Parque Nacional da Floresta da Tijuca – Imagens, Notícias, Avanços e Recuos

Conta a lenda – ou as más línguas – que certa vez uma “autoridade” de área ambiental do Rio de Janeiro teria levado o ministro alemão do meio ambiente para passear no Parque Nacional da Floresta da Tijuca.  Durante o passeio, teria comentado que esta era a maior floresta urbana do mundo, e ficou pasmo quando numa fração de segundo o alemão retrucou: “depois da Floresta Negra, é claro”.

Apenas para fins de introdução ao tema, vale dizer que a Floresta da Tijuca tem pouco menos de 40 km2, enquanto a Floresta Negra tem cerca de 12.000 km2.

Fica a dúvida sobre o conceito de “floresta urbana”, já que no interior – como na periferia – da Floresta Negra há cidades, vilarejos, estradas, hotéis, pousadas, restaurantes, ciclovias, trilhas e muito mais.  O total da trilhas – para caminhadas e passeios de bicicletas – chega a 23.000 km.  A manutenção dessa rede de caminhos é assegurada por cerca de 90.000 voluntários com níveis variados de envolvimento nas ações necessárias.  Ninguém tem que andar com um “guarda-parque” a tiracolo (aliás, nem mesmo nos parques dos países sérios há necessidade de que os visitantes passeiem com um guarda-parque ou guia dependurado à tiracolo, usualmente  atrapalhando a privacidade, prejudicando a contemplação e falando pelos cotovelos).

Resta, ainda, outra dúvida: que fração da Floresta Negra é “original” ou plantada, já que a ao longo do tempo dela extraiu-se muita madeira, fortes tempestades derrubaram grande quantidade de árvores.  E plantios também ocorreram, ainda que não se tenha notícia de plantios feitos da forma metódica que o aqui foi liderado pelo Major Archer.

Tudo isso como introdução para o estado de conservação em que se encontra o Parque Nacional da Floresta da Tijuca.

As imagens abaixo são da grade de apoio que separa os visitantes da belíssima Cascatinha Taunay, um dos mais importantes pontos turísticos de todo o Parque.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E isso num Parque Nacional que é – ou deveria ser – uma das principais atrações turísticas do Rio de Janeiro, bem como atrativo para o lazer dos moradores da cidade, com administração compartilhada por vários níveis de governo e “apoios” de várias empresas.

Há marcos históricos no Parque Nacional da Floresta da Tijuca.  Entre eles, bem em frente à Cascatinha, na área de estacionamento, o que ali foi colocado em homenagem a Nicolas-Antoine Taunay que, junto com Jean-Baptiste Debret e Grandjean de Montigny, entre outros, chega ao Brasil em 1816 como integrante da Missão Artística Francesa – responsável pela fundação da Academia Imperial de Belas Artes.  Ao final desse período, Taunay adquire uma pequena chácara junto à Cascatinha e para lá se muda, com a sua família, pintando ao todo cerca de 20 telas.

Abaixo, o estado de abandono em que se encontra o marco ali colocado pelo governo brasileiro em 1928 em homenagem a Taunay.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ah, ha!  É a turma que faz esse tipo de gestão que quer impor regras para os proprietários privados, para as cidades, para o Brasil enfim?  É com essa medíocre “gestão de parques” – mesmo mesmo quando contam com os vultosos recursos das muitas “compensações ambientais” que devem, por lei, serem destinadas a unidades de conservação – que se acham capacitados a ditar normas para toda a nação?

Errou longe a “autoridade ambiental” do Rio de Janeiro que no passado tentou levar o ministro alemão na conversa (alguns acham que o cargo lhes confere dignidade, em lugar do oposto): a Floresta da Tijuca é a terceira maior área verde urbana do Brasil.  No mesmo município do Rio de Janeiro há o Parque da Pedra Branca – quase totalmente abandonado e com múltiplas invasões, cuja área é três vezes superior – e o Parque da Cantareira, em São Paulo, cuja área é pelo menos quinze vezes superior.

Como é escassa – se existir alguma – a documentação sobre o Parque Nacional da Floresta da Tijuca disponível para os visitantes e turistas, vale dizer que além de tratar-se de um floresta plantada sob a supervisão de um oficial da Polícia Militar – o Major Archer -, outra brasileiro deu continuidade ao seu trabalho: o Barão d’Escragnolle, que o sucedeu, fez um belíssimo trabalho de paisagismo, criando amplas áreas para o lazer, com fontes e lagos, algo que causa arrepios e alergia à maioria dos “gestores de parques” do já obsoleto Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (de nome pomposo e estranha sigla – ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente.  O sonho deles talvez seja remover todos os sinais da intervenção humana na botânica até mesmo de pequenos trechos do Parque.

Depois, veio o notável trabalho de Raymunto Ottoni de Castro Maya (1894-1968), convidado em 1943 pelo prefeito da cidade do Rio de Janeiro para ser administrador da Floresta da Tijuca.  Castro Maia inicia, então, um fenomenal trabalho de recuperação de jardinagem e paisagismo que haviam sido recobertos pela floresta.  Os trabalhos de recuperação se estendem a trilhas, casas, lagos, caminhos, pontes, e até a Capela Mayrink, construída em 1860, para a qual moradores do Alto da Tijuca doam pinturas de Cândido Portinari.

Empresário bem sucedido, Castro Maya trabalha por um salário simbólico e ao final orgulha-se da visitação chegar a 5.000 pessoas por fim de semana.  Esse, sim, foi um belíssimo trabalho de “educação ambiental”.  Já não se fazem administradores de florestas – ou parques e unidades de conservação – como “antigamente”.

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* – As fotos são de Beth Tavares.

 

Casas Flutuantes – Uma Alternativa Habitacional Sustentável para a Amazônia

“No Brasil, observamos casas flutuantes nos rios amazônicos. São, na verdade, juntamente com as palafitas, a solução perfeita para o clima e o relevo da região norte. A floresta é densa, com árvores altas, o que já impõe uma barreira quase intransponível para o homem desprovido de tecnologia, como é o caso da população primordial não-indigena. Em Manuas/AM, o grande número deNo Brasil, observamos casas flutuantes nos rios amazônicos. São, na verdade, juntamente com as palafitas, a solução perfeita para o clima e o relevo da região norte. A floresta é densa, com árvores altas, o que já impõe uma barreira quase intransponível para o homem desprovido de tecnologia, como é o caso da população primordial não-indigena. Em Manuas/AM, o grande número de casas flutuantes levou a população a adotar o nome de “cidade flutuante”, mas foram destruídas para promover uma “limpeza”. Uma das características destas casas na região norte é justamente a falta de higiene: a água não é tratada e o esgoto é despejado in natura na água, assim como o lixo descartado pelos moradores. casas flutuantes levou a população a adotar o nome de “cidade flutuante”, mas foram destruídas para promover uma “limpeza”. Uma das características destas casas na região norte é justamente a falta de higiene: a água não é tratada e o esgoto é despejado in natura na água, assim como o lixo descartado pelos moradores.”

O trecho acima foi extraído da excelente monografia de autoria de Nadja Irina Cernov de Oliveira Siqueira, apresentada como trabalho final de gradução em Arquitetura e Urbanismo na Faculdade Interamericana de Porto Velho.

Aqui, já se publicou um artigo sobre a rápida disseminação de casas flutuantes na Holanda, não apenas pela tradição desse país como, também, pelas perspectivas de elevação do nível dos oceanos (e a Holanda vem fazendo investimentos massivos nas proteções de seu território para esse evento).

No Brasil, as casss flutuantes e também sobre palafitas são uma tradição da Amazônia, onde o principal meio de transporte é fluvial e há séculos os habitantes conhecem os ciclos de cheias e vazantes.  Nos períodos de vazente, a edificação de casas comuns, em terreno permanentemente seco, os faria ficar muito distante da água, que lhes fornece também a sua principal fonte de proteínas.  Assim, adaptaram-se de maneira notável.

Como os “ambientalistas” de fora – ou de Brasília – vêem a Amazônia como um território sem seres humanos, enredam-se na tentativa de adaptar as suas regras sobre áreas de preservação permante nas faixas marginais de proteção que sejam aplicáveis a todo o território nacional.  E assim, tentam permitir o uso das vastas áreas de alagamento enriquecidas palo húmes para a continuidade do cultivo de alimentos nos períodos de vazante.  E ainda tentam fazer isso por mera Resolução do Cnselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, passando por cima dos disposiivos legais do Código Florestal inaplicável como regra genérica para um país de dimensões continentais.

Nadja Irina, com a sabedoria da população local, ignorou ou apenas tangenciou de forma indierta esse debate estéril, demonstrando que casas flutuantes são e podem ser muito mais uma alternativa saudável para o problema habitacional da região. 

O excelente monografia, intitulada Casa Vitória Régia: Habitações Populares, Flutuantes e Sustentáveis, pode ser feita aqui.

Sempre há alguma esperança que o Governo (federal ou dos estados) desperte e dê continuidade a esse lindíssimo trabalho.

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Não deixa de ser divertido ler que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -CNBBse posiciona contra a revisão do Código Florestal sem quaisquer explicações enquanto a Comissão Pastoral da Terra – CPT posiciona-se em defesa da cultura e das tradições das populações ribeirinhas.  Na linda da CNBB será necessário remover um imenso número de pequenos lavradores das margens do Rio São Francisco.  Será que eles pensaram nisso?

EUA Pedem Desculpas por Contaminar Guatemaltecos com Sífilis

Entre 1946 e 1948, médicos do sistema público de saúde dos Estados Unidos da América do Norte infectaram cerca de 700 cidadãos da Guatemala – prisioneiros, pacientes psiquiátricos e soldados – com doenças venéreas com a justificativa de testar a eficiência da penicilina.

O Instituto Nacional de Saúde do governo dos EUA chegou a pagar a prostitutas com sífilis para dormir com os prisioneiros, dado que o sistema prisional da Guatemala permitia visitas íntimas.  Quando a prática sexual com essas prostitutas não contaminava os prisioneiros, incisões eram feitas em seus pênis, faces e braços, e nessas incisões eram colocadas as bactérias.  Em alguns casos, as bactérias foram injetadas diretamente na medula.

Se os pacientes contraiam a doença, eles eram tratados com antibióticos.

“No entanto, não é claro se os pacientes foram, então curados”, declarou Susan M. Reverby, professora da Faculdade de Wellesley, que divulgou a ocorrência desses experimentos numa publicação e forçou as autoridades de saúde a iniciarem investigações.

As revelações, tornadas públicas no último dia 30 de setembro, quando a Secretária de Estado Hillary Clinton e a Secretária de Saúde e Serviços Humanos Latjçeem Sebelius pediram desculpas ao governo da Guatemala, bem como aos sobreviventes que foram infectados e seus descendentes.  Eles afirmaram que os experimentos foram “claramente sem ética”.

“Embora esses eventos tenham ocorrido há 64 anos, nós nos sentimos ultrajados com o fato deles terem sido feitos com a máscara da saúde pública”, as duas secretárias afirmaram.  “Nós lamentamos profundamente o que aconteceu e pedimos desculpas aos indivíduos afetados por essas repulsivas práticas de pesquisa”.

Num detalhe das revelações agora feitas, fica-se sabendo que o médico do setor público que conduziu essas experiências, John. C. Cutler, teve mais tarde um importante papel num estudo feito em Tuskegee, no Alabama, no qual negros norte-americanos contaminados pela sífilis foram deliberadamente deixados sem tratamento durante décadas.  Até o final da sua vida, o Dr. Cutler continuou defendendo este trabalho.

A sua pesquisa não publicada feita na Guatemala foi encontrada recentemente nos arquivos da Universidade de Pittsburgh pela professora Reverby, uma historiadora da medicina que já escreveu dois livros sobre os experimentos de Tuskegee.

O presidente Álvaro Colom, da Guatemala, que ficou sabendo dessas ocorrências em seu país no dia 29 de setembro, através de um telefonema feito por Hillary Clinton, afirmou que as informações deixam qualquer um “com os cabelos em pé” e são “crimes contra a humanidade”.  O seu governo disse que cooperará com as autoridades norte-americanas nas investigações.

Tais experimentos foram “um capítulo escuro na história da medicina”, afirmou o Dr. Francis S. Collins, do Instituto Nacional de Medicina.  As modernas regras para as pesquisas financiadas com recursos federais “proíbem absolutamente” a infecção de pessoas sem que elas estejam informadas e consintam, afirmou o Dr. Collins.

A professora Reverby apresentou as suas descobertas sobre as experiências conduzidas na Guatemala numa conferência em janeiro de 2010, mas ninguém prestou atenção, ela afirmou numa entrevista telefônica nesta sexta-feira, 30 de setembro.  Em junho, ela enviou para o Dr. David J. Spencer, ex-diretor do Centro de Controles de Doenças, uma síntese de um artigo para publicação na edição de janeiro de 2011 do Jornal da História Política.  Ele, então, pediu ao governo que investigasse.

Nos anos de 1940, informou a professora Reverby, o Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos “estavam muito interessados em saber se a penicilina poderia ser usada para prevenir, e não apenas para curar, a infecção por sífilis, e se testes sanguíneos mais acurados poderiam ser desenvolvidos, que dosagens de penicilina eram necessárias para curar a infecção, e em entender os processos de reinfecção depois das curas”.

Eles tinham dificuldades de cultivar a sífilis em laboratórios, e os testes com coelhos e com chipanzés não eram pouco esclarecedores sobre a ação da penicilina nos seres humanos.

Em 1944, “voluntários” foram infectados na Penitenciária da Terra Alta, na Indiana, com gonorréia cultivada em laboratório, mas foi difícil contaminar as pessoas dessa maneira.

Em 1946, o Dr. Cutler pediu para liderar uma missão à Guatemala, que foi encerrada dois anos depois, em parte como decorrência das “fofocas” médicas sobre o trabalho, afirmou a professora Reverby, mas em parte porque grandes quantidades de penicilina estavam sendo usadas, e esse medicamento ainda era caro e não muito abundante.

O Dr. Cutler se uniu, mais tarde, ao estudo feito em Tuskegee, no Alabama, que havia começado de maneira relativamente inócua em 1932 através da observação da progressão da sífilis em indivíduos negros do sexo masculino.  Em 1972, revelou-se que mesmo depois da invenção dos antibióticos, os médicos esconderam o fato dos pacientes para continuar a estudá-los.  O doutor Cutler, que faleceu em 2003, defendeu esses experimentos num documentário feito em 1993.

Sonegação de informações foi o método utilizado na Guatemala, afirmou a professora Reverby.  O doutor Thomas Parran, “cirurgião-geral” (um cargo do governo norte-americano) que supervisionou o começo do experimento de Tuskegee, reconheceu que o trabalho na Guatemala não poderia ter sido feito “domesticamente”, e que os detalhes foram escondidos das autoridades guatemaltecas.

A professora Reverby informou que encontrou algumas das anotações do doutor Cutler na Universidade de Pittsburgh, onde ele lecionou até 1985, enquanto ela fazia pesquisas sobre o doutor Parran

“Enquanto eu os folheava, eu encontrei Guatemala… inoculação…e pensei – que coisa mais estranha é essa?.  O meu parceiro estava comigo e eu lhe disse você não vai acreditar nisso.”

Fernando de la Cerda, conselheiro da embaixada da Guatemala em Washington, confirmou que Hllary Clinton havia pedido desculpas ao presidente Colom no dia 29 de setembro, pelo telefone.  “Nós agradecemos aos EUA por sua transparência na confirmação dos fatos”, ele disse.

Questionado sobre a possibilidade de indenização aos sobreviventes e seus descendentes, o conselheiro la Cerda disse que ainda não havia clareza sobre isso.

As respostas públicas dadas pelos sites de notícias da Guatemala expressaram fúria.  Um comentarista, Cesar Duran, na página Prensa Libre, escreveu: “DESCULPAS.. por favor… isso é o que já veio à luz, mas o que ainda permanece escondido?  Eles deveriam pagar uma indenização ao Estado da Guatemala, e não apenas se desculparem.”

O doutor Mark Siegle, diretor do Centro de Ética da Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Chicago, afirmou que ele estava atordoado: “Isso é chocante, e muito pior do que Tuskegee – pelo menos aqueles homens foram infectados por meios naturais.”

E ele concluiu: “É ironico – não, é pior que isso, é vergonhoso que no mesmo período em que os Estados Unidos estava processando médicos nazistas por crimes contra a humanidade, o governo dos Estados Unidos estava apoiando pesquisas que colocavam seres humanos em grande risco”.

Os processos de Nuremberg contra os médicos nazistas que fizeram experimentos com prisioneiros e internos levaram a um código de ética que, no entanto, ainda não tinha força de lei.  Em 1964, na Declaração de Helsinque, as associações médicas de muitos países adotaram o código.

O escândalo de Tuskegee e as audiências conduzidas pelo senador Edward Kennery estabeleceram os fundamentos para a legislação dos Estados Unidos promulgadas em 1981 estabelecendo regras para a pesquisa médica usando seres humanos – afirmou o doutor Siegler.

Ela foi antecedida de outros escândalos domésticos.  De 1963 a 1966, pesquisadores da Escola de Willowbrook, na Ilha de Staten, infectaram crianças retardadas com hepatite para fazer testes de gamaglobulina.  E em 1963, pacientes idosos do Hospital Judaico de Doenças Crônicas foram injetados com células vivas de câncer para ver se elas causavam tumores.

Por Donald G. McNeil, Jr. – Colaborou Elisabeth Malkin da Cidade do México – publicado no New York Times de 1 de outubro de 2010

Nota do autor do blog – Este blog nunca publicou traduções de publicações feitas em jornais ou revistas, excetuados alguns trechos e sempre no contexto de uma linha de raciocínio e análise.

Esta notícia, publicada ontem no New York Times, no entanto, é chocante que dispensa comentários, exceto um: os EUA nunca se desculparam pela invasão do Vietnam, feita com base num ataque forjado e sem que nunca fosse declarada a guerra; tampouco se desculparam pelo uso de armas químicas que mataram centenas de milhares de civis vietnamitas de maneira indiscriminada, e continuam matando através de seus efeitos tardios; tampouco deram qualquer contribuição para a retirada de minas terrestres que até hoje matam e mutilam no Vietnam, no Laos e no Camboja.

Eco-fascismo – Infecção Perigosa no Movimento Ambientalista

No início deste ano, o cientista inglês James Lovelock propôs medidas radicais e autoritárias para as mudanças climáticas sob a alegação de que a democracia não possibilita a adoção de políticas efetivas para fazer face ao problema: “eu tenho a sensação de que as mudanças climáticas são um evento tão grave quanto uma guerra; talvez seja necessário suspender a democracia por algum tempo”, afirmou.

Por ter sido o primeiro cientista a detectar as origens dos problemas relacionados à camada de ozônio, Lovelock merece um respeito que não se estende necessariamente às suas opiniões políticas.

Mais recentemente, a tradução para o inglês do livro de um pescador e “filósofo da ecologia” finlandês deixou claro que na ampla gama do ambientalismo há propostas ainda bem mais radicais. O autor, Penti Linkolla, até então desconhecido fora de seu país, propõe o estabelecimento de um regime autoritário para suprimir o consumo de maneira implacável: “uma catástrofe está acontecendo e a solução é a disciplina, a proibição (do consumo), a imposição de regras severas e a opressão”.

E não hesita em avançar em direção ao eco-fascismo: “a única chama de esperança é o governo centralizado e o controle estrito dos cidadãos”. Quem sabe com ele próprio na posição de ditador ambiental?

De fato, Linkola tem mesmo um “programa político” que inclui: “um ponto final na liberdade para ter filhos, abolição total dos combustíveis fósseis, revogação de todos os acordos de livre comércio, proibição do tráfego aéreo, demolição dos subúrbios das cidades e reflorestamento das áreas de estacionamento de veículos”.

Quanto àqueles que ele julga responsáveis pelo crescimento da economia, a proposta é mais contundente: eles seriam enviados para ecogoulags (campos de concentração) nas montanhas para serem reeducados.

Nada mal. Só resta perguntar quando ele assumirá o poder e se o fará através de eleições ou de golpes de estado.

No Brasil, esse tipo de eco-fascismo não ousa se expressar tão abertamente: prefere agir nos bastidores, nos tapetões, tentando dar a impressão que são muitos e representam muitos mais.  O mesmo eco-fascismo se faz presente, também, nos órgãos governamentais como quando, por exemplo,  criam-se unidades de conservação envolvendo áreas privadas e não são feitos os devidos procedimentos de desapropriação.  E em muitas outras situações.  Mas esse é outro assunto.

Ambientalistas Gringos “Salvam o Planeta”?

Voce sabe o que é um “endowment”?  Acha que as ONGs (sem fins lucrativos) são apenas essas de meio ambiente?  Então, vale ir aos fatos, como me foram sumariamente descritos por um membro do Conselho de Administração do WWF numa cerimônia na embaixada do Brasil em Washington): “it is all about money, my friend”, ou “é apenas um questão de grana, meu amigo”.

Aos fatos! 

As grandes universidades norte-americanas são ONGs, isto é, são organizações sem fins lucrativos.   Harvard, Yale, todas!  Não são, como no Brasil, máquinas de fazer dinheiro com a crendice popular e de vender diplomas.  Destinam-se realmente à educação!  Elas recebem doações que vão para um fundo que não pode ser tocado – esse é o endowment.  A cada ano, para pagar as suas despesas correntes, essas ONGs utilizam apenas os rendimentos de seus respectivos fundos..

Por que alguém faria doações tão vultosas?  Bem, é simples: a lei norte-americana permite aos doadores de grandes fortunas receberem, após uma certa idade, os rendimentos de suas doações SEM IMPOSTOS até o final de suas vidas.  Assim, se o cara chegou a US$ 100 milhões e já deu a parte dos filhos, e ele quer parar de trabalhar, vale mais doar e ficar com os rendimentos do que investir como pessoa física e pagar impostos.  Parece claro, não?  It is all about money!  E o doador ainda fica com as “honras da casa” – a universidade construirá um laboratório ou biblioteca com o seu nome!

Ocorre que nas últimas décadas as ONGs que atuam na área de meio ambiente ganharam grande visibilidade, e assim um WWF, por exemplo, chegou a ter um endowment total de US$ 22 bilhões – um dos maiores dos EUA.  Até há alguns anos, esse rio de dinheiro chegou a render até 20% ao ano ou mais, ou seja US$ 2,2 bilhões por ano para serem gastos com meio ambiente.

E aí, saiu dinheiro pelo ladrão, e eles começaram a criar filiais em outros países.  Mas foram espertos o bastante para colocar a “séde” na Suiça, para evitar confusões tributárias com os países que recebem essa grana de fora.  E também foram espertos o suficiente para procurar estabelecer conselhos de administração locais com representantes das famílias mais ricas de cada país.  Assim, ficam todos com as consciências tranquilas.

Assim vivem, aqui, os Greenpeaces, as TNCs (The Nature Conservancy), Conservation International e outras cujos coquetéis para arrecadação de fundos em seus países de origem, há que se dizer, são maravilhosos.

O assunto chama mais atenção quando um deles coloca um anúncio na televisão brasileira, em horário nobre, falando da importância de preservar a Mata Atlântica – anúncio em que se vêem caboclos ou caiçara ou similares em canoas pescando em meio a paisagens luxuriantes.  Tudo sobre o “bom selvagem” – o mito da humanidade pura nos tempos modernos ou quase -, sem nada sobre a vida real atual deles.  E, menos ainda, sobre a importância de que os EUA assinem a Convenção Internacional Sobre a Biodiversidade de maneira a começar a pagar pelo material genético surrupiado da mesma Mata Atlântica.  Quanta impostura!

A pergunta é: de onde vem esse dinheiro e o processo decisório?

Como Brasília parece não gostar de perguntas complicadas e ninguém aponta o dedo na origem espúria dessas granas, vale apenas olhar o vídeo que está no link abaixo.  Será que essa turma acha MESMO que vai “salvar o planeta” ou há uma agenda oculta nesse lero-lero todo?

http://www.youtube.com/watch?v=X_Di4Hh7rK0

Evidentemente, há ONGs sérias também, de todos os tipos.  É apenas a mesmice do bom selvagem aqui e do Volvo híbrido lá que chama a atenção para o duplo padrão moral de algumas.

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Por precaução, não assine petições online sobre temas ambientais quando contenham apenas slogans e outras ameaças de fim do mundo!  E nunca acredite nos “bancos mundiais” da vida.  Eles são apenas bancos e nenhum país jamais se desenvolveu com base em seus empréstimos.