Witzel e Crivella estão se lixando para o saneamento


-- Download Witzel e Crivella estão se lixando para o saneamento as PDF --


Em concessões onerosas, o que vai para o caixa da poder público deixa de ser investido no setor.  Esse é o X do problema na “privatização” da Cedae, seja lá qual for o modelo adotado (no caso, melhor seria dizer fatiamento)..

Há cerca de 2- 3 anos, governo federal fez o BNDES emprestar dinheiro para o governo do estado do Rio de Janeiro  dando como garantia as ações da Cedae.  Foi um ação puramente política e de “contabilidade criativa”, já que ninguém sabia quanto valiam as ações da da empresa estadual de saneamento.

E como o BNDES não teve a decência de exigir sequer a diretoria financeira da empresa no período em que deteve R$ 3,5 bilhões do dinheiro público em ações da empresa, perdeu imensa oportunidade de melhorar o seu desempenho e de minimizar a sangria.

Agora, aproxima-se a data da liquidação da dívida e o BNDES afirma ter um “modelo” de privatização” que quase certamente é puramente financeiro, sem envolver aspectos fundamentais de engenharia, tecnologia, potencial recuperação de perdas, ou mesmo da avaliação de ativos (depreciação e necessidade de substituição das redes, por exemplo).

Não houve uma due diligence de engenharia e, se bobear, esses caras vão para a licitação com o prazo mínimo previsto na lei, 180 dias!  Aí só participa quem estiver tendo acesso a informações privilegiadas.

Mas Witzel e Crivella já começaram a disputar um naco da bufunfa das concessões onerosas que excedam o valor da dívida.  Nenhum dos dois está realmente interessado em saneamento.  Como nunca estiveram.

Witzel já fala em usar uma parte da grana para iniciar a construção da linha 3 do metrô – de São Gonçalo para Niterói -, sobre a qual  governadores já falam há pelo menos 10 anos, mesmo sem ter um projeto.

O pastor, que nunca tocou no assunto, agiu como ventríloquo do presidente da Rio-Águas (essa mesma que não consegue ter um plano diretor de macro-drenagem do município ou de partes dele, e nem mesmo ter a digitalização das redes de drenagem, que não existem.  De repente, surge a declaração que “as informações sobre a cobertura dos serviços repassadas ao BNDES pela Cedae estão superestimadas, o  que compromete a consecução do modelo” (sic).

Enfim, que tal se o BNDES colocasse abrisse à consulta pública a sua base de dados e o seu modelo – como ocorre nesses casos, um data room -, coloca-se anúncios nas principais revistas de saneamento dos EUA e da Europa (não são mais do que três ou quatro) para que a divisão do bolo não  fique entre as concessionárias privadas já existentes no Brasil, e os atores decidissem de vez que não querem priorizar a grana da outorga e sim os investimentos em saneamento?

***

No dia seguinte à privatização, o até hoje abúlico MPRJ no que se refere a estações de tratamento de esgotos que não funcionam certamente subirá nas tamancas… ops.. nos saltos altos e nos sapatos de cromo alemão para processar e depois fazer um TAC estabelecendo prazos para que essas coisas que já se arrastam há 20 anos sejam resolvidos.

A Estação de Tratamento de Esgotos da Barra, imagem em destaque neste artigo, que nunca funcionou e nem foi concluída, certamente estará entre os alvos.  A total inoperância dessa ETE pode ser vista nas imagens feitas com drone, abaixo, já que lá nunca ninguém entrou, nem mesmo uma deputada então presidente da Comissão de Saneamento Básico da ALERJ.  Como mostram as imagens, aquilo é no máximo um criadouro de mosquitos.

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?