Archive for the 'Eficiência Energética' Category

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Mudanças Climáticas, Energias Limpas, Eficiência Energética e Dinamismo Econômico

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O Legislativo francês acaba de aprovar um projeto de lei ambiental estabelecendo diretrizes para as seguintes áreas principais: (a) redução do consumo de energia nas edificações e urbanismo em geral, (b) transporte, priorizando o transporte de carga marítimo, fluvial e ferroviário, (c) energias renováveis, com prioridade para a pesquisa de biocombustíveis de segunda e terceira gerações. (d) pesquisa e desenvolvimento no campo do desenvolvimento sustentável, (d) meio ambiente e saúde (em particular saúde ocupacional, para agradar aos sindicatos), incluindo a estruturação de uma rede autônoma de medição de ondas eletromagnéticas, (e) redução da geração de resíduos, aumento das taxas de reciclagem e apoio à incineração para a geração de energia, e (f) estabelecimento de diretrizes para um “Estado exemplar”, no qual o Estado dá o bom exemplo (bem ao contrário do Brasil).

Bem ao estilo francês, a lei – com cerca de 30 páginas -  é bastante dissertativa, narrativa, não contempla muitas metas, delegando ao Executivo a obrigação de elaborar os principais projetos com a obrigação de reportar os resultados periodicamente.  O texto integral da lei, na versão original, pode ser encontrado em www.assemblee-nationale.fr/13/pdf/ta/ta0325.pdf, e merece ser traduzido pelos círculos acadêmicos de direito ambiental para conhecimento e debate.

Enquanto isso, nos EUA, já aprovado na Câmara e encaminhado ao Senado, avança um projeto de cujo título é Lei de Energias Limpas e Segurança.  Bem ao estilo norte-americano, o projeto tem nada menos que 600 páginas e inclui detalhamento de metas e procedimentos relacionados a (a) energias limpas, incluindo subtítulos relativos a padrões, captura de carbono, transporte limpo, redes inteligentes de transmissão e distribuição, e planejamento da transmissão, (b) eficiência energética, incluindo aperfeiçoamento dos códigos de construção, modernização de edificações, programas de eficiência no uso de energia para iluminação e equipamentos de todos os tipos, (c) eficiência energética na indústria e nas concessionárias, (d) padrões de emissões para fontes móveis (transporte), (e) redução de gases causadores do aquecimento global, e (f) programas de transição para a transição para uma economia de energias limpas, com ênfase na competitividade e na exportação das tecnologias norte-americanas.

O texto integral desse projeto de lei, na versão original, encontra-se em http://energycommerce.house.gov/Press_111/20090331/acesa_discussiondraft.pdf, e a simples leitura do índice dos temas tratados já permite uma boa visão de sua amplitude, assim como a escolha dos capítulos ou ítens de maior interesse.

Recomenda-se, com muito mais ênfase, a sua tradução e, neste caso, não apenas para debate nos meios acadêmicos, mas também e principalmente para que nossas autoridades tenham pelo menos uma vaga idéia do que é um projeto de lei e a elaboração de políticas sérias para as mudanças climáticas.  Quem sabe o Ministério de Minas e Energia, a ANEEL, a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, ou mesmo a Eletrobras, Itaipu, a Comissão de Energia  se interessam por algumas luzes sobre o tema em vez de fingir que isso é assunto só do ministério do Meio Ambiente.  Quem sabe até mesmo o ministro Edson Lobão dá as caras e começa a assumir responsabilidades pela formulação de uma política na área das mudanças climáticas, com novas fontes de energia e muito tecnologia orientada para a eficiência energética?

Afinal, com o atraso do pensamento político brasileiro sobre gestão ambiental, limitado ao desmatamento na Amazônia, o país é sério candidato a continuar como importador de novas tecnologias, com o inevitável aumento das remessas de lucros para o exterior decorrentes dos tão celebrados investimentos externos.

Energias Renováveis, Eficiência Energética e Alavancagem Tecnológica – As Boas Notícias da China

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A China anunciou, ontem, as linhas gerais de seus planos para realizar uma revolução no campo das energias renováveis: US$ 30 bilhões para projetos de baixa emissão de carbono, 20% de energias renováveis até 2020, com um amplo crescimento da geração eólica e solar.

A nova meta de geração de energia solar é de no mínimo 9 GW, três vezes superior à meta anterior.  A capacidade instalada de produção de energia solar na China é hoje de 120 MW e a expansão proposta multiplica esse número por 75 em uma década.

Para a geração de energias renováveis e programas de eficiência energética – inclusive nos sistemas de transmissão – será direcionado um percentual significativo de um pacote de US$ 590 bilhões em estímulos que  já resultaram num crescimento de 6% da economia do país no primeiro trimestre do ano, com a expectativa de um crescimento de 8% em 2009.

No ano em curso, a China substituirá 100 milhões de lâmpadas por outras de alta eficiência energética.  No campo do aquecimento solar, a China já é líder mundial, com 130 milhões de metros quadrados de painéis instalados, número que continua crescendo rapidamente, enquanto a meta norte-americana para 2020 é de 200 milhões de metros quadrados.

Assim, a China ameaça desbancar a Europa no que se refere à sua pretendida liderança na área de energias renováveis e os níveis de emissão de gases causadores das mudanças climáticas poderão ser reduzidas de maneira significativa, já que, juntos, a China e os EUA são responsáveis por 50% das emissões globais.

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Desnecessário comparar esses números com o desempenho brasileiro no campo das tecnologias de maior valor agregado tanto na área da geração quanto no que se refere à eficiência energética.  O Brasil sequer detem tecnologia própria de geração de energia solar e insiste no samba de uma nota só das florestas amazônicas,  que rende mais dividendos políticos por atingir mais facilmente o imaginário coletivo.

Novas Visões do Combate ao Aquecimento Global: Telhados Brancos

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Steven Chu, prêmio Nobel de Física e ex-diretor do Laboratório de Radiação da Universidade de Berkeley, designado ministro da Energia dos EUA por Barack Obama, declarou, ontem, numa conferência sobre mudanças climáticas em Londres, que pintar os telhados e pavimentos de branco (ou de cores claras) é uma iniciativa com imenso potencial para reduzir o consumo de energia e o aquecimento global.

Esas iniciativa serviria para refletir a radiação solar de volta ao espaço, com o efeito equivalente a retirar de circulação toda a frota de carros do mundo por 11 anos.

O Dr. Chu foi um dos 20 cientistas distinguidos com o Prêmio Nobel que participaram de um encontro sobre as mudanças climáticas organizado pela Universidade de Cambridge.  Ninguém imagina que essa “turma da pesada” está brincando com assunto tão sério!

De fato, a proposta está sendo tão veementemente defendida pela nova equipe de Barack Obama que o conselheiro-chefe para assuntos científicos do governo dos EUA recebeu, nos últimos dias, um memorando da comunidade científica norte-americana sobre o tema.

Os cientistas norte-americanos estimam que pintar os telhados de branco e o pavimento das ruas de cores mais leves contrabalançaria o aquecimento global com uma “força de radiação negativa” – reflexão da luz de volta ao espaço – equivalente à redução das emissões de 44 bilhões de toneladas de dióxido de carbono.

No mesmo memorando, os cientistas ressaltam que a medida reduziria de forma significativa o consumo de eletricidade por sistemas de ar-condicionado, bem como a formação de “ilhas de calor nas cidades”, oriundas do excesso de concentração de concreto nas áreas urbanas.

As estimativas da redução do aquecimento global tomaram por base a adoção da medida tanto em países de climas temperados quanto nas regiões tropicais.

Como os cientistas reunidos em Londres consideram que as mudanças climáticas em curso são uma ameaça à humanidade igual ou maior do que uma guerra nuclear, vale arregaçar as mangas e iniciar ações massivas para efetivar uma proposta de tão grande simplicidade.

Além disso, sempre é bom notar que exatamente por questões de eficiência energética, já foram desenvolvidas e se encontram no mercado tintas claras à base de materiais cerâmicos concebidas exatamente para reduzir o calor no interior dos prédios e, em consequência, o consumo de energia com o uso de sistemas de ar condicionado.

Essa proposta não exclui os imensos avanços que estão sendo considerados pela administração de Barack Obama na área de combate às mudanças climáticas e que muito provalmente levarão os EUA a liderarem uma nova revolução tecnológica.

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Essa é uma medida que já pode ser objeto de legislação federal, estadual e municipal, através da criaçao de estímulos tributários, além de uma exigência para a prometida construção de 1 milhão de casas populares de maneira a tornar o seu interior menos quente, em particular nas regiões norte e nordeste, alvos principais – ao menos em tese – desse programa.

O desenvolvimento de materiais de cor branca para os telhados não requer tanto conhecimento cientifico e está ao alcance da indústria brasileira, se forem dados estímulos adequados.   Além disso, uma pequena redução no IPTU, no ICMS e no IPI dessas tintas e materiais pode resultar em mais geração de emprego do que a mera concessão de uma linha de crédito de R$ 100 milhões para a aquisição de motocicletas fabricadas no Brasil por empresas estrangeiras.   Mas, em se tratando de Brasil, a pergunta é: será que iniciativas relacionadas a telhados brancos dão votos?

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A ANEEL e o Programa de Conservação de Energia – PROCEL e as concessionárias de energia também podem agir, inclusive direcionando recursos destinados à eficiência energética para esse objetivo.  Afinal, já é hora do Ministério de Minas e Energia assumir alguma responsabilidade pela formulação e pela implementação de políticas de combate às mudanças climáticas.

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A decisão de nomear Steven Chu para o cargo de Ministro da Energia dos EUA é uma demonstração de como funciona um governo sério: nada de indicações meramente políticas para um cargo dessa importância!

Mudanças Climáticas, Pegada Carbônica e Mais Blá-Blá-Blá

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Os países que pesam na balança das emissões de gases causadores de mudanças climáticas preparam-se para negociar um novo acordo.  A idéia de que cada país deve reduzir as suas emissões num determinado percentual independente de seu nível de desenvolvimento econômico e de sua população não encontra sustentação sequer no bom senso e só ‘’e aceitável para acordos entre os países mais ricos.  A alternativa seria um acordo baseado nos níveis de emissão per capita, mas aí quem não aceita a proposta são esses mesmos países altamente desenvolvidos.

A alternativa mais sensata, no entanto, ainda não foi seriamente considerada: a “pegada carbônica”.  O conceito surgiu nas viagens de Al Gore ou de bandas de rock, como forma de publicidade, referindo-se à quantidade de gases causadores de mudanças climáticas emitida durante a programação.  Depois, estendeu-se a alguns poucos produtos nas prateleiras mais sofisticadas de lojas do primeiríssimo mundo.  Se estendido aos produtos em geral e ao longo de seu ciclo de produção e consumo, a brincadeira muda completamente (na verdade, até hoje o conceito de pegada carbônica só vai até o momento da venda do produto e não envolve a sua disposição final).

A pegada carbônica é uma melhor plataforma para as negociações do ponto de vista brasileiro e, também, da equidade no estabelecimento de metas para a redução das emissões.  De nada adianta dizer que certos países ou estados – como a Califórnia – conseguiram reduzir o consumo de energia dentro de seus limites territoriais se não se toma em consideração o fato de que para tanto outros países tornaram-se fornecedores de materiais cuja produção requer energia intensiva, como é o caso do Brasil.

Nessa perspectiva, na conta de quem entra a pegada carbônica do aço e do alumínio consumido pelos noruegueses, por exemplo?  Na conta do fornecedor do aço e do alumínio – cuja produção demanda energia intensiva?  Não faz qualquer sentido!

Afinal, as sociedades da alta tecnologia têm muito mais condições de reduzir as suas emissões porque compram produtos de baixíssima tecnologia e alto conteudo energético e vendem produtos de altíssima tecnologia e baixo conteúdo energético.  Assim, falam na emissão de combustíveis nos carros mas não colocam na balança a pegada carbônica da produção desses mesmos carros.

E sequer consideram as muitas possibilidades de transferir tecnologia gratuitamente para países como o Brasil, em nome do tal bem comum da humanidade.  Eles gostam do blá-blá-blá sobre a Amazonia que afaga a consciência de seus eleitores mas não sequer consideram a possibilidade de transferir, por exemplo, a tecnologia do uso de energia geotérmica para aquecimento e refrigeração de edificações, já bastante comprovada e difundida em países como EUA e na Alemanha.

E as cartas continuam marcadas no tapetão das reuniões diplomáticas e de burocratas já confortavelmente bem sentados e bem remunerados do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, como da ONU em geral (com destaque para o Banco Mundial).

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Citou-se, aqui, a Noruega por ser um desses países totalmente cínicos que anuncia com grande estardalhaço que doou US$ 10 milhões para um tal fundo de conservação da Amazônia – decisão que dá votos e ganha espaço na mídia – ao mesmo tempo em que decide investir US$ 2,54 bilhões na renovação de sua frota de caças militares (o preço de cada caça escolhido, o F-35, é de US$ 53 milhões).

Transporte Fluvial e a Dinâmica Retrógrada do Setor Elétrico

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Durante um recente seminário sobre “A Nova Matriz Energética Brasileira”, o presidente da Empresa de Planejamento Energético – EPE, Maurício Tolmasquim, ao fazer duras críticas ao sistema de licenciamento ambiental e aos órgãos de meio ambiente mostrou que a usual truculência do setor elétrico em nada mudou.  Com a cara mais lavada, Tolmasquim que a ótica do sistema de licenciamento ambiental é “segmentada”.   Boa piada, quando se sabe que, com os usuais antolhos, o setor elétrico persiste na ótica de apropriar-se dos recursos hídricos sem pensar em seus usos múltiplos.

Falando a seguir, o ministro Carlos Minc rebateu às críticas com elegância: o setor elétrico é ineficiente.  De fato, a repotencialização e a automação das hidrelétricas mais antigas permitiria um aumento significativo da capacidade de geração de eletricidade por uma fração do custo de implantação de novas hidrelétricas.  Mas, aí, não há contratos com empreiteiras!

Além disso, o ministro Carlos Minc afirmou que os novos licenciamentos de hidrelétricas estarão condicionados à viabilização de eclusas e hidrovias, tradicionalmente desconsideradas pelo setor elétrico.  A conferir!  Nessa áreas, o ministro pouco poderá fazer diante da lerdeza do Ministério dos Transportes – que gosta mesmo é de rodovias, frequentemente investigadas pelo TCU por superfaturamento, e na moda das concessões à iniciativa privada, e da Agência Nacional de Águas – ANA, que mais parece um braço do setor elétrico.

O transporte fluvial, amplamente utilizado nos países sérios, tem custos significativamente inferiores e é ambientalmente muito mais saudável, aspectos que estão associados.  A comparação inevitável é simples: com um litro de combustível, considerado o transporte de uma tonelada, um caminhão percorre 25 km, um trem percorre 86 km, e um comboio fluvial percorre 219 km.  Um típico comboio de transporte fluvial, com 10.000 toneladas faz o serviço de 278 caminhões de 36 toneladas cada.  E isso sem considerar os custos públicos de implantação e de manutenção de estradas de rodagem.

Diante desses fatos, seria altamente recomendável que o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA saísse da mesmice e deliberasse no sentido de determinar o licenciamento das hidrelétricas implantadas no passado de forma a assegurar que fossem elaborados planos de usos múltiplos.

Afinal, as indústrias implantadas antes do sistema de licenciamento ambiental foram chamadas a fazer o seu licenciamento.  Então, por que não as hidrelétricas?  Num licenciamento desse tipo, seria obrigatória a construção de passagens para peixes (algo simples e de baixo custo), a utilização dos reservatórios para lazer e para piscicultura, a formulação de planos (com cronograma de implantação) para a efetiva recomposição das matas ciliares dos reservatórios e dos trechos mais sensíveis da bacia drenante à montante desses reservatórios de maneira a reduzir os processos erosivos e a aumentar a vida útil dos reservatórios.

Petrobras – Irresponsabilidade Socioambiental e Termos de Ajuste de Conduta – TAC

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O ministro Carlos Minc não tem por que se sentir constrangido com a total irresponsabilidade ambiental da Petrobras, que não se preparou para cumprir metas estabelecidas em 2002 para a redução do teor de enxofre no diesel.  E tampouco tem que se justificar perante as ONGs ambientalistas e a sociedade em geral, incluindo os órgãos estaduais de meio ambiente.  Nem a administração passada do Ministério do Meio Ambiente fez o dever de casa exigindo a apresentação de um cronograma de iniciativas a serem tomadas para o atendimento dessas metas, nem os governos estaduais e as ONGs foram capazes de organizar-se e fazer, se necessário, o mesmo tipo de exigência através do MP federal ou diretamente pela via da ação civil pública perante o Judiciário.

Agora, fala-se em multas e termos de ajuste de conduta (TAC).  As multas nunca são pagas, nem pela própria Petrobras, que vai às últimas consequências em seus recursos ao lentíssimo Judiciário brasileiro.  Já os termos de ajuste de conduta tornaram-se um caminho legal para a violação da lei, bem como dos mais elementares princípios éticos.  O sujeito já faz a coisa errada sabendo que mais adiante poderá assinar um TAC e adiar o cumprimento de suas obrigações mediante a doação de uns trocados para algum programa de interesse eleitoral ou de monitoramento da qualidade de vida de cobras e lagartos.

A verdadeira compensação que a Petrobras deve pagar à Nação é muito simples: subsidiar a introdução de ônibus híbridos, que já são fabricados no Brasil, até o nível de preço de um ônibus comum de maneira a reduzir as emissões totais de enxofre com metas claramente definidas.  Aliás, a introdução desse tipo de veículo nas regiões metropolitanas onde a poluição atmosférica é mais grave só ainda não ocorreu em decorrência da debilidade das políticas públicas estaduais, que já poderia ter tomada iniciativas para viabilizar a introdução de ônibus híbridos em suas regiões metropolitanas há muito tempo.

Um acordo que leve em consideração essa alternativa (ainda que não se limite a ela), possibilita a redução significativa das emissões de enxofre e alavanca a introdução de veículos elétricos ou híbridos de transporte de massa no mercado brasileiro, propiciando uma vitória bem maior do que a mera redução do teor de enxofre do óleo diesel.

Tomada essa diretriz, logo outros fabricantes de ônibus colocarão no mercado os veículos híbridos, com uma queda geral de preços.  Como a taxa de renovação da frota nas capitais e regiões metropolitanas é da ordem de 20% ao ano, ao final de 3 anos seria possível atingir 60% de ônibus híbridos nessas áreas onde a poluição atmosférica é efetivamente um problema, e um problema que não se limita às emissões de enxofre.

Afinal, esses ônibus já são fabricados no Brasil e exportados para países como o Chile e o México – que têm problemas gravíssimoas de poluição atmosférica em Santiago e na Cidade do México.  A fabricação de ônibus híbridos avança em todos os países sérios, e para demonstrar as suas vantagens muitos desses veículos foram usados na China durante as Olimpíadas, exatamente em decorrência da necessidade de reduzir a poluição atmosférica (www.cummins.com.br/cla/imprensa_noticias.asp?NoticiaID=213).

Mas esses veículos não são utilizados no Brasil por omissão dos órgãos estaduais de meio ambiente, que poderiam exigir a sua adoção progressiva nas áreas de maior poluição, reduzindo, assim, não apenas as emissões de enxofre, mas todas as outras.  E a área tributária não pode continuar fingindo que a saúde pública e a inovação tecnológica não são assuntos de sua competência e pode dar isenções de IPI e de ICMS por prazo definido para esses novos veículos.

Soluções complementares, como a adoção de ônibus capazes de aceitar o B-20 – já disponíveis no Brasil -, com o consequente fornecimento dessa mistura, podem contribuir de maneira decisiva para o avanço tecnológico, para a redução das emissões de enxofre nas bacias aéreas das regiões metropolitanas e das grandes cidades, e para que se alcance, simultaneamente, uma solução mais econômica para a própria Petrobras, sem perder de vista o estabelecimento do novo prazo para a diminuição no teor de enxofre de todo o diesel vendido no Brasil.

Com esse tipo de abordagem, o Brasil não estaria sendo pioneiro em nada, mas apenas fazendo uso do da experiência internacional.  Quando a Califórnia percebeu que só poderia alcançar as metas de qualidade do ar das grandes cidades através do estabelecimento de padrões de emissão então inatingíveis, fez o mesmo tipo de exigência às montadoras de veículos.  A indústria norte-americana, conservadora e crente em seu poder de lobby, reagiu afirmando que as tecnologias para a redução drástica das emissões não existia e, portanto, as exigências não poderiam ser cumpridas.  E cruzou os braços, exatamente como fizeram a Petrobras e as montadoras brasileiras diante das novas normas para o teor de enxofre do diesel.

Essa tola reação das montadoras norte-americana de veículos abriu as portas para o debate sobre uma alternativa simples: só poderiam vender veículos na Califórnia os fabricantes que comprovassem parcerias com a então nascente indústria de veículos elétricos ou híbridos, de maneira a que fosse alcançada uma meta de redução global das emissões de veículos auto-motores.  Ou seja, estabelecia-se a possibilidade compensações entre os fabricantes dos diferentes tipos de veículos, de maneira a reduzir os preços dos veículos híbridos (sempre mantidos os padrões de emissão federais para os veículos). 

Para tanto, foi necessário apenas deixar de trabalhar com padrões individuais de emissões – sem abandoná-los – e passar a trabalhar com padrões de carga ou de emissões totais (combinação imprescindível para a recuperação da qualidade ambiental de qualquer corpo receptor).

Enquanto o debate se arrastava, os japoneses avançaram rapidamente no desenvolvimento de veículos elétricos e híbridos e simplesmente engoliram esse novo mercado.

Essa abordagem, sim, permite um tipo de TAC aceitável para a sociedade e para a qualidade do ar das grandes cidades.   Qualquer outro tipo de TAC será mera aceitação do descaso da Petrobras com as normas ambientais em troca de bobagens como alguma contribuição para a simples regulagem dos motores dos ônibus e caminhões.  O único objetivo aceitável do TAC é punir a Petrobras ao mesmo tempo em que coloca no horizonte de curto prazo uma alternativa que efetivamente melhore a qualidade do ar das regiões metropolitanas.

Seja qual for o conteúdo do TAC, não há por que excluir o devido processo criminal contra os diretores da Petrobras responsáveis pelo descaso com a norma ambiental desde a sua  promulgação até a data em que ela deveria entrar em vigor.  Estudos realizados pela União Européia em doze cidades correlacionaram, em muitas delas, um aumento de 50 micra de dióxido de enxofre por metro cúbico de ar com um aumento de 3% o índice diário  de mortalidade (relação direta de causa e efeito).   O mesmo estudo demonstrou que um aumento equivalente nas emissões de fumaça negra (PM-10) result num aumento adicional de 2% na mortalidade diária.  A referência bibliográfica pode ser encontrada em www.bmj.com/cgi/content/abstract/314/7095/1658.

Afinal, se esse tipo de descumprimento de uma norma ambiental tão importante fosse feito por um cidadão comum ou por um produtor rural no Tocantins, o processo criminal seria inevitável.

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O tema dos ônibus híbridos e elétricos já foi objeto de artigo neste blog e de comentário na coluna semanal de meio ambiente que o seu autor faz às terças-feiras no programa de Ricardo Boechat, na Band News FM Rio, há cerca de um ano.

A crise pode, então, ser trasnformada em oportunidade, como ocorre nos ideogramas da escrita chinesa.
 

Tecnologia da Energia e Tecnologia da Informação – Revoluções Semelhantes?

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Acaba de ser publicado um interessante livro sobre meio ambiente.  No Brasil intitulado O Mundo é Plano, o livro tem um título bem mais longo em sua versão original, em inglês: Quente, Plano e Populoso – Por Que Necessitamos de Uma Revolução Verde e Como Ela Pode Renovar a América.  O autor, Thomas Friedman, é jornalista, colunista do New York Times, e já agraciado com um Prêmio Pulitzer.

O livro ironiza aqueles que acreditam na continuidade de uma civilização do petróleo, como George W. Bush, que aposta na exploração desse combustível fóssil em águas ultra-profundas (utra-deep drilling) – como é o caso do que aqui se convencionou chamar de pré-sal.

Numa entrevista recente para a renomada revista Foreign Policy, Thomas Friedaman afirmou que essa visão é apenas non-sense.

“Ninguém acredita sinceramente que nas profundezas dos oceanos exista petróleo para assegurar a autonomia dos EUA.  Essa é uma abordagem errada porque, num mundo que se tornou quente, plano e super-populoso, os combustíveis fósseis – e em particular o petróleo – vão ser demasiadamente caros e finitos.  Então, o nosso foco  deve ser na próxima grande indústria global: energias renováveis e limpas.  Quando o McCain diz `perfurem, perfurem, perfurem`, eu vejo algo similar a alguém que defendesse as máquinas de escrever elétricas da IBM às vésperas da revolução da tecnologia da informação.

Para o autor, a próxima revolução tecnológica será uma revolução de elétrons.  Os países que liderarem essa revolução serão aqueles nos quais os padrões de vida serão os mais elevados, que serão mais respeitados pelo “resto do mundo” (ah, a usual arrogância norte-americana), e nos quais a inovação vai se acelerar e a segurança nacional aumentará.

“Eu quero gente colocando dólares malucos em idéias malucas, em cada garagem, 100.000 pessoas tentando 100.000 coisas diferentes, cinco das quais serão bem sucedidas, e duas poderão ser o próximo Google verde.  Só assim, com cada um sendo um cientista inovador verde, é que a tecnologia da energia – TE – será para o século XXI o que a tecnologia da informação – TI – foi para as décadas de 80 e 90 do século XX.”

Thomas Friedman fala na necessidade de escala para a revolução da tecnologia da energia e ironiza os ambientalistas que acreditam na conscientização de todos: “se você tiver que educar as pessoas a fazerem 20 coisas verdes a cada dia, esqueça a possibilidade de qualquer mudança significativa; é necessário ter um novo sistema em funcionamento sem que as pessoas sequer percebam, como ocorreu com a tecnologia da informação”.

Thomas Friedman talvez sintetize o que serão as mudanças feitas por Obama caso seja eleito presidente dos EUA.  Algo similar ao que fez Bill Clinton, que dinamizou a economia e revolucionou o mundo ao retirar a internet e o GPS da lista de tecnologias restritas aos usos militares.

É bem verdade que hoje as coisas são bastante mais complexas, já que as previsões de aumento da demanda de matérias-primas sugerem um colapso da civilização do consumo.  Ainda assim, Friedman aporta um bom discurso eleitoral para Obama e de esperança para a maioria dos norte-americanos, hoje muito preocupados com os preços do petróleo.

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Numa situação dessas, as ONGs ambientalistas que já foram inovadoras, como os Greenpeace da vida e tantas outras sem a mesma fama, podem ser vistas, hoje, como tão anacrônicas quanto os combustíveis fósseis.  Elas têm tantos compromissos com o próprio passado que não lhes sobra tempo para ver o presente e o futuro.  É o conservacionismo conservador, já mais que ultrapassado.  Recentemente, o Greenpeace apelou para a produção e divulgação de um “Manual do Sexo Ecológico”, recomendando aos casais que verifiquem antes se a madeira das camas tem origem certificada.  Coisa de hippie velho.

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A maior parte do petróleo do pré-sal brasileiro está a profundidades acima de 7.000 metros.  Sondagens já são feitas até mesmo na China e na Rússia a profundidades de até 12.000 metros.  Mas a tecnologia para a efetiva exploração do petróleo e do gás em reservas ultra-profundas nunca superou a marca dos 3.500 metros.

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A entrevista de Thomas Friedman, em inglês, pode ser lida em www.foreignpolicy.com/story/cms.php?story_id=4463.

Amazônia – Reserva Legal e Pequenos Produtores

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É positiva a decisão de concordar com o plantio de “espécies exóticas” na Amazônia, reduzindo na prática o percentual da reserva legal de 80% para 50%.  Afinal, esse percentual foi elevado de 50% para 80% por Medida Provisória – isto é, do dia para a noite – por FHC e sua turma mais para agradar à imprensa internacional do que para encontrar uma solução sensata para o desmatamento na Amazônia. 

Entre outras coisas, essa decisão pode resultar numa imensa economia do diesel cujo transporte para a região é subsidiado através da Conta de Consumo de Combustíveis – CCC.  O montante desses subsídios deverá atingir R$ 3,5 bilhões em 2008.  O óleo de dendê, cujo plantio de já amplamente difundido no Pará, pode substituir o diesel no parque gerador de centenas de cidades e vilarejos não conectados à rede de distribuição de energia elétrica, com benefícios significativos para a região e para todo o Brasil.

O mesmo ocorre com o babaçu, originário da Amazônia.  Na Amazônia Oriental, há extensos babaçuais hoje sem qualquer aproveitamento ou benefício para a população local.  Com um mínimo de boa vontade, os ambientalistas poderiam estar mais atentos a essa oportunidade de substituição de combustível fóssil por fontes renováveis de energia.  E ainda com a realocação desses recursos financeiros para atividades mais benéficas para a população local.

Essa produção de óleo (biodiesel) pode ser feita de forma descentralizada, com unidades modulares de esmagamento e produção de óleo por produtores de todos os portes.  A tecnologia nacional nessa área já se encontra desenvolvida.  E os grupos geradores podem operar com B-100, se houver boa vontade da ANP e do MME para enfrentar o lobby da CCC.

Com um pouco de esforço na formação de cooperativas, associações de produtores e outras formas de organização social que propiciem uma melhor participação na geração de renda para as populações mais pobres que vivem do extrativismo, além das usuais culturas de subsistência, como a mandioca, o feijão e até o milho, entre outras. Iniciativas que ainda merecem a atenção do governo nesse momento de transição incluem a concessão de títulos de propriedade para os pequenos produtores da região, que não têm acesso às mesmas facilidades que os grandes para processar papéis e percorrer os corredores da burocracia.

Essa iniciativa, com o uso de GPS e uma injeção de recursos na advocacia pública não é – ou não deveria – ser difícil, mas o jogo de poder na região sem dúvida a dificulta muito. Da mesma forma, é preciso pensar no fato de que os pequenos produtores não têm como elaborar planos de manejo para as áreas de onde tiram o seu sustento.  Para que o façam, é fundamental um grande reforço nos serviços de extensão rural, que deixam muito a desejar, quando não são simplesmente inexistentes.

A possibilidade de que os pequenos vendam as suas terras se regularizada a situação fundiária é alta devido à atração que as grandes cidades exercem numa sociedade de consumo e à influência da televisão.  Essa tendência pode ser retardada ou contrabalançada pelo acesso a serviços básicos de saúde e educação, que ainda são escassos quando consideradas os núcleos populacionais menores e mais dispersos.

É hora de investir maciçamente na formação dos pequenos produtores para que deixem de ser apenas “mão de obra” e passem a ter mais acesso à tecnologia e às formas de organização da produção que aumentem a sua geração de renda e auto-estima.

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Usar a expressão “introdução de espécies exóticas” para falar da nova realidade pode não ser adequado para a percepção que os brasileiros têm da mudança nas regras do jogo.  O dendê e o coco também são espécies exóticas.  A questão é saber se devem ser consideradas como estranhas à vida da população da Amazônia, num momento em que o mero extrativismo já se revelou, na prática, insuficiente ou mesmo inviável como alternativa econômica para o conjunto dos pequenos produtores da região.

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As reservas legais em propriedades rurais não encontram paralelos em outros países, e isso talvez seja suficiente para uma reflexão sobre o tema.

Mudanças Climáticas – Mudanças na Agenda Internacional

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Os países ricos estão investindo maciçamente em veículos híbridos – parcialmente movidos a eletricidade – como forma de se protegere, do fim da era do petróleo e sob a alegação de que assim contribuem para a redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas.  O desenvolvimento dessas tecnologias é em grande parte subsidiado pelos governos.  Se um dia os países pobres quiserem produzir veículos com essas tecnologias, os royalties pela tal da propriedade intelectual serão altos.  As montadoras brasileiras, todas estrangeiras, remeterão para os países ricos não apenas os lucros, mas também esse dízimo incessante nunca auditado pela Receita Federal.

Enquanto os países sérios usam as mudanças climáticas para gerar mais tecnologia e mais lucros, no Brasil os políticos e a imprensa chafurdam no mesmo fatigado tema da proteção e da regularização fundiária na Amazônia.  Sem cair no monótono discurso governamental da distribuição de renda sem educação de boa qualidade, há que se dizer uma verdade: os muito ricos falam nos interesses maiores da humanidade mas não vão transferir nenhuma dessas novas tecnologias sem mandar a conta, certamente mais pesada do que as doações para a proteção das florestas….. ah, essas florestas amazônicas que eles querem preservar sempre que não tiverem interesse nos minérios que nelas se escondem.

As novas tecnologias não se limitam, é claro, aos veículos automotores.  Disputam palmo a palmo a liderança na geração eólica e a partir da energia das marés, dos biocombustíveis de segunda geração ou com o cultivo de algas, as tecnologias de eficiência na geração, na transmissão e no uso da energia, e por aí afora.

Seguramente já é hora de mudar o foco dos debates internacionais sobre as mudanças climáticas.  Ou então, é melhor que se pare de fingir que existem interesses comuns de uma tal de humanidade.

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Sem o ínterminável blá-blá-blá dos intelectuais paulistanos que engoliram Marina Silva sem nenhum conhecimento da Amazônia, o ministro Carlos Minc pode convencer o Itamaraty a trocar o velho disco já gasto que se resume a pedir doações para a Amazônia.

Novos Campos de Petróleo – Verdades e Mentiras

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O anúncio da descoberta das jazidas petrolíferas de Tupi pelo governo omitiu a informação de que não existe tecnologia para exploração a uma profundidade superior a 6 quilômetros e podendo chegar até 10 quilômetros.

Na ocasião - novembro de 2007 – dona Dilma, discretamente,  fez apenas a ressalva de que o início efetivo da entrada em operação comercial dessas jazidas poderia levar uns 8 anos.  Um outro representante do governo falou em “altíssimos custos de investimento inicial, mas com a garantia da ‘sustentabilidade da auto-suficiência’ no longo prazo” (sic).  Ninguém se estendeu sobre esses temas - tecnologia e viabilidade econômico-financeira – e a imprensa brasileira tampouco interessou-se em aprofundar o tema.

Estima-se que Tupi, na bacia de Santos, tenha entre 5 e 8 bilhões de barris.  Poucos meses depois, a Petrobras anunciou a descoberta de reservas muito maiores nas proximidades de Tupi, algo na faixa de 33 bilhões de barris.  Esse “mega-campo” foi denominado Carioca e a Petrobras afirmou que ainda serão necessários alguns meses para a definição mais precisa de seu potencial.  As profundidades das duas jazidas, bastante próximas, sao similares.

Não é improvável que o prazo para o anúncio do dimensionamento “final” de Carioca se dê um pouco antes das eleições.  Quem se antecipar à data do anúncio oficial pode se dar bem comprando ações da Petrobras.

O que não se disse, nessa lenga-lenga toda de que Deus é brasileiro, é que não existe a tecnologia para chegar a essa profundidade, bem maior do que a alcançada pela Exxon e pela Chevron no Golfo do México, onde, há cerca de 2 anos, os sistemas de tubulação foram esmagados e brocas de diamante desintegraram-se em decorrência das pressões elevadas.  A Exxon abandonou o projeto em 2006.  Mas quem, no afã de divulgar resultados positivos para o governo, se interessaria por um detalhe como esse?

Alguns dizem que a Petrobras já sabia da existência de Tupi há anos, e sempre optou por não divulgar por as informações por temer ironias do mercado internacional diante desse detalhe da inexistência de tecnologia para a produção comercial de petróleo a essas profundidades.

Além da profundidade e da pressão corrrespondente, a temperatura das jazidas brasileiras, encontradas abaixo de espessas camadas de sal – algo em torno de 1,5 quilômetros -, pode atingir 260 graus Celsius, o suficiente para derreter até mesmo  estruturas metálicas utilizadas para transportar urânio para usinas nucleares.

Ao longo dos esforços para extrair petróleo e gás a profundidades bastante inferiores, uma empresa norte-americana – a Anadarko – desenvolveu e está utilizando aços capazes de suportar as pressões da exploração de gás natural a 2.700 metros de profundidade.  Numa entrevista recente, um engenheiro da Anadarko comparou os esforços da empresa à exploração espacial.

“O que fazemos nessas profundidades é semelhante ao que a NASA fez e faz na área do desenvolvimento de materiais para o lançamento de espaçonaves.  Mas a NASA não se defronta com o problema das enormes pressões externas.”

Os especialistas acreditam que essas tecnologias podem ser desenvolvidas e utilizadas comercialmente, em particular com o aumento contínuo dos preços do petróleo.  Afinal, US$ 200 por barril ao final deste ano da graça de 2008 é, hoje, a projeção do mercado de futuros da Bolsa de Chicago.  Mas todos concordam que no atual momento nenhum país ou empresa se arriscaria a fazer investimentos tão elevados na produção comercial em decorrência dos riscos tecnológicos.

Os mais otimistas estimam que com imensos investimentos – se comparados com os necessários para explorar petróleo às profundidades atuais -, Tupi pode entrar em operação até mesmo em 2012.  Mas 2008 já vai quase em meio  e não há sinais da contratação das plataformas para a exploração de Tupi, plataformas cuja mera fabricação demanda esse prazo (e ainda mais quando  considerados os prazos da publicação de editais, impugnações administrativas, e outras mumunhas mais até a assinatura dos contratos.

Não é tão remota a possibilidade do desenvolvimento das tecnologias necessárias.   Engenheiros sempre acham que Deus criou o mundo e a eles cabe a tarefa de aperfeiçoá-lo.  Resta saber qual será o balanço energético dessa exploração, isto é, quantas unidades de energia serão necessárias para extrair e refinar cada unidade de energia obtida a partir do petróleo nessas profundidades.  Em tese, a humanidade pode extrair energia até mesmo do centro da Terra, onde as temperaturas são elevadíssimas.  Mas não o faz por falta dos mesmos detalhes: tecnologia e balanço energético.

Ainda não há estimativas sobre os custos da extração do petróleo de Tupi e de Carioca.  Mas tampouco há dúvidas de que eles serão muito elevados.  E estabelecerão patamares para os aumentos dos preços para os consumidores nas bombas de gasolina.  Depois das eleições, é claro!  Aí, como de hábito, no dia seguinte virão os aumentos enfaticamente negados nos discursos da véspera.

Num país que há muito trocou o transporte ferroviário pelo rodoviário, os riscos inflacionários são elevados com os novos preços dos derivados do petróleo.  E como a alta produtividade agrícola depende de fertilizantes derivados do petróleo, vale preparar-se desde já para as adaptações necessárias às novas realidades, com ou sem mudanças climáticas.

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O Brasil já produz mais petróleo que países membros da OPEC – a sigla em inglês dos países exportadores de petróleo – tais como Angola, Líbia e Algéria.  A diferença é que o Brasil não é um país exportador.

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As miçangas do “grau de investimento” foram concedidas ao Peru um mês antes de Brasília comemorá-las.   Nunca se ouvir falar de um gigante estrangeiro que tomasse a decisão de investir ou não no Brasil com base nelas.  As operadoras de telefonia, concessionárias de serviços de eletricidade e muitas grandes empresas privadas foram compradas por grupos estrangeiros com ou sem as bobagens do grau de investimento.  A Standard & Poor’s foi uma dessas que não percebeu ou foi conivente com o tombo que a Enron e muitas outras deram nos fundos de pensão norte-americanos, tendo mantido o bom rating até o colapso.  É esse tipo de “máfia” que dá os certificados de bom comportamento que Brasília comemora.