Archive for the 'Cultura e Assuntos Diversos' Category

Ambientalistas Gringos “Salvam o Planeta”?

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Voce sabe o que é um “endowment”?  Acha que as ONGs (sem fins lucrativos) são apenas essas de meio ambiente?  Então, vale ir aos fatos, como me foram sumariamente descritos por um membro do Conselho de Administração do WWF numa cerimônia na embaixada do Brasil em Washington): ”it is all about money, my friend”, ou “é apenas um questão de grana, meu amigo”.

Aos fatos! 

As grandes universidades norte-americanas são ONGs, isto é, são organizações sem fins lucrativos.   Harvard, Yale, todas!  Não são, como no Brasil, máquinas de fazer dinheiro com a crendice popular e de vender diplomas.  Destinam-se realmente à educação!  Elas recebem doações que vão para um fundo que não pode ser tocado – esse é o endowment.  A cada ano, para pagar as suas despesas correntes, essas ONGs utilizam apenas os rendimentos de seus respectivos fundos..

Por que alguém faria doações tão vultosas?  Bem, é simples: a lei norte-americana permite aos doadores de grandes fortunas receberem, após uma certa idade, os rendimentos de suas doações SEM IMPOSTOS até o final de suas vidas.  Assim, se o cara chegou a US$ 100 milhões e já deu a parte dos filhos, e ele quer parar de trabalhar, vale mais doar e ficar com os rendimentos do que investir como pessoa física e pagar impostos.  Parece claro, não?  It is all about money!  E o doador ainda fica com as “honras da casa” – a universidade construirá um laboratório ou biblioteca com o seu nome!

Ocorre que nas últimas décadas as ONGs que atuam na área de meio ambiente ganharam grande visibilidade, e assim um WWF, por exemplo, chegou a ter um endowment total de US$ 22 bilhões – um dos maiores dos EUA.  Até há alguns anos, esse rio de dinheiro chegou a render até 20% ao ano ou mais, ou seja US$ 2,2 bilhões por ano para serem gastos com meio ambiente.

E aí, saiu dinheiro pelo ladrão, e eles começaram a criar filiais em outros países.  Mas foram espertos o bastante para colocar a “séde” na Suiça, para evitar confusões tributárias com os países que recebem essa grana de fora.  E também foram espertos o suficiente para procurar estabelecer conselhos de administração locais com representantes das famílias mais ricas de cada país.  Assim, ficam todos com as consciências tranquilas.

Assim vivem, aqui, os Greenpeaces, as TNCs (The Nature Conservancy), Conservation International e outras cujos coquetéis para arrecadação de fundos em seus países de origem, há que se dizer, são maravilhosos.

O assunto chama mais atenção quando um deles coloca um anúncio na televisão brasileira, em horário nobre, falando da importância de preservar a Mata Atlântica – anúncio em que se vêem caboclos ou caiçara ou similares em canoas pescando em meio a paisagens luxuriantes.  Tudo sobre o “bom selvagem” – o mito da humanidade pura nos tempos modernos ou quase -, sem nada sobre a vida real atual deles.  E, menos ainda, sobre a importância de que os EUA assinem a Convenção Internacional Sobre a Biodiversidade de maneira a começar a pagar pelo material genético surrupiado da mesma Mata Atlântica.  Quanta impostura!

A pergunta é: de onde vem esse dinheiro e o processo decisório?

Como Brasília parece não gostar de perguntas complicadas e ninguém aponta o dedo na origem espúria dessas granas, vale apenas olhar o vídeo que está no link abaixo.  Será que essa turma acha MESMO que vai “salvar o planeta” ou há uma agenda oculta nesse lero-lero todo?

http://www.youtube.com/watch?v=X_Di4Hh7rK0

Evidentemente, há ONGs sérias também, de todos os tipos.  É apenas a mesmice do bom selvagem aqui e do Volvo híbrido lá que chama a atenção para o duplo padrão moral de algumas.

***

Por precaução, não assine petições online sobre temas ambientais quando contenham apenas slogans e outras ameaças de fim do mundo!  E nunca acredite nos “bancos mundiais” da vida.  Eles são apenas bancos e nenhum país jamais se desenvolveu com base em seus empréstimos.

A Festa da Menina Morta – A Psicose Amazônica e Nacional

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A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele, eleva a filmografia brasileira ao nível dos grandes clássicos mundiais como Akira Kurosawa, Federico Fellini (em Amarcord) e Ingmar Bergman.  Nessa obra imperdível, Nachtergale coloca na tela, magistralmente, a vida de um vilarejo ribeirinho na Amazônia, e joga na cara e na alma do espectador uma “psicose amazônica” que também está presente nos sertões nordestinos, no Congresso Nacional e no Planalto em geral: a psicose de verdades passageiras, criadas de uma hora para a outra, sem fundamentos, como uma “nau dos insensatos” da Idade Média, quando um vilarejo colocava os seus loucos em barcos e os “despachavam” rio abaixo para serem eventualmente recolhidos à jusante, como descreve Michel Foucault.  Entre muitas coisas, o filme impõe uma reflexão sobre a identidade de uma região e de um povo.

Alberto Torres foi um brilhante pensador brasileiro (1865-1917) que teceu reflexões sobre a identidade nacional, entre outros assuntos.  Bruno Tolentino (1940-2007) foi genial poeta brasileiro que retorna à sua terra depois de quase uma vida no exterior, publica pouco depois de seu retorno Os Deuses de Hoje, livro de poemas em que destila ironias sobre o Brasil.  O livro principia com uma citação de Alberto Torres.  Abaixo, a transcrição do início do poema intitulado Torres e Deuses, onde Bruno cita Alberto Torres.

Um Interlúdio
Torres e Deuses

“Este estado não é uma nacionalidade;
Este país não é uma sociedade;
Esta gente não é um povo.
Nossos homens não são cidadãos.”

ALBERTO TORRES

AlbertoTorres
há muitos anos
disse de nós
que não formamos
uma união
ainda não;
que, como os símios
que trocam os ramos
pelos cipós,
nos enredamos
com o ilusório
e confundimos
o bem e o mal;
que porque temos
um território
nos persuadimos
de que há um país
neste local.

Que nesses termos
nunca faremos
uma nação
de um matagal,
pois se não dermos
comida, teto,
lugar, raiz
e dignidade
ao cidadão,
ao branco e ao negro,
nosso projeto,
nossa retórica
nacional,
não passarão
de uma inverdade,
de uma ilusão
escrita a giz
no quadro-negro

***

Neste domingo, 14 de junho, O Globo publicou uma página inteira de informações um tanto desconexas sobre o crime e o castigo na Amazônia.  Perdida na reportagem, a informação de que 42% da Amazônia são áreas protegidas, metade por terras indígenas e outra metada por unidades de conservação.  Noo período 2000 – 2008, 22 mil quilômetros quadrados foram desmatados nessas áreas protegidas.  Esse é o poder público que acusa outros atores sociais e econômicos de desrespeito às leis ambientais!  O Planalto parece, assim, uma Nau dos Insensatos, em sua psicótica Festa da Menina Morta, que arrebata adeptos e fiéis que não têm a mais vaga idéia de por que estão ali.