O que é essencial?


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Sair proibindo e cafetinando o medo, como faziam os inquisidores, é fácil.  O difícil é pensar.  O que é “essencial”?

Os serviços médicos, é claro.  Mas além de profissionais da área médica e seus equipamentos de proteção, eles requerem todas as equipes de suporte e, pegando dois exemplos ao acaso, da tecnologia da informação ao papel.  Isso significa que a fabricação de peças de computadores e todos os serviços de internet e TI em geral não podem parar.

Por seu lado, os hospitais necessitam de tubos plásticos, cilindros de oxigênio e atividades de produção e distribuição desse oxigênio, que não podem parar.

São essenciais os serviços de água e esgoto.  Ah, sim.  Mas tais serviços requerem produtos químicos – sulfato de alumínio, cloro – cujo abastecimento não pode parar, desde as fábricas até o transporte.

É essencial a coleta de lixo, que requer trabalhadores e veículos.  Então, é essencial a manutenção desses veículos, com as imprescindíveis peças de reposição que saem de fábricas que devem estar trabalhando.

O transporte – público e privado – é essencial para que equipes médicas e de todas as atividades acima citadas.  E transporte significa auto-peças, pneus, oficinas mecânicas, e a fabricação de tudo isso.  Se faltarem meras velas, os veículos não funcionam!

É essencial a produção de alimentos.  Mas os inquisidores não sabem como se dá a produção de alimentos, jamais pensaram como podem aprimorar a produção de verduras com meras estufas para evitar as quedas de temperatura nas serras.  Nada, zero!  Não sabem como se dá o transporte de alimentos perecíveis, jamais estimularam o uso de caminhões refrigerados, nunca foram a uma central de abastecimento para ver quantos lá trabalham, e que precisam ter peças de reposição – incluindo pneus – para que os alimentos cheguem aos consumidores finais.  E isso significa, mais uma vez, fábricas trabalhando com a presença física de funcionários.

O mesmo se dá com a indústria de aviação!  Não podem paralisar todas as suas atividades e continuar a transportar produtos como sais básicos, antibióticos e outros medicamentos de um país a outro (toda ou quase toda a produção européia de antibióticos encontra-se na Índia ou na China, porque assim fizeram as indústrias do setor, em busca de mão de obra mais barata).

Reduzir o mundo à medicina é fácil, até mesmo para os que não prestaram nenhuma atenção a ela.  Como é fácil!  Acham que o povo não percebe, têm neurônios escassos, ou são meros oportunistas?

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Essa é uma excelente oportunidade para que todos comecem a pensar em planos de segurança alimentar, segurança hídrica e segurança energética, além da óbvio segurança da saúde pública.

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Mesmo os helicópteros usados de maneira espetaculosa com fins de marketing político para retirar um casal da praia precisam de manutenção e peças de reposição.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?