Energia solar distribuída – Uma confusão intencional?

A confusão que vem sendo feita entre “taxar a energia solar” X cobrar pelo uso das redes de transmissão e distribuição é útil do ponto de vista da opinião pública, mas não é razoável sob a ótica das autoridades econômicas.  Os dois lados não falam a mesma linguagem.

Afinal, nem todas as formas de energia solar podem ser colocadas no mesmo balaio de gatos!  À noite, todos os gatos são pardos e há que sair da noite, segmentar o mercado.  Uma grande corporação ter 10 pequenas centrais solares de 5 MW distantes do local de consumo para auto-abastecimento não é a mesma coisa que 500 pequenos consumidores terem geração solar em seus locais de consumo.  Há que segmentar o mercado. expressão corriqueira na iniciativa privada.

Então, para este último público, talvez alguns esclarecimentos sejam úteis.  Isenções tributárias e outras formas de incentivo adotadas em todas as economias de mercado não são necessariamente ruins e danosos ao conjunto da economia.  Aliás, o surgimento das energias renováveis – solar, eólica, células de combustível / hidrogênio – deu-se no quadro de 100% de recursos públicos dos países avançados que hoje se beneficiam do conhecimento, da tecnologia, das patentes, e da segurança energética.

A questão aqui é outra, bem diversa.

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Energias renováveis sob ataque da ANEEL – Um jogo de cartas marcadas – I

A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL resolveu bombardear os usuários de energias renováveis na área de mini e da micro-geração distribuída sob variados pretextos.  Para alcançar objetivos pré-estabelecidos, os argumentos de varejo são mal explicados, mas certamente trata-se de uma defesa dos interesses das concessionárias que trabalham com o mercado cativo, monopolistas, que não se modernizam em nenhuma área, querem apenas manter suas margens de lucro segundo um modelo de negócios em fase de superação.   As, as distribuidoras já deveriam estar evoluindo para prestadoras de serviços segundo os interesses dos clientes e gerenciadoras de redes inteligentes.

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Perdas por evaporação nos na “transposição” do São Francisco X Energia solar flutuante

As perdas por evaporação nos canais e reservatórios do sistema de “transposição” do São Francisco estão estimadas em 30%.  Água bombeada que se vai no semi-árido nordestino.

Ao final do ano passado, estimavam-se os custos operacionais da transposição do rio São Francisco em R$ 800 milhões por ano, principalmente em eletricidade para o bombeamento.  No início de 2019, a Agência Nacional de Águas – ANA resolveu definir tarifas (subsidiadas?) para a adução e disponibilização da água que indicam custos de R$ 433 milhões para o trecho já concluído.  Em tese, esses custos serão distribuídos entre os estados atendidos, proporcionalmente à vazão de água entregue a cada um deles.  Considerando as expectativas de aumento nos preços da energia, a conta pode subir e cair no colo do Tesouro Nacional.

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Linhão Manaus – Boa Vista merece alguns estudos de engenharia e alternativas tecnológicas

O governo decidiu que a construção de um linha de transmissão Manaus – Boa Vista como de interesse nacional para fins de licenciamento ambiental.  A região recebe energia elétrica da Venezuela onde o regime politico auto-denominado “bolivariano” encontra-se em acelerada decomposição!  Ainda assim, a decisão tem características de quem faz mais do mesmo, e o problema não é principalmente ambiental, mas econômico.

Esse “linhão” é a melhor solução ou apenas aquele projeto que já estava nas prateleiras e atende aos interesses dos fabricantes de torres e linhas de transmissão, das empreiteiras que nunca foram nada chegadas aos avanços tecnológicos, ainda que simples como a transmissão por cabos subaquáticos usando a malha fluvial regional?

O conceito – já antiquado – do governo fornecer os projetos básicos para que as empreiteiras vencedoras só os detalhem já poderia ser substituído por um concurso em que se aceitam alternativas tecnológicas para que sejam atingidos os mesmos objetivos.

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Energia elétrica no Brasil – Necessidade de revisão e integração de políticas públicas

A geração, a transmissão e a distribuição de energia elétrica no Brasil é baseada em conceitos econômicos no mínimo opacos, se não ultrapassados, inconsistentes e irracionais.  Isso se deve, em grande parte, ao fato da ANEEL ser um escritório central de gestão dos interesses bastante retrógrados das concessionárias de todos os tipos.

Na geração solar e eólica não se considera, por exemplo, que o Brasil dispõe de um sistema já pago e em grande parte amortizado de estocagem de energia que são os reservatórios das hidrelétricas.

A transmissão a longa distância parece não estar contabilizada nos custos de geração de novas e mais distantes hidrelétricas.

E agora, as concessionárias começam a pressionar as autoridades pela redução dos incentivos à microgeração distribuída sem considerar o que essa abordagem pode reduzir em muito os custos de reforços de linhas de transmissão e de distribuição.

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