As vantagens do fim do ciclo das grandes empreiteiras brasileiras

As mentes mais obscurantistas tentam alegar que o fim do ciclo das grandes empreiteiras brasileiras representa uma perda econômica ou de poder das empresas nacionais.  Qual nada!  Representa, sim, uma significativa oportunidade de avanço e de redução da corrupção institucionalizada.

Basta uma única observação para para comprovar essa fato: as grandes empreiteiras só foram contratadas pelo poder público, nunca para grandes obras da iniciativa privada.

Continuar lendo As vantagens do fim do ciclo das grandes empreiteiras brasileiras

A espalhafatosa privatização da Cedae e danem-se os municípios… e o saneamento básico

Meirelles é a única voz do governo – fora as usuais disputas por cargos em Brasília.  Em tempos de crise, um mero contador tenta aparecer como economista, quando na verdade só quer que as colunas da direita e da esquerda se encontrem (o que, convenhamos, é o mínimo).  Nada sobre o aumento do dinamismo econômico que possa resultar em geração de emprego e em aumento da arrecadação.  Nada de sério na saúde pública ou na educação.

Até as mais caretas agências de classificação de risco já divulgaram notas informando que não se trata apenas do deficit público, mas da incapacidade do governo para fazer a economia crescer

Continuar lendo A espalhafatosa privatização da Cedae e danem-se os municípios… e o saneamento básico

Agricultura urbana, hidroponia vertical e segurança alimentar

A agricultura urbana vem se expandindo nos países mais desenvolvidos, onde existe uma boa percepção da segurança alimentar e, também, dos custos de transporte de alimentos até os pontos de abastecimento de grandes cidades.

No torpor mental em que o Brasil se encontra, seria interessante que o poder público – em todos os níveis – incluindo prefeitos – e a iniciativa privada pensassem mais nessa alternativa.  Afinal, o país é um grande exportador de alimentos mas deles carece o consumo humano a preços menos sujeitos às oscilações do clima e do consumo de combustíveis.

Continuar lendo Agricultura urbana, hidroponia vertical e segurança alimentar

Sobre sonhos, ciência & tecnologia, desenvolvimento econômico

O conhecimento aplicado ou mesmo a mera compreensão dos fatos sempre estiveram entre os principais fatores de unidade social e avanço econômico.  Isso valeu até mesmo para a invenção da roda, o domínio sobre o fogo, a utilização da pólvora para fins bélicos e por aí afora.

Ao final da II Guerra Mundial, as tropas vitoriosas, tanto norte-americanas quanto soviéticas, procuravam por Wernher von Braun e sua equipe.  O inventor das “bombas voadoras” – que trabalhara para Hitler – terminou transferido para os EUA.  Em 1950, já liderava as equipes que desenvolviam foguetes militares e, em 1960, tornou-se o diretor do principal centro espacial da NASA, criada dois anos antes.  Há muito von Braun tinha o sonho de sair da órbita da Terra.

Desde então, a NASA é uma referência mundial em tecnologia espacial.  Mas, além da colocação de satélites de comunicação, de espionagem e de monitoramento de fenômenos de interesse humano – como tempestades e furacões – ou puramente científicos, de que serve a NASA?

Serve para manter vivo o sonho unificador de ser a primeira nação a viajar até a Lua e, mais recentemente, planetas distantes.  O que usualmente não se diz é que a NASA é talvez o mais importante instrumento norte-americano de organização da ciência e da tecnologia do país, com impactos fortíssimos sobre a economia dos EUA, conferindo-lhe razoáveis vantagens competitivas.

Apenas como exemplo, periodicamente a NASA anuncia que está disponibilizando patentes com potencial interesse comercial.  No último anúncio, foram nadas menos do que 56 patentes disponibilizadas para usos comerciais.  Na verdade, a NASA joga limpo e há muito tempo disponibiliza patentes que não são mais de seu interesse através de uma página na internet que tem como apelo a expressão “trazendo a tecnologia da NASA de volta à Terra”.

O chefe do Programa de Tecnologia da NASA, Daniel Lockney, afirma sem hesitações:

“Disponibilizando essas tecnologias para o domínio público, estamos ajudando a impulsionar uma nova era de empreendedorismo que vai novamente colocar a América na liderança da manufatura de produtos de alta tecnologia e de competitividade econômica.”

Isso talvez valha para abrir a mente de Henrique Meirelles, que acha que a economia é só uma questão de volume de trocas e de equilíbrio entre a coluna da direita e a coluna da esquerda.  Parafraseando a equipe da primeira campanha presidencial de Clinton que adotou o lema “é a economia, seu idiota”, há que lembrar ás autoridades econômicas brasileiras: é o conhecimento científico e tecnológico, seus otários.

O Brasil não vai sair de seu atual atoleiro político só produzindo commodities de baixo valor agregado.  E mais: de nada adianta termos reservas de Lítio e Nióbio se exportamos esses minerais raros em estado bruto, como ainda fazemos com o Silício, exportado em “grau siderúrgico” (pouco beneficiamento) e importado já incorporado a produtos finais por um preço cerca de 50 vezes mais elevado (sem falar na geração de empregos nos países que detém a tecnologia para o beneficiamento e para a sua incorporação – por exemplo – em células fotovoltaicas.

Basta lembrar que há cerca de 30 anos os produtos chineses e coreanos eram considerados de qualidade muito inferior e hoje já estão no topo da cadeia tecnológica… e tentar repetir em algumas dimensões a experiência desses países.

Além de acordos políticos, o Brasil precisa voltar a ter algum sonho de unificação nacional, algo voltado para o futuro e não limitado à cordialidade, ao “jeitinho brasileiro” e às riquezas que permitiam alguma unidade enquanto “deitado eternamente em berço esplêndido”.

 

Resíduos de mineração, Ministério Público de Minas Gerais e apenas mais do mesmo

Um dos mais ricos e influentes dirigentes de minas de carvão dos EUA acaba de ser condenado a um ano de prisão e ao pagamento de uma multa de US$ 250.000, além de um ano subsequente de liberdade condicional.  Donald Blankenship foi acusado de conspirar para violar os padrões federais de segurança na mineração. Os seus advogados pediram que ele aguardasse o recurso em liberdade, mas o juiz negou – segundo a reportagem do New York Times diante do olhar perplexo e de seus advogados. Nada de responder em liberdade para um crime de tal gravidade!

O processo foi movido pelo Departamento de Justiça depois de um “acidente” ocorrido em abril de 2010.

Em dezembro de 2011, a Administração de Saúde e Segurança das Minas já havia concluído o seu relatório, com um total de 369 citações de violações das normas de segurança.  Nesta área administrativa, as penas foram de apenas US$ 10,8 milhões.  O acordo inicial com a Promotoria de Justiça para dar fim ao processo criminal contra a corporação subiu o valor para US$ 209 milhões.

Enquanto isso, no Brasil, cinco meses depois da maior catástrofe ambiental do país, a lama da Samarco (leia-se Vale + BHP Billiton) continua vazando, ninguém foi preso, a Justiça Federal deu mais um prazo de cinco dias para que esse vazamento contínuo seja estancado sob ameaça de uma multa diária que não será aplicada.  E a patetice geral continuará, crônica.

Como se não bastasse, o Ministério Público de Minas Gerais resolve colher assinaturas para um projeto de lei sobre a mesmice, isto é, sobre como assegurar às mineradoras o direito de fazer mais do mesmo com um verniz de maior segurança.  O projeto não prevê alternativas como redução dos percentuais de água nos resíduos – o que é plenamente factível – ou, o que seria melhor, que as mineradoras fosse obrigadas a, no mínimo, obedecer aos padrões nacionais de lançamento de efluentes para evitar a contaminação de corpos d’água superficiais ou subterrâneos.

Um projeto de lei elaborado não se sabe como, com um conteúdo inacessível para a maioria esmagadora dos que assinarão e, o que é mais importante, sem uma programação de audiências públicas ou de recebimento de contribuições de especialistas em outras áreas além da pretensa estabilidade geológica das barragens. Afinal, se o objetivo for apenas aperfeiçoar os mecanismos de controle sobre as mesmas soluções tecnológicas, não precisa de coletar assinaturas, basta sentar com o governador ou encaminhar através de algum deputado estadual simpático à causa. Ou será uma cortina de fumaça.

Uma abordagem inovadora é ainda mais importante numa época em que as mudanças climáticas já dão sinais de chuvas muito mais intensas do que as séries históricas, e muito mais concentradas geograficamente também. Os principais serviços de meteorologia do mundo já identificaram esse fenômeno e até lhe deram um nome: flash floods, inundações súbitas. Chove intensamente num lugar e não há indícios de precipitação a poucos quilômetros dali. Assim, as barragens se tornarão cada vez mais inseguras.

Mas… por que é mesmo que as mineradoras são isentas do tratamento da água contaminada, ao contrário de todas as demais atividades poluidoras do Brasil? E, em particular, numa época de ciclos de escassez de água e os preços dos sistemas mais sofisticados de tratamento de água vêm se reduzindo de maneira acentuada!

Até mesmo a África do Sul já vem exigindo, há algum tempo, o tratamento da água de rejeito de atividades de mineração ao ponto de torná-la potável!

Supondo que alguns membros do MPMG saibam inglês ou possam dispor de estagiários que façam as necessárias traduções, é só buscar, por exemplo, por eMahaleni Reclamation Plant e encontrarão muitos estudos de caso com o que está no link (trecho sublinhado), publicado pela da Associação Internacional de Água. e não se trata de coisa nova, mas de algo que está em operação desde 2012, com a água residual de mineração sendo transformada em água potável e fornecida à população da cidade.

E isso feito por uma mineradora atuante no Brasil – a Anglo American – que ainda presta serviços de tratamento da água residual da mineração a uma sócia da Samarco – a BHP Billiton.

Tudo bem, não se trata de dizer a todas as mineradoras que a partir de amanhã de manhã elas devem tratar as suas águas residuais, mas pelo menos dar um prazo ao final do qual barragens de rejeitos com água simplesmente não seriam mais permitidas. Quem sabe nas renovações da licenças que vençam dentro de 3 anos, e já co a obrigação de apresentar os projetos um ano antes!

Então, senhores do MPMG, mãos à obra. Nada de projetos para fazer apenas mais do mesmo e com a consulta interna limitada a geólogos.

É tempo de inovar! Ou de trazer o Brasil para as tecnologias de tratamento de água já disponíveis e para uma realidade climática-hídrica de transição.

Ah – Até mesmo o Núcleo de Estudos e Pesquisas do Senado Federal reconhece que o Brasil não tem sistemas de reservação de água suficientes para enfrentar uma nova crise hídrica, que outros países avançam rapidamente no reuso e.. cita o caso específico de eMahahleni. Vale ler pelo menos dos itens 14 ao 17, para aqueles que realmente se preocupam com gestão de recursos hídricos.