Archive for the 'Agricultura' Category

Código Florestal – Sobre a Tolice das APPs do Oiapoque ao Chuí

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A total incompetência – além da inapetência – dos órgãos de meio ambiente para sair em campo para trabalhar no mundo real foi o que permitiu a mistificação de dispositivos puramente conceitual da lei que se pretende um código florestal.

O que deveria ser uma diretriz, uma recomendação – como é o caso da necessária atenção com as margens dos rios e seu curso – passou a ser um fetiche, um grupo de números mágicos ao qual um grupo de fanáticos – e ignorantes – se apega como se deles fosse sair a salvação da natureza.  E assim conseguem atrair a população urbana leiga, que não se pergunta por que esses conceitos nunca assumiram esse caráter numérico genérico nos países sérios e que servem de modelos de gestão ambiental por terem os seus rios e lagoas limpos, as suas nascentes e águas subterrâneas preservadas: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, os países nórdicos.

O pensamento mágico nas sociedades primitivas – ou anteriores ao pensamento científico – já foi exaustivamente analisado por antropólogos: pessoas achando que algo é verdadeiro apenas pela força do pensamento, ou por se encontrar escrito em algum lugar.  Nesses casos, o simbólico e o imaginário não apenas não precisam como também não devem ser cotejados com a realidade para que não se corra o risco de desabamento de todo o sistema de crenças.

A abstração emburrecedora não existe, por exemplo, na Alemanha, que já fazia grandes obras hidráulicas no século XIX!  Ao longo do tempo, quando os fatos indicaram que seria recomendável ter uma área de alagamento para conter cheias, essa área foi identificada no mundo real, a partir de disponibilidades reais, e dimensionada com base no histórico real de chuvas, vazões, enchentes.  Da mesma forma, devido ao fato do abastecimento público de água se apoiar amplamente no lençol freático, quando identificadas carências ou redução das águas subterrâneas, áreas específicas para assegurar o aumento das taxas de infiltração e recarga foram selecionadas, dimensionadas, e criadas.

No Brasil, o que se tenta em impor em detrimento da incômoda realidade é a abstração numerológica idiotizada e idiotizante que até hoje permitiu a degradação contínua dos recursos hídricos, não pela insuficiente aplicação da lei, mas pela sua inutilidade somada à omissão continuada das autoridades ambientais que nunca demarcaram ou desapropriaram as unidades de conservação, nunca fizeram o geo-referenciamento de nada que se encontra sob sua tutela direta, mas querem que os proprietários privados o façam.

A elas, juntam-se os que acreditam que existe a natureza obedece a leis tão simplórias quando o tal “código”: a “Mãe-Natureza” deixa de ser uma expressão simbólica e assume ares de uma psicose freudiana.

Nesse ponto, vale assistir com calma – e, depois, voltar a assistir – ao documento de poucos minutos postado por Ciro Siqueira em seu excelente blog, com excelente depoimento de um pequeno produtor rural e de um engenheiro agrônomo da Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé que nos mostra a absurda truculência das APPs genéricas.

***

“Espera-se que amemos a natureza por si mesma e que, portanto, nos ocupemos da tarefa de descrevê-la e interpretá-la (como ela é) para que as pessoas interessadas que contam com um menor grau de conhecimento específico possam obter novas informações e delas extrair mensagens mais apropriada, tanto factuais como éticas.  Ora, eu realmente amo a natureza – com tanto ardor quanto todos aqueles que um dia tomaram da pena a serviço dela.  Mas me sinto ainda mais fascinado por aquele nível complexo de análise que se situa um pouco acima ou além da natureza (…), isto é, a história de como os humanos aprenderam a estudá-la e a compreendê-la.  É nesse sentido crucial que me considero, em essência, um naturalista humanista.

“É claro que anseio por respostas para todos os enigmas, grandes e pequenos, que compõem a ordem (e a assombrosa desordem) da natureza lá fora - uma ordem que nossos antepassados, de modo compreensível, só podia interpretar como prova da existência de Deus.”

A Montanha de Moluscos de Leonardo da Vinci - Ensaios Sobre História Natural - Stephen Jay Gould

 

Código Florestal e a Tolice do CONAMA

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Durante a “gestão” José Carlos de Carvalho à frente – ou no “topo” hierárquico, por acidente – do Ministério do Meio Ambiente, o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA resolveu definir “morro” e “topo de morro” através de Resolução redigida em cima das pernas.  O que era uma diretriz geral da lei apelidada de “código florestal” ganhou contornos de regra matemática, os incautos – inclusive setores de MP – acreditaram, e a confusão foi instaurada.

Ao furor regulatório seguiu-se a caça às bruxas Marina Silva e seus paulistanos passaram a acreditar que os vinhedos do Rio Grande do Sul eram um “passivo ambiental”.  A realidade que se danasse – era preciso encontrar culpados pelo imenso e duradouro fracasso das políticas ambientais brasileiras!  Como é de prazer na política, era preciso encontrar um inimigo para não assumir  responsabilidades.  E o “inimigo” mais fácil numa sociedade urbana que pensa que alimentos – e vinhos – nascem em prateleiras de supermercados era o setor agrícola, ainda que os topos de morro estivessem visivelmente ocupados nas cidades, a começar pelo Pelourinho, na primeira capital do Brasil colonial.

Com mais essa besteirol do CONAMA, o poder público podia se eximir de responsabilidades simples como a demarcação em campo do que deve ser protegido com base em critérios técnicos!  Quando se quer fazer politicagem barata, não há por que  fazer nada no mundo real.

A questão do topo de morro já foi analisada diversas vezes neste blog, sob os mais diversos aspectos – inclusive com os pontos de vista da EMBRAPA que o governo federal se recusa a levar em conta e os ongolóides detestam.

Não havendo como lutar contra a burrice crônica e os autos de fé do ambientalismo gringo-paulistano xiita, vale ler o excelente artigo abaixo, transcrito do blog de Ricardo Noblat é de autoria de Maria Helena Rubinato Rodrigues de Souza, publicado na categoria de “obra prima da semana”.   A imagem utilizada pela autora é da página do castelo na internet.

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“Os normandos sabiam que eram minoria e que estariam em desvantagem se a população anglo-saxônica, mais os senhores galeses, decidissem se rebelar contra eles, por isso ergueram castelos por toda a parte.

Castelo de Harlech e Snowdon no País de Gales

“Eram grandes construtores e os territórios conquistados, de Essex ao noroeste do País de Gales, assistiram a um inacreditável programa de engenharia militar.

“Procuravam locais que oferecessem obstáculos naturais para os inimigos, tais como uma colina inclinada ou uma extensão de água. Também era importante ter uma boa visão dos campos ao redor de suas fortificações.

“Com Eduardo I tem início a época de ouro dos castelos normandos. Rei de 1272 a 1307, Eduardo I contou com um arquiteto de gênio, James of St. George, responsável pela maioria dos castelos construídos em seu reinado.

“Do alto do penhasco ao sul da cidade, a visão do castelo, do mar e da montanha é de tirar o fôlego. Sete séculos após sua construção, Harlech não tem rivais em matéria de perfeição na engenharia de castelos, o que ultrapassa a beleza do cenário. Testemunha o imenso talento de James of St. George que, nessa fortaleza, adaptou a força natural do local aos requisitos básicos de defesa exigidos naqueles tempos. Ali ele projetou uma edificação que combina um fantástico sentido de majestade à grande beleza de sua forma e de suas linhas”.

“Não encontrei nada melhor do que essas palavras no site do castelo para descrever o impacto que se tem ao visitar Harlech.

“Como parte do círculo de ferro idealizado por Edward I, ao longo da costa de Snowdonia, Harlech contribuiu para que o rei inglês impedisse aquela região de voltar a ser um foco de insurreição e resistência.

“A construção começou em 1283 e durante seis anos uma legião de pedreiros, mineiros, operários, e outros artesãos, trabalhou sob as ordens de James of St. George. O resultado é um perfeito castelo concêntrico. Cada linha de muralhas era circundada por outra muralha.

“Infelizmente, a muralha externa não resistiu ao tempo e, portanto, perde-se um pouco o efeito que Harlech devia causar no século XIII. (Na foto acima, o castelo e a cadeia de montanhas Snowdon ao fundo).

“Muitas inovações na arte de construir colaboraram para o surgimento de castelos como esse. Os contrafortes deixaram de ser ocos, o que permitiu paredes mais altas; as janelas mais largas deram leveza ao que antes era só um paredão; torres mais estreitas, pequenas, no alto das grandes torres, que além de embelezar, aumentavam o espaço para a vigia.

“Elementos puramente decorativos, como o brasão e as gárgulas, deram ainda mais imponência a essas fortalezas. São monumentos que testemunham o engenho humano. Ainda bem que há quem os conserve…”

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Felizmente, em nenhum país sério – desses que resolveram os seus problemas ambientais locais – existe a figura de “topo de morro” como área genericamente protegida, até porque em nenhum dicionário técnico de geologia existe qualquer definição de morro, exceto como “elevação do terreno”.

O tal do “código”, mesmo revisado, continuará sendo um cheque em branco para a omissão continuada do poder público em relação a políticas de ocupação do solo com boa gestão ambiental.  Órgãos ambientais que não conseguem fazer a regularização fundiária de suas unidades de conservação ou definir os seus perímetros através de geo-referenciamento numa época em que um GPS não custa mais do que R$ 300,00 não sérios e nem passarão a ser enquanto puderem permanecer no dolce fare niente da inexistência de metas para o mundo real e dos correspondentes prazos.

Crise Alimentar e Meio Ambiente – Existem ONGs Sérias

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Como as franchises locais das ONGs gringas que tentam falar em nome dos “ambientalistas” brasileiros tomam o máximo cuidado para ocultar as suas fontes de financiamento e os processos decisórios que as levaram à atual obsessão por um “código” florestal ultrapassado e sem similar nos países sérios, vale mostrar uma reportagem feita por uma ONG séria, a Oxfam, que cuida de gente real num mundo real, e não de abstrações num mundo de abstrações conceituais, como fazem Greenpeace, WWF e similares no Brasil.

A Oxfam tem denunciado a verdadeira invasão de países africanos por “investidores internacionais” interessados em terras baratas para a produção de alimentos e de produtos madeireiros, com a expulsão dos habitantes dessas regiões.  Essa é uma nova face da crise alimentar mundial.  Num caso específico – o de uma empresa que “atende pelo codinome” de New Forest Company (ou Nova Companhia Florestal), inglesa, imersa em “responsabilidade sócio-ambiental” (o cinismo desenfreado pode ser visto na descrição contida no campo conservação de sua página), um pequeno vídeo feito pela Oxfam durante uma investigação no mundo real – e não nos tapetões do poder – é suficiente para mostrar a verdadeira face desses “novos ambientalistas”.

O documento foi resultado de uma investigação sobre as atividades da tal Nova Companhia Florestal em Uganda e não é preciso muito domínio do inglês para entender o que se passa: as pessoas são expulsas de suas terras pelos governos corruptos locais que as “cedem” para a empresa apoiada por instituições financeiras como o HSBC, que tem 20% de suas ações e 6 assentos em seu conselho de administração.  Toma a terra dos outros “na mão grande”  (nada muito diferente do que é feito quando ocorre a criação de unidades de conservação no Brasil, mas esse é outro assunto).

O mesmo vem acontecendo em muitos países da África.  Uma galeria de fotos organizada pela mesma Oxfam disponibiliza imagens bastante chocantes.

Já é tempo de quem quer realmente trabalhar com meio ambiente e se auto-denominar “ambientalista” com orgulho e objetivos reais deixar de lado a impostura e buscar ONGs sérias como a Oxfam e muitas outras.

 

 

 

Extra! Extra! – Greenpeace e Outros Ongolóides Descobrem “Gente Pobre” na Amazônia

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Franquias brasileiras de ONGs estrangeiras e suas parceiras locais também financiadas com dinheiro externo anunciaram uma sensacional descoberta (para o padrão mental delas): existem “humanóides” na Amazônia.  A notícia foi veiculada numa “reportagem” feita no quadro de contenção de despesas de O Globo que se propõe a fazer jornalismo telefônico e sem sair da redação.  De São Paulo, o repórter descobriu que de uma população de 7 milhões de habitante do Estado do Pará, cerca de 1,5 milhão ou metade da população rural vivem em “assentamentos”.

Os números da “reportagem” de O Globo limitam-se ao Pará, por falta de informações, falta de interesse pela pesquisa ou por se tratar de reportagem induzida pelas próprias ONGs (sim, O Globo se presta a esses papéis).  O fato é que a população da região Norte do Brasil é de 15,9 milhões e, como os ongolóides gostam de confundir Amazônia Legal com Amazônia quando isso lhes interessa, pode-se falar de uma população superior a 20 milhões.

No passado recente foi moda falar nos “povos da floresta”, mas essa expressão foi rapidamente banida do jargão ongolóide talvez pelo incômodo que os tais “povos” causavam à conveniente fantasia das florestas intocadas.  Agora, são esses povos que incomodam a floresta, e os ongolóides querem mais “fiscalização”.  Talvez um destacamento da Guarda Nacional em cada assentamento ou um programa de governo com um belo nome de fantasia: “bolsa polícia federal”, assegurando a cada família um poloicial.

Para o representante do Greenpeace, “o desmatamento causado por assentamentos é como um cupim que vai comendo a floresta pelas bordas”.   Imagina, então, se essa gente resolve comer e ainda por cima plantar ou criar algum gado para abastecer os centros urbanos – de todos os tamanhos – na Amazônia?  Pobre tem cada uma!!!  Se esse “cupim” – “gentinha” – não for bem fiscalizado, daqui a pouco vai querer até serviços de saúde, acesso à educação, energia elétrica e quem sabe celulares!!!  Tsc, tsc, tsc.  Pobre tem cada uma!….

Ongolóide não gosta mesmo de gente, e ainda menos de pobres!  Gente só é tolerável quando faz doações para as suas campanhas!

A “reportagem” de O Globo segue entrevistando apenas ongolóides.  Um representante do WWFR no Brasil – que atende pelo sugestivo nome de Scaramuzza – afirma que é preciso ensinar os pequenos produtores a praticar uma agropecuária sustentável, além do agroextrativismo.  Quem sabe uma pequena parcela dos 22 bilhões de dólares de investimentos financeiros do WWF possam ser destinados a demonstrar que é possível alguém viver do tal agroextrativismo?  Ou será que ele está se referindo ao tipo de agricultura praticado na terra-natal do WWF, nos EUA, onde são necessárias de 7 a 10 calorias de combustíveis fósseis para produzir uma caloria de alimentos?

Para simplificar uma longa história, vale rever fotos já aqui públicadas sobre como é a vida real em qualquer pequena cidade às margens da bacia hidrográfica da Amazônia – não tão diferente do que acontece no Tietê ou na baía de Guanabara.  Essa história de gente pobre é realmente insuportável para quem fala de Amazônia nas redações refrigeradas da grande imprensa ou nos restaurantes paulistanos.

Divirtam-se!   Afinal, para eles os problemas ambientais se ressumem às florestas.  E nunca dirão aos seus patrocinadores que cerca de 45% da Amazônia já são unidades de conservação ou terras indígenas.  Se não, arriscam perder a bolsa-teta.

Manacaparu - Às Margens do Soiimões

Manacapru - Margens do Solimões

Agricutura Urbana nos EUA (Sem a Tolice da Reserva Legal) – Uma Nova Realidade?

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Aumenta o número de notícias sobre o cultivo de vegetais para alimentação humana em áreas urbanas dos EUA.

Os “agricultores urbanos” e muitos especialistas atribuem o rápido crescimento dessa prática à recessão econômica.  Os temores relacionados às mudanças climáticas talvez contribuam para o desejo de estar mais próximos de suas próprias fontes de alimentos, algo que nunca desapareceu completamente em países como a Alemanha e o Japão, que viveram tempos de guerra e de escassez de alimentos.

Nos EUA, essa prática tampouco desapareceu, ainda que tenha se mantido como forma de lazer e de educação das crianças.  Lá existe uma Associação Nacional de Jardinagem, cujo site tem uma área específica para o que se poderia denominar de “jardins para a alimentação” (já que a tradução literal “jardins vegetais” soaria redundante em português), além de muitas outras informações úteis.

Recentemente, o diretor de pesquisa dessa organização atribuiu o rápido crescimento desse tipo de agricultura urbana à rápida elevação dos preços de alimentos e ao acelerado crescimento do número de “consumidores conscientes”.

Até recentemente, a idéia de “alimentos produzidos localmente” esteve associada apenas a uma elite endinheirada que podia pagar mais pelo que estava na moda.  Mas, segundo o presidente de uma das maiores redes de verduras e legumes dos EUA, a grande mudança começou com a concordata do banco de investimentos Lehman Brothers, em 2008: “a ansiedade sobre o dinehiro cresceu rapidamente, afirmou.  Mas, ao que tudo indica, o que se cresceu mesmo foi a falta de confiança no sistema financeiro como provedor de riquezas, e isso já foi um grande passo para uma mudança de rumos na economia.

Entrevistada, uma professora de uma pequena cidade do Kentuchy, afirmou que as suas despesas com alimentação caíram à metade com a produção própria e com a aquisição de maiores quantidades de alimentos de produtores locais para fazer conservas.

Essa tendência é diferente da que se encontra nas grandes cidades: não há certificação do tipo “orgânico” ou propagandas desse tipo; as pessoas produzem e compram para reduzir despesas mesmo, e usam as mais variadas técnicas para conservar os alimentos, ou os congelam.

“Esse é o meu verdadeiro seguro-social” – afirmou durante uma entrevista um ex-trabalhador na mineração de carvão que resolveu plantar.  Pedaços de terras nas encostas dos morros estão se transformando em “jardins de alimentos” com grande velocidade.

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Imagens da agricultura urbana em plena área urbana de Sacramento, capital da Califórnia, são uma boa ilustração do assunto.  Felizmente, eles não têm, lá, jovens ingênuos, bem intencionados e autoritários do Ministério Público que insistem na aplicação da reserva legal até mesmo em áreas urbanas.  Na verdade, eles simplesmente não têm esse conceito de reserva legal, intocada e que deve ser mantida com vegetação nativa até mesmo no semi-árido nordestino.

Os conceitos de áreas de infiltração para recarga do lençol freático, controle de poluição e contenção de cheias, bem como de segurança alimentar para as áreas urbanas e de proteção da biodiversidade são bem mais sofisticados e efetivos do que essa mega-tolice nacional.  Mas esses são outros assuntos.

Código Florestal X Produção de Alimentos – Marina Silva, Mini-Sarney e o Partido dos Sem-Noção – PSN

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Uma pat0ta de crentes ignorantes associada a moleques de grandes ONGs estrangeiras dos tapetões tenta disseminar noção de que a produção de vinhos do Rio Grande do Sul e a produção de café de Minas Gerais – entre outras – não passam de “passivos ambientais” porque estão em “topo de morro”.

Ainda que a ciência não tenha qualquer definição sequer para o que é “morro” – além de uma elevação do terreno, para fins de topografia -, no imaginário desses palpiteiros os “topos de morro” deveriam ser áreas de preservação permanente, um sem fim de “montanhas sagradas” – quem sabe no mundo de Harry Potter.

Escondem-se atrás da comparação com a produtividade da pecuária de países como os EUA, ocultando, é claro, que lá o gado bovino jamais vê um pasto em sua curta vida, é produzido em “campos de concentração” (cattle feed operations ou operações de alimentação de gado) onde é alimentado com milho, hormônios de crescimento e antibióticos, e que esse milho resulta de uma agricultura intensiva em combustíveis fósseis, pesticidas e sementes transgênicas.

Enfim, deixando os ongolóides* endinheirados de lado, vamos ao que interessa: a segurança alimentar!

Usando os índices da FAO, foram estabelecidas correlações entre esses preços de alimentos e instabilidade social, incluindo verdadeiras guerras civis.  Os especialistas acreditam que a rápida elevação dos preços dos alimentos que ocorreu a partir do período 2004-2006 veio para ficar e resulta de fatores já demasiadamente conhecidos.  Nos atuais patamares, a ocorrência de fome e de violência social em diversas regiões do mundo são inevitáveis.

A tentativa populista de acreditar que esses aumentos resultaram apenas da especulação financeira no mercado de commodities já foi para o brejo.  O crescimento da população, as mudanças nos padrões de consumo de alimentos na China e em outros países, a competição pelo uso da terra para a produção de alimentos, de biocombustíveis e de produtos madeireiros e outros fatores sugerem que os preços dos alimentos não voltarão aos patamares anteriores e até atingirão níveis mais elevados.

Essas afirmações encontram-se num relatório do Instituto de Sistemas Complexos da Nova Inglaterra (EUA), instituição responsável por trabalhos relevantes, incluisive em cooperação com o Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), o primeiro a colocar a questão dos Limites para o Desenvolvimento (relatório que motivou a Conferência de Estocolmo de 1972).

E a turma aqui – incluindo governo e parlamentares brasileiros – perdendo tempo com divagações sobre a “reserva legal”, ainda que o país continue sem qualquer indício de uma política de segurança alimentar além da importante mas demasiadamente superficial bolsa-família.  Até Houston, no Texas, talvez a mais importante capital mundial das petroleiras, já tem, há muito, uma política séria de segurança alimentar!

***

* – A referência a “ongolóides” restringe-se a um pequeno grupo de grandes ONGs – em particular estrangeiras – auto-denominadas ambientalistas e outros eco-fascistas que apeasr de muito falarem em “sócio-ambiental” desprezam radicalmente a presença humana em qualquer lugar.  Há excelentes trabalhos de ONGs – ou, melhor dizendo, da sociedade civil organizada – ocorrendo nos mais diversos pontos do Brasil e do mundo.

 

“Código Florestal” e “Bioma Cerrado” em Moçambique

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Parte para Moçambique o primeiro grande grupo de produtores rurais brasileiros.  Seguem no mesmo rumo de grandes empresas inglesas, espanholas, e européias em geral, além de estatais chinesas: dar um “chega prá lá” nas populações locais e para expandir a produção de alimentos, de biocombustíveis, de soja para alimentar porcos e frangos, de algodão, de madeira.

Como em muitos países da África não existe a propriedade da terra, é só corromper os governos locais e assenhorar-se dela mediante um pagamento no oficial e outro no paralelo (em dinheiro ou sob a forma de prestação de serviços auxiliares).

Os incomodados que se mudem e os países da África subsaariana ricos em petróleo – como Angola e a Nigéria – são exemplos típicos dessa corrupção crônica: um grupo de ricaços no poder e uma população de miseráveis.  Depois, os países da OTAN fingem interesse em derrubar ditaduras existentes há décadas onde for de seu interesse…  em nome dos direitos humanos.

No caso das negociações há muito iniciadas pelas autoridades brasileiras com o grupo no poder em Moçambique – e que motivaram várias viagens de Lula ao país e até mesmo a abertura de uma representação da EMBRAPA (sempre com o discurso populista  da “ajuda aos mais pobres”), o que agora se anuncia é a concessão de 6 milhões de hectares - isso mesmo! – por um prazo de 50 anos renováveis por igual período, ao preço de R$21/ha/ano, quase certamente com os  direitos de outorga sobre os recursos hídricos já incluídos (ou seja, R$ 10.500 pelo ciclo de 50 anos).

Se tudo der certo, logo o BNDES estará financiando cleptoempreiteiros brasileiros para construirem estradas de acesso e portos em Moçambique (empréstimo que não será pago, é claro; dona Gleisi Hoffman não sabe, mas esse é dinheiro público SIM).

A região de Moçambique que será concedida a produtores rurais brasileiros – seria mais fácil fazer um programa de assentamento dos sem-terra brasileiros em Moçambique?) não está sujeita às regras da lei que aqui resolveram denominar “código florestal”.  O tal do “bioma” – tão ao agrado do mini-Sarney – e seus asseclas é do tipo Cerrado e irá para o beleléu em tempo recorde.

De fato, no início da ocupação produtiva do Cerrado brasileiro o que se necessitava era coragem e muito trabalho, já que não existiam as modernas máquinas agrícolas ou mesmo estradas de acesso.

Os ongolóides brasileiros e internacionais com franchise no Brasil -  WWF, Greenpeace, Nature Conservancy -, que em seus países de origem nada fazem para incluir reservas legais ou APPs na legislação ambiental por saberem inúteis essas figuras de retórica – silenciarão.  Que se dane o “bioma” – que, perdoem-me os leitores, está cagando para o código florestal*.

Os ongolóides certamente não proporão um “código florestal” válido internacional, aplicável a todos os países, na Rio + 20, que se aproxima.  Fingirão que o assunto não existe.

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Em meados de junho de 2011, o governo de Moçambique anunciou para breve a divulgação “para breve” a divulgação dos editais para áreas de concessão de exploração de gás que devem estar terminando de ser elaborados nos escritórios de advocacia das petroleiras em países estrangeiros.  O “modelo” adotado deverá ser semlhante ao de Angola e da Nigéria: royalties e todos os ganhos para a quadrilha no poder e a quase totalidade da população na miséria.

* – Felizmente, o tal do “bioma” não cabe em nenhuma codificação legal, ainda que possa caber num livro descritivo de biologia (sem coincidência com a hidrologia ou com a geologia).

 

 

Observatório da Terra – Incêndios Espontâneos Lá, “Queimadas” Aqui – O Jogo de Palavras

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Neste mes de julho, grandes incêndios espontâneos ocorreram nas mais diversas regiões do mundo, entre as quais a Austrália, o Canadá e os EUA.  Eles são chamados pelo que são, e não pela denominação genérica de “queimadas”, como fazem no Brasil o INPE, o MMA e as grandes ONGs.  Por que uma instituição séria como o INPE faz esse tipo de “abordagem mercadológica”, ao gosto da mídia sensacionalista?  Para ter mais recursos do governo?  É uma incógnita.

Afinal, nos países sérios, há muito tempo os dados dos incêndios florestais já são correlacionados com a baixa umidade do ar e com as temperaturas ambientes.  Instituições como a NASA ou os serviços equivalentes / metereológicos de outros países jamais fariam generalidades como “queimadas” – termo ambíguo, de sentido impreciso, que não diferencia o que foi intencionalmente provocado daquilo que ocorre naturalmente.

Em regiões do mundo onde a seca provoca incêndios espontâneos - como ocorre na Córsega e em outras ilhas mediterrâneas – são freequentes as placas às margens das estradas alertando  para o risco de incêndio a partir de uma ponta de cigarro jogada de um carro ou similar.  Mas ninguém fala em “queimadas”.

Enfim, o que importa, as imagens hoje divulgadas pela NASA de muito incêndios espontâneos ocorridos na segunda quinzena de julho de 2011.

Primeiro, na Austrália.

No mesmo intervalo de duas semanas, no Canadá.

E na Califórnia, nos EUA.

Em nenhum dos casos as autoridades locais cafetinaram o tema e nem se deixaram cafetinar por ONGs.  E a imprensa não recebeu ou transmitiu uma mensagem dúbia.  Já no Brasil, nesse mesmo período, ocorreram queimadas no Pantanal, e tudo foi noticiado como se todas essas queimadas fossem intencionais, destinadas a ampliar áreas agrícolas “ilegalmente”, decorrência apenas da falta de maior repressão. 

O INPE poderia ser mais “científico” e menos vago quando divulga essas informações.  Exceto se não tiver a capacidade instalada de análise de imagens de satélite para diferenciar uma coisa da outra.

A NASA tem uma área exclusiva chamada “natural hazars”, que pode ser livremente traduzida por “acidentes naturais” ou como tem sido dito no Brasil “eventos climáticos extremos”.  E ninguém finge que aquele evento “extremo” – como foi o caso dos deslizamentos de terra nas serras do Rio de Janeiro – foram devidos à ação humana ou a má ocupação dos solos, como aqui se faz.  As aves “de mau agouro” que aqui predam a insegurança casusada por tais eventos são da mesma natureza daquelas que desviam recursos públicos destinados à reconstrução das serrras.

Vale visitar a página da NASA cujo link denomina-se Observatório da Terra onde, passeando o cursor na tela, é possível ter imagens de alta resolução e informações sobre eventos climáticos extremos em diversas partes do mundo.  Divirtam-se!  E não acreditem em grandes ONGs e em palavras de sentido duvidoso.

 

 

“Desenvolvimento Socio-Ambiental” no Porto do Açu – Rio de Janeiro

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Esse é o exemplo máximo do ”desenvolvimento socio-ambiental“ à moda do chefe!

Vale assistir TODO o excelente trabalho dos estudantes de jornalismo cujos nomes se encontram ao final do documentário.  Qualquer comentário sobre o amontoado de leis e regulamentos jogados no lixo é redundante diante das imagens.  Parabéns, também, ao professor que os orientou os estudantes.

Os ongolóides do “desenvolvimento sócio-ambiental” ainda não se pronunciaram!

No Brasil, a mera expulsão de pessoas de suas propriedades sempre foi feita com o enchimento de barragens de hidrelétricas.  Mais tarde, também com a criação de parques de papel e de outras unidades de conservação, mas aí o roubo é gradual, ainda que igualmente “na mão grande”.

Mas o uso de recursos públicos para fazer desapropriações em benefício de uma única empresa é uma novidade!  Nesse caso, o interesse social foi apenas uma “ação entre amigos”.

 

Ban Ki-Moon, o Marionete, Etanol de Segunda Geração, Conservação de Solos e Outros Comentários

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Ban Ki Moon, coreano de lamentável desempenho como secreário-geral da ONU, vem ao Brasil, fala sobre Amazônia, e ninguém pergunta por que ele não vai para Nova York dizer que o mundo está atento ao fato de que os EUA não aprovaram projetos de lei limitando as emissões de gases causadores de mudanças climáticas e ainda licenciaram novas mega-minerações de carvão. NA-DA!  Ele não vai criticar quem pode tirar-lhe o cargo que nada fez por merecer e que nunca honrou.

***

Esse lero-lero de etanol de segunda, terceira e quarta geração já cansou!  Lê-se nos jornais de hoje:

“Um dos painéis do 3º Ethanol Summit, encontro internacional sobre etanol organizado pela Unica, tratou das novas tecnologias que trarão aumento do uso dessa planta em diferentes mercados. Duas empresas vindas dos Estados Unidos mostraram tecnologias que transformam açúcar em combustíveis renováveis, moléculas idênticas aos hidrocarbonetos de petróleo. Isso envolve o diesel de cana, querosene de aviação, gasolina e também todos os tipos de plásticos, solventes, lubrificantes, cosméticos, surfactantes, inclusive produtos medicinais.

“É assustador pensar que os motores atuais de caminhões, ônibus, aviões, carros podem rodar com um combustível vindo da cana, pois são mercados de tamanhos impressionantes.

“Foi apresentada também termelétrica com turbinas convertidas para usar etanol em vez do gás, com resultados interessantes e motogeradores (motores de combustão interna com alto desempenho) movidos a etanol, possibilitando que a energia elétrica seja gerada localmente nas comunidades, evitando a construção de grandes linhões de transmissão.

“É uma tecnologia de grande impacto para países pobres e em desenvolvimento. Não bastasse a dificuldade em abastecer o mercado interno de etanol hidratado, ainda aparecem todos esses novos usos para a cana, o que demandará grande aumento de produção.

“A boa notícia é que existe potencial na planta para aumentar a produtividade. Acredita-se que, em dez anos, a cana possa duplicar a produtividade, assim dividida: ganho de 15% a 25% com melhoria dos agroquímicos (melhor controle de insetos, ervas daninhas e fungos), 10% a 20% com germoplasma, melhorias no plantio, colheita e em processos, 20% a 50% com biotecnologia, modificação genética, etc.

“Finalmente, usando essas soluções de maneira integrada, consegue-se ainda potencializar essa produtividade, fora a irrigação e outras inovações que vêm por aí.

“Isso será fundamental para que toda essa cana seja produzida de maneira sustentável e usando menos áreas que as utilizadas com a produtividade atual. Essas novas áreas para produzir cana sobram no Brasil, e virão principalmente da liberação de áreas de pastagens.”

Esse trololó cansa! Aos fatos!

A capacidade de produção de matéria orgânica do planeta é limitada!  Falar em transformar “resíduos agrícolas” em etanol é bom para o tal do mercado, mas agride frontalmente os princípios mais elementares das técnicas de conservação dos solos, que tem como pilar o retorno desses resíduos para a proteção dos solos e para a sua renovação.  Tudo o que se retira do solo e para ele não volta – como os resíduos de cana usados na cogeração – é solo perdido.  O etanol de segunda geração que usa os “resíduos agrícolas” compete com a cogeração e com a conservação dos solos (e, em decorrência, dos recursos hídricos).

Não tem “almoço grátis”.  O que se faz é usar, agora, um recurso cuja formação é de muito longo prazo, exatamente como quando se usam combustíveis fósseis.  Estima-se de uma maneira geral que sejam necessários 180 anos para que se forme 1 centímetro de solo agrícola.  Então, agora também nessa área, o que se propõe é consumir os recursos das tais gerações futuras… para sua proteção.

Que assim seja, em nome da esperança e de ganhar algum fôlego.  Mas, por favor, parem de mentir em nome de um “mercado sustentável”.  Ou é mercado ou é sustentável!  Os dois só se unem episodicamente, numa reciclagem qualquer de plástico para fazer dormentes que nunca encontra qualquer apoio nas políticas públicas brasileira ditas “ambientais” e nem apoio dos “ambientalistas”.

A produção e o consumo de matéria orgânica não escapa a essa regra.  Não tem essa de óleo de palma (dendê) “sustentável”que vai “salvar” a biodiversidade nas florestas tropicais e as gerações futuras.  O biodiesel de palma para assegurar a continuidade de uma demanda crescente de transporte de tudo e de todos não é “sustentável”.  O “bife orgânico” dos super-mercados norte-americanos voa até lá vindo da Argentina!

Não é “sustentável” um etanol dito “importante para os países em desenvolvimento” mas destinado a a assegurar que as empresas de aviação continuem a atender ao crescimento da demanda de vôos internacionais dos Ban Ki-Moons da vida e até de executivos de verdade, bem como de gente indo à Disney.

Os Ban Ki-Moons estão bem unidos nessa enganação toda.  O mercado que vai continuar a crescer de verdade, seu Ban Ki, é o mercado de combustíveis fósseis.  Não minta, não engane os outros, procure honrar ainda que minimamente a memória de alguns de seus antecessores como Kofi Annan.

A preservação da Amazônia é outro assunto!  Algum nível de proteção viável das florestas e dos solos frágis só pode ser alcançado se forem ouvidos os profissionais da região que trabalham com tecnologias agro-florestais.  Leia-se Embrapa Amazônia Ocidental, Embrapa Amazônia Oriental, e agrônomos da região que sabem trabalhar no campo, levar o conhecimento ao teste da realidade.

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As “putas da ciência” que recebem por número de “papers” publicados sem nunca se arriscarem a um confronto com a realidade (o reality check, do qual bons cientistas não mão) são inúteis, danosas, perigosas, enganadoras, e devem ser retiradas de cena pelo governo brasileiro.