mais pesado e caminhou em sub superfície até próximo da costa brasileira. Não vejo outras possibilidades.”

Evidentemente, o acidente no transbordo está descartado.  Neste caso, antes da perda da fração leve que teria feito com que o petróleo afundasse, o vazamento teria deixado traços visíveis na superfície, detectáveis por imagens de satélite.  A quantidade foi muito grande para que isso acontecesse sem deixar rastros.

A questão, agora, é saber que foram os mandantes e quem executou o plano.

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Sempre é bom lembrar que o terrorismo com “armas” biológicas é um dos mais temidos pelos países altamente desenvolvidos.  O uso dessas “armas” numa estação ou sistema de abastecimento de água seria capaz de causar imensa devastação.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?