Agricultura urbana, hidroponia vertical e segurança alimentar

A agricultura urbana vem se expandindo nos países mais desenvolvidos, onde existe uma boa percepção da segurança alimentar e, também, dos custos de transporte de alimentos até os pontos de abastecimento de grandes cidades.

No torpor mental em que o Brasil se encontra, seria interessante que o poder público – em todos os níveis – incluindo prefeitos – e a iniciativa privada pensassem mais nessa alternativa.  Afinal, o país é um grande exportador de alimentos mas deles carece o consumo humano a preços menos sujeitos às oscilações do clima e do consumo de combustíveis.

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Samarco – A Justiça dos EUA será mais rápida do que a brasileira?

Acionistas – também denominados investidores – da Vale e da BHP Billinton ajuizaram ações coletivas contra ambas pelo mega desastre ambiental causado pelo rompimento da barragem da Samarco.  Infame barragem, infame Samarco – que ainda pagou uma fortuna à TV Globo para fazer publicidade no horário nobre tentando vender a imagem de empresa com grande responsabilidade social e ambiental (e usando os seus funcionários para isso).

Diante do igualmente lastimável comportamento do Ibama, do MPF, do MPMG e da Procuradoria do Estado do Espírito Santo – que no mínimo agem de maneira extremamente lerda – vão firmar um TAC? – e deixam os cidadãos brasileiros prejudicados numa fila de espera só comparável à do SUS, é melhor mesmo mover ações onde o Judiciário funciona de maneira mais ágil, além de ser imunde a influências políticas.  Lá, não haverá Medida Provisória extemporânea, pós-crime ambiental, estabelecendo que rompimento de barragens são “desastres naturais”.

A tal da multa certamente se transformará num acordo de tapetão, quando é mais fácil contratar serviços com a facção Os Amigos dos Amigos.

Os cidadãos – e não apenas os mais pobres, mas também os municípios, produtores rurais que utilizavam sistemas de irrigação, indústrias – podem ir apresentar suas queixas ao bispo, como no ditado popular.

Afinal, onde foi parar a multa milionária – de R$ 250 milhões – que o Ibama e Dilma Roussef apressaram-se a dizer que seria aplicada à Samarco?  Nos escaninhos já embolorados de algum processo administrativo?  E o bloqueio das contas da Samarco – determinado mais de uma vez pelo Judiciário -, concretizou-se? Ou a turma só joga mesmo para o noticiário do dia, logo depois esquecido pela própria imprensa?

Lá, os advogados acusam as duas sócias da nefanda Samarco de desrespeitar as leis do mercado de capitais com a produção de relatórios “falsos e enganosas sobre a situação precária das barragens”, levando os investidores a tomarem as decisões erradas.

Neste ano de 2016, já serão julgadas – num só processo – as muitas ações coletivas contra a Petrobras.  Não é improvável que a Justiça dos EUA chegue a uma conclusão sobre os prejuízos provocados pela Samarco muito antes da empresa ser punida no Brasil.

Em palavras simples, para os investidores brasileiros: deixem a Bovespa e invistam nas bolsas de países sérios!

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Como perguntar não ofende, o que exatamente o MPF está fazendo com o pedido de processo criminal contra diretores da Samarco já feito pela Polícia Federal?

A valsa brasiliense – quando o poder público reconhece que ainda não sabe o que fazer com a bufunfa

Pelo jeito, o que os órgãos do governo federal e dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo ainda não sabem mesmo é como dividir a grana da Samarco, se ela depositar, para fazer obras e prestar serviços através de concorrências públicas.   Serão R$ 500 milhões prá lá, R$ 1 bilhão para cá?  E também não sabem o que fazer com o dinheiro, depois de tantos meses do “acidente” provocado pelo desleixo geral.  Que tal começar a indenizar as pessoas mais pobres que perderam as suas casas e áreas de cultivo, os pescadores que ficaram desamparados, ou mesmo a fazer as melhorias necessárias nos sistemas de captação e tratamento de água dos municípios?  Ha, ha – a dúvida é mesmo sobre como dividir o bolo!

Mas, antes da partilha da grana, uma observação.

Nos últimos dias – mais de 2 meses após o “acidente” -, uma empresa mineira especializada em projetar barragens de contenção de resíduos de mineração – ou seja, mais da mesma bobagem – avisa que são grandes os riscos de que outras estruturas similares se rompam, com resultados ainda piores do que a devastação já causada.  E o que está sendo feito para impedir que isso aconteça, além da própria Samarco informar sobre monitoramentos “até com drones”, como se isso fosse uma grande novidade.  Que moral tem a Samarco para dizer que está fazendo algo que não lhe seja determinado?  Vão reforçar essas barragens?  Ou as autoridades vão ficar aguardando?  O que dizem os órgãos ambientais e o Serviço Geológico Nacional?

O fato é que o poder público – União, Minas Gerais e Espírito Santo – conseguiram uma determinação judicial de primeira instância para que a Samarco deposite R$ 2 bilhões por mês durante 10 anos com base num cálculo mágico e…. não sabe como dividir o improvável esse cascalho, um montão de dindin!  Esse “percalço” foi expresso claramente – e candidamente – pelo advogado-geral da união (com minúsculas mesmo, vai), Luis Inácio Adams que, candidamente, declarou que “a opção por mais prazo foi para decidir o que exatamente será feito com os recursos“.

Ah, bom!

Em tese, o valor será utilizado para implementar um tal “plano inicial de recuperação ambiental“, contratado pela São Marcos com a empresa Golder Associates – que trabalha com projetos de mineração “preservando a integridade da Terra”.  Ninguém ainda divulgou o conteúdo do tal plano inicial.  Será que não ocorreu à imprensa perguntar ou os repórteres simplesmente aceitaram alguma das usuais respostas e notas evasivas?

No final, a pizza, com a Globo mostrando a felicidade do nascimento de uma criança, uma família retirante do mar de lama numa casa humilde.

Por fim, mas não menos importante: nas eleições de 2015, a Vale foi generosa em doações para diversos partidos, em particular para o PMDB e para o PT, inclusive para a candidatura de Dilma Roussef que, com especial deferência, recebeu o presidente da empresa para tratar… do mar de lama causado pela Samarco.  Uma recepção que alguns poderão achar inadequada ou mesmo repulsiva, no momento em que a União processa a empresa e sua sócia BHP Billinton, juntamente com a Samarco.

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Novamente, recomenda-se, enfaticamente, àqueles que sofreram prejuízos – inclusive prefeituras, indústrias, associações de pousadas e de pescadores, etc – que ajuízem as suas próprias ações indenizatórias, com as devidas comprovações financeiras.

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O que já deveria estar em discussão é o próprio conceito de barragens para conter a mistura de água e resíduos, mas a mesmice oficial tem aversão à inovação ou qualquer mudança do status-quo.  Novamente: por que é mesmo que essa água altamente contaminada que aos poucos causa o rompimento das tais barragens não é tratada desde sua origem, isto é, imediata e continuamente após a mineração?  Ninguém sabe!  Por que custa caro?  Tolice!  Apenas a aversão à inovação e ao trabalho de equipes multidisciplinares que marcam tão profundamente a alma brasileira, ou pelo menos a de um poder público de sesmarias e monoglota, que tem como referência apenas o seu próprio umbigo.

E nenhum diretor da Samarco ainda teve a prisão preventiva ou o arresto dos bens pessoais determinados pelo Judiciário, talvez em decorrência da lerdeza do Ministério Público Federal, ou de Minas Gerais (o estado de triste nome).  Se fosse o caso de um caipira ou sertanejo que tivesse pego uma “voadeira”, ave de arribação ou calango para comer já teria sido preso, depois de autuado em flagrante por um fiscalzinho qualquer – mas armado, autoritário e truculento  – do tal do Ibama ou do ICMBio (a sigla é engraçada).

E assim vai a valsa brasiliense, planaltina, aos trancos e barrancos – se bem que nos últimos tempos mais aos barrancos.

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Depois do indiciamento de dois diretores da Samarco por crime ambiental, ambos foram afastados pelo Conselho de Administração da empresa.  A parte risível fica no fato de que a diretoria de operações tenha passado a ser ocupada, “de forma interina”, pelo diretor de projetos e ecoeficiência.  A cara de pau dessa turma é muito engraçada!  Ecoeficiência?  Na Samarco?

Samarco e o Mar de Lama do Governo de Minas

O mar de lama da irresponsabilidade socioambiental originado nas precárias barragens de terra da Samarco talvez sirva de alerta às autoridades ambientais federais e estaduais para a necessidade de mudanças radicais na permissividade que é a marca registrada dessa “solução” para a estocagem de resíduos tóxicos e água contaminada.

Antes de passarmos aos fatos, vale ressaltar que ambas as multinacionais sócias dessa empresa localizada no Espírito Santo têm, em suas páginas na internet, áreas sobre gestão ambiental responsável: BHP Billiton e Vale.  Talvez apliquem esses princípios e diretrizes em países sérios.

Essas barragens já deveriam ter sido abolidas há muito!  E a transição para o respeito as normas em vigor no Brasil torna-se ainda mais necessária num ciclo de adaptação à escassez de água e às mudanças climáticas.

As normas brasileiras estabelecem que as atividades poluidoras devem tratar as águas de descarte contaminadas e não acumulá-las em barreiras precárias para disfarçar o seu descumprimento.  E certamente a Samarco não lança aquela lama no oceano, no outro extremo do mineroduto, exatamente porque existem normas de lançamento.  A acumulação em barragens é apenas um engodo.

Com os avanços tecnológicos, há muito existem boas alternativas de tratamento.

Um exemplo pode ser encontrado na iniciativa de outra mineradora, em parceria com a firmeza das autoridades da África do Sul, que levou ao tratamento de toda a água ácida das minas ao nível de abastecer parte da população de uma cidade em parceria com a prestadora local de serviços, com benefícios econômicos e financeiros para todos.

A tecnologia, hoje, permite qualquer coisa em matéria de tratamento de água, com preços competitivos quando comparados com os tratamentos convencionais ainda amplamente utilizados no Brasil.

O vídeo diz tudo, mas como só há a versão em inglês, aqui vão as principais informações:

A água altamente ácida e contaminada tinha um alto potencial de contaminar os aquíferos subterrâneos e os rios.  E quando a decisão foi tomada, já se encontravam acumulados nos subterrâneos das minas de carvão algo como 140 milhões de metros cúbicos dessas águas.

Como a África do Sul tem regras estritas e as aplica à perpetuidade, isto é, para sempre e mesmo depois de encerradas as atividades de qualquer tipo que contaminem o meio ambiente, a Anglo American sabia que não podia descartar essas águas nos rios mais próximos e que os riscos de extravasamento em decorrência das águas de chuvas/escorrimento superficial eram grandes.  Então, chamou uma boa firma de engenharia (nada de empreiteiras, por favor, estas não têm e não gostam da boa engenharia).

Como a Província de Mpulanga – a 150 km de Joanesburgo – e, em particular, a cidade de eMahaleni defrontavam-se com frequentes crises de falta de água, depois de feitos os primeiros estudos técnicos a Anglo American resolveu transformar um passivo num ativo: tratar a água até o nível da potabilidade e disponibilizá-la para a cidade.  Com uma estação de tratamento projetada com as melhores tecnologias disponíveis, passou a disponibilizar 25-30 milhões de litros de água pura para a municipalidade, com cerca de 400.000 habitantes.

Com essa iniciativa, a Anglo American atende, hoje, a cerca de 12% da demanda de água da cidade.

Como se não bastasse, a Anglo American passou a vender serviços de tratamento de água para a BHP Billiton – uma das sócias da Samarco -, que também opera minas nas proximidades.

Somadas essas duas receitas, a Anglo reduziu em 60% dos custos da estação de tratamento, que teria que ser construída de toda forma para evitar o passivo e um potencial desastre ambiental.

Como o governo de Minas Gerais vai provavelmente ficar onde sempre esteve quando se trata de atividades de mineração, isto é, na total apatia, refém de interesses privados em detrimento dos sociais, cabe ao Ibama enviar ao Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA um projeto de Deliberação estabelecendo parâmetros para o reuso das águas de todas as mineradoras, mesmo para aquelas já instaladas e em operação.  Assim, assegura-se o controle da poluição das águas superficiais e subterrâneas, evitam-se novos “acidentes” com perdas de todos os tipos, e garante-se um suprimento adicional de água em tempos de escassez.

Não há absolutamente nenhuma razão para esperar os resultados dos estudos atualmente contratados pelo ministério das Cidades com uma multinacional de engenharia para formular uma política nacional de reuso de água.

O regulamento pode ser elaborado e aprovado em semanas.  Até mesmo pelo governo de Minas Gerais, se houvesse vontade política.

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Qual foi mesmo a punição aplicada à Samarco – além da reparação dos danos – quando há dois anos um um furo em seu mineroduto contaminou o rio que abastece Espera Feliz, na Zona da Mata Mineira.  A empresa ganhou um prêmio de excelência na gestão ambiental pela qualidade de suas operações de manutenção preventiva?

Mas, vale dizer, todas essas barragens devem ser substituídas aos poucos pelo tratamento das água e disposição adequada dos resíduos.  Antes que o minério acabe e o contribuinte brasileiro que sustenta padrões de mesmice governamental tenha que arcar com a reparação dos danos, além da perda de patrimônio ambiental, paisagístico, pessoal e muito mais.

 

 

 

 

 

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