Em meados de 2009, cerca de 100 milhões de bicicletas elétricas já se encontravam em circulação na China, com vendas anuais equivalentes a 90% de todo o planeta. Na China, o preço médio dessas bicicletas gira em torno de US$ 300, ou menos de R$ 600. Os chineses esperam que essa “febre” logo se alastre por toda a Ásia. E podemos estar certos que bicicletas elétricas chinesas logo chegarão ao Brasil, importadas ou montadas aqui com componentes importados, mas por um preço muito mais elevado. Hoje, uma bicicleta elétrica custa, no Brasil, algo como R$ 2.800. Coisa de eco-chic.
Caminhando por uma rua de pequenas lojas nas proximidades do campus da Universidade de Tsinghua, um dos grandes centros de tecnologias limpas da China, encontram-se dezenas de modelos de e-bikes, como ficaram conhecidas as bicicletas elétricas que agora se tornaram uma febre entre os jovens chineses.
Há os mais diversos modelos – desde aquelas feitas em plástico para reduzir o peso até as mais sofisticadas -, tanto no que se refere aos materiais e ao design quanto às baterias.
“Eu optei por uma denominada Turtle King – uma simples cópia de uma Vespa italiana – com um motor de 500 W e uma bateria comum, idêntica às utilizadas nos automóveis. Ela tinha autonomia de 40 a 50 km e velocidade máxima de 40 km/hora, mas não custava mais do que US$ 500. (…) Pouco tempo depois, troquei-a por outra, com baterias litium-ion, que pesam menos e estocam mais energia, além de terem uma vida útil mais longa.
“Quando eu me encontrava na loja, conversei com dois jovens clientes, estudantes da Faculdade de Aeronáutica e Astronáutica da Universidade de Pequim.
“Vocês devem ter toneladas dessas bicicletas nos EUA – disse um, que usava uma camiseta com a figura de Che Guevara – já que vocês estão sempre falando em consciência ecológica. Expliquei que não, que os norte-americanos usam bicicletas para se exercitarem, não como meio de transporte. Nas proximidades de seu campus, em Pequim, as bicicletas elétricas são tão rotineiras quanto as motocicletas nas montanhas da Itália.”
Em seu lindo e meticuloso relato intitulado Carta da China – o Gigante Verde, já citado nos dois artigos anteriores deste blog, Evan Osnos descreve duas etapas das mudanças no transporte urbano do país que hoje é o maior produtor mundial de automóveis. Na primeira, abandonaram-se as ciclovias para dar lugar aos carros; mas agora as ciclovias estão de volta. As bicicletas elétricas tornaram-se símbolos de status, dinamismo, excelente forma de evitar a lentidão do tráfego nas horas de rush.
A Agência Ambiental da China subsidia as bicicletas elétricas e, mais recentemente, os subsídios estenderam-se a um modelo que é mais semelhante a uma scooter, sem a alternativa de serem pedaladas.
Lá, também cresce rapidamente a produção de carros elétricos.
E a turma aqui brincando de “Dia da Árvore” e de “inspeção veicular” do Oiapoque ao Chuí.
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A China encontra-se mergulhada em todos os tipos de novas tecnologias que possam reduzir o consumo de combustíveis fósseis. De um lado, o governo não quer ficar dependente de um petróleo que pode estar em outro país ou num navio-tanque no meio do mar, e sabe que a exploração do petróleo encontrado em profundidades muito grandes (no Brasil confundido, intencionalmente, como pré-sal) pode ter custos demasiadamente elevados. Do outro, as autoridades vêem na nova onda de energias renováveis e de eficiência energética uma fonte de profundas mudanças tecnológicas e um imenso potencial de novos negócios – incluindo geração de emprego e de renda.



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