Archive for the 'Eficiência Energética' Category

Bicicletas Elétricas e Eficiência Energética no Transporte Urbano – A China Dá o Seu Recado – III

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Em meados de 2009, cerca de 100 milhões de bicicletas elétricas já se encontravam em circulação na China, com vendas anuais equivalentes a 90% de todo o planeta.  Na China, o preço médio dessas bicicletas gira em torno de US$ 300, ou menos de R$ 600.  Os chineses esperam que essa “febre” logo se alastre por toda a Ásia.  E podemos estar certos que bicicletas elétricas chinesas logo chegarão ao Brasil, importadas ou montadas aqui com componentes importados, mas por um preço muito mais elevado.  Hoje, uma bicicleta elétrica custa, no Brasil, algo como R$ 2.800.  Coisa de eco-chic.

e-bikes.jpg 

Caminhando por uma rua de pequenas lojas nas proximidades do campus da Universidade de Tsinghua, um dos grandes centros de tecnologias limpas da China, encontram-se dezenas de modelos de e-bikes, como ficaram conhecidas as bicicletas elétricas que agora se tornaram uma febre entre os jovens chineses.

Há os mais diversos modelos – desde aquelas feitas em plástico para reduzir o peso até as mais sofisticadas -, tanto no que se refere aos materiais e ao design quanto às baterias.

“Eu optei por uma denominada Turtle King – uma simples cópia de uma Vespa italiana – com um motor de 500 W e uma bateria comum, idêntica às utilizadas nos automóveis.  Ela tinha autonomia de 40 a 50 km e velocidade máxima de 40 km/hora, mas não custava mais do que US$ 500.  (…)  Pouco tempo depois, troquei-a por outra, com baterias litium-ion, que pesam menos e estocam mais energia, além de terem uma vida útil mais longa.

“Quando eu me encontrava na loja, conversei com dois jovens clientes, estudantes da Faculdade de Aeronáutica e Astronáutica da Universidade de Pequim. 

“Vocês devem ter toneladas dessas bicicletas nos EUA – disse um, que usava uma camiseta com a figura de Che Guevara – já que vocês estão sempre falando em consciência ecológica.  Expliquei que não, que os norte-americanos usam bicicletas para se exercitarem, não como meio de transporte.  Nas proximidades de seu campus, em Pequim, as bicicletas elétricas são tão rotineiras quanto as motocicletas nas montanhas da Itália.”

Em seu lindo e meticuloso relato intitulado Carta da China – o Gigante Verde, já citado nos dois artigos anteriores deste blog, Evan Osnos descreve duas etapas das mudanças no transporte urbano do país que hoje é o maior produtor mundial de automóveis.  Na primeira, abandonaram-se as ciclovias para dar lugar aos carros; mas agora as ciclovias estão de volta.  As bicicletas elétricas tornaram-se símbolos de status, dinamismo, excelente forma de evitar a lentidão do tráfego nas horas de rush.

A Agência Ambiental da China subsidia as bicicletas elétricas e, mais recentemente, os subsídios estenderam-se a um modelo que é mais semelhante a uma scooter, sem a alternativa de serem pedaladas.

electric-bikes-2.jpg

Lá, também cresce rapidamente a produção de carros elétricos. 

E a turma aqui brincando de “Dia da Árvore” e de “inspeção veicular” do Oiapoque ao Chuí.

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A China encontra-se mergulhada em todos os tipos de novas tecnologias que possam reduzir o consumo de combustíveis fósseis.  De um lado, o governo não quer ficar dependente de um petróleo que pode estar em outro país ou num navio-tanque no meio do mar, e sabe que a exploração do petróleo encontrado em profundidades muito grandes (no Brasil confundido, intencionalmente, como pré-sal) pode ter custos demasiadamente elevados.  Do outro, as autoridades vêem na nova onda de energias renováveis e de eficiência energética uma fonte de profundas mudanças tecnológicas e um imenso potencial de novos negócios – incluindo geração de emprego e de renda.

Energias Limpas e Liderança Tecnológica – A China Dá o Seu Recado – II

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Em 2010, a China tornou-se o terceiro país do mundo em capacidade instalada de geração de energia eólica, com 20 GW.  Segundo o Conselho Mundial de Energia Eólica, com o atual ritmo de crescimento nessa área, já ao final de 2011 a China assumirá a liderança mundial nessa fonte de energia.  Os EUA temem, hoje, que turbinas eólicas chinesas invadam o seu mercado e os republicanos chegam a pedir o fim dos subsídios a essa fonte de energia.

A China, hoje o país que mais emite gases causadores de mudanças climáticas tem como meta atingir 15% de seu consumo de energia provenientes de fontes renováveis até 2020 (a meta européia é alcançar 20% naquele ano).  Mas a redução proposta pela China em suas emissões pode ser muito superior.  De fato, a China vê o assunto como uma oportunidade de avanços tecnológicos, de exportação de produtos e tecnologias, e de geração de emprego.

Hoje,  70% da eletricidade do país são provenientes da queima de carvão.  Assim, excetuada a alternativa da substituição dessas fonte de energia pela nuclear, resta a alternativa da rápida modernização das usinas térmicas e da incorporação de tecnologia de gaseificação do carvão, uma área em que o desenvolvimento tecnológico chinês já supera o norte-americano.  A eficiência média da conversão do carvão em energia nas unidades de geração térmicas mais antiquadas é de 25% ou menos, enquanto unidades mais modernas, que incorporam tecnologias avançadas, alcançam eficiência de até 55% na conversão do carvão, com uma redução proporcional das emissões de CO por unidade de eletricidade gerada, segundo a Agência Internacional de Energia.

Sistemas de gaseificação de carvão já existem há décadas, mas o seu preço era tão alto que a sua aplicação em larga escala os tornava inviáveis.  Os sistemas de gaseificação chineses já custam 1/3 dos seus equivalentes fabricados pela GE e pela Shell, e são mais eficientes.  E a China já está licenciando tais sistemas para empresas de geração térmica norte-americanas.  A gaseificação – um processo de queima com temperatura e pressão muito mais elevadas - aumenta em muito a eficiência energética e reduz significativamente a emissão de dióxido de carbono.

Esse e outros assuntos relacionados à liderança mundial no campo das energias renováveis foram motivo da visita de Obama a Pequim em novembro deste ano, depois de cinco visitas sucessivas à China feitas pelo subsecretário norte-americano de energia para políticas e assuntos internacionais – em apenas cinco meses.

Ao final desse encontro do G-2, Hu-Jintao, o presidente chinês, deixou claro que o seu país não pretende arcar com os altos custos da acelerada implantação de usinas térmicas mais modernas, equipadas com sistemas de gaseificação do carvão e ciclo-combinado, sem o auxílio financeiro dos países mais ricos enquanto a renda per capita chinesa for de apenas cerca de 1/7 da renda per capita nos EUA.  Ponto final.

Os grandes avanços tecnológicos da China têm uma origem algo prosaica.

“Em 3 de março de 1986, quatro dos mais importantes cientistas chineses – todos veteranos nas áreas de mísseis e do programa espacial – escreveram uma carta a Deng Xiaoping, então presidente da China.  A carta continha um alerta: décadas de concentração de esforços na área militar haviam debilitado o desenvolvimento científico civil do país.  A China deveria se unir ao xin jishu geming, a nova revolução tecnológica em andamento no mundo.  (…)  Deng Xiaoping concordou e rabiscou num canto da carta: ação deve ser iniciada nesse campo imediatamente.”

A partir daí, desencadeou-se uma política de envio massivo de chineses para fazer doutorado nas mais avançadas universidades do mundo.  A política de educação básica já estava consolidade e não havia tempo para esperar pelo avanço tecnológico interno convencional.  Aquele foi o ponto de partida, também, para uma política de massivos investimentos públicos em pesquisa e desenvolvimento.  Os investimentos públicos nessa área cresceram mais do que em qualquer outro país do mundo, a uma taxa média anual de 20%, atingindo 70 bilhões de dólares em 2008.

Feliz do país em que o presidente e a administração pública lêem.  E lêem cartas de cientistas com base nas quais tomam decisões com tal nível de repercussão sobre o futuro da nação.

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Este artigo foi escrito com base em notícia do Le Monde de hoje e numa publicação bem mais ampla do The New Yorker intitulada Carta da China – O Gigante Verde – O Acelerado Programa de Pequim para Energias Limpas.  O artigo foi enviado pelo leitor Jaime Francisconi e pode ser encontrado em  www.newyorker.com/online/blogs/evanosnos.

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Os rumos do G-2 são decisivos para o futuro climático e econômico da humanidade, já que o terceiro pilar, a União Européia, há muito optou por definir metas próprias.

No Brasil, a turma continua brincando de “Dia da Árvore” em escala nacional.

Copenhague – O Discurso de Obama e o Jornalismo de Cabresto com Grife

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Ao contrário da tendenciosa cobertura de O Globo, que superestimou o papel – até mesmo potencial – do Brasil na reunião de Copenhague e subestimou o discurso de Obama, este  último merece alguns comentários.

Antes de mais nada, Obama não é maluco falar em assinar acordos internacionais depois de aprovar um projeto de lei sobre emissões de carbono na Câmara e estar fazendo enormes esforços para driblar os lobbies do petróleo que ainda impedem a aprovação do projeto pelo Senado.

O discurso de Obama em Copenhague foi muito mais avançado do que os jornalistas mais tendenciosos – de grife – ou superficiais transmitiram para o público brasileiro.

Em primeiro lugar, há um imenso avanço na posição dos EUA com o reconhecimento de que as mudanças climáticas existem, são causadas pelo uso de combustíveis fósseis e colocam o mundo em risco.

O segundo ponto mais importante foi o reconhecimento da significativa parcela de responsabilidade dos EUA e o anúncio de que com ou sem acordos internacionais os EUA avançarão de maneira decisiva na área de energias renováveis e de eficiência energética.    Trata-se de uma questão de segurança energética do país e de assegurar a sua presença entre as lideranças tecnológicas internacionais, com a resultante criação de emprego e renda.

Em terceiro lugar, enfatizou metas de redução de emissões norte-americanas em 17% até 2020 e em mais de 80% até 2050, de acordo com a legislação que espera que o Congresso aprove em breve.  (O tendencioso jornalismo tupiniquim só ressaltou a meta inicial).

Prosseguindo, deixou claro que os EUA estão dispostos a dar acesso às informações sobre as suas emissões, e que essa deverá ser uma obrigação de todos que aderirem a um acordo sem que isso seja considerada uma intromissão nos negócios internos dos países. 

Aí é que se dá a divergência com as posições da China, da Índia e do Brasil, que até falam em metas mas se recusam a aceitar metas obrigatórias e mecanismos de monitoramento, como definiu o Protocolo de Quioto para os paises em desenvolvimento.  Obama demoliu, assim, com a farsa das economias emergentes que só aceitam “metas” não obrigatórias.

“Eu não sei como se pode ter um acordo internacional sem que se tenha um mecanismo confiável de monitoramento que assegure que todas as partes envolvidas estão cumprindo com os compromissos assumidos.

“Nós nos comprometemos a nos engajar num esforço global de mobilização de recursos financeiros que cresçam até US$ 100 bilhões por ano em 2020 SE, E APENAS se isso for parte de um acordo maior que envolva os mecanismos de monitoramento antes mencionados.

“Redução das emissões, transparência e financiamento constituem-se numa fórmula clara que envolve os princípios de responsabilidades comuns ainda que diferenciadas em função da capacidade de cada um.

“Há países em desenvolvimento que querem ajuda financeira sem compromissos com a transparência em relação às responsabilidades assumidas. E há países desenvolvidos que acham que os países em desenvolvimento não têm condições de absorver o apoio financeiro.

“Todos nós sabemos as falhas da linha de acordos internacionais em vigor e que só levaram a uma aceleração das mudanças climáticas.

“Nós podemos aceitar esses fundamentos de um acordo global, refinar e construir esse acordo ou voltar à mesma situação que fez com que não ocorressem avanços efetivos até o presente. 

“Os EUA fizeram a sua escolha, definiram a sua direção, assumiram os seus compromissos, nós faremos o que dizemos. Estamos prontos para fazer isso HOJE. Desde que as partes envolvidas  assumam as suas responsabilidades com os seus povos e com o futuro do planeta.”

O discurso completo de Obama – com o seu estilo tranquilo – pode ser visto em www.youtube.com/watch?v=yZ-SMqh7q3o

Ele tem razão.  O Protocolo de Kyoto foi um fracasso e repeti-lo seria muito ruim.  Agora, as coisas estão claras.  Os países que avançarem tecnologicamente e que formularem as melhores políticas públicas de adaptação as mudanças climáticas estarão muito melhor posicionados para enfrentá-las do que os demais.

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Só alguém totalmente desinformado chegou à Copenhague acreditando numa vaga possibilidade de acordo.  Venderam a Lula a bandeira errada, a imprensa fez drama para vender notícia, mas o fato é que não havia chances de acordo.

Desde que minutas das propostas de acordo vazaram para a imprensa inglesa semanas antes, estava claro que os burocratas da ONU, do Banco Mundial e todos os demais que foram aos encontros preparatórios estavam MUITO longe de algum consenso.  Sugere-se a leitura dos seguintes artigos aqui publicados sobre esse naufrágio antecipado.

www.luizprado.com.br/2009/09/29/mudancas-climaticas-minuta-de-novo-acordo-e-confusa-e-vaga-i

www.luizprado.com.br/2009/10/04/mudancas-climaticas-minuta-de-novo-acordo-e-confusa-e-vaga-ii

www.luizprado.com.br/2009/11/06/mudancas-climaticas-e-o-naufragio-antecipado-de-copenhaguem/

Copenhague – Razões do Fraco Desempenho do Brasil

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O Brasil teve um fraco desempenho em Copenhague como decorrência do excesso de ênfase dada à redução do desmatamento e à necessidade de recursos externos para atingir metas nessa área.

Essa miopia – ou mania – segundo a qual os pobres só são pobres porque os ricos são ricos não corresponde à realidade, servindo apenas para incentivar as tensões sociais e encobrir a inépcia do poder público para dar aos cidadãos aquilo que levou os países altamente industrializados e realmente “emergentes” à posição em que se encontram: serviços e políticas públicas de qualidade para as áreas de educação, habitação, saúde e saneamento.  E, na área de educação, também o amplo apoio à pesquisa e ao desenvolvimento científico.

De fato, a superação do problema das mudanças climáticas é vista pelos países desenvolvidos como um problema de aceleração do desenvolvimento científico e tecnológico.  A manutenção das florestas existentes é, para eles, importante como uma ponte para chegar ao estágio necessário para consolidar o desenvolvimento de fontes alternativas de energia que não entrem em competição com a produção de alimentos num mundo em que a população continua a crescer.  Eles estão apostando, também, na  aceleração da disseminação de medidas de eficiência energética.

Um bom exemplo disso pode ser encontrado nas apresentações feitas em Copenhague pela Agência Internacional de Energia – IEA, na sigla em inglês.  Para se ter uma idéia do que está sendo feito nos países mais avançados – e são muitas as iniciativas nas mais diversas áreas – vale citar a utilização de sistemas de captação de energias oceânicas. Para tanto, sugere-se ver um curto vídeo em www.iea-oceans.org (em inglês) e até fazer o download da versão completa do vídeo no link logo abaixo da tela do mesmo (há necessidade de “registro” que não leva mais do que um minuto, já que apenas o nome, o país, a organização e um endereço eletrônico são solicitados).

No vídeo maior, há exemplos das mais diversas formas de captação de energias oceânicas: marés, correntes, ondas, diferenciais de gradientes de salinidade e de temperatura.  Entre elas, uma que pode produzir, além de energia, água doce. Entre os desenvolvimentos mais fascinantes encontra-se a planta piloto recém inaugurada nas proximidades de Oslo, Noruega.  Para sair da mesmice dos serviços ambientais das florestas em pé – que não resolvem o problema da geração de energia – vale visitar a página da empresa que desenvolveu a tecnologia e está testando o protótipo em www.statkraft.com/energy-sources/osmotic-power.  

Outro exemplo notável é o da Coréia do Sul, que está finalizando a implantação de uma unidade de energia oceânica que a permitirá economizar um milhão de barris de petróleo por ano.  Não é muito? E daí?  Quem ganha mais?  Com isso, a Coréia ficará não apenas com os créditos de carbono, mas com a energia limpa e, sobretudo, com a tecnologia.

O curto documentário preparado pela Agência Internacional de Energia lista, ao final, 25 países que estão trabalhando no desenvolvimento de energias oceânicas.  Entre eles, o Brasil!  O documentário enfatiza, ao final, que a indústria precisa de vultosas quantias para colocar essas tecnologias de verdade no mercado, e não pode ficar dependente de recursos esporádicos.   

*** 

Ao final de outubro deste ano, o governo dos EUA concedeu incentivos de 3,4 bilhões de dólares para a instalação de medidores de eletricidade inteligentes.  Esses medidores, que transmitem informações em tempo real tanto para as concessionárias quanto para os consumidores, já se encontram em uso em boa parte da Europa e permitem importantes avanços na área da eficiência energética.

Incentivos fiscais estão sendo considerados para a instalação de “bombas de calor”.  Trata-se de bombear água de poucos metros de profundidade cuja temperatura é estável ao longo do ano todo e de maneira a reduzir drasticamente o uso de eletricidade com a refrigeração e o aquecimento das edificações.  Esse é um sistema que se difunde rapidamente em países europeus e já atende a 600.000 edificações nos EUA, onde o crescimento anual de seu uso tem sido da ordem de 10%.

A lista de novas tecnologias é tão diversificada que o mote das florestas em pé perde importância num encontro mundial desse tipo e parece bem pouco para um país que se pretende uma potência econômica emergente. 

Se vier dinheiro para florestas, ele será cuidadosamente monitorado, até para que chegue às mãos dos proprietários de áreas privadas onde existem florestas.  E isso parece difícil num país que não consegue sequer a regularização fundiária de seus parques e outras unidades de conservação.

Há importantes desenvolvimentos tecnológicos em curso no país que merecem mais apoio.  A transferência de tecnologia poderia e deveria ter sido mais enfatizada pelo Brasil em Copenhague.

Amazônia, Subsídios à Geração de Eletricidade e Imbecilidade "Ecológica"

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Em reportagem de Ramona Ordonez publicada nesta data em O Globo comenta que uma tunga adicional de 1,5% do valor das contas de eletricidade dos consumidores brasileiros de energia elétrica está para ocorrer a qualquer momento – além do que acontecerá com o bolsa-eletriricidade recentemente concedida pelo residente Lula a nuestros hermanitos paraguayos com a decisão de rever a favor deles o contrato da Itaipu Binacional.

A mágica se dará com a vigência da Medida Provisória 499, editada em 29 de junho de 2009, que prevê alterações filantrópicas nos valores da Conta de Consumo de Combustível – CCC que subsidia os chamados sistemas isolados em particular na região amazônica.  A MP está em jurisdiquês e em economês.  Já a exposição de motivos, assinada por Nelson Machado e Edison Lobão, e as rocambólicas justificativas podem ser encontrada em www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Exm/EMI-33-MME-MF-09-Mpv-466.htm.  Se alguém tiver dificuldades em chegar lá porque o Windows identifica o site como não seguro, é só clicar em prosseguir.  Não há riscos de uma tentativa de tunga adicional online.

Absurdamente – e intencionalmente - não há referências a valores na Exposição de Motivos e nem na Medida Provisória,  sequer estimativos  O alerta veio do presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e dos Consumidores Livres – ABRACE, que estimou o aumento das despesas com a CCC dos R$ 2,48 bilhões já aprovados para 2009 pela ANEEL para R$ 4,88 bilhões – quase o dobro do valor original – “se a MP entrasse em vigor nesta data”.  Eufemismo, já que ela entra em vigor na data de sua publicação, o que deverá ocorrer em poucos dias.

Os elevados subsídios para o transporte de combustível para os Sistemas isolados continuam a ser uma aberração do ambientalismo imbecil – afinal, os slogans do tipo eco estão mais na moda do que nunca -, já que tais sistemas poderiam ser abastecidos com B-100 (100% óleo vegetal) feito a partir do dendê e do babaçu, abundantes em toda a região.  A tecnologia para o uso do B-100 nos geradores diesel não envolve mais pesquisas, e a extração e filtragem do óleo pode ser feita em quantidades adequadas a cada sistema isolado.  A grana também seria melhor usada com a implantação de sistemas híbridos solar-biodiesel ou mesmo solar-eólico-biodiesel, gerando emprego e renda na própria região e utilizando tecnologia já desenvolvida pelo Instituto Militar de Engenharia – IME.

O que realmente não faz sentido é pagar a conta de caminhões que saem de São Paulo e viajam 2.000 quilômetros até a Amazônia, depois fazem o transbordo do óleo para um barco, que depois o coloca em outro caminhão, e ninguém audita nada.

Mas Lobão – afilhado político de Sarney – e Lula preferiram aumentar os subsídios para fazer mais da mesma coisa sob o argumento de que… blá-blá-blá… os mesmos de sempre.   Afinal, o que são meros R$ 4,88 bilhões ou valor aproximado para beneficiar um transporte de caminhão e outros valores nunca auditados?  De toda forma, eles serão extraídos furtivamente do bolso de quem paga a conta de luz sem os subsídios sociais que são uma espécie de bolsa-eletricidade.

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O falecido Gilberto Mestrinho lutou para que o gás de Urucu fosse liquefeito ou transportado por chatas em alta pressão, já que o principal meio de transporte da região é fluvial.  Assim, seria possível subsituir o combustível de TODOS os sistemas isolados por gás natural, e ainda utilizar esse combustível, mais limpo, no abastecimento de barcos e carros.  Mas, com essa alternativa, as empreiteiras “amigas dos amigos” não teriam a chance de fazer 600 quilômetros de dutos terrestres e 140 de dutos subaquáticos.   

Mudanças Climáticas, Energias Limpas, Eficiência Energética e Dinamismo Econômico

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O Legislativo francês acaba de aprovar um projeto de lei ambiental estabelecendo diretrizes para as seguintes áreas principais: (a) redução do consumo de energia nas edificações e urbanismo em geral, (b) transporte, priorizando o transporte de carga marítimo, fluvial e ferroviário, (c) energias renováveis, com prioridade para a pesquisa de biocombustíveis de segunda e terceira gerações. (d) pesquisa e desenvolvimento no campo do desenvolvimento sustentável, (d) meio ambiente e saúde (em particular saúde ocupacional, para agradar aos sindicatos), incluindo a estruturação de uma rede autônoma de medição de ondas eletromagnéticas, (e) redução da geração de resíduos, aumento das taxas de reciclagem e apoio à incineração para a geração de energia, e (f) estabelecimento de diretrizes para um “Estado exemplar”, no qual o Estado dá o bom exemplo (bem ao contrário do Brasil).

Bem ao estilo francês, a lei – com cerca de 30 páginas -  é bastante dissertativa, narrativa, não contempla muitas metas, delegando ao Executivo a obrigação de elaborar os principais projetos com a obrigação de reportar os resultados periodicamente.  O texto integral da lei, na versão original, pode ser encontrado em www.assemblee-nationale.fr/13/pdf/ta/ta0325.pdf, e merece ser traduzido pelos círculos acadêmicos de direito ambiental para conhecimento e debate.

Enquanto isso, nos EUA, já aprovado na Câmara e encaminhado ao Senado, avança um projeto de cujo título é Lei de Energias Limpas e Segurança.  Bem ao estilo norte-americano, o projeto tem nada menos que 600 páginas e inclui detalhamento de metas e procedimentos relacionados a (a) energias limpas, incluindo subtítulos relativos a padrões, captura de carbono, transporte limpo, redes inteligentes de transmissão e distribuição, e planejamento da transmissão, (b) eficiência energética, incluindo aperfeiçoamento dos códigos de construção, modernização de edificações, programas de eficiência no uso de energia para iluminação e equipamentos de todos os tipos, (c) eficiência energética na indústria e nas concessionárias, (d) padrões de emissões para fontes móveis (transporte), (e) redução de gases causadores do aquecimento global, e (f) programas de transição para a transição para uma economia de energias limpas, com ênfase na competitividade e na exportação das tecnologias norte-americanas.

O texto integral desse projeto de lei, na versão original, encontra-se em http://energycommerce.house.gov/Press_111/20090331/acesa_discussiondraft.pdf, e a simples leitura do índice dos temas tratados já permite uma boa visão de sua amplitude, assim como a escolha dos capítulos ou ítens de maior interesse.

Recomenda-se, com muito mais ênfase, a sua tradução e, neste caso, não apenas para debate nos meios acadêmicos, mas também e principalmente para que nossas autoridades tenham pelo menos uma vaga idéia do que é um projeto de lei e a elaboração de políticas sérias para as mudanças climáticas.  Quem sabe o Ministério de Minas e Energia, a ANEEL, a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, ou mesmo a Eletrobras, Itaipu, a Comissão de Energia  se interessam por algumas luzes sobre o tema em vez de fingir que isso é assunto só do ministério do Meio Ambiente.  Quem sabe até mesmo o ministro Edson Lobão dá as caras e começa a assumir responsabilidades pela formulação de uma política na área das mudanças climáticas, com novas fontes de energia e muito tecnologia orientada para a eficiência energética?

Afinal, com o atraso do pensamento político brasileiro sobre gestão ambiental, limitado ao desmatamento na Amazônia, o país é sério candidato a continuar como importador de novas tecnologias, com o inevitável aumento das remessas de lucros para o exterior decorrentes dos tão celebrados investimentos externos.

Energias Renováveis, Eficiência Energética e Alavancagem Tecnológica – As Boas Notícias da China

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A China anunciou, ontem, as linhas gerais de seus planos para realizar uma revolução no campo das energias renováveis: US$ 30 bilhões para projetos de baixa emissão de carbono, 20% de energias renováveis até 2020, com um amplo crescimento da geração eólica e solar.

A nova meta de geração de energia solar é de no mínimo 9 GW, três vezes superior à meta anterior.  A capacidade instalada de produção de energia solar na China é hoje de 120 MW e a expansão proposta multiplica esse número por 75 em uma década.

Para a geração de energias renováveis e programas de eficiência energética – inclusive nos sistemas de transmissão – será direcionado um percentual significativo de um pacote de US$ 590 bilhões em estímulos que  já resultaram num crescimento de 6% da economia do país no primeiro trimestre do ano, com a expectativa de um crescimento de 8% em 2009.

No ano em curso, a China substituirá 100 milhões de lâmpadas por outras de alta eficiência energética.  No campo do aquecimento solar, a China já é líder mundial, com 130 milhões de metros quadrados de painéis instalados, número que continua crescendo rapidamente, enquanto a meta norte-americana para 2020 é de 200 milhões de metros quadrados.

Assim, a China ameaça desbancar a Europa no que se refere à sua pretendida liderança na área de energias renováveis e os níveis de emissão de gases causadores das mudanças climáticas poderão ser reduzidas de maneira significativa, já que, juntos, a China e os EUA são responsáveis por 50% das emissões globais.

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Desnecessário comparar esses números com o desempenho brasileiro no campo das tecnologias de maior valor agregado tanto na área da geração quanto no que se refere à eficiência energética.  O Brasil sequer detem tecnologia própria de geração de energia solar e insiste no samba de uma nota só das florestas amazônicas,  que rende mais dividendos políticos por atingir mais facilmente o imaginário coletivo.

Novas Visões do Combate ao Aquecimento Global: Telhados Brancos

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Steven Chu, prêmio Nobel de Física e ex-diretor do Laboratório de Radiação da Universidade de Berkeley, designado ministro da Energia dos EUA por Barack Obama, declarou, ontem, numa conferência sobre mudanças climáticas em Londres, que pintar os telhados e pavimentos de branco (ou de cores claras) é uma iniciativa com imenso potencial para reduzir o consumo de energia e o aquecimento global.

Esas iniciativa serviria para refletir a radiação solar de volta ao espaço, com o efeito equivalente a retirar de circulação toda a frota de carros do mundo por 11 anos.

O Dr. Chu foi um dos 20 cientistas distinguidos com o Prêmio Nobel que participaram de um encontro sobre as mudanças climáticas organizado pela Universidade de Cambridge.  Ninguém imagina que essa “turma da pesada” está brincando com assunto tão sério!

De fato, a proposta está sendo tão veementemente defendida pela nova equipe de Barack Obama que o conselheiro-chefe para assuntos científicos do governo dos EUA recebeu, nos últimos dias, um memorando da comunidade científica norte-americana sobre o tema.

Os cientistas norte-americanos estimam que pintar os telhados de branco e o pavimento das ruas de cores mais leves contrabalançaria o aquecimento global com uma “força de radiação negativa” – reflexão da luz de volta ao espaço – equivalente à redução das emissões de 44 bilhões de toneladas de dióxido de carbono.

No mesmo memorando, os cientistas ressaltam que a medida reduziria de forma significativa o consumo de eletricidade por sistemas de ar-condicionado, bem como a formação de “ilhas de calor nas cidades”, oriundas do excesso de concentração de concreto nas áreas urbanas.

As estimativas da redução do aquecimento global tomaram por base a adoção da medida tanto em países de climas temperados quanto nas regiões tropicais.

Como os cientistas reunidos em Londres consideram que as mudanças climáticas em curso são uma ameaça à humanidade igual ou maior do que uma guerra nuclear, vale arregaçar as mangas e iniciar ações massivas para efetivar uma proposta de tão grande simplicidade.

Além disso, sempre é bom notar que exatamente por questões de eficiência energética, já foram desenvolvidas e se encontram no mercado tintas claras à base de materiais cerâmicos concebidas exatamente para reduzir o calor no interior dos prédios e, em consequência, o consumo de energia com o uso de sistemas de ar condicionado.

Essa proposta não exclui os imensos avanços que estão sendo considerados pela administração de Barack Obama na área de combate às mudanças climáticas e que muito provalmente levarão os EUA a liderarem uma nova revolução tecnológica.

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Essa é uma medida que já pode ser objeto de legislação federal, estadual e municipal, através da criaçao de estímulos tributários, além de uma exigência para a prometida construção de 1 milhão de casas populares de maneira a tornar o seu interior menos quente, em particular nas regiões norte e nordeste, alvos principais – ao menos em tese – desse programa.

O desenvolvimento de materiais de cor branca para os telhados não requer tanto conhecimento cientifico e está ao alcance da indústria brasileira, se forem dados estímulos adequados.   Além disso, uma pequena redução no IPTU, no ICMS e no IPI dessas tintas e materiais pode resultar em mais geração de emprego do que a mera concessão de uma linha de crédito de R$ 100 milhões para a aquisição de motocicletas fabricadas no Brasil por empresas estrangeiras.   Mas, em se tratando de Brasil, a pergunta é: será que iniciativas relacionadas a telhados brancos dão votos?

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A ANEEL e o Programa de Conservação de Energia – PROCEL e as concessionárias de energia também podem agir, inclusive direcionando recursos destinados à eficiência energética para esse objetivo.  Afinal, já é hora do Ministério de Minas e Energia assumir alguma responsabilidade pela formulação e pela implementação de políticas de combate às mudanças climáticas.

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A decisão de nomear Steven Chu para o cargo de Ministro da Energia dos EUA é uma demonstração de como funciona um governo sério: nada de indicações meramente políticas para um cargo dessa importância!

Mudanças Climáticas, Pegada Carbônica e Mais Blá-Blá-Blá

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Os países que pesam na balança das emissões de gases causadores de mudanças climáticas preparam-se para negociar um novo acordo.  A idéia de que cada país deve reduzir as suas emissões num determinado percentual independente de seu nível de desenvolvimento econômico e de sua população não encontra sustentação sequer no bom senso e só ‘’e aceitável para acordos entre os países mais ricos.  A alternativa seria um acordo baseado nos níveis de emissão per capita, mas aí quem não aceita a proposta são esses mesmos países altamente desenvolvidos.

A alternativa mais sensata, no entanto, ainda não foi seriamente considerada: a “pegada carbônica”.  O conceito surgiu nas viagens de Al Gore ou de bandas de rock, como forma de publicidade, referindo-se à quantidade de gases causadores de mudanças climáticas emitida durante a programação.  Depois, estendeu-se a alguns poucos produtos nas prateleiras mais sofisticadas de lojas do primeiríssimo mundo.  Se estendido aos produtos em geral e ao longo de seu ciclo de produção e consumo, a brincadeira muda completamente (na verdade, até hoje o conceito de pegada carbônica só vai até o momento da venda do produto e não envolve a sua disposição final).

A pegada carbônica é uma melhor plataforma para as negociações do ponto de vista brasileiro e, também, da equidade no estabelecimento de metas para a redução das emissões.  De nada adianta dizer que certos países ou estados – como a Califórnia – conseguiram reduzir o consumo de energia dentro de seus limites territoriais se não se toma em consideração o fato de que para tanto outros países tornaram-se fornecedores de materiais cuja produção requer energia intensiva, como é o caso do Brasil.

Nessa perspectiva, na conta de quem entra a pegada carbônica do aço e do alumínio consumido pelos noruegueses, por exemplo?  Na conta do fornecedor do aço e do alumínio – cuja produção demanda energia intensiva?  Não faz qualquer sentido!

Afinal, as sociedades da alta tecnologia têm muito mais condições de reduzir as suas emissões porque compram produtos de baixíssima tecnologia e alto conteudo energético e vendem produtos de altíssima tecnologia e baixo conteúdo energético.  Assim, falam na emissão de combustíveis nos carros mas não colocam na balança a pegada carbônica da produção desses mesmos carros.

E sequer consideram as muitas possibilidades de transferir tecnologia gratuitamente para países como o Brasil, em nome do tal bem comum da humanidade.  Eles gostam do blá-blá-blá sobre a Amazonia que afaga a consciência de seus eleitores mas não sequer consideram a possibilidade de transferir, por exemplo, a tecnologia do uso de energia geotérmica para aquecimento e refrigeração de edificações, já bastante comprovada e difundida em países como EUA e na Alemanha.

E as cartas continuam marcadas no tapetão das reuniões diplomáticas e de burocratas já confortavelmente bem sentados e bem remunerados do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, como da ONU em geral (com destaque para o Banco Mundial).

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Citou-se, aqui, a Noruega por ser um desses países totalmente cínicos que anuncia com grande estardalhaço que doou US$ 10 milhões para um tal fundo de conservação da Amazônia – decisão que dá votos e ganha espaço na mídia – ao mesmo tempo em que decide investir US$ 2,54 bilhões na renovação de sua frota de caças militares (o preço de cada caça escolhido, o F-35, é de US$ 53 milhões).

Transporte Fluvial e a Dinâmica Retrógrada do Setor Elétrico

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Durante um recente seminário sobre “A Nova Matriz Energética Brasileira”, o presidente da Empresa de Planejamento Energético – EPE, Maurício Tolmasquim, ao fazer duras críticas ao sistema de licenciamento ambiental e aos órgãos de meio ambiente mostrou que a usual truculência do setor elétrico em nada mudou.  Com a cara mais lavada, Tolmasquim que a ótica do sistema de licenciamento ambiental é “segmentada”.   Boa piada, quando se sabe que, com os usuais antolhos, o setor elétrico persiste na ótica de apropriar-se dos recursos hídricos sem pensar em seus usos múltiplos.

Falando a seguir, o ministro Carlos Minc rebateu às críticas com elegância: o setor elétrico é ineficiente.  De fato, a repotencialização e a automação das hidrelétricas mais antigas permitiria um aumento significativo da capacidade de geração de eletricidade por uma fração do custo de implantação de novas hidrelétricas.  Mas, aí, não há contratos com empreiteiras!

Além disso, o ministro Carlos Minc afirmou que os novos licenciamentos de hidrelétricas estarão condicionados à viabilização de eclusas e hidrovias, tradicionalmente desconsideradas pelo setor elétrico.  A conferir!  Nessa áreas, o ministro pouco poderá fazer diante da lerdeza do Ministério dos Transportes – que gosta mesmo é de rodovias, frequentemente investigadas pelo TCU por superfaturamento, e na moda das concessões à iniciativa privada, e da Agência Nacional de Águas – ANA, que mais parece um braço do setor elétrico.

O transporte fluvial, amplamente utilizado nos países sérios, tem custos significativamente inferiores e é ambientalmente muito mais saudável, aspectos que estão associados.  A comparação inevitável é simples: com um litro de combustível, considerado o transporte de uma tonelada, um caminhão percorre 25 km, um trem percorre 86 km, e um comboio fluvial percorre 219 km.  Um típico comboio de transporte fluvial, com 10.000 toneladas faz o serviço de 278 caminhões de 36 toneladas cada.  E isso sem considerar os custos públicos de implantação e de manutenção de estradas de rodagem.

Diante desses fatos, seria altamente recomendável que o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA saísse da mesmice e deliberasse no sentido de determinar o licenciamento das hidrelétricas implantadas no passado de forma a assegurar que fossem elaborados planos de usos múltiplos.

Afinal, as indústrias implantadas antes do sistema de licenciamento ambiental foram chamadas a fazer o seu licenciamento.  Então, por que não as hidrelétricas?  Num licenciamento desse tipo, seria obrigatória a construção de passagens para peixes (algo simples e de baixo custo), a utilização dos reservatórios para lazer e para piscicultura, a formulação de planos (com cronograma de implantação) para a efetiva recomposição das matas ciliares dos reservatórios e dos trechos mais sensíveis da bacia drenante à montante desses reservatórios de maneira a reduzir os processos erosivos e a aumentar a vida útil dos reservatórios.