Author Archive for Luiz Prado

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Ainda o Naufrágio de Durban – Em Aceleração Avançada!

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Primeiro, a Folha de São Paulo, com o seu “jornalismo ambiental” ideológico – que tenta fazer o mundo caber num conjunto de idéias - apresentou Durban um sucesso, ainda que parcial.  Ministros e delegações que se esforçavam até a madrugada e o dia seguinte para chegar a um acordo.

Depois, diante do noticiário da imprensa internacional que faz jornalismo para valer, admitiu que o sucesso não havia sido tão grande,e até noticiou a decisão do Canadá de se retirar do Protocolo de Kyoto… sem grande estardalhaço e enfatizando críticas de ONGs ao Canadá.

Depois, silenciou sobre a decisão da Rússia de também se retirar, o que pode tornar nulo o Protocolo nulo, já que foi a adesão da Rússia – em 2005 - que marcou a data de sua efetivação  Para que o Protocolo entrasse em vigor, era necessário que os países responsáveis por 55% das emissões de gases causadores de mudanças climáticas o ratificassem.  E a Rússia só o ratificou em troca de outra moeda política, totalmente estranha às mudanças climáticas: o apoio da Europa para a sua entrada na Organização Mundial do Comércio – OMC.  Politics and business as usual.

No Protocolo de Kyoto, o ano base para o cálculo das emissões totais é 1990, quando só a Rússia era responsável por 17% das emissões totais.

Em Durban, o Japão também se mostrou reticente a estender a sua adesão ao Protocolo, mas como manteve uma discreção cautelosa, entende-se que a imprensa internacional tenha evitado especulações.  O Brasil disse que não aceitaria submeter-se às metas de redução em vigor para os países desenvolvidos pelo menos até 2020 e alegou que já tem as suas próprias metas.

Outra questão que permanece na penumbra - ainda que já pudesse ter sido esclarecida - está na necessidade de nova ratificação do Protocolo agora que um grupo de ministros e representantes diplomáticos de diversos países optaram por subscrever à sua extensão.  Entre subscrever e ratificar um tratado vai uma imensa diferença.  Até os EUA assinaram o tratado original, mas nunca o ratificaram.  No caso de uma extensão, a ratificação pelos parlamentos nacionais será necessária?

A pergunta ocorreu depois que uma fonte do Pentágono – que preferiu se manter discreta – disse a um jornalista norte-americano que achava “estranho”  ver um grupo de ministros de meio ambiente discutindo assuntos que envolvvem prementes questões geo-políticas e de segurança energética – leia-se de segurança tout court, ou seja, de segurança nacional.

Os grandes avanços na área de eficiência energética das últimas décadas não se deram por razões “ambientais” ou sequer relacionadas às mudanças climáticas, mas sim por razões consideradas de segurança nacional.  Na sequência de dois ”choques do petróleo” – aumento abrupto de preços pelos países produtores, na década de 1970 - os EUA aprovaram uma lei que recebeu a denominação de “segurança energética”.  Lei para valer, com mais de uma centena de páginas – diferentemente dessas leis chinfrim que andam por aí buscando a sua aplicabilidade -, foram estabelecidas metas e importantes incentivos econômicos para energias renováveis e para eficiência energética.

Agora, no momento em que as petroleiras dos países altamente industrializados planejam expandir a produção de óleo do Iraque dos 1,6 milhões de barris/dia para 6,8 milhões de barris/dia só nos três campos ao sul de Basra, falar em redução das emissões globais é apenas brincadeira e pensamento positivo.  As ONGs que discordarem podem dirigir as suas questões para os executivos da BP (que já até tentou convencer os otários que a sigla signficaria Beyond Petrol), Shell, Exxon, ENI (Itália) e Lukoil (Russa) que no mês passado se reuniram em Basra.  Ah – os números referem-se a t4res campos; a projeção é de que nos próximos 5 anos a produção iraqueana atinja 12 milhões de barris/dia, superando a Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, com seus 10 milhões de barris/dia.

Afinal, não foi esse o objetivo da invasão do Iraque?  Questões de “segurança energética” de um grupo de países aliados, arrebanhados pelos EUA!  Os ministros de meio ambiente que estiveram em Durban, as ONGs com o seu usual lero-lero, e o “jornalismo ambiental” podem voltar para a escola.

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 Para os que entendem inglês, vale ver um dos muitos vídeos da Shell sobre as maiores instalações de produção, liquefação e exportação de gás natural do mundo, no Qatar, denominada Pearl.  Para eles, como para muitos, o gás natural é uma “energia limpa” (quando comparada com o petróleo).  Como na Shell o comando não está nas mãos de clepto-empreteiros, o projeto foi concluído em 6 anos com orçamento aprovado no ínício do ciclo.

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Greenshit, WWF e outros que cafetinam as florestas tropicais em nome das mudanças climáticas ainda não se pronunciaram.  Como nunca se pronunciam sobre assuntos substantivos.

Rio de Janeiro – Choque de Desordem – Rio’s Schock of Disorder

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O “choque de ordem” no Rio de Janeiro é um choque contra a pobreza visível.  Em áreas mais ricas da cidade, o CHOQUE DE DESORDEM também é visível.  A apropriação privada de áreas públicas não é de forma nenhuma questionada.  Fecham-se ruas e o acesso dos cidadãos à orla da lagoa – que continua imunda, diga-se de passagem.  Aliás, em sua maior parte a orla da lagoa foi totalmente apropriada por condomínios de alta renda.  E as tais autoridades fingem que não vêem, o Ministério Público nada questiona.

A imagem abaixo mostra apenas um exemplo dessa apropriação ilegal de espaços e vias públicas na Barra da Tijuca – talvez mais grave, porque a rua Prefeito Dulcídio Cardoso deveria interligar-se à Avenida Ayrton Senna, aliviando bastante tráfego local – já que grande parte dos veículos não necessitaria de acessar ir de um ponto ao outro através da Avenida das Américas, em particular num de seus trechos mais escandalosamente engarrafados, que é o “Cebolão”.

Num país sério, a lagoa estaria limpa e com estruturas para recreação de todos os tipos – caminhadas, ciclovia, esportes de vela, remo, e até a chamada recreação de contato primário (natação).  Mas que nada!  Se é possível cafetinar por mais tempo o assunto, por que resolvê-lo?  Ali não há casas de pobres a serem derrubadas – nem isso!  Seria apenas o caso de abrir a rua pública… ao distinto público.

Omissão, conluio, conivência ou apenas incompetência mesmo?

 

Apropriação privada de espaço públicos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Folha de São Paulo – Prêmio de Pior “Jornalismo Ambiental”

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Ao final do encontro turístico em Durban, a Folha de São Paulo deu as mais alvissareiras notícias: nos momentos finais, após um esforço hercúleo noite adentro, os participantes da jornada haviam conseguido não apenas um grande sucesso e, o que foi mais divertido, tudo devido a um genial coelho que havia sido tirado da  artola pelo líder da delegação brasileira.

Esse tom otimista e o conteúdo  “jornalístico” da notícia divergia totalmente do que nos mesmos  dias era publicado pelos jornais mais sérios do mundo: Le Monde, The Guardian, The San Francisco Chronicle, New York Times e, segundo  estes, o jornal (governamental) de Pequim e os jornais indianos.

Pouco a pouco, o “jornalismo ambiental” da Folha de São Paulo moveu-se na direção de maior contato com a realidade: o Brasil havia sido contrário a qualquer novo acordo até 2020 – já que, em tese, tem metas próprias de redução de emissões -, o que se conseguiu em Durban foi irrelevante – um acordo segundo o qual é preciso se buscar um acordo -, e alguns “detalhes”adicionais: o tal protocolo de Kyoto não impõe qualquer regra para países como Brasil, China e Índia,  e não foi – e nem será – subscrito pelos EUA.

Fora isso, um tal fundo ambiental ou verde (ao gosto do fregues) que atingiria US$ 100 bilhões por ano  até 2020… mas que ninguém sabe de onde virá a improvável bufunfa tendo em vista a crise econômica que não dá sequer  indícios de ceder e a marcada incapacidade de muitos países em  desenvolvimento de administrarem recursos financeiros até mesmo para coisas elementares como educação, saúde e saneamento (como é o  caso do Brasil).

A saída do Canadá do natimorto Protocolo de Kyoto – serviu para dar alguns rocados para corretores e para transferir emissões de países ricos para economias periféricas – já havia sido anunciada antes do encontro de Durban, mas o “jornalismo ambiental” da Folha de São Paulo – marcadamente “verde” preferiu não dar a informação o necessário destaque.

Enfim, com a cobertura do encontro de turismo ecológico de Durban, a Folha de São Paulo conseguiria o prêmio de “pior jornalismo ambiental do mundo”, se tal prêmio existisse.  Trata-se, apenas, da tentativa de enquadrar a realidade num conjunto de conceitos “verdolengos”.  Mas, será que isso importa para a Folha de São Paulo?  Talvez o objetivo seja vender notícias para o público jovem da papulicéia…

O que se decidiu em Durban foi NA-DA!  Isso não significa que todo o noticiário sobre as mudanças climáticas – não o de ONGs, inúteis, mas o de cientistas – não tenha tido qualquer resultado.  Ao contrário: a eficiência energética vem crescendo muito nos países desenvolvidos, que já começam a vender essas tecnologias para os países de economia periférica (em termos científicos e tecnológicos, a China já pode ser colocada entre os países desenvolvidos.  As mudanças climáticas certamente não foram a única razão para que isso acontecesse, até porque países como os EUA e a Alemanha estão muito mais preocupados com a própria segurança energética preocupação que também influi – e muito – na busca de eficiência energética e de energias alternativas.

 

Mudanças Climáticas – Rasgando as Fantasias

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A lastimável qualidade da cobertura jornalística da Conferência de Durban, e em particular da grande imprensa paulistana, repetindo press releases de ONGs e dando a impressão de que o fracasso se deve apenas à má vontade X boa vontade dos países, obriga à repetição de considerações já aqui feitas no passado: o que esteve e está em jogo não são questões relacionadas apenas à decisão de investir, mas às noções fundamentais de como “contabilizar” responsabilidades pela emissão de gases causadores de mudanças climáticas.

Há maneiras muito diferentes de avaliar as emissões desses gases!  O total emitido por um país ou as emissões per capita – que representam à grosso modo o consumo per capita de derivados de petróleo?  Pelas emissões desses gases ou pelo consumo dos produtos cuja produção requer o uso de energias fósseis?  Pelas emissões acumuladas ao longo da história do desenvolvimento econômico desde o início da era do petróleo ou apenas pelas emissões atuais?

Como há uma forte correlação entre o assim chamado desenvolvimento econômico e o consumo de energia, primeiramente há que se falar de emissões per capita, deixando completamente de lado a idéia de emissões totais atuais de um país.

Desconsideradas as mudanças no uso da terra, que de toda forma tendem a se estabilizar no futuro próximo e para as quais a margem de erro é muito grande, em 2008 as emissões per capita consideradas apenas o carbono encontravam-se assim: EUA – 17,5 toneladas (t); Canadá – 16,4 t; Austrália – 18,9 t; Rússia – 13,7 t; a maior parte dos países europeus na faixa de 9 a 11, com variações decorrentes do uso intensivo de energia nuclear, como ocorre com a França – 6,1 t; China – 5,3 t; Índia – 1,4 t; Brasil – 1,9 t.

A tabela do Departamento de Enegia dos EUA mas elaborada com base na Divisão de Estatísticas da ONU, é suficiente para evidenciar as disparidades nas emissões per capita dos países e, daí, as dificuldades em se chegar a qualquer acordo.  O que a Índia alega, claramente, é que boa parte de sua população não tem sequer acesso à energia e que não seria justo propor ao país metas similares às dos países altamente desenvolvidos.

Essa tabela já nos coloca diante de outra questão: como contabilizar as emissões ligadas ou mesmo inerentes à extração do petróleo?  Sim, porque dependendo dessa concepção, os maiores responsáveis por emissões per capita são países como Qatar, Emirados Árabes Unidos, Antilhas Holandesas, Bahrain, Brunei e Kuwait.

Mas essa é apenas a ponta do icerberg de uma questão mais profunda!  Quando o Brasil exporta ferro e aço – produtos intensivos em energia, com a queima de carvão – para a fabricação de carros que serão vendidos em outros países, onde devem ser contabilizadas as emissões?  Ou se os EUA abrem novas minerações de carvão para exportar para a China para depois comprar os seus produtos manufaturados, as emissões da queima desse carvão devem ser contabilizados na China ou nos EUA?

Como nem todos são tão simplórios quanto o “jornalismo ambiental” paulistano, estudos já foram feitos sobre a pegada carbônica real por país, e simulações mostram as emissões reais por país baseadas no consumo efetivo de bens, per capita e por setor de atividade.

São esses questionamentos estruturais, essas divergências de princípios que comprometem qualquer acordo.  E justamente em decorrência dessa percepção é que o naufragado Protocolo de Kyoto – cujo texto foi elaborado por “crentes na mão invisível do mercado” – já previa que países como Brasil, Índia e China não teria que fazer reduções em suas emissões durante a vigência do acordo.  Naufragado parece uma palavra forte, mas o fato é que apesar dele e dos grandes investimentos em energias renováveis, as emissões globais continuaram a crescer, e alguns países europeus conseguiram alcançar ou superar as suas metas simplesmente exportando indústrias “sujas”.

Agora, os países altamente industrializados já perceberam que mesmo que eles cortem drasticamente as suas emissões – para além do que as tecnologias disponíveis possibilitam - as emissões globais continurão a crescer se não forem impostos limites às emissões dos países em desenvolvimento.  Em seu discurso em Oslo, Obama colocou essa questão de forma direta.  Agora, Rússia, Canadá e Austrãlia juá disseram que não subscreverão a um outro tratado.  E a Índia sabe que seus líderes não podem voltar para casa e dizer – “ei, vocês que não têm acesso à energia, continuem como estão”.

O Brasil lá ficou de pires na mão sonhando com um fundo global ambiental que atingiria a fenomenal quantia de 100 bilhões de dólares por ano, em particular para a proteção de florestas.  Num cenário de crise, é no mínimo altamente improvável que isso aconteça.  Mas, em especial num cenário em que países não conseguem assegurar transparência na prestação de contas e a efetividade dos investimentos nem em áreas prioritárias do interesse nacional, como a saúde pública - que não funciona, como ocorre  com o SUS, no Brasil -, esses potenciais doadores tendem a deixar a visão caritativa del lado e investir em outras áreas.

O Brasi finge, também, que não sabe que mesmo que o desmatamento na Amazônia seja zerado, as emissões da extração de petróleo e gás das novas reservas profundas o colocará no topo dos países que mais emitem.  É a política do avestruz.  E isso para não falar no acelerado aumento da frota de veículos – o Brasil é fraquinho quando se trata de transporte de massa por trilhos – e da total inexistência de políticas de estímulo a veículos híbridos (eletricidade e combustível fóssil).  Quanto ao álcool, bem, com as contínuas restrições ao desmatamento logo o crescimento da produção para atender até mesmo o mercado interno estará comprometido.  E o governo sabe disso.

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Prorrogar Kyoto é prorrogar algo que já fracassou.

“Jornalismo Ambiental” da Folha de São Paulo – Mau Caratice Pura, Qualidade Lastimável

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Com a péssima qualidade – e mesmo falta de caráter – do “jornalismo ambiental” que pratica, a Folha de São Paulo levantou suspeitas relacionadas a doações do setor do agronegócio para a campanha de congressistas que votam favor de mudanças no assim chamado “código florestal”.

Esse jornalismo faccioso, de algibeira, “esquece” que o agronegócio brasileiro representa 1/3 do PIB do país e que, portanto, pode naturalmente ser responsável por igual fração das doações totais feitas a campanhas políticas.

O folhetim paulistano também sonega a informação de que com ou sem os deputados beneficiados com essas doações, as mudanças se dariam – com de fato ocorreu – por maioria esmagadora primeiramente na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.  A minoria esmagadora dos assim chamados “ambientalistas” perdeu por grande margem de votos.  Foi uma sova que mostrou que os “verdes” não têm votos, não elegem, até porque são poucos, são quase nada.

O mesmo pasquim paulistano não consegue sequer segui uma linha minimamente lógica de raciocínio e se perguntar quanto outros beneficiados pelas mudanças no “código” – como os pequenos agricultores – teriam doado para campanhas de deputados!  E nem tenta.

E tenta menos ainda se perguntar qual a procedência dos recursos financeiros das grandes ONGs estrangeiras que atuam no Brasil e das brasileiras que recebem recursos de fora – o conjunto daquelas que tentam falar em nome dos “ambientalistas”.

Ou seja, “jornalismo” entre aspas, lastimável, viciado, faccioso!

Durban e o Naufrágio Antecipado da Rio + 20

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O turismo diplomático / temático sobre mudanças climáticas que está sendo finalizado em Durban é risível.  E, segundo John Vidal, editor de meio ambiente do jornal diário que dá a melhor cobertura nessa área, a não mais do que 5 km de Durban, o ar fede.

“Ali, duas refinarias de petróleo, as duas maiores fábricas de papel e o maior terminal de containers da África do Sul; além disso, uma dúzia de indústrias químicas, diversos grandes lixões, 80% da produção industrial de derivados de petróleo do país e uma boa parcela de suas emissões industriais. Os moradores da parte sul de Durban bem sabem o que são as tosses, as tonteiras, as crises de vômito e as dores de cabeça advindas de toda a poluição ali produzida.”

John Vidal cita Desmond D’As, líder da Aliança Ambiental da Comunidade do Sul de Durban, um ex-trabalhador da indústria química.

“Aqui temos todas as substâncias químicas do mundo: etanol, metanol, solventes, toxinas, benzeno, sulfetos, compostos clorados; duas vezes por semana ocorre a queima de gases; vazamentos, explosões e incêndios são comuns; e a poucos dessas fábricas e refinarias vivem 285.000 pessoas.  (…)  Aqui temos as mais elevadas taxas de câncer e de asma da África do Sul.  Um estudo recente mostrou que quase a metade das crianças da área sul de Durban têm asma.  E os níveis de poluição seriam inaceitáveis nos EUA ou em qualquer país rico.”

Os turistas da diplomacia e das ONGs que visitam Durban em nome de um acordo qualquer em torno das mudanças climáticas – ou de qualquer coisa que possa dar a impressão de que alguma decisão importante foi ali tomada – não verão essa área de Durban.

Durban está sendo uma piada!  O Japão, o Canadá e a Rússia já disseram que não apoiarão a extensão da farsa que foi o Protocolo de Kyoto.  A China já deixou claro que terá apenas suas metas internas de redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas.  Os EUA nunca assinaram qualquer tratado internacional na área de mudanças climáticas; e só está disposto a contribuir para o REDD – a nova moda – se houver transparência na aplicação dos recursos, uma transparência que os países do terceiro mundo não conseguem em nenhum campo de seus investimentos internos em áreas básicas como educação e saúde.

O encontro de Durban antecipa o naufrágio da Rio + 20, que tende a ser um encontro de ONGs que podem ser barulhentas mas confundem movimento com ação e não têm poderes para tomar qualquer decisão.  A Rio + 20 será apenas outro encontro turístico, com a presença mínima e irrelevante de chefes de estado: apenas 12 presidentes e primeiros-ministros esta semana em Durban, contra 120 deles em Copenhague, onde também nada foi decidido.

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No exato momento em que este post é publicado, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) fala nas importantes relações entre o “código”  florestal e o cacau-cabrunca.  A versão remendada do antigo “código” não chega a caracterizar um “novo código”.  A maior parte das bobagens subsistem no “novo”.

Durban – A Farsa do REDD e a Pirataria do Carbono

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Dias antes do início do encontro turístico que se realiza neste momento em Durban, na África do Sul, a Associação Inter-Étnica de Desenvolvimento da Selva Peruana denunciou a nova farsa conhecida como REDD – Reduzindo Emissões do Desmatamento e da Degradação: comunidades de povos da floresta peruana vêm sendo induzidas a assinar documentos objetivando a preservação de milhões de hectares e  acabam perdendo os seus direitos sobre os recursos financeiros do próprio REDD e até ao uso da própria terra.

Algo muito similar ao que já acontece aqui, há tempos, no momento da criação de “reservas extrativistas”.

denúncia - cuidadosamente sonegada pelas grandes ONGs “ambientalistas” envolve dezenas de projetos com uma área total de 20 milhões de hectares.  Esta, sim, é uma verdade altamente inconveniente às vésperas do pré-naufragado encontro de Durban.

O documento, elabora em conjunto com a organização Forest People Programme, encontra-se disponível em inglês e em espanhol.  ONGs, consultores na área de carbono e investidores tem vasculhado as florestas peruanas convencendo comunidades e povos locais que algumas vezes mal dominam o espanhol para propor acordos com promessas de conseguir milhões de dólares em troca da cessão do controle de suas terras para terceiros.

Muitos desses contratos incluem cláusulas de confidencialidade e foram negociados sem qualquer assessoria jurídica para as comunidades vulneráveis à “pirataria do carbono”.

Segundo uma reportagem do The Guardian, esse tipo de pirataria já havia sido detectada em Papua Nova Guiné, na África e na Indonésia.  Mais recentemente, tornou-se uma febre na Amazônia, “comparável apenas à corrida de multinacionais para descobrir petróleo ou cultivar látex na região”.

É bem mais fácil para a meia dúzia de ongoleiros em Durban falar sobre mudanças na lei que se pretende um “código florestal” no Brasil e apenas fazer referências à extração de petróleo das areias betuminosas do Canadá do que falar nas dezenas de termelétricas a carvão que vem sendo implantadas nos EUA e das muitas novas frentes de mineração de carvão para exportação para a China que estão sendo desenvolvidas nos EUA e na China.

O “jornalismo ambiental” classe Y da Folha de São Paulo e de O Globo também sonegou esse relatório porque sabe que a juventude urbana “entende” melhor mensagens mais fáceis, já impregnadas na mente da juventude urbana.  Da mesma forma que nada fala sobre as emissões que decorreram da extração de óleo do pré-sal – assunto nada “conveniente”.

E que se danem os “povos da floresta”.  Recomenda-se às autoridades brasileiras – inclusive ao abúlico MMA – que estejam atentos às atividades desses “piratas do carbono” na Amazônia.  Afinal, TODO o problema do REDD e das doações ao miraculoso “Fundo Amazônico” consiste justamente em como fazer a grana chegar até os milhões de brasileiros que vivem na Amazônia sem saneamento, saúde, e outras “pequenas conveniências” tão acessíveis aos Klabins e “ambientalistas” de grandes ONGs estrangeiras ou por elas financiados.

Parque do Flamengo – O Porcão Faz a Porcaria

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Na surdina, como quem quer usurpar direitos alheios, a churrascaria Porcão encomendou um projeto a Oscar Niemeyer para tentar, com isso, apropriar-se de um espaço público de imenso valor na mais linda enseada da baía de Guanabara.  E quando a notícia chegou à imprensa – projeto já pronto – forneceu uma visão “artística” do projeto direcionada para dar a impressão de que é uma algo irrelevante diante da imponência da paisagem.

Ainda no papel de usurpadores – desta vez da opinião pública -, essa gente resolveu colocar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN como único obstáculo.  Que se dane a opinião pública!

Numa resposta amplamente insuficiente – ou num jornalismo de péssima qualidade – , o superintende do IPHAN no Rio de Janeiro teria dito que o único obstáculo é o decreto federal que tombou o Parque do Flamengo, de 1965.   A essas alturas o chiqueiro inteiro já deve estar conversando com políticos variados para ver se a presidente Dilma Roussef muda o tal decreto.  O preço desses tráficos de influência não deve ser grande.  E que se dane a opinião pública!!

Tanto o argumento – um espaço para espetáculos no Parque do Flamengo naquele local – quanto a resposta preliminar do superintendente do IPHAN que limita a questão a um decreto – enfatizando que é de 65 – são medíocres.  O que realmente importa é mais simples, demasiadamente simples: o interesse público e a apropriação dos espaços públicos.

A abordagem da imprensa é ainda mais medíocre, exatamente por aceitar essa polarização vadia, preguiçosa.  O Parque do Flamengo tem uma história e o decreto que o tomba é resultado dessa história – sempre cuidadosamente escondida pela mediocridade política que assola o país.

Lota Macedo Soares, sugeriu o parque a Carlos Lacerda, e coordenou a sua implantação contra a opinião de todos da antiga Superintendência de Urbanismo e Saneamento – SURSAN, que odiava ver uma mulher e ainda por cima sem diploma de curso superior mudar radicalmente um projeto medíocre que só previa a implantação de novas pistas de tráfego ao longo da Praia do Flamengo.

Carlos Lacerda, então governador, apoiou Lota.  Quando este não fez o seu sucessor, percebeu que o então governador eleito Negrão de Lima poderia simplesmente lotear a área – como já havia sido feito com outros aterros na baía de Guanabara, conseguiu o tombamento exatamente para assegurar que o Parque permaneceria como uma área pública de lazer.  Na origem, ela falava em fazer, ali, algo mais bonito do que o Central Park de Nova York – e totalmente para uso público.

Não se trata, então, definitivamente, de modificar ou não um decreto, mas de saber em que medida a população quer que ali – justamente ali, na enseada – se faça um apropriação indevida do espaço público.  E a opinião publca.. que se dane?  Tudo vira um debate nos tapetões?

O fato do projeto ser ou não do Niemeyer, no caso, é totalmente irrelevante, não passa de uma tentativa de comprar corações e mentes!  A Constituição de 1988 estabeleceu um mecanismo de consulta pública – o referendo – que nunca foi utilizado.  Políticos e porcalhões: tirem as patas do Parque do Flamengo!  Alguém faria uma coisa dessas no Central Park sem consulta pública?

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A  ”imagem artística” fornecida à imprensa e por ela repassada meio ao estilo dos moleques de recados, imagem forjada, farsante, mal intencionada, que sonega as informações básicas, que tenta vender Niemeyer para apresentar interesses de um único grupo privado como se fosse o interesse público, fornecida pelos “empreendedores” à imprensa, procura justamente sugerir que o projeto é “moderno” (no Rio de Janeiro, o “ligeirinho” velho de 20 anos em Curitiba e em São Paulo, virou “BRT”), só engana os otários.  Ninguém jamais verá “a coisa” desse ângulo!

 

 

 

 

Parque Nacional da Floresta da Tijuca – Imagens, Notícias, Avanços e Recuos

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Conta a lenda – ou as más línguas – que certa vez uma “autoridade” de área ambiental do Rio de Janeiro teria levado o ministro alemão do meio ambiente para passear no Parque Nacional da Floresta da Tijuca.  Durante o passeio, teria comentado que esta era a maior floresta urbana do mundo, e ficou pasmo quando numa fração de segundo o alemão retrucou: “depois da Floresta Negra, é claro”.

Apenas para fins de introdução ao tema, vale dizer que a Floresta da Tijuca tem pouco menos de 40 km2, enquanto a Floresta Negra tem cerca de 12.000 km2.

Fica a dúvida sobre o conceito de “floresta urbana”, já que no interior – como na periferia – da Floresta Negra há cidades, vilarejos, estradas, hotéis, pousadas, restaurantes, ciclovias, trilhas e muito mais.  O total da trilhas – para caminhadas e passeios de bicicletas – chega a 23.000 km.  A manutenção dessa rede de caminhos é assegurada por cerca de 90.000 voluntários com níveis variados de envolvimento nas ações necessárias.  Ninguém tem que andar com um “guarda-parque” a tiracolo (aliás, nem mesmo nos parques dos países sérios há necessidade de que os visitantes passeiem com um guarda-parque ou guia dependurado à tiracolo, usualmente  atrapalhando a privacidade, prejudicando a contemplação e falando pelos cotovelos).

Resta, ainda, outra dúvida: que fração da Floresta Negra é “original” ou plantada, já que a ao longo do tempo dela extraiu-se muita madeira, fortes tempestades derrubaram grande quantidade de árvores.  E plantios também ocorreram, ainda que não se tenha notícia de plantios feitos da forma metódica que o aqui foi liderado pelo Major Archer.

Tudo isso como introdução para o estado de conservação em que se encontra o Parque Nacional da Floresta da Tijuca.

As imagens abaixo são da grade de apoio que separa os visitantes da belíssima Cascatinha Taunay, um dos mais importantes pontos turísticos de todo o Parque.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E isso num Parque Nacional que é – ou deveria ser – uma das principais atrações turísticas do Rio de Janeiro, bem como atrativo para o lazer dos moradores da cidade, com administração compartilhada por vários níveis de governo e “apoios” de várias empresas.

Há marcos históricos no Parque Nacional da Floresta da Tijuca.  Entre eles, bem em frente à Cascatinha, na área de estacionamento, o que ali foi colocado em homenagem a Nicolas-Antoine Taunay que, junto com Jean-Baptiste Debret e Grandjean de Montigny, entre outros, chega ao Brasil em 1816 como integrante da Missão Artística Francesa – responsável pela fundação da Academia Imperial de Belas Artes.  Ao final desse período, Taunay adquire uma pequena chácara junto à Cascatinha e para lá se muda, com a sua família, pintando ao todo cerca de 20 telas.

Abaixo, o estado de abandono em que se encontra o marco ali colocado pelo governo brasileiro em 1928 em homenagem a Taunay.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ah, ha!  É a turma que faz esse tipo de gestão que quer impor regras para os proprietários privados, para as cidades, para o Brasil enfim?  É com essa medíocre “gestão de parques” – mesmo mesmo quando contam com os vultosos recursos das muitas “compensações ambientais” que devem, por lei, serem destinadas a unidades de conservação – que se acham capacitados a ditar normas para toda a nação?

Errou longe a “autoridade ambiental” do Rio de Janeiro que no passado tentou levar o ministro alemão na conversa (alguns acham que o cargo lhes confere dignidade, em lugar do oposto): a Floresta da Tijuca é a terceira maior área verde urbana do Brasil.  No mesmo município do Rio de Janeiro há o Parque da Pedra Branca – quase totalmente abandonado e com múltiplas invasões, cuja área é três vezes superior – e o Parque da Cantareira, em São Paulo, cuja área é pelo menos quinze vezes superior.

Como é escassa – se existir alguma – a documentação sobre o Parque Nacional da Floresta da Tijuca disponível para os visitantes e turistas, vale dizer que além de tratar-se de um floresta plantada sob a supervisão de um oficial da Polícia Militar – o Major Archer -, outra brasileiro deu continuidade ao seu trabalho: o Barão d’Escragnolle, que o sucedeu, fez um belíssimo trabalho de paisagismo, criando amplas áreas para o lazer, com fontes e lagos, algo que causa arrepios e alergia à maioria dos “gestores de parques” do já obsoleto Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (de nome pomposo e estranha sigla – ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente.  O sonho deles talvez seja remover todos os sinais da intervenção humana na botânica até mesmo de pequenos trechos do Parque.

Depois, veio o notável trabalho de Raymunto Ottoni de Castro Maya (1894-1968), convidado em 1943 pelo prefeito da cidade do Rio de Janeiro para ser administrador da Floresta da Tijuca.  Castro Maia inicia, então, um fenomenal trabalho de recuperação de jardinagem e paisagismo que haviam sido recobertos pela floresta.  Os trabalhos de recuperação se estendem a trilhas, casas, lagos, caminhos, pontes, e até a Capela Mayrink, construída em 1860, para a qual moradores do Alto da Tijuca doam pinturas de Cândido Portinari.

Empresário bem sucedido, Castro Maya trabalha por um salário simbólico e ao final orgulha-se da visitação chegar a 5.000 pessoas por fim de semana.  Esse, sim, foi um belíssimo trabalho de “educação ambiental”.  Já não se fazem administradores de florestas – ou parques e unidades de conservação – como “antigamente”.

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* – As fotos são de Beth Tavares.

 

Parques de Verdade X Parques Brasileiros de Papel?

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Contam os jornais que o Ministério do Meio Ambiente – MMA finalmente promoverá a participação da iniciativa privada nos parques nacionais. Enfim, talvez seja possível vislumbrar uma chance de que os parques comecem a cumprir um pouco de suas funções sociais e legais: a visitação e o convívio de seres humanos com a natureza. Os ambientalistas brasileiros e os “gestores de parques” tiveram crises de alergia e mutismo diante dessa idéia óbvia, mesmo quando se deslumbram com documentários de todos os tipos sobre os parques nacionais norte-americanos.

Recentemente, o IPEA publicou um estudo altamente teórico sobre o potencial de faturamento dos parques nacionais brasileiros. Altamente teórico, por não se basear em qualquer informação concreta sobre os mesmos, excetuada a área total. Nada sobre a contrapartida que o poder público deverá dar para viabilizar ou atrair investimentos da iniciativa privada em instalações de hospedagem de todos os tipos para variadas idades e faixas de renda. Não é possível avaliar os investimentos públicos – usuais e imprescindíveis – para que isso aconteça porque não há uma base de dados sequer sobre a topografia dos parques, o que permitiria um traçado mínimo de vias de acesso aos pontos onde potencialmente podem se localizar um conjunto mínimo de instalações destinadas à visitação e estadia.

O que no Brasil se convencionou denominar “plano de manejo” – tradução vadia e mal feita de management plan nunca é mais do que um macro-zoneamento com diferentes restrições de visitação, com algum tipo de inventário da flora e da fauna baseado em pesquisas esparsas. Um plano de gestão efetivo, com definição de áreas onde deverão ser feitos os investimentos, fontes de recursos, metas, estrutura de administração – tudo isso é alheio ao pensamento limitado dos biólogos, botânicos e outros que cafetinam os parques como se fossem suas propriedades pessoais.

Afirmar que os estudos objetivando promover investimentos privados nos parques serão feitos com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e nada é a mesma coisa. Desse mato não sairá qualquer coelho. O BID não tem esse tipo de experiência, e acaba contratando consultores – em geral economistas – que escrevem papers que terminam em algum desvão da burocracia. Nem mesmo projetos vulgares de saneamento apoiados que contam com vultosos recursos para investimentos concretos são minimamente bem sucedidos quando apoiados pelo BID ou pelo Banco Mundial. Ainda sabendo que são remotas as chances de que isso aconteça, recomenda-se que os “TORs” ou termos de referência (no jargão bidiano) com o roteiro para esses trabalhos sejam objetos de ampla consulta pública.

Seja como for, sem projetos, pouco acontecerá além da “bilhetagem” similar a adotada no Parque Nacional de Foz do Iguaçu se forem feitas as tais PPPs (parcerias público-privadas) que fracassaram nos países sérios nos demais setores de atividade econômica e que aqui entraram tardiamente na moda.  Se esse for o caminho – ou a mera concessão de áreas dos parques –, a mão grande da iniciativa privada prevalecerá sobre qualquer planejamento de médio prazo e o resultado será similar a de uma “concessão sem a realização anterior de obra pública”, exatamente como acontece quando a concessão de uma rodovia começa pela edificação da praça de pedágio. Cafetinagem pura e simples.

Mas, infelizmente, talvez seja esse o único caminho para romper com ao emburrecimento crônico que foi o único resultado do atual sistema de gestão – ou de total ausência de gestão.

Se acatadas, algumas recomendações podem ser extremamente úteis:

a – Substituir o BID pelo Serviço Nacional de Parques norte-americano e seu equivalente canadense como parceiros na concepção do novo modelo; ambos já tem a experiência bem sucedida e dispensam a usual baboseira dos consultores-amigos que querem mais agradar o cliente do que realmente fazer algo inovador e com chances de resultados concretos; seria até bom chamar o Ministério do Turismo brasileiro, mas como se sabe….

b – Substituir o atual modelo de “conselho gestor” ou “conselho consultivo” por conselhos deliberativos constituídos por membros de notório saber sobre um leque de áreas de interesse para a implantação do novo modelo: políticas públicas, administração, planejamento, finanças, etc; aos conselhos de administração deve caber, entre outras coisas, escolher os administradores dos parques, exatamente como numa empresa;

c – Nunca realizar concorrência públicas com o prazo mínimo de 45 dias previsto na legislação brasileira; 45 dias é em geral o prazo das cartas marcadas sempre sempre que estão em jogo investimentos maiores, de maior risco, ou que envolvam a coleta e a disponibilização de informações mais apuradas;

d – As concessões de operação no interior dos parques deverão ter os seus projetos arquitetônicos aprovados pelos conselhos de administração, de maneira a compatilizá-los com o ambiente dos parques; isso se aplica até mesmo a antenas de radio-telefonia, postos de abastecimento de combustível, restaurantes e simiarese, sempre sem qualquer tipo de “bandeira”, redes de transmissão de energia elétrica (sempre subterrâneas), etc;

e – Produzir informações básicas sobre os parques, como topografia, hidrologia, etc;

f – Definir um plano de investimento do poder público para a abertura de estradas e trilhas de verdade, e;

g – Ter pelo menos um esboço preliminar dos planos de gestão dos parques (e não apenas os usuais “planos de manejo”).

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Quem quiser saber, ao menos superficialmente, como funciona um parque de verdade – por contraste com os nossos “parques de papel”, vale assistir a um ou mais clips sobre, por exemplo, o Parque Nacional de Yellowstone, o primeiro dos EUA.