Archive for the 'Biocombustíveis' Category

Amazônia, Subsídios à Geração de Eletricidade e Imbecilidade "Ecológica"

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Em reportagem de Ramona Ordonez publicada nesta data em O Globo comenta que uma tunga adicional de 1,5% do valor das contas de eletricidade dos consumidores brasileiros de energia elétrica está para ocorrer a qualquer momento – além do que acontecerá com o bolsa-eletriricidade recentemente concedida pelo residente Lula a nuestros hermanitos paraguayos com a decisão de rever a favor deles o contrato da Itaipu Binacional.

A mágica se dará com a vigência da Medida Provisória 499, editada em 29 de junho de 2009, que prevê alterações filantrópicas nos valores da Conta de Consumo de Combustível – CCC que subsidia os chamados sistemas isolados em particular na região amazônica.  A MP está em jurisdiquês e em economês.  Já a exposição de motivos, assinada por Nelson Machado e Edison Lobão, e as rocambólicas justificativas podem ser encontrada em www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Exm/EMI-33-MME-MF-09-Mpv-466.htm.  Se alguém tiver dificuldades em chegar lá porque o Windows identifica o site como não seguro, é só clicar em prosseguir.  Não há riscos de uma tentativa de tunga adicional online.

Absurdamente – e intencionalmente - não há referências a valores na Exposição de Motivos e nem na Medida Provisória,  sequer estimativos  O alerta veio do presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e dos Consumidores Livres – ABRACE, que estimou o aumento das despesas com a CCC dos R$ 2,48 bilhões já aprovados para 2009 pela ANEEL para R$ 4,88 bilhões – quase o dobro do valor original – “se a MP entrasse em vigor nesta data”.  Eufemismo, já que ela entra em vigor na data de sua publicação, o que deverá ocorrer em poucos dias.

Os elevados subsídios para o transporte de combustível para os Sistemas isolados continuam a ser uma aberração do ambientalismo imbecil – afinal, os slogans do tipo eco estão mais na moda do que nunca -, já que tais sistemas poderiam ser abastecidos com B-100 (100% óleo vegetal) feito a partir do dendê e do babaçu, abundantes em toda a região.  A tecnologia para o uso do B-100 nos geradores diesel não envolve mais pesquisas, e a extração e filtragem do óleo pode ser feita em quantidades adequadas a cada sistema isolado.  A grana também seria melhor usada com a implantação de sistemas híbridos solar-biodiesel ou mesmo solar-eólico-biodiesel, gerando emprego e renda na própria região e utilizando tecnologia já desenvolvida pelo Instituto Militar de Engenharia – IME.

O que realmente não faz sentido é pagar a conta de caminhões que saem de São Paulo e viajam 2.000 quilômetros até a Amazônia, depois fazem o transbordo do óleo para um barco, que depois o coloca em outro caminhão, e ninguém audita nada.

Mas Lobão – afilhado político de Sarney – e Lula preferiram aumentar os subsídios para fazer mais da mesma coisa sob o argumento de que… blá-blá-blá… os mesmos de sempre.   Afinal, o que são meros R$ 4,88 bilhões ou valor aproximado para beneficiar um transporte de caminhão e outros valores nunca auditados?  De toda forma, eles serão extraídos furtivamente do bolso de quem paga a conta de luz sem os subsídios sociais que são uma espécie de bolsa-eletricidade.

***

O falecido Gilberto Mestrinho lutou para que o gás de Urucu fosse liquefeito ou transportado por chatas em alta pressão, já que o principal meio de transporte da região é fluvial.  Assim, seria possível subsituir o combustível de TODOS os sistemas isolados por gás natural, e ainda utilizar esse combustível, mais limpo, no abastecimento de barcos e carros.  Mas, com essa alternativa, as empreiteiras “amigas dos amigos” não teriam a chance de fazer 600 quilômetros de dutos terrestres e 140 de dutos subaquáticos.   

Biodiesel – Já é hora do Brasil ter uma política séria

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O Brasil bem que podia ter uma política séria de produção de biodiesel, agora que já foram esquecidas todas as tolices  (e mentiras!) sobre pequenos produtores plantando mamona.  Uma política séria incluiria a seleção das espécies em função das características de cada região.

A produtividade média por tipo de cultura – em kg de óleo por hectare é a seguinte:
Cultivar                      Kg de oleo/hectare

Castanha de caju              148
Café                                   386
Soja                                    493
Sésamo                              585
Girassol                             800
Cacau                                863
Canola                            1.000
Óleo de babaçu              1.541
Jatropha                         1.590
Côco                                2.260
Óleo de dendê                5.000

Os números dispensam comentários, já que, atualmente, a quase totalidade do biodiesel produzido no  Brasil é proveniente da soja, que no Brasil tem alta produtividade mas apenas 18% de óleo.

Fonte:  www.earthtoys.com/emagazine.php?issue_number=09.02.01&article=jatropha

Etanol de Segunda Geração – Boas Notícias na Área de Energias Renováveis

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O sonho brasileiro de exportar etanol começa a ir para o ralo: inicia-se em breve, na Dinamarca, a produção de etanol de segunda geração, fabricado a partir dos resíduos agrícolas.  Assim, evita-se a competição entre o uso do solo para a produção de alimentos e de biocombustíveis. É uma boa lição para o Brasil e uma oportunidade de desmascarar a história da globalização, do livre mercado, da Organização Mundial do Comércio – OMC com as suas proibições de subsídios aos produtos.  De fato, nos países sérios os subsídios governamentais são massivamente direcionados para o desenvolvimento científico e tecnológico, depois repassados à iniciativa privada.  Além disso, CRIAM-SE mercados a partir de contratos como o que agora foi anunciado entre a Statoil – a empresa petrolífera da Dinamarca – e a Inbicon, uma empresa privada que atua no ramo dos biocombustiveis (www.inbicon.com).  A Statoil comprou, por antecipação, a produção quase total da fábrica da Inbicon ainda em construção – 5 milhões de litros.  Ou seja, os mercados não são figuras etéreas, produtos apenas da teoria econômica, mas mecanismos da dinâmica econômica que podem e devem ser influenciados por iniciativas das sociedades.  A Dinamarca sai, assim, do estágio da pesquisa aplicada para uma fábrica-piloto da Inbicon que pretende demonstrar a viabilidade econômica da produção do etanol de segunda geração em escala industrial.  Essas são boas notícias para os que se interessam por políticas públicas efetivas e inovadoras na área da gestão ambiental.  Mas, evidentemente, destinam-se a resolver os problemas relacionados à segurança energética dos países altamente desenvolvidos.

Muito provavelmente, no futuro próximo países como o Brasil estarão pagando royalties para usar essas novas tecnologias.

No entanto, a produção de etanol a partir dos resíduos agrícolas é apenas uma solução parcial, já que o eixo da conservação dos solos e dos recursos hídricos – em particular da recarga dos aqüíferos subterrâneos – é o plantio direto que deixa esses resíduos recobrindo os solos depois das colheitas.  Essa é uma prática bastante difundida no Brasil pelos próprios produtores rurais de médio e grande porte, os tais “ruralistas” que estão servindo de bode expiatório para a incompetência dos “ambientalistas” (mas esse é outro assunto).  Quando os resíduos agrícolas são removidos, o solo fica exposto às chuvas e sujeito à erosão; a água não é retida para infiltração lenta. 

Fora o que, o plantio direto retém mais carbono nos solos agrícolas, oportunidade que as autoridades ambientais brasileiras têm ignorado ou subestimado ou desconsiderado, já que os “ruralistas” – e não o governo – colocaram o Brasil entre as lideranças mundiais desse prática que além de conservar os solos e aumentar a produtividade, reduz de maneira significativa o aporte de adubos químicos e de pesticidas.

A ver quais os próximos passos do novo conflito entre conservação dos solos e produção de etanol de segunda geração.  Nada pode ocultar que o planeta ficou pequeno demais para a sua atual população, que continua crescendo, e não á qualquer alternativa para um desenvolvimento sustentável global, exceto nos países altamente desenvolvidos que estão cada vez mais fechando as suas fronteiras.

De toda forma, os países altamente desenvolvidos já se posicionaram contra o uso de etanol de primeira geração por entenderem que ele concorre com a produção de alimentos, e não o importarão, em especial quando a FAO estima que em 2009 o número de desnutridos do planeta será superior a 1 bilhão de pessoas.

Tecnologia da Energia e Tecnologia da Informação – Revoluções Semelhantes?

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Acaba de ser publicado um interessante livro sobre meio ambiente.  No Brasil intitulado O Mundo é Plano, o livro tem um título bem mais longo em sua versão original, em inglês: Quente, Plano e Populoso – Por Que Necessitamos de Uma Revolução Verde e Como Ela Pode Renovar a América.  O autor, Thomas Friedman, é jornalista, colunista do New York Times, e já agraciado com um Prêmio Pulitzer.

O livro ironiza aqueles que acreditam na continuidade de uma civilização do petróleo, como George W. Bush, que aposta na exploração desse combustível fóssil em águas ultra-profundas (utra-deep drilling) – como é o caso do que aqui se convencionou chamar de pré-sal.

Numa entrevista recente para a renomada revista Foreign Policy, Thomas Friedaman afirmou que essa visão é apenas non-sense.

“Ninguém acredita sinceramente que nas profundezas dos oceanos exista petróleo para assegurar a autonomia dos EUA.  Essa é uma abordagem errada porque, num mundo que se tornou quente, plano e super-populoso, os combustíveis fósseis – e em particular o petróleo – vão ser demasiadamente caros e finitos.  Então, o nosso foco  deve ser na próxima grande indústria global: energias renováveis e limpas.  Quando o McCain diz `perfurem, perfurem, perfurem`, eu vejo algo similar a alguém que defendesse as máquinas de escrever elétricas da IBM às vésperas da revolução da tecnologia da informação.

Para o autor, a próxima revolução tecnológica será uma revolução de elétrons.  Os países que liderarem essa revolução serão aqueles nos quais os padrões de vida serão os mais elevados, que serão mais respeitados pelo “resto do mundo” (ah, a usual arrogância norte-americana), e nos quais a inovação vai se acelerar e a segurança nacional aumentará.

“Eu quero gente colocando dólares malucos em idéias malucas, em cada garagem, 100.000 pessoas tentando 100.000 coisas diferentes, cinco das quais serão bem sucedidas, e duas poderão ser o próximo Google verde.  Só assim, com cada um sendo um cientista inovador verde, é que a tecnologia da energia – TE – será para o século XXI o que a tecnologia da informação – TI – foi para as décadas de 80 e 90 do século XX.”

Thomas Friedman fala na necessidade de escala para a revolução da tecnologia da energia e ironiza os ambientalistas que acreditam na conscientização de todos: “se você tiver que educar as pessoas a fazerem 20 coisas verdes a cada dia, esqueça a possibilidade de qualquer mudança significativa; é necessário ter um novo sistema em funcionamento sem que as pessoas sequer percebam, como ocorreu com a tecnologia da informação”.

Thomas Friedman talvez sintetize o que serão as mudanças feitas por Obama caso seja eleito presidente dos EUA.  Algo similar ao que fez Bill Clinton, que dinamizou a economia e revolucionou o mundo ao retirar a internet e o GPS da lista de tecnologias restritas aos usos militares.

É bem verdade que hoje as coisas são bastante mais complexas, já que as previsões de aumento da demanda de matérias-primas sugerem um colapso da civilização do consumo.  Ainda assim, Friedman aporta um bom discurso eleitoral para Obama e de esperança para a maioria dos norte-americanos, hoje muito preocupados com os preços do petróleo.

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Numa situação dessas, as ONGs ambientalistas que já foram inovadoras, como os Greenpeace da vida e tantas outras sem a mesma fama, podem ser vistas, hoje, como tão anacrônicas quanto os combustíveis fósseis.  Elas têm tantos compromissos com o próprio passado que não lhes sobra tempo para ver o presente e o futuro.  É o conservacionismo conservador, já mais que ultrapassado.  Recentemente, o Greenpeace apelou para a produção e divulgação de um “Manual do Sexo Ecológico”, recomendando aos casais que verifiquem antes se a madeira das camas tem origem certificada.  Coisa de hippie velho.

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A maior parte do petróleo do pré-sal brasileiro está a profundidades acima de 7.000 metros.  Sondagens já são feitas até mesmo na China e na Rússia a profundidades de até 12.000 metros.  Mas a tecnologia para a efetiva exploração do petróleo e do gás em reservas ultra-profundas nunca superou a marca dos 3.500 metros.

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A entrevista de Thomas Friedman, em inglês, pode ser lida em www.foreignpolicy.com/story/cms.php?story_id=4463.

Amazônia – Reserva Legal e Pequenos Produtores

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É positiva a decisão de concordar com o plantio de “espécies exóticas” na Amazônia, reduzindo na prática o percentual da reserva legal de 80% para 50%.  Afinal, esse percentual foi elevado de 50% para 80% por Medida Provisória – isto é, do dia para a noite – por FHC e sua turma mais para agradar à imprensa internacional do que para encontrar uma solução sensata para o desmatamento na Amazônia. 

Entre outras coisas, essa decisão pode resultar numa imensa economia do diesel cujo transporte para a região é subsidiado através da Conta de Consumo de Combustíveis – CCC.  O montante desses subsídios deverá atingir R$ 3,5 bilhões em 2008.  O óleo de dendê, cujo plantio de já amplamente difundido no Pará, pode substituir o diesel no parque gerador de centenas de cidades e vilarejos não conectados à rede de distribuição de energia elétrica, com benefícios significativos para a região e para todo o Brasil.

O mesmo ocorre com o babaçu, originário da Amazônia.  Na Amazônia Oriental, há extensos babaçuais hoje sem qualquer aproveitamento ou benefício para a população local.  Com um mínimo de boa vontade, os ambientalistas poderiam estar mais atentos a essa oportunidade de substituição de combustível fóssil por fontes renováveis de energia.  E ainda com a realocação desses recursos financeiros para atividades mais benéficas para a população local.

Essa produção de óleo (biodiesel) pode ser feita de forma descentralizada, com unidades modulares de esmagamento e produção de óleo por produtores de todos os portes.  A tecnologia nacional nessa área já se encontra desenvolvida.  E os grupos geradores podem operar com B-100, se houver boa vontade da ANP e do MME para enfrentar o lobby da CCC.

Com um pouco de esforço na formação de cooperativas, associações de produtores e outras formas de organização social que propiciem uma melhor participação na geração de renda para as populações mais pobres que vivem do extrativismo, além das usuais culturas de subsistência, como a mandioca, o feijão e até o milho, entre outras. Iniciativas que ainda merecem a atenção do governo nesse momento de transição incluem a concessão de títulos de propriedade para os pequenos produtores da região, que não têm acesso às mesmas facilidades que os grandes para processar papéis e percorrer os corredores da burocracia.

Essa iniciativa, com o uso de GPS e uma injeção de recursos na advocacia pública não é – ou não deveria – ser difícil, mas o jogo de poder na região sem dúvida a dificulta muito. Da mesma forma, é preciso pensar no fato de que os pequenos produtores não têm como elaborar planos de manejo para as áreas de onde tiram o seu sustento.  Para que o façam, é fundamental um grande reforço nos serviços de extensão rural, que deixam muito a desejar, quando não são simplesmente inexistentes.

A possibilidade de que os pequenos vendam as suas terras se regularizada a situação fundiária é alta devido à atração que as grandes cidades exercem numa sociedade de consumo e à influência da televisão.  Essa tendência pode ser retardada ou contrabalançada pelo acesso a serviços básicos de saúde e educação, que ainda são escassos quando consideradas os núcleos populacionais menores e mais dispersos.

É hora de investir maciçamente na formação dos pequenos produtores para que deixem de ser apenas “mão de obra” e passem a ter mais acesso à tecnologia e às formas de organização da produção que aumentem a sua geração de renda e auto-estima.

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Usar a expressão “introdução de espécies exóticas” para falar da nova realidade pode não ser adequado para a percepção que os brasileiros têm da mudança nas regras do jogo.  O dendê e o coco também são espécies exóticas.  A questão é saber se devem ser consideradas como estranhas à vida da população da Amazônia, num momento em que o mero extrativismo já se revelou, na prática, insuficiente ou mesmo inviável como alternativa econômica para o conjunto dos pequenos produtores da região.

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As reservas legais em propriedades rurais não encontram paralelos em outros países, e isso talvez seja suficiente para uma reflexão sobre o tema.

O Blefe do Biodiesel da Mamona e o "Golpe na Praça"

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No início de 2004, o governo federal anunciava a redenção do semi-árido nordestino – no velho e bom estilo do Padinha Cícero - através do uso da mamona para a fabricação de bioidiesel.  Na mesma época, o governador do Piauí batia no peito e anunciava, com o orgulho de quem tivesse inventado a roda ou a pólvora, sobre “reforma agrária privada”.  Essa reforma se ddaria  com a cessão de terras com grande disponibilidade de água no aqüífero subterrâneo para o assentamento de centenas de famílias de pequenos agricultores que se comprometiam a plantar e a fornecer mamona para uma empresa chamada Brasil Eco-Diesel por 10 anos.  Condições no mínimo suspeitas para uma reforma agrária e para a comercialização de produtos da pequena agricultura familiar.   Ao final desse período, eles receberiam o título de propriedade da terra.

A Brasil Ecodiesel transitava com facilidade nos corredores do poder e esse era apenas um de vários projetos similares, e seria replicado em diversas outras localidades do Piauí e do Ceará.  Até mesmo O Estado de São Paulo, conhecido por suas posições conservadoras, caiu no conto do vigário e publicou matéria com o título “O petróleo verde jorra no interior do Piauí”.

Poucos anos depois, esses pequenos agricultores abandonavam as terras prometidas, sem que a imprensa concedesse ao fato a devida cobertura.  Afinal, a Brasil Eco-Diesel já havia conseguido os financiamentos que desejava com o Banco do Nordeste do Brasil – BNB para a construção de unidades esmagadoras, que chegaram a operar com soja, e não com a mamona produzida no assentamento Canto do Buriti, no Piauí.  O projeto foi aprovado com a previsão de níveis de produtividade de mamona muito superiores aos alcançados no Brasil.

Recentemente, a Agência Nacional do Petróleo aprovou regulamento que inviabiliza o uso da mamona na produção de biodiesel em função da viscosidade do óleo dela extraído.  O governo silenciou, como se o assunto nunca tivesse existido.

De fato, qualquer profissional com um mínimo de informação sobre o óleo de mamona sabia que isso tudo era uma balela.  Mesmo sem considerar a questão da viscosidade, a verdade é que o óleo de mamona tem, historicamente, no mercado internacional, preço muito superior ao diesel, em vista de características físico-químicas que permite o seu uso em centenas de aplicações, incluindo ccomo componente de aditivos de aviação, insubstituível até mesmo nas aeronaves da NASA.  Quem consegue produzir óleo de mamona não vai perder dinheiro vendendo-o para fazer biodiesel!

Por trás da Brasil Ecodiesel, um empresário brasileiro mas, também, um fundo de investimentos administrado pelo Deutsch Bank, sem que nunca viesse a público os nomes dos investidores por trás do tal fundo.

Em novembro de 2006, com o aval da Comissão de Valores Mobiliários – CVM, foi feita uma Oferta Pública de ações da Brasil Ecodiesel na Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA.  O preço atribuído à empresa foi de R$ 1.553 milhões e as ações foram vendidas a R$ 12,00.  Na semana passada, como a divulgação de um relatório da Crédit Suisse avaliando a empresa pelo chamado “valor de liquidação”, as ações caíram para R$ 1,79.  No final de março, a Brasil Ecodiesel tinha R$ 5,8 milhões disponíveis para o pagamento de uma dívida de R$ 235 milhões.

O Banco do Nordeste do Brasil – BNB, que recebe fundos constitucionais não divulgou qualquer nota sobre a possibilidade de recuperação dos empréstimos feitos à Brasil Ecodiesel.

Terá sido esse apenas um blefe bem programado para dar um golpe na praça, à exemplo do que fizeram empresas norte-americanas como a Enron?

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Dias depois do anúncio do Crédit Suisse de que o valor da empresa era o de liquidação, a Brasil Ecodiesel anunciou a renegociação de sua dívida financeira – superior a R$ 200 milhões – com um pool de bancos.  Evidentemente, nenhum banco, individualmente, assumirá um mico desse tamanho, nem mesmo tendo como garanria 5 unidades industriais, 18 fazendas e os parques de máguinas de usinas localizadas no Rio Grande do Sul e no Maranhão.

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A Brasil Ecodiesel foi com frequência acusada pelos competidores de oferecer preços muito baixos para vencer os mega-leilões de biodiesel estranhamente realizados pela Agência Nacional do Petróleo – ANP (afinal, o que é mesmo que a ANP tem a ver com isso?).  Não consta que qualquer empresa que tenha vendido e não cumprido o compromisso de entrega do produto tenha sido multada ou de qualquer forma punida.

Etanol e Estudos Sérios Sobre Balanços Energéticos

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Os biocombustíveis são uma alternativa saudável aos combustíveis fósseis?  Essa questão, inexistente até alguns anos atrás, tornou-se cada vez mais presente nos fóruns internacionais e nacionais dos países sérios.  E o Brasil continua fazendo de conta que estaríamos no melhor dos mundos se os países ricos abrissem as suas portas ao etanol brasileiro, sem apresentar números.  Tudo como se as terras agrícolas fossem ilimitadas, como fosse possível passar a ter todo o gado confinado, como se não houvesse demanda de água suplementar, e como se não existissem questões de segurança nacional em jogo.

Anuncia-se que o grupo norte-americano Bunge construirá três novas usinas de álcool no estado de Tocantins com grande euforia.  A empresa pretende plantar 100.000 hectares de canaviais, o Estado abriu mão do recolhimento do ICMS por 15 anos, o Supremo aceita uma cautelar para que os exportadores deixem de recolher a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido nas exportações, e la nave va.

Os norte-americanos sabem que se transformassem toda s sua produção de milho em etanol, teriam combustível para abastecer apenas 7% da atual demanda de combustíveis líquidos usados em veículos no país.  Por essa razão, vêm buscar o etanol brasileiro, desconsiderando completamente quaisquer impactos sócio-econômicos ou ambientais.

Já no início dos anos 80, o Departamento de Energia dos EUA (DoE) conduziu um estudo aprofundado no qual demonstrou que o balanço energético da produção de etanol a partir da biomassa era negativo.  Convidados para avaliar o estudo, 26 especialistas independentes confirmaram os seus resultados.

Há poucas semanas, o professor David Pimentel, professor da Faculdade de Agricultura da Universidade de Cornell, e outros, publicaram um artigo intitulado A Produção de Etanol: Energia, Economia e Perdas Ambientais.  Nesse estudo, são considerados TODOS os custos da produção de etanol, incluindo o uso da água, desde a irrigação até a destilação final do etanol, além dos custos ambientais com a poluição decorrente do uso de fertilizantes.  No total, foram considerados 14 insumos.  O resultado foi contundente: para produzir um litro de etanol do milho, que disponibiliza 5.130 Kcal de energia, são necessárias 7.333 Kcal de insumos.  Ou seja, o balanço energético é negativo.

Numa única passagem de seu estudo, David Pimentel faz uma referência ao etanol brasileiro.

“Os defensores dos biocombustíveis apontam para o Brasil e ressaltam que a eficiência energética é bastante melhor no caso da produção do etanol a partir da cana-de-açúcar.  No entanto, como o balanço energético do etanol é negativo, o Brasil subsidiou durante muito tempo essa atividade.  Mais tarde, o governo brasileiro parou de subsidiar diretamente a produção de etanol, que é, hoje, subsidiada pelo consumidor final na bomba dos postos de abastecimento.  Esse subsídio foi estimado em 50% da produção de etanol.  Isso para não mencionar a remoção de florestas nativas e as altas taxas de erosão dos solos.”

Já é tempo do Brasil fazer um estudo com o mesmo nível de seriedade sobre o balanço energético do etanol, nele incluindo todos os insumos considerados no estudo de Pimentel e, também, os custos de transporte de alimentos associados ao deslocamento das fronteiras agrícolas.

Transformando-se num exportador de commodities e considerando que os canais de exportação estão nas mãos de grandes grupos estrangeiros, o Brasil torna-se mais vulnerável do que consegue ver em decorrência da euforia de ter se transformado em nova fronteira de expansão do capital internacional.

Agora que a tal da globalização acabou, inclusive com as crescentes restrições ao livre fluxo de pessoas, talvez seja chegado o momento de dizer claramente que o objetivo fundamental dos investimentos estrangeiros é enviar lucro de volta para os países de origem.

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Resumos de estudos anteriores de David Pimentel podem ser encontrados, em inglês, em  www.news.cornell.edu/stories/july05/ethanol.toocostly.ssl.html ou, em português, em http://resistir.info/energia/biocombustiveis.html.  David Pimentel tem quase 500 trabalhos cientificos publicados, além de 20 livros.

Agravam-se os Sinais das Mudanças Climáticas – As Reuniões Continuam Sem Nenhuma Luz Sequer No Começo dos Túneis

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A semana que passou foi de notícias sombrias.  Reúne-se o Grupo dos 8 países mais ricos nesta segunda-feira em Hokaido, no Japão, para discutir mudanças climáticas e crise de alimentos, entre outras coisas.  A imprensa e o público em geral não parecem ter qualquer expectativa de que alguma decisão minimamente séria sobre saia de mais esta reunião sobre temas que já parecem desgastados.  Nos países sérios, o blá-blá-blá sobre desenvolvimento sustentável já foi substituido pela pela formulação de políticas de adaptação às mudanças climáticas e de garantia da segurança alimentar de suas populações.  Os demais, que se virem.

O presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Rajendra Pachauri, informou que a humanidade tem apenas sete anos – até 2015 – para estabilizar a emissão de gases causadores de mudanças climáticas.  Ou seja, para que a emissão desses gases pare de aumentar, o que significa que cesse o crescimento econômico dos países em desenvolvimento e da aviação comercial, e também que os países muito ricos mudem de atitude (há exceções honrosas, como a Alemanha).  A inércia do sistema econômico, político e social é de tal ordem que não há a mais vaga possibilidade de que essa estabilização das emissões ocorra.

Pachauri ressaltou que as mudanças climáticas estão ocorrendo numa velocidade muito maior do que a prevista pelos cientistas até recentemente, e ressaltou algo também noticiado pela imprensa nos dias anteriores: pela primeira vez na história da humanidade é provável que o Ártico fique sem gelo neste verão.  E ainda que isso não aconteça totalmente, o gelo que lá estará será de formação recente, e não aquele formado ao longo de centenas ou milhares de anos, como ocorria até recentemente.

Na mesma semana, o governo da Inglaterra admitiu que a contribuição do país para as mudanças climáticas é bem maior do que antes de afirmava.  O documento com a informação de que as emissões da Inglaterra são 37% maiores do que antes se afirmava, recebeu um título calhorda que não revela o seu conteúdo: Desenvolvimento de Indicadores de Emissões Ocultas de Carbono.  O governo inglês havia informado até o momento que as emissões do país tinham sido reduzidas em 5% – comparadas com as emissões de 1990.  O novo documento mostra que, na verdade, elas subiram 18%.  A diferença se deve ao fato de que até agora não se contabilizavam as emissões inglesas decorrentes da aviação e do transporte marítimo internacional, e nem as emissões decorrentes da produção de bens produzidos em outros países e consumidos pela Inglaterra.  Esse é um novo conceito que merece análise mais aprofundada.

O cinismo e a mentira dominam o cenário político da Inglaterra, quando isso é de interesse do poder.  Nada muito diferente do que acontece em outros países.

Na mesma semana, o pesquisador George Monbiot (www.monbiot.com) publicou no The Guardian um artigo com uma proposta radicalmente inovadora sobre as formas de contabilizar e responsabilizar os países por suas emissões de gases causadores de mudanças climáticas: cada país deve ter a mesma cota de emissão per capita.  Se os países em desenvolvimento adotarem esse conceito, as possibilidades de um consenso planetário cairão a zero.  E abaixo de zero se as emissões oriundas de produtos de exportação forem levadas à conta dos países importadores, muito mais ricos e que consomem muito mais.

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O fim da era do petróleo está mais próximo do que se pensa.  Uma pesquisa com grande número de especialistas da área de petróleo publicada pela revista New Scientist concluiu que a maioria acredita que a produção desse combustível fóssil atingirá o seu pico máximo em 2010.

Todo o lero-lero em torno do petróleo de águas profundas pode resultar em muito pouco ou nada,  em decorrência de um simples balanço energético: se a extração de cada barril desse petróleo consumir a energia de um barril de petróleo, ou pouco mais, ou pouco menos, a economia não poderá girar na base de trocar 6 por meia dúzia.  Já se sabe que a extração de petróleo das areias xistosas no Canadá tem um balanço energético precário: consome a energia de 1 barril para extrair 2 barris.

Ainda assim os tolos tentam atribuir a rápida elevação dos preços do petróleo à mera especulação financeira.

Amazônia – Segurança Alimentar e Energética

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O governo pede aos proprietários de terra na tal Amazônia legal que façam o georeferenciamento de suas terras e das áreas de reserva legal.  Georeferenciamento é a colocação dos limites das áreas em sistemas de informações geográficas usando GPS.  Não é difícil, mas é algo que o governo não fez em suas próprias terras e nem nos parques nacionais e estaduais.

A ampliação dos limites das reservas legais na Amazônia foi feita por Medida Provisória de FHC para dar uma satisfação à tal comunidade internacional.  A amplicação da reserva legal se deu de um dia para o outro.  O sujeito dormiu tendo que manter uma reserva legal de 50% e acordou na ilegalidade por não ter 80% de sua propriedade cobertos por florestas nativas.

Agora, o Congresso discute o uso desses 30% adiconais para a produção de biocombustíveis com espécies nativas – tanto o babaçu quanto o dendê podem ser importantes fontes de biodiesel.

Considerando que o custo de transporte de derivados do petróleo para abastecer a região amazônica custará ao país, em 2008, algo como R$ 3,5 bilhões, a opção pode não ser tão ruim.  Afinal, seria uma iniciativa destinada a substituir a produção e o transporte a longuíssimas distâncias de combustíveis fósseis, esse pode ser um importante passo em direção à segurança energética da região.

Além disso, pelo menos o Estado do Amazonas já vem tentando regionalizar a dieta alimentar na distribuição da merenda escolar e, mais recentemente, da alimentação das guarnições militares, de maneira a incluir um maior percentual de produtos locais.  Ou seja, nada de importar o básico como arroz e feijão.

Qualquer zoneamento ecológico-econômico que simplesmente desconsidere as características dos solos e, em particular, as necessidades alimentares e energéticas dos 25 milhões de habitantes não passará de um improviso para ser alardeado na imprensa.

Por segurança alimentar e energética entende-se a produção local de alimentos e de energia.  É isso que os países sérios estão fazendo.  Transportar comida e energéticos de regiões distantes para a Amazônia definitivamente não faz sentido.

Então, recomenda-se que os ambientalistas não lutem apenas pelo veto a lei que provavelmente será aprovada pelo Congresso Nacional, mas que avalie opções de regulamentação que possam efetivamente serem fiscalizadas, ainda que as tendências indiquem no sentido da formação de grandes plantations (monocultura).

De fato, até mesmo a deplorável Coca-Cola já tem convênio com a Embrapa para o desenvolvimento de espécies amazônicas de menor tempo de maturação (início da produção de frutos), de colheita mais fácil (menor porte) e de maior produtividade.  Provavelmente, vão colocar 0,01% de açaí em alguma mistura de aromas sintéticos e anuncar a bebida com a marca da Amazônia.

Mas, afinal, que critérios serão utilizados no tal zonemanento econômico-ecológico?  A proteção dos ecossistemas nunca apropriadamente estudados ou a a segurança alimentar da população da região, que deseja se integrar ao emergente mercado consumidor?  Será que há um caminho do meio?  Ou, como dizem os taxistas do Rio de Janeiro, trata-se de uma sinuca de dois bicos, uma faca de dois legumes?

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Totalmente perdido na defesa incondicional do etanol, o governo brasileiro subestima outros fatores de risco para a segurança alimentar e para os preços dos alimentos.  Um deles é a decisão da Aracruz e da Veracel de duplicarem a capacidade de produção até 2015.  Nesta data, a Aracruz já tomou a decisão de investir cerca de R$ 8 bilhões em Minas Gerais, na região de Governador Valadares.  E ainda tem a cara de pau de reivindicar incentivos fiscais do estado.  Sem dúvida, desses projetos de expansão de desertos verdes, resultarão fortíssimas pressões sobre as fronteiras agrícolas.  E já se permite que essas empresas desconsiderem as tais reservas legais investindo no reflorestamento com essências nativas em outros locais, que nunca são auditados pelos órgãos ambientais.  Tudo devidamente certificado por ONGs gringas e pelos Walmarts da vida.

Dia Mundial do Meio Ambiente – Algo a Comemorar?

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Nada a comemorar no dia mundial do meio ambiente.  No Brasil, fracassaram até mesmo os programas mais elementares de mero saneamento – isto é, coleta e tratamento de esgotos, coleta e disposição final adequada de lixo.  Alguns bilhões de dólares foram investidos em programas de despoluição do Tietê, do Guaíba, da baía de Guanabara, sem indícios de resultados positivos. 

Para ninguém dizer que se trata de implicância ou mau-humor, O Globo publicou, no tal dia, em primeira página, uma imensa foto mostrando a enorme mancha de esgotos oriunda do complexo lagunar da Barra da Tijuca e se estendendo ao longo das praias, quase chegando às ilhas.  Coisas da CEDAE, que não vai ser multada, como seria uma indústria qualquer.  Parabéns ao jornal O Globo e ao seu fotógrafo.

E continua o trololó sobre a Amazônia, que serve de cortina de fumaça para a incapacidade de administrar até mesmo os parques nacionais e estaduais - nossos famosos parques de papel -, bem como para a ausência de políticas ambientais consistentes em áreas tão simples e importantes quanto a gestão dos recursos hídricos.  Lula assinou a criação de mais algumas unidades de conservação, sem projeto ou previsão orçamentária para a sua efetiva implantação.

Então, vale deixar esses assuntos de lado e voltar à onda otária da substituição de derivados de petróleo por produtos de origem vegetal.  Enquanto a turma perde tempo e dinheiro público em Roma, oscilando entre jogos de cena políticos e a linguagem diplomática para falar de etanol, no espaço de poucos dias uma grande indústria petroquímica anunciou a “busca de parceiro para o carro verde”.  Quem lê, até acredita que se trata de um grande progresso.  Afinal, verde é, hoje, parte da estruturação de imagens de marca para vender as mais diversas bobagens.

Essa indústria – a Braskem – fabricará polietileno verde e quer fechar parcerias com os fabricantes de automóveis para substituir “peças de plástico tradicional, de origem fóssil, por plástico verde”.  O plástico verde já está sendo fabricado a partir do etanol e de outros produtos agrícolas em diversos países, aumentando a competição pelo uso da terra.  E Lula ainda passeou por Roma brincando de garoto-propaganda e carregando a tiracolo um carrinho de brinquedo produzido com o tal plástico verde fabricado pela Braskem.

Dias depois de anunciar a instalação da primeira unidade de produção do tal plástico verde, a ser implantada em Triunfo, no Rio Grande do Sul, e que começará a operar em 2010, a mesma Braskem anunciou que já busca definir o local para a implantação da segunda unidade.  Ah – a unidade de Triunfo será abastecida de eletricidade por uma usina térmica a carvão…. nem tão verde.

Verde que te quero verde, mas ninguém se arrisca a calcular o total das terras agriculturáveis necessárias a substituição de 20% do petróleo hoje consumido no mundo por produtos de origem vegetal – incluindo, agora, o plástico verdee o impacto disso sobre a produção e o preço dos alimentos.

Como única comemoração do dia mundial do meio ambiente, vale mostrar aos jovens  – e aos adultos também – o filme intitulado A História das Coisas, antes citado neste blog mas agora já com subtítulos em português – de Portugal – e que mereceria um prêmio especial na área dos projetos de educação ambiental.  Parabéns à Annie Leonard e à Tides Foundation!  Gente criativa, alegre, leve, otimista, sem medo de dizer a verdade de forma simples e direta.  As corporações que tiverem de fato interessadas em trabalhar com educação ambiental, poderiam fazer 0s sub-títulos em português e tirar alguns milhões de cópias para os estudantes de todos os níveis.

http://video.google.com/videoplay?docid=-3412294239230716755