Covid 19 – Colocando as coisas em perspectiva

Nos países de clima temperado existe a “gripe sazonal”, a influenza, que alcança o seu pico ao final do inverno, tanto pela mudança de estações quanto pelo fato de que a quase totalidade da população permanece encerrada em casa ou nos locais de trabalho.

Nos EUA, a gripe sazonal do período 2017-2018 atingiu um número estimado de 44,8 milhões de pessoas (uma média entre 39,3 milhões e 57,9 milhões).  Esses, os números dos que apresentaram sintomas.  Foram cerca de 20,7 milhões de atendimentos médicos (média entre 18 milhões e 22 milhões), com um total de 808.129 hospitalizações (entre 621 mil e 1,36 milhão), e 61.099 mortos (novamente, uma média entre 46,4 mil e 95 mil). Continuar lendo Covid 19 – Colocando as coisas em perspectiva

A farsa da responsabilidade socioambiental das grandes corporações

Em mais um excelente trabalho de jornalismo investigativo, crianças de 13 anos e até menos foram filmadas e entrevistadas colhendo café em condições degradantes para duas grandes corporações que há muito se vangloriam de seus princípios e ações de “responsabilidade socioambiental”: Nestlé e Starbucks.   Num país tropical pobre, é claro: a Guatemala.  A reportagem que apresenta de modo sumário o que lá foi encontrado pode ser lida, em inglês, aqui, e os principais trechos são transcritos em português abaixo.

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Witzel e Crivella estão se lixando para o saneamento

Em concessões onerosas, o que vai para o caixa da poder público deixa de ser investido no setor.  Esse é o X do problema na “privatização” da Cedae, seja lá qual for o modelo adotado (no caso, melhor seria dizer fatiamento)..

Há cerca de 2- 3 anos, governo federal fez o BNDES emprestar dinheiro para o governo do estado do Rio de Janeiro  dando como garantia as ações da Cedae.  Foi um ação puramente política e de “contabilidade criativa”, já que ninguém sabia quanto valiam as ações da da empresa estadual de saneamento.

E como o BNDES não teve a decência de exigir sequer a diretoria financeira da empresa no período em que deteve R$ 3,5 bilhões do dinheiro público em ações da empresa, perdeu imensa oportunidade de melhorar o seu desempenho e de minimizar a sangria.

Agora, aproxima-se a data da liquidação da dívida e o BNDES afirma ter um “modelo” de privatização” que quase certamente é puramente financeiro, sem envolver aspectos fundamentais de engenharia, tecnologia, potencial recuperação de perdas, ou mesmo da avaliação de ativos (depreciação e necessidade de substituição das redes, por exemplo).

Não houve uma due diligence de engenharia e, se bobear, esses caras vão para a licitação com o prazo mínimo previsto na lei, 180 dias!  Aí só participa quem estiver tendo acesso a informações privilegiadas.

Mas Witzel e Crivella já começaram a disputar um naco da bufunfa das concessões onerosas que excedam o valor da dívida.  Nenhum dos dois está realmente interessado em saneamento.  Como nunca estiveram.

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Linhas férreas através de encostas íngremes e imensas pontes sobre rios X Licenciamento ambiental no Brasil

Há dias, peguei-me assistindo e compartilhando com amigos mineiros alguns vídeos sobre as mais belas e ousadas linhas férreas do mundo.  Entre elas, o Expresso Glacial, na Suíça, cujas imagens são imperdíveis.

Não me contive e perguntei a um ex-dirigente de órgão ambiental quanto tempo levaria o licenciamento ambiental de uma coisa dessas no Brasil.  Logo após uma sonora gargalhada, ele respondeu: “1.000 anos”.

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Marco regulatório do saneamento e mercados cativos – Carta aberta a Paulo Guedes e Tarcísio Gomes

Seja qual for o resultado da lei sobre o novo “marco regulatório do saneamento” ela não trará qualquer solução miraculosa para o setor.  O debate que antecedeu à fase atual foi marcado por ideologias, não por fatos e ainda menos por  tecnologias em geral.

Algumas empresas estaduais e mesmo serviços autônomos municipais tiveram, ao longo do tempo, excelentes ou péssimos desempenhos, tanto quanto as empresas privadas que atuam no setor (ainda que o fator corrupção e mal uso da tecnologia em função de influências políticas seja, nestas,  menor).

Que os municípios devam, um dia, fazer concorrências reais – com metas – para a concessão dos serviços, é justo e muito útil para aumentar o grau de responsabilidade que têm sobre um assunto tão delicado e ligado ao desenvolvimento urbano.  Que a Agência Nacional de Águas – ANA seja a única agência regulatória é só uma bobagem estatista.

Aqui, nos limitaremos ao avanço das tecnologias de produção e de eficiência no uso das águas, que deve ser considerado para que os cidadãos e a economia não se tornem reféns de mercados cativos numa época em que a tecnologia já permite diversas opções de maior benefício para todos, inclusive para o meio ambiente.

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Aos fatos: a água é um recurso finito – ainda que muito mais em algumas regiões muito mais do que em outras -, e o seu uso tem um custo.

Nas regiões onde há riscos de escassez – incluídas as áreas metropolitanas de São Paulo,  Rio de Janeiro, Minas Gerais, Fortaleza – há que estimular amplamente o reuso – além de medidas como a recarga de aquíferos (medidas que dependem de políticas públicas).

Além disso, hoje, as tecnologias de dessalinização avançaram de tal forma que o auto-abastecimento em áreas litorâneas já é mais econômico do que o tratamento e a transmissão de água por longas distâncias (ainda que isso não se aplique a redes públicas com altos índices de perdas).

Se os ministros citados querem um mercado dinâmico e desejam evitar crises de escassez – com a melhoria adicional do risco Brasil -, devem buscar excluir o auto-abastecimento e o reuso das “áreas de concessão”, assim como a figura do  consumidor cativo.

Para as políticas públicas de gestão integrada de águas e recarga de aquíferos, o Ministério do Meio Ambiente ou a Agência Nacional de Águas – ANA já deveriam ter-se pronunciado há muito tempo – não é uma omissão deste ou daquele governo -, ao menos para sugerir diretrizes.

Se alguém nessas cadeias de comanda fala inglês, pode consultar o documento lançado há poucos meses pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA, conhecido pela sigla EPA, colocado em consulta pública e que busca um Plano de Ação para o Reuso de Água.  O já cansado mote da gestão por não foi lá muito eficiente no Brasil – até pela falta de metas concretas – e não pode servir para que sejam desconsiderados os muitos avanços nas áreas da redução de perdas, do reuso, da dessalinização, do reaproveitamento de água de chuva (ainda que para a recarga de aquíferos) e outras soluções que catapultem o país para além da mesmice.

Não há que se limitar a buscar alternativas nos EUA –  para não falar nos estados que já estão muito adiante de suas políticas nacionais, como Califórnia e Texas, onde já se faz o reuso direto potável, isto é,  diretamente do esgoto para a rede de abastecimento, com a adoção de padrões baseados na tecnologia (technology based standards), e nem ficar esperando que Israel vá trazer algum tipo de solução mágica além da venda de equipamentos.  Até mesmo os governos estaduais podem e devem considerar o envio de técnicos para Singapura – uma referência mundial em gestão integrada de águas – ou a organização de conferências não genéricas, isto é, que não se limitem ao debate de filosofias, conceitos, direitos humanos, tudo em tese com muitos estudos de caso, mas concentrem-se em soluções práticas para regiões específicas.

Os estados e os municípios não precisam e não devem ficar esperando por resultados de curto prazo advindos do novo marco legal ou mesmo da privatização que, mantida a figura do mercado cativo, não trás necessariamente dinamismo tecnológico e segurança hídrica ao setor.

No caso do Rio de Janeiro, tentar uma “modelagem” puramente financeira em que eventuais concessionárias privadas sejam  obrigadas a comprar água da CEDAE é uma proposta… de soluções puramente financeiras, mas um proposta anti-econômica, prejudicial para os consumidores e para a segurança hídrica.  E se a forem mais eficientes alternativas do auto-abastecimento com água de dessalinização ou mesmo para distribuição em trechos onde as perdas técnicas e comerciais não sejam muito grandes?

Também no Ceará – apenas como um exemplo adicional – o Porto de Pecém e suas indústrias de alto consumo podem perfeitamente serem abastecidos com água de reuso do emissário submarino que lança os esgotos da região metropolitana da Grande Fortaleza ou por dessalinização, reduzindo significativa as pressões sobre o Açude (Reservatório) Castanhão de forma econômica, desde que o governo do estado não queira impor empreiteiros ou intermediários, e a Cagece – concessionária estadual – abra mão desses “clientes cativos”.  Assim, seriam evitados os riscos de racionamento de água (agora denominados “desabastecimento”).

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Falando-se de Cedae – com estações de tratamento que propiciam receitas mas não tratam nada -, a simples substituição de hidrômetros de grandes consumidores cuja vida útil já terminou há muito por novos equipamentos com tecnologia de medição remota já resultaria num ganho significativo. Chegou a ser desenhada uma parceria entre a iniciativa privada e a empresa estadual com esse objetivo, mas quem poderia imaginar o poder das empresas terceirizadas que fazem as medições pelo método mais antiquado, em lugar da medição remota?

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