Lagoa de Marapendi – Já é passada a hora de revisar conceitos


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Muitas atividades podem ser feitas nos parques nacionais dos países sérios.  Aqui, na página dos parques do governo do Canadá, algumas das atividades desportivas e de lazer que podem ser praticadas em seus rios e lagos, que incluem, é claro, canoagem (lá, a água de degelo é demasiadamente fria para o contato direto, ainda que ele não seja proibido).

No Brasil onde os parques e similares são criados e administrados por “ambientalistas”, biólogos, botânicos, engenheiros florestais e profissionais similares, nada é permitido.   A presença humana é banida e depois reclamam que as pessoas não amam a natureza.

No caso das lagos da Barra, a ideia de esportes aquáticos é muito limitada, diminuindo drasticamente o potencial turístico e de lazer da população da região e da cidade do Rio de Janeiro.

O pequeno filme abaixo, pego ao acaso no YouTube, mostra como é possível – e necessário – abrir e manter trilhas, construir passarelas e permitir os esportes aquáticos.  O Parque Nacional de Banff, no Canadá, recebe uma média de 4 milhões de visitantes por ano.  Vale assistir.  Estradas asfaltadas, hotéis, restaurantes, campings variados, mirantes, passarelas suspensas para facilitar o acesso de visitantes e, é claro, canoagem.

Nada disso é incompatível com as tais “zonas de conservação o da vida silvestre”.

Um caso literalmente escandaloso encontra-se na Lagoa de Marapendi, na Barra da Tijuca.

Nas conclusões de um belo artigo intitulado A Implantação do Parque Natural Municipal de Marapendi, Pedro Paulo Polan pode-se ler:

A Lagoa de Marapendi é aquela que se encontra mais bem conservada entre as lagoas da Baixada de Jacarepaguá e pode vir a ser integralmente saneada com as obras de implantação do sistema de esgotamento sanitário da região. Com isso, a prática de esportes da natureza – remo, wind-surfstand-up paddle e até mesmo natação – poderiam ali encontrar um local privilegiado, sendo necessária a construção de embarcadouros, garagens de barcos, etc.

O  que vem acontecendo  é o oposto: a proibição da construção  de embarcadouros e até mesmo a remoção dos trechos de acesso para atividades simples como remo, vela, e stand-up.  Truculência ou miopia é a marca registrada do poder público, incluindo o Ministério Público, tudo muito literal, com a marca do “não” sem reflexão e sem diálogo.

Propostas de embarcadouros privados – como a que foi  feita pelo  Hyatt – podem não ser adequadas por não assegurarem o amplo acesso público – como, aliás, já acontece nos embarcadouros de acesso às ilhas da Gigóia e outras, nas quais além de residências encontram-se pousadas e restaurantes.

Tudo bem, nesse trecho, a proibição do uso de barcos com motores acima de uma certa potência faz sentido por revolverem o substrato de fundo, além de incomodar demasiadamente os outros visitantes (isso já foi definido há muito no caso da lagoa Rodrigo de Freitas e em outros lagos em outros países, onde não se permitem mais, por exemplo motores que não  sejam elétricos para não perturbar os outros visitantes).  Jet skys, idem.  Mas só.

Mas zero embarcadouros e locais para a guarda de pranchas e canoas, além de passarelas e mesmo restaurantes ou outras áreas de lazer às margens da lagoa, são coisas que definitivamente não fazem sentido.  Se o governo do estado e a prefeitura municipal querem turismo, é hora de revisar – e rapidamente – os planos para o entorno da lagoa de Marapendi em seu trecho mais amplo e com maior beleza.

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A foto inicial desse artigo é de um trecho do Lago Vitória, no Parque Nacional de Jasper, também no Canadá.  Trechos de margens trabalhados para assegurar o acesso humano via trilhas sem permitir processos erosivos.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?