Inconsistências das Regras Legais Genéricas e o Caminho do Bom Senso

Um escritório de advocacia, representando um cliente, debate-se com a questão das áreas de preservação permanente (APP) nas margens de rio – coisa inexistente em países sérios, nos quais os rios já estão limpos -, em particular em regiões urbanas e de expansão urbana.  A questão agrava-se quando esssas tais APPs são definidas em metragens rígidas válidas para todo o território nacional – isto é, da Amazônia passando pelo semi-árido nordestino e pelo Pantanal até as serras gaúchas.

Como se isso não fosse suficiente, no Rio de Janeiro o órgão ambiental resolveu ele próprio realizar obras de canalização de rios nas serras onde em alguns casos o que ocorreu mesmo foram fraturas geológicas (nenhuma relação com a cafetinagem das “áreas de risco” por “ocupações ilegais”).

Neste post, imagens de obras de contenção / estabilização das margens do Córrego do Príncipe, no Distrito de Posse, em Teresópolis, um córrego que foi literalmente deslocado de seu curso por imensas pedras que rolaram de uma montanha acima – recoberta de matas – em decorrência da fratura da rocha.  Seguramente não existiam séries históricas de vazão para o mencionado Córrego.

A obra foi concebida, proposta, e eventualmente contratada pelo póprio órgão ambiental do Estado do Rio de Janeiro, que a licenciou (ainda sob a máscara da Comissão Estadual de Controle Ambiental – CECA).

Abaixo, uma imagem da etapa inicial das obras usando a contenção vertical ou canalização mesmo, em concreto prémoldado!

 

Construindo o leito do rio.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em outros trechos, optou-se pela contenção em talude, utilizando-se outras formas de contenção, com pedras retiradas do próprio deslizamento das imensas pedras resultantes da fratura acima mencionada.  Esta seria talvez a solução de maior estabilidade e certamente menos ofensiva do ponto de vista paisagístico.  Mas também mais dispendiosa.

 

Contenção por talude ou talvegue.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para assegurar um certo nível de estabilidade / algum controle de erosão do fundo do córrego, foram implantadas “escadas” como as que podem ser vistas abaixo.

 

Adaptando o declive.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para dar a impressão de que a APP estava sendo respeitada em sua integralidade – ainda que, sabiamente, o INEA tenha mais frequentemente utilizado o conceito em nada similar de Faixa Marginal de Proteção – FMP, as casas que haviam sido atingidas pela enchente foram desapropriadas – com grande parte de seus materiais construtivos roubados por moradores da própria região quando foram abandonadas, e falou-se mesmo num “parque linear” ao longo do rio, agora canalizado.

Uma construção histórica e uma casa – segundo moradores locais, pertencente a uma representante do Judiciário – foram poupadas, como se pode ver na imagem a seguir.  Qual parque linear qual nada, até porque isso implicaria em desapropriações muito maiores.  Há casos de residências que respeitavam plenamente a APP ou a FMP e isso deixou de correr quando o Córrego simplesmente mudou o seu percurso.

 

Edificações que não serão removidas.1.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que mais?  Reconstituição da fantasiosa  – ainda que legal –  APP com espécies nativas?  Qual nada.  Gramado mesmo!

 

Obra finalizada com planto de gramado.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sem a menor sombra de dúvida, neste caso a intervenção do INEA foi positiva, ainda que não se possa dizer que em todo o longo trecho foram usadas as melhores tecnologias de contenção e que elas resistirão a uma próxima inundação.

Em todos caso, para os defensores da APP por razões de fé, de crença sem qualquer conexão com “a tal da realidade”, vale dizer que a contenção das margens de rios é feito no mundo inteiro, incluindoo Brasil, quando necessária para assegurar a sua estabilidade, e a proteção dos interesses sociais, bem como da vida e do patrimônio dos cidadãos.

Aliás, a própria denominação “talvegue” tem origem na palavra alemã “talweg”, que significa o caminho natural do rio pelo fundo do vale, caminho que varia ao longo do tempo de acordo com processos naturais em função do tipo de solo em cada região.

Obras de contenção valem também para encostas sujeitas à deslizamento – e não em função de um ângulo fixo de inclinação, como estabelece a cretina lei brasileira, defendida com unhas e dentes como numa batalha medieval entre cristãos e mouros.  Exemplos – inclusive gráficos – dos tipos de contenção podem ser encontrados em numerososo estudos, como o trabalho de conclusão de curso em engenharia civil intitulado Análise de Custo Benefício de Obras de Contenção, de autoria de Guilherme Urquisa Leite.

Uma lista mais sucinta das muitas alternativas tecnológicas pode ser visualizada na página de Maccaferri sobre o assunto.

Valem uma citação, pelas imagens e pelo sistema de cálculo sobre as melhores alternativas de contenção, de autoria de Leny Tiemi Onodera, intitulado O Uso de Gabiões como Estrutura de Contenção.

Da mesma forma, diversas técnicas vêm sendo utilizadas até mesmo no Rio São Francisco, como demonstra um trabalho intitulado Controle da Erosão em Margens de Cursos d’Água: Das Soluções Empíricas à Técnica da Bioengenharia de Solos, disponível para download em sua versão integral.

Ambientalóides de plantão: mudem de assunto ou passem a estudar.  Políticos preguiçosos, é hora de mudar artigos otários da lei em vigor, que são muitos.

A questão final que se coloca é: se um cidadão ou um grupo privado quiser canalizar um riacho para conter a erosão, os processos de sedimentação e o aumento da probabilidade de enchentes, o órgão ambiental autoriza, sem que os radicais do MP entre em crise intelectual?  Se não, há um caminho fácil: uma parceria com a Prefeitura local para que tais serviços sejam desenvolvidos, ainda que com o nome de fantasia de “parque linear” ou mera “obras de contenção de cheias”.  Doa-se aquele trecho para a prefeitura, paga-se pelas obras através de uma PPP ou equivalente, e tudo se resolve.

 

 

Erosão, Sedimentação, e Más Práticas de Gestão Ambiental no Complexo Lagunar da Barra da Tijuca – II

Uma parcela dos sedimentos lançados nas lagoas tem origem natural, mas essa é insignificante quando se trata da redução acelerada da lâmina d’água em poucas décadas – é um processo que se dá em escala geológica.

Outra parcela, nada desprezível, é oriunda do lançamento de esgotos brutos, sem tratamento, como ocorreu nas últimas décadas em toda a região da Barra da Tijuca – e continua ocorrendo, por lerdeza da concessionária dos serviços e das autoridades públicas (por favor, sem esse papo furado da responsabilidade dos condomínios, um lero-lero já desgastado que só serve para enganar leigos).  Esta parcela pode ser estimada em 500 kg por metro cúbico de esgoto (usando como referência 500 mg de sólidos sedimentáveis por litro de esgoto).  Apenas para um cálculo hipotético – mas não longe da realidade – se estimarmos que na bacia drenante do complexo lagunar da Barra da Tijuca e adjacências que o esgoto de 200.000 habitantes permanece sem tratamento, teremos 40.000 metros cúbicos de esgotos ou 20 toneladas de sedimentos por dia, ou 7.300 toneladas/ano.  Ano após ano….

Pode-se brincar à vontade com esses números, para menos no que se refere à taxa de sólidos sedimentáveis, ou para mais, no que se refere à população ainda não atendida.  Mas não se pode dizer que os valores são desprezíveis ou que exista um estudo sério sobre as fontes dos sedimentos que contribuem para o assoreamento das lagoas.  E falar em mega-dragagens sem esses estudos não é um indicador de boa gestão ambiental.  Rios de dinheiro em dragagem serão melhores aproveitados em coleta de esgotos.  A segunda prioridade é a identificação das fontes de assoreamento e identificação de soluções.  A dragagem localizada – desde que claramente identificadas as áreas com base nas dinâmicas hídricas, e não em interesses particulares- é a terceira prioridade.

Há, na região, uma outra contribuição significativa para o assoreamento das lagoas (ou lagunas): as péssimas práticas de gestão ambiental das empreiteiras e construtoras em geral.  Como se ver abaixo, os serviços de terraplanagem deixam o solo exposto por dias ou semanas, mesmo em períodos de chuva (quando águas ficam ali servindo de criadouros para mosquitos).

Web.pequena - Más práticas construtivas do ponto de vista da gestão ambiental.versão completa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagens similares ocorrem em toda a região, há muito tempo e com frequência, em obras públicas ou privadas.  Não se trata apenas do poder público ter normas para a construção civil, mas também – e sobretudo – da tão decantada responsabilidade sócio-ambiental das empresas.  Pelo menos no caso brasileiro, essa é apenas uma figura de marketing nas páginas das empresas na internet.  Ainda nas proximidades de corpos hídricos como as lagoas, o solo permanece mesmo é exposto durante semanas, com o arraste de sedimentos pelas chuvas.

Web pequena - Solo exposto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abaixo, ao fundo, a terra estocada para terraplanagem.  Ali permaneceu durante semanas, antes de ser espalhada sobre o solo arenoso.  Quem, examente, cuidou da tal responsabilidade socioambiental?  Os tratoristas?

Web.pequena - Más práticas construtivas do ponto de vista da gestão ambienta.1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para finalizar, nas proximidades da lagoa, uma garça procura o seu local usual de pouso e reprodução.  Toda essa bagunça em nome da Copa – alô, alô, “padrão FIFA” – e das Olimpíadas…

Mas nada a temer!  Depois as empreiteiras contratam um biólogo de plantão para fazer alguma “recomposição” ou “compensação ambiental”, e a imprensa finge que acredita.

web.pequena.Ave procura seu ninho ou habitat depois da passagem de máquinas pesadas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

São essas as práticas construtivas em toda a região da Barra da Tijuca.   Diretamente, por arraste superficial, ou através das redes de águas pluviais, a quantidade de sedimentos que vai parar no fundo das lagoas com essas movimentações de terra é seguramente imensa.

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Com elevadas taxas de impermeabilização do terreno, as lagoas também são atingidas, não apenas do ponto de vista hidrológico, como também de mais arraste de sedimentos e de contaminantes.  Nos países sérios, as boas práticas de engenharia dispõem de tecnologias para evitar isso tudo há décadas, muitas décadas.  Mas empreiteiras e construtoras brasileiras não são exatamente empresas que se interessam por avanços tecnológicos, ainda mais quando os benefícios não são para os próprios bolsos.

 

 

Áreas de Preservação Permanente – País Pobre é País de Crendices

Todos os países têm os seus mitos.  Um dos mitos brasileiros é o tal “código” florestal, a crendice de que o país tem uma das leis ambientais mais avançadas do mundo, sempre evitando a comparação com a incômoda realidade de países nos quais os problemas ambientais locais foram amplamente resolvidos: os rios e lagos estão limpos, as unidades de conservação estão (há muito) completamente implantadas, e por aí afora.  No Brasil, as autoridades ambientais – entre outras – não gostam de metas, de indicadores de performance, da realidade, enfim, mesmo quando ela salta aos olhos.

Um desses mitos do tal “código” – que não é código de nada, mas um amarfanhado de conceitos que no máximo poderiam ser diretrizes ou sugestões – são as “áreas de preservação permanente” genéricas, sem qualquer esforço para ir ao campo ou, novamente, a incômoda realidade.  O nome é bonito, parece até que baseado em algum tipo de realidade científica absoluta, mas permite a omissão absoluta do poder público que joga sobre o cidadão o ônus da demarcação das assim chamadas áreas de preservação sem lhe possibilitar o acesso à base de dados que só o poder público pode fornecer, como, por exemplo, séries históricas de vazão dos rios.

Abaixo, imagens de obras públicas em execução às margens no bairro Cascata do Imbuí, no município de Teresópolis, numa das áreas mais afetadas pelas cheias e acomodações geológicas que resultaram em centenas de mortes há pouco menos de dois anos.  Trata-se da canalização de um córrego.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Canalizar um córrego ou rio não é necessariamente uma medida errada.  Ao contrário, é única solução técnica – utilizada no mundo inteiro – quando a área já se encontra ocupada ou quando há interesse em ocupá-la.  As autoridades ambientais sabem disso, mas silenciam sobre os conceitos generalistas do “código” florestal tão apreciados pelo ambientalismo em compotas que desconsidera a realidade.  O que assegura a vazão do rio, não é a vegetação nas suas margens – quando existe – mas a baixa taxa de impermeabilização dos solos em cada trecho.  E isso tem sido objeto de políticas públicas nos países que têm políticas ambientais sérias.

Além dessa abordagem, diques de contenção – levees – sempre foram largamente utilizados na Califórnia para assegurar a utilização de terras agrícolas em áreas que de outra maneira estariam sujeitas a alagamento, e esses diques estão, agora, sendo refeitos.  E a Califórnia tem indicadores ambientais MUITO superiores ao país da “lei ambiental mais avançada do mundo”, inclusive no que se refere à contenção de cheias.

Não se trata de dizer que as matas ciliares não importam, mas apenas de constatar que (a) os seus limites variam e (b) as soluções para a proteção dos leitos dos rios devem ser definidas em campo, na prática, e não nos gabinetes refrigerados de Brasília e das abstrações que tratam o Brasil como uma colônia, a Terra Brasilis.

De fato, a passagem da generalidade puramente conceitual para o mundo real tem causado grandes prejuízos à Nação.  No caso do tal “código”, agora, e só agora, alguém fez o que o governo deveria ter feito desde o início: calcular o custo da baboseira para o Brasil.  Não há projeto de lei em países sérios sem esses cálculos, até porque essa é a origem da diferença entre leis que “pegam” e leis que “não pegam”.  A pobreza do pensamento e o eclipse da razão estão na origem da pobreza continuada!

Pesquisadores da EMBRAPA já haviam informado ao Senado e ao Executivo que o tal do “código”, se mantido no formato que resultou das muitas emendas feitas no tapetão operado através do Ministério do Meio Ambienta (MMA) resultaria na perda de 53 milhões de hectares de terras agrícolas produtivas.  A crendice oportunista avessa à incômoda realidade passou a denominar essas áreas de “passivo ambiental”, sempre evitando a comparação com o que é feito em países sérios e cujos resultados das políticas de gestão ambiental são mensuráveis.

Agora, novos números da USP/ESALQ apontam para a redução de 3,4% do PIB e R$ 8,61 da arrecadação tributária.  Que se danem as vinícolas de Bento Gonçalves, entre outras áreas produtivas! – dizem entre dentes os economistas-ambientalistas-autistas da mesma USP.  O estudo é de autoria de dois pesquisadores com longo histórico de trabalhos sérios: André Meloni Nassar e Luís Carlos de Moraes.

As estimativas referem-se apenas à perda de áreas produtivas e ao custo direto da adoção do tal “código”: R$ 1 trilhão.  Parabéns às autoridades ambientais do Brasil inteiro: as do MMA, que defenderam com unhas, dentes a truculência anti-federalista das ONGs estrangeiras e urbanas que fingem que os problemas do Tietê se devem ao descumprimento do tal “código”, e as dos estados  que silenciaram durante as votações mesmo sabendo que o dispositivo genérico das “áreas de preservação permanente” não se aplicam regionalmente.

Agora, é esperar para ver quando o MMA vai expulsar os pequenos produtores das APPs ao longo do rio São Francisco, por exemplo, e se a Comissão Pastoral da Terra vai continuar defendendo a “cultura ribeirinha”.

 

 

 

 

Agência Nacional de Águas (ANA) – A Omissão Continuada e os Pareceres de Ocasião

Você sabia que existe no Brasil uma Agência Nacional de Águas (ANA)?  Se você não tem um interesse direto numa outorga de uso de água – como as concessionárias de geração de energia, que usualmente a comandam – ou na contração de algum serviço de consultoria, dificilmente sabe o que essa “agência” faz ou deveria fazer, além da cobrança por outorgas.  Essa cobrança resulta numa arrecadação que desaparece num Triângulo das Bermudas orçamentário, exatamente como as “compensações ambientais” do IBAMA!

Pois bem, o órgão é ligado ao Ministério do Meio Ambiente, território de grandes, pequenas, médias e outras ONGs ambientalistas.  Não se tem notícia de que um ou outro tenha algum dia determinado às empresas que operam hidrelétricas de qualquer porte que apresentem o georreferenciamento de seus perímetros em regime de cheias, ou dos rios à montante de maneira a prever o reflorestamento que reduza os processos erosivos com impacto direto sobre a vida útil desses reservatórios.    Sonâmbula, a “agência” fantasmagórica vaga pelos corredores e escaninhos do Ministério ao qual de vez em quando procura agradar!

Eis que do nada – ou do tudo do lobby das ONGs que comandam o MMA – a imprensa paulistana descobre que a “agência” deu um parecer informando que a área de preservação permanente mínima para qualquer riacho, em qualquer situação topográfica ou geológica, deve ser de 30 metros.  O parecer chegou à imprensa intencionalmente, é claro.  Ninguém jamais divulgaria um parecer da EMBRAPA dizendo que  essa área pode ser de 30 ou de 5 metros, tudo dependendo, por exemplo da taxa de impermeabilização na bacia drenante ou da vazão e profundidade do lençol freático que assegura a disponibilidade de água superficial.  Parecer encomendado e elaborado para atender a interesses políticos de ocasião.

Não se discute aqui a importância da vegetação ou mata ciliar – onde ela exista – para a proteção dos cursos d’água, não tanto para assegurar a infiltração e recarga das águas subterrâneas mas, sobretudo, para evitar processos erosivos e o assoreamento do leito dos rios.  Daí aos 30 metros cravados vai a distância que existe entre o conceito geral e a preguiça, a inapetência ou a incompetência para fazer algo no mundo real, além do usual processamento de papéis  burocráticos.  Só faltará à “agência” dizer a partir de onde se medem os tais 30 metros!  Ah – dirão que da vazão de cheias, sem dizer o nível da vazão de cheias nos riachos e córregos que afirma querer proteger.  Um bando de farsantes, portanto!  Nunca farão diretrizes para assegurar sequer que a água de escorrimento superficial (de chuvas) das cidades seja parcialmente retida para recarga do lençol freático, evitando o lançamento direto em corpos d’água superficiais.  Talvez pudessem pelo menos copiar essas diretrizes de alguma cidade americana ou européia.

Se a tal Ana da Silva estivesse falando de diretrizes, de recomendações, anda se admitiria esse tipo de parecer de ocasião.  Mas a máscara de “parecer técnico” definitivamente não disfarça o oportunismo político.   Os produtores rurais que trabalham com técnicas de conservação dos solos em toda a região sul do Brasil – mantendo a palha sobre o solo e assegurando também, a retenção e a lenta infiltração de água que mais tarde harmoniza a vazão dos rios – fizeram e fazem muito mais para a proteção dos recursos hídricos do que muitas Agência dedicadas à omissão continuada.

Em tempo – como dizem essas burocratas do planalto: os autores do parecer só responderam a uma pergunta que lhes foi feita.  Talvez, se lhes fosse perguntado que impacto terá essa medida fixa sobre a pequena produção rural quando levada à realidade brasileira do Oiapoque ao Chui, tivessem dito o óbvio: é melhor perguntar a quem possa responder com maior chance de não errar muito pela demasiada abstração.

 

 

Código Florestal – Como Driblá-lo – II – ou O Mito de um “Código” Florestal Urbano

Ambientalóides que não conhecem o mundo real e não gostam dele, de acordo com as conveniências do momento usam uma justificativa diferente para a manutenção da vegetação nativa nas margens dos rios, riachos, córregos.  Ora é a proteção das margens e das calhas dos rio contra processos erosivos, ora a taxa de infiltração de água; se esses dois não funcionarem em qualquer caso específico, vale apelar para a biodiversidade ou até mesmo para a proteção de vidas humanas contra enchentes. Todos esses argumentos são válidos!  Nenhum deles justifica uma faixa padrão que é função da largura do rio é válida para todo o território nacional!!!  Em países sérios, as bacias e sub-bacias hidrográficas são estudadas caso a caso, trecho a trecho, e a biodiversidade de um rio como o Ruhr está totalmente ou quase totalmente restaurada sem nada de APP genérica, mas com projetos reais implantados num mundo real.

Ambientalóides defendem, também, a aplicação do “código” em áreas urbanas.   Isso é algo tão absurdo quanto falar em “crescimento sustentável”.  Exerça-se o direito de espernear – jus esperneandi – mas as pessoas que conceberam os parques do Ibirapuera e do Flamengo fizeram mais pelas cidades do que o “código”.   As cidades são ambientes humanos.  De fato, para lidar com as forças da natureza há necessidade de conter cheias e de assegurar que a impermeabilização dos solos seja mantida dentro de limites técnicos, entre outras..  É longo o cardápio de soluções e experiências bem sucedidas no países sérios.  Mas ambientalóides  desconhecem totalmente e não gostam da engenharia – é sempre a atitude do “não vi, recuso-me a ouvir, e não gostei”.  Coisa de avestruz e de incompetentes.  Eles – incluindo o MMA – não se perguntam por que, afinal, estão sentados em cima dessa lei há 47 anos – ou há 77 anos, dependendo do ponto de vista – e nunca a usaram para mudar a realidade ou para impedir que ela se deteriorasse!  A razão é simples, demasiadamente simples: essa lei é inútil, inaplicável, e eles estão apenas se masturbando.  Não será com generalidades e conceitos abstratos que as coisas mudarão de rumo.

Na prática, o que acontece em áreas urbanas está mostrado nas fotos abaixo, e novos projetos de desenvolvimento urbana – ou mesmo simples loteamentos – que cuja implantação esbarrem nas licenças ambientais podem e devem estar atentos.  As prefeituras sempre podem declarar as áreas de preservação permanente de interesse público ou social de maneira a que as cidades não percam o seu dinamismo natural.

Nas duas primeiras fotos, obras recentes na cidade do Rio de Janeiro.  A primeira obra de contenção mostra que a paisagem urbana agradeceria se alguma vegetação tivesse sido acrescida ao projeto para encobrir um pouco a feiura da arquitetura (apud Lúcio Costa, falando sobre Brasília).  Um pouco de paisagismo, sem a imposição da  “vegetação nativa”.  A segunda, espera-se, foi projetada tendo como base um mínimo de informações sobre a vazão do pequeno rio naquele local e considerando-se a crescente impermeabilização das ruas nas proximidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ambientalóides protestaram?  Não!  O Ministério Público que atua na área do meio ambiente abriu investigações para ver se pelo menos a liturgia do licenciamento ambiental pregada pelo CONAMA foi respeitada?  Se abriu, o respeitável público não foi informado!

Agora, uma foto feita há cerca de dois anos em Brumadinho, Minas Gerais.  Como se pode notar pela cor da água, a empreiteira não havia tomado precauções para evitar o transporte de sedimentos para a calha do rio na fase de obras.  E, pelo jeito, ninguém pensou em fazer, ali, uma área de lazer como as muitas que existem pela Europa e nos EUA às margens dos rios.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Finalmente, uma imagem de um lago no maravilhoso Instituto de Arte Contemporânea – e agora também Jardim Botânico – de Nhotim.  Ah, se o proprietário de uma fazenda ou o dono de uma pequena propriedade quiser ter um gramado às margens de um corpo d’água….   Se for pequeno, vira criminoso,  e a não “revegetação” com espécies nativas recebe o nome de “passivo ambiental”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Todas as fotos foram feitas pelo autor do blog que sabe que são muitas as opções que poderiam ser adotadas para reduzir o escorrimento superficial de águas de chuvas em áreas urbanas, mas que os zambientalóides vão continuar em seu mundinho de sempre devido à preguiça mental e à incapacidade de ouvir ou estudar.

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Quem quiser conhecer como se faz proteção de cheias no mundo real – e não apenas com uma lei conceitual de poucas páginas – pode e deve ver o último documento da Conselho de Proteção Contra Cheias do Vale Central da Califórnia.  A página permite  ver a evolução dos trabalhos e dos documentos elaborados.  Amanhã, dia 11 de maio, será feita mais uma audiência pública, na  cidade de Sacramento, capital do estado.  O trabalho mostrou-se necessário quando grandes inundações ocorreram na região do Vale.  Ainda bem que eles não deixam assuntos sérios nas mãos de “ambientalistas” e ongueiros (e ainda menos financiados por outros países), desses que povoam o MMA no Brasil.

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Ah – E antes que eu me esqueça…

Brice Lalonde!  Vai à merda!  Na França, onde você foi ministro do meio ambiente, não tem nem vestígio de “código florestal” ou de áreas de preservação permanente.  Você passou pelo poder sem resolver NADA dos problemas de conservação dos solos agrícolas da França, enquanto o Brasil está anos-luz á frente do seu país no uso do plantio direto (no-till, em inglês).  O plantio direto protege MUITO MAIS as águas subterrâneas e superficiais do que as regrinhas brasilienses do “código florestal”.  Além de proteger os solos, é claro.