Linhas férreas através de encostas íngremes e imensas pontes sobre rios X Licenciamento ambiental no Brasil


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Há dias, peguei-me assistindo e compartilhando com amigos mineiros alguns vídeos sobre as mais belas e ousadas linhas férreas do mundo.  Entre elas, o Expresso Glacial, na Suíça, cujas imagens são imperdíveis.

Não me contive e perguntei a um ex-dirigente de órgão ambiental quanto tempo levaria o licenciamento ambiental de uma coisa dessas no Brasil.  Logo após uma sonora gargalhada, ele respondeu: “1.000 anos”.

Vale ver essas belíssimas imagens que, entre outras coisas, levou a via férrea a lugarejos antes isolados.  Seriam essas as tais das “populações tradicionais” nunca definidas na complicada, quase indecifrável e mesmo tosca legislação ambiental brasileira?

Aqui, uma encosta dessas seria uma “área de preservação permanente”, figura criada pela turma que sonhava em transformar o Brasil num imenso Xapuri.

Agora que estão mudando a legislação quanto ao licenciamento ambiental, pelo menos estabelecendo prazos, talvez consigam a mágica de pedir a ajuda do braço mais retrógrado – sonhador ou ideológico – do Ministério Público para pedir que os prazos sejam estendidos porque as informações não são suficientes, ou porque faltou consultar uma comunidade quilombola ou indígena situada a 5 km dos limites do projeto e que podem ser atingidas por “impactos indiretos”.

Não se trata apenas das dimensões rocambolescas da lei, mas da dificuldade para reconhecer que ela é, em muitos aspectos, tola, entre outras coisas por tentar aplicar os mesmos conceitos abstratos a realidades / localizações completamente diferentes.

Vivi por alguns anos nos EUA e visitei diversas vezes o Parque Nacional de Shenandoah, que tem como uma das maiores atrações uma estrada de cerca de 200 km conhecida como Skyline Drive, com cerca de 200 km, em muitos trechos exatamente no topo das montanhas Blue Ridge.  “Topo de morro” aqui virou “área de preservação permanente”, não importando a configuração geológica.

Divirtam-se com as imagens e sonhem com o proibido pela mediocridade e pela ignorância.

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Ao menos no estado do Rio de Janeiro, até mesmo os mirantes vêm sendo encobertos por vegetação!  Na estrada para Grumari e de lá para Guaratiba, nas estradas para Petrópolis e Teresópolis, no alto das serras, e até mesmo na Mesa do Imperador e na Vista Chinesa, dentro da cidade do Rio de Janeiro.   Deveriam colocar umas placas: proibido contemplar paisagens!  Um retrato fiel da qualidade da administração dos parques de papel brasileiros!

 

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?