Archive for the 'Energias Renováveis' Category

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Energias Renováveis, Eficiência Energética e Alavancagem Tecnológica – As Boas Notícias da China

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A China anunciou, ontem, as linhas gerais de seus planos para realizar uma revolução no campo das energias renováveis: US$ 30 bilhões para projetos de baixa emissão de carbono, 20% de energias renováveis até 2020, com um amplo crescimento da geração eólica e solar.

A nova meta de geração de energia solar é de no mínimo 9 GW, três vezes superior à meta anterior.  A capacidade instalada de produção de energia solar na China é hoje de 120 MW e a expansão proposta multiplica esse número por 75 em uma década.

Para a geração de energias renováveis e programas de eficiência energética – inclusive nos sistemas de transmissão – será direcionado um percentual significativo de um pacote de US$ 590 bilhões em estímulos que  já resultaram num crescimento de 6% da economia do país no primeiro trimestre do ano, com a expectativa de um crescimento de 8% em 2009.

No ano em curso, a China substituirá 100 milhões de lâmpadas por outras de alta eficiência energética.  No campo do aquecimento solar, a China já é líder mundial, com 130 milhões de metros quadrados de painéis instalados, número que continua crescendo rapidamente, enquanto a meta norte-americana para 2020 é de 200 milhões de metros quadrados.

Assim, a China ameaça desbancar a Europa no que se refere à sua pretendida liderança na área de energias renováveis e os níveis de emissão de gases causadores das mudanças climáticas poderão ser reduzidas de maneira significativa, já que, juntos, a China e os EUA são responsáveis por 50% das emissões globais.

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Desnecessário comparar esses números com o desempenho brasileiro no campo das tecnologias de maior valor agregado tanto na área da geração quanto no que se refere à eficiência energética.  O Brasil sequer detem tecnologia própria de geração de energia solar e insiste no samba de uma nota só das florestas amazônicas,  que rende mais dividendos políticos por atingir mais facilmente o imaginário coletivo.

Energia Fotovoltaica e Feed-In Tariff

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A energia fotovoltaica e a energia eólica podem suprir 40% da demanda de eletricidade do planeta até 2050 se forem incentivadas de forma adequada – concluíram cientistas reunidos em Copenhague num encontro preparatório para a Conferência Sobre Mudanças Climáticas que se realizará na Dinamarca de 7 a 18 de dezembro deste ano.

O Brasil não domina nenhuma dessas duas tecnologias em escala comercial, e insiste no “mantra” das barreiras tarifárias e outras sobre o etanol, um setor que já se encontra parcialmente sob o controle de empresas estrangeiras (aproximadamente 20% da produção nacional).

O governo brasileiro pode e deve priorizar o desenvolvimento autônomo das tecnologias acima mencionadas: fotovoltaica e eólica.  Por desenvolvimento autônomo entende-se a propriedade intelectual e a produção em escala comercial por empresas brasileiras.  Mas, também, um conjunto de medidas que estimulem o seu uso. 

A EMBRAER, por exemplo, se adequadamente apoiada, pode contribuir de maneira decisiva para o desenvolvimento e a comercialização de tecnologias eólicas nacionais de pequeno, médio e grande porte.  As turbinas eólicas de pequeno porte podem servir para gerar eletricidade e para o bombeamento de água no meio rural.  A Petrobras, que usa sistemas eólicos em plataformas de exploração de petróleo, também poderia – e deveria – atuar de maneira mais séria nessa área.

Além disso, é preciso definir a regulamentação do fornecimento de eletricidade à rede por produtores de energia fotovoltaica – sistema conhecido em inglês como “feed-in tariff” , que permite, por exemplo, a rápida ampliação do uso de painéis fotovoltaicos em telhados de residências, prédios comerciais e indústrias para a alimentação da rede, bem como para o abastecimento em sistemas isolados.  O modelo só foi adotado, no Brasil, ainda de forma pouco elaborada e sem o sucesso anunciado, para a co-geração (com bagaço de cana), as pequenas centrais hidrelétricas e a energia eólica.

Nos países sérios, as “feed-in tariffs” para a energia fotovoltaica não se limitam a tarifas diferenciadas de alimentação da rede, mas vêm acompanhadas de outras iniciativas que vão desde a implantação de medidores que funcionam nos dois sentidos – e não apenas daquele que permite a cobrança pelas concessionárias – até isenções tributárias e prazos diferenciados de amortização.

Estabelecendo um sistema exemplar para a implantação desse sistema, a Alemanha já produzia, em 2007, 200 vezes mais eletricidade fotovoltaica do que toda a Inglaterra.  Na verdade, apenas a cidade de Freiburg, com 200.000 habitantes, produz mais energia fotovoltaica de que toda a Inglaterra, que se diz preocupada com as emissões globais de carbono e mete o bedelho nas florestas amazônicas.

Já é hora de arregaçar as mangas para um trabalho de sério, inovador (ainda que baseado em exemplos estrangeiros) e muito mais criativo no que se refere à criação de novos mercados para aliviar a crise econômica.

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Sistemas fotovoltaicos poderiam ser utilizados facilmente nas áreas da região Norte não conectadas à rede e que hoje recebem eletricidade de geradores à diesel frequentemente antiquados.  O fornecimento de diesel para esse tipo de geração – e para consumo automotivo – é altamente subsidiado através da Conta de Consumo de Combustíveis – CCC, que sai do bolso de todos os consumidores de eletricidade e atingirá, facilmente o valor de R$ 3,5 bilhões em 2009.  A ANEEL tem a obrigação moral e o dever institucional de avaliar a possibilidade de usar, anualmente, parte desses elevados subsídios para converter pequenas e médias cidades da Amazônia para a energia fotovoltaica.  E a ANP, de avaliar a implantação de pequenas usinas de biodiesel a partir do babaçu, amplamente disponível em vastas regiões da Amazônia.

Inglaterra – O Movimento Ambientalista em Crise ou Colapso?

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O governo da Inglaterra assumiu o compromisso com a União Européia de gerar 20% da energia consumida no país através de fontes renováveis até 2020.  Esse percentual corresponde a 40% da energia consumida no aquecimento e no transporte, ou cerca de 10 vezes os 4,5% de energias renováveis utilizadas atualmente para essas finalidades.

Ontem, um projeto que causará imensos impactos para a biodiversidade foi incluído numa lista curta de cinco opções para cumprir com essa meta: a construção de uma barragem de 15 km para gerar eletricidade com energia das marés.

Se aprovado, o projeto gerará eletricidade suficiente para atender a 5% da demanda da Inglaterra – eletricidade equivalente a 8 termelétricas a carvão.  Mas causará impactos considerados sem precedentes sobre uma imensa área estuarina onde se alimentam e reproduzem dezenas de milhares de pássaros – entre os quais gansos, cisnes e pássaros migratórios -, além de bloquear a migração de grande número de espécies de peixes.   Há poucas dúvidas de que o projeto causará mais dano à vida silvestre do que qualquer outro implantado na modernidade.

O projeto será submetido à consulta pública e, se aprovado, começará a ser implantado em 2010.  O dilema não poderia ser maior para o movimento ambientalista inglês.

A Comissão de Desenvolvimento Sustentável, organização não-governamental independente, apóia o projeto.  Outras organizações não governamentais discordam, mas não chegam a apresentar alternativas concretas.  Enquanto isso, o Ministério da Energia e das Mudanças Climáticas já fala em várias outras barragens do mesmo tipo.

A escolha, que é apenas uma amostra para muitas outras, similares, que logo se apresentarão em outros países, merece ser acompanhada com atenção.  Colocará à prova a hipótese acadêmica conhecida como  ”teoria biocêntrica do direito ambiental”.  De acordo com ela, o direito ambiental teria deixado de ser antropocêntrico, isto é, não priorizaria mais o ser humano em relação a outras espécies.  A conferir.

Green-Washing, Mal Uso da Proteção Ambiental na Publicidade e Jornalismo de Excelente Qualidade

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“Há algum tipo de investimento que a Shell se recusará a fazer com base em princípios éticos ou ambientais?”

Essa é uma das muitas perguntas incômodas que o jornalista George Monbiot faz ao presidente da Shell, Jeroen Van de Veer, durante uma entrevista na qual não consegue responder sequer qual o valor total dos investimentos da empresa em energias renováveis.

A curta  mas excelente entrevista – com edição de excepcional qualidade – pode ser vista no link abaixo.

www.guardian.co.uk/environment/video/2009/jan/06/george-monbiot-jeroen-van-de-veer

Nela, o jornalista explode com a farsa da Shell de que ela é uma empresa preocupada com o meio ambiente e com as mudanças climáticas.  O que a Shell fez – como fazem todas as outras petroleiras, inclusive a Petrobras - é denominado “geeen-washing” em inglês.  Green = verde, washing – lavagem.  Essa é a expressão na língua inglesa para as publicidades que pegam uma carona nas preocupações ambientais das pessoas ainda quando estejam muito longe de corresponder à realidade das empresas.  A Petrobras vai bastante além e silencia ONGs da área ambiental com seus patrocínios.

George Monbiot, do The Guardian, tem se destacado por suas reportagens e artigos sobre meio ambiente, ainda que não se restrinja a esse tema.  No último artigo, Monbiot lembra que em 2006 a Shell despejou dinheiro em publicidade verde que não tinha qualquer fundamento na realidade das operações da empresa.  Em pouco tempo, ela foi advertida ou condenada duas vezes pela Autoridade de Normas Publicitárias da Inglaterra, correspondente ã Comissão de Auto-Regulação Publicitária – CONAR do Brasil, só que bem mais séria.  Então, a Shell optou por parar de mentir.

A diferença é que, lá, o presidente da Shell recebe um jornalista conhecido por suas perguntas diretas.  Aqui, Sérgio Grabrieli, o presidente da Petrobras que induziu Lula a fazer um intenso programa de animação cultural com um pré-sal cuja extração ninguém nunca soube se pode ser tecnológica e economicamente viável, certamente não responderia a questões tão incômodas ou politizaria as questões acusando um jornalista desse tipo de ser anti-Lula.

Afinal, qual o valor total dos contratos que a Petrobras assinou para a exploração do pré-sal – cujos royalties redimiriam “um dia”o mais do que vergonhoso sistema educacional brasileiro – e que agora não tem como ou não quer descumprir para não pagar pesadas multas e para não se desmoralizar?

Sergio Grabrieli deve ao Brasil explicações mais detalhadas sobre a situação financeira da Petrobras, já que em matéria de meio ambiente a empresa não se diferencia ou perde de goleada das suas similares em todo o mundo.

O artigo de Monbiot desmascarando a Shell, em inglês, pode ser acessado em www.monbiot.com:80/archives/2009/01/06/shells-game.

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Noo Brasil, uma expressão tão simples e contundente como green-washing é maquiagem verde, utilizado ainda de maneira restrita para designar as muitas falcatruas do mercado publicitário.  Em breve, mais sobre o tema, a começar pela Coca-Cola.

Energia Eólica – Avanços e Atrasos

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O governo da Inglaterra deu, ontem, o sinal verde para a implantação da maior “fazenda de ventos” já construída em mar aberto no mundo.  O novo projeto, situado a 15 quilômetros da costa do País de Gales, tem capacidade para suprir de energia cerca de 500.000 casas.  Esse não é o primeiro grande projeto de energia eólica já implantado na Inglaterra e outros já se encontram em análise para aprovação.

Os projetos europeus de energia eólica são voltados tanto para reduzir as emissões de gases causadores de mudanças climáticas quanto para garantir a segurança energética dos países.  Projetos desse tipo – ainda que até agora não em mar aberto – há muito são incentivados nos EUA, com isenções de tarifas, com regulamentação apropriada e apoio massivo apoio governamental à pesquisa e ao desenvolvimento (uma forma de subsídio não considerado nos tratados de livre comércio).

Nos EUA, que é uma república de verdade, onde estados e cidades tomam as suas decisões sem esperar pelo governo federal e sem as chatices de um Ministério Público o tempo todo nos calcanhares da administração, há muitos grandes projetos de energia eólica em andamento.    A cidade de Nova York terá 25% de sua energia elétrica proveninete dessa fonte já em 2013.

O Brasil não tem tecnologia própria para a geração eólica de energia, avança a passos de cágado na sua adoção, e a sociedade acabará pagando o usual “pedágio” aos países sérios para usar o vento incidente em seu território e litoral.  Parte desse atraso de deve, talvez, ao fato de que parques eólicos não dão dinheiro para empreiteiras.  Mas o fato é que educação e tecnologia não recebem a necessária ênfase no país, que está longe de se constituir numa sociedade de conhecimento distanciando-se cada vez áté mesmo de países como China e Índia.

Aqui, vale lembrar um episódio curioso.  Há alguns anos, propôs-se o uso de energia eólica em Fernando de Noronha, onde os ventos são abundantes.  O suprimento de energia elétrica da ilha é feito, hoje, por uma usina térmica a óleo lá deixada pelas tropas norte-americanas em meados da década de 40 e “recondicionada” pela concessionária local.  As emissões de gases causadores de mudanças climáticas são óbvias, mas o grave mesmo é o custo do transporte de óleo de continente à ilha, uma distância de 540 quilômetros.  A empresa que tinha (ou tem) o contrato de transporte do óleo não gostou nada da proposta de implantar turbinas eólicas, espalhou que isso resultaria na morte de pássaros, alguns ambientalistas otários acreditaram na lorota ou ganharam um jabá, e a proposta caiu no esquecimento.

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Um belo projeto de energia eólico que seria implantado em Arraial do Cabo foi vetado pelas autoridades aeronáuticas sob a medíocre alegação de que seria um risco para o semi-paralisado aeroporto de Cabo Frio.  O então secretário de estado de Meio Ambiente e hoje ministro Carlos MInc conseguiu negocia uma relocalização de algumas torres de turbinas de maneira a permitir que não interferissem no cone de aproximação das aeronaves.  Os ventos da região de Cabo Frio e Arraial do Cabo são extremamente favoráveis a projetos de energia eólica.  Espera-se, agora, que o “ambientalismo” ocorrido em Fernado de Noronha não leve o MP a atropelar o avanço das energias renováveis com base em apelos sem fundamentos de ONGs.

Tecnologia da Energia e Tecnologia da Informação – Revoluções Semelhantes?

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Acaba de ser publicado um interessante livro sobre meio ambiente.  No Brasil intitulado O Mundo é Plano, o livro tem um título bem mais longo em sua versão original, em inglês: Quente, Plano e Populoso – Por Que Necessitamos de Uma Revolução Verde e Como Ela Pode Renovar a América.  O autor, Thomas Friedman, é jornalista, colunista do New York Times, e já agraciado com um Prêmio Pulitzer.

O livro ironiza aqueles que acreditam na continuidade de uma civilização do petróleo, como George W. Bush, que aposta na exploração desse combustível fóssil em águas ultra-profundas (utra-deep drilling) – como é o caso do que aqui se convencionou chamar de pré-sal.

Numa entrevista recente para a renomada revista Foreign Policy, Thomas Friedaman afirmou que essa visão é apenas non-sense.

“Ninguém acredita sinceramente que nas profundezas dos oceanos exista petróleo para assegurar a autonomia dos EUA.  Essa é uma abordagem errada porque, num mundo que se tornou quente, plano e super-populoso, os combustíveis fósseis – e em particular o petróleo – vão ser demasiadamente caros e finitos.  Então, o nosso foco  deve ser na próxima grande indústria global: energias renováveis e limpas.  Quando o McCain diz `perfurem, perfurem, perfurem`, eu vejo algo similar a alguém que defendesse as máquinas de escrever elétricas da IBM às vésperas da revolução da tecnologia da informação.

Para o autor, a próxima revolução tecnológica será uma revolução de elétrons.  Os países que liderarem essa revolução serão aqueles nos quais os padrões de vida serão os mais elevados, que serão mais respeitados pelo “resto do mundo” (ah, a usual arrogância norte-americana), e nos quais a inovação vai se acelerar e a segurança nacional aumentará.

“Eu quero gente colocando dólares malucos em idéias malucas, em cada garagem, 100.000 pessoas tentando 100.000 coisas diferentes, cinco das quais serão bem sucedidas, e duas poderão ser o próximo Google verde.  Só assim, com cada um sendo um cientista inovador verde, é que a tecnologia da energia – TE – será para o século XXI o que a tecnologia da informação – TI – foi para as décadas de 80 e 90 do século XX.”

Thomas Friedman fala na necessidade de escala para a revolução da tecnologia da energia e ironiza os ambientalistas que acreditam na conscientização de todos: “se você tiver que educar as pessoas a fazerem 20 coisas verdes a cada dia, esqueça a possibilidade de qualquer mudança significativa; é necessário ter um novo sistema em funcionamento sem que as pessoas sequer percebam, como ocorreu com a tecnologia da informação”.

Thomas Friedman talvez sintetize o que serão as mudanças feitas por Obama caso seja eleito presidente dos EUA.  Algo similar ao que fez Bill Clinton, que dinamizou a economia e revolucionou o mundo ao retirar a internet e o GPS da lista de tecnologias restritas aos usos militares.

É bem verdade que hoje as coisas são bastante mais complexas, já que as previsões de aumento da demanda de matérias-primas sugerem um colapso da civilização do consumo.  Ainda assim, Friedman aporta um bom discurso eleitoral para Obama e de esperança para a maioria dos norte-americanos, hoje muito preocupados com os preços do petróleo.

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Numa situação dessas, as ONGs ambientalistas que já foram inovadoras, como os Greenpeace da vida e tantas outras sem a mesma fama, podem ser vistas, hoje, como tão anacrônicas quanto os combustíveis fósseis.  Elas têm tantos compromissos com o próprio passado que não lhes sobra tempo para ver o presente e o futuro.  É o conservacionismo conservador, já mais que ultrapassado.  Recentemente, o Greenpeace apelou para a produção e divulgação de um “Manual do Sexo Ecológico”, recomendando aos casais que verifiquem antes se a madeira das camas tem origem certificada.  Coisa de hippie velho.

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A maior parte do petróleo do pré-sal brasileiro está a profundidades acima de 7.000 metros.  Sondagens já são feitas até mesmo na China e na Rússia a profundidades de até 12.000 metros.  Mas a tecnologia para a efetiva exploração do petróleo e do gás em reservas ultra-profundas nunca superou a marca dos 3.500 metros.

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A entrevista de Thomas Friedman, em inglês, pode ser lida em www.foreignpolicy.com/story/cms.php?story_id=4463.

Amazônia – Reserva Legal e Pequenos Produtores

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É positiva a decisão de concordar com o plantio de “espécies exóticas” na Amazônia, reduzindo na prática o percentual da reserva legal de 80% para 50%.  Afinal, esse percentual foi elevado de 50% para 80% por Medida Provisória – isto é, do dia para a noite – por FHC e sua turma mais para agradar à imprensa internacional do que para encontrar uma solução sensata para o desmatamento na Amazônia. 

Entre outras coisas, essa decisão pode resultar numa imensa economia do diesel cujo transporte para a região é subsidiado através da Conta de Consumo de Combustíveis – CCC.  O montante desses subsídios deverá atingir R$ 3,5 bilhões em 2008.  O óleo de dendê, cujo plantio de já amplamente difundido no Pará, pode substituir o diesel no parque gerador de centenas de cidades e vilarejos não conectados à rede de distribuição de energia elétrica, com benefícios significativos para a região e para todo o Brasil.

O mesmo ocorre com o babaçu, originário da Amazônia.  Na Amazônia Oriental, há extensos babaçuais hoje sem qualquer aproveitamento ou benefício para a população local.  Com um mínimo de boa vontade, os ambientalistas poderiam estar mais atentos a essa oportunidade de substituição de combustível fóssil por fontes renováveis de energia.  E ainda com a realocação desses recursos financeiros para atividades mais benéficas para a população local.

Essa produção de óleo (biodiesel) pode ser feita de forma descentralizada, com unidades modulares de esmagamento e produção de óleo por produtores de todos os portes.  A tecnologia nacional nessa área já se encontra desenvolvida.  E os grupos geradores podem operar com B-100, se houver boa vontade da ANP e do MME para enfrentar o lobby da CCC.

Com um pouco de esforço na formação de cooperativas, associações de produtores e outras formas de organização social que propiciem uma melhor participação na geração de renda para as populações mais pobres que vivem do extrativismo, além das usuais culturas de subsistência, como a mandioca, o feijão e até o milho, entre outras. Iniciativas que ainda merecem a atenção do governo nesse momento de transição incluem a concessão de títulos de propriedade para os pequenos produtores da região, que não têm acesso às mesmas facilidades que os grandes para processar papéis e percorrer os corredores da burocracia.

Essa iniciativa, com o uso de GPS e uma injeção de recursos na advocacia pública não é – ou não deveria – ser difícil, mas o jogo de poder na região sem dúvida a dificulta muito. Da mesma forma, é preciso pensar no fato de que os pequenos produtores não têm como elaborar planos de manejo para as áreas de onde tiram o seu sustento.  Para que o façam, é fundamental um grande reforço nos serviços de extensão rural, que deixam muito a desejar, quando não são simplesmente inexistentes.

A possibilidade de que os pequenos vendam as suas terras se regularizada a situação fundiária é alta devido à atração que as grandes cidades exercem numa sociedade de consumo e à influência da televisão.  Essa tendência pode ser retardada ou contrabalançada pelo acesso a serviços básicos de saúde e educação, que ainda são escassos quando consideradas os núcleos populacionais menores e mais dispersos.

É hora de investir maciçamente na formação dos pequenos produtores para que deixem de ser apenas “mão de obra” e passem a ter mais acesso à tecnologia e às formas de organização da produção que aumentem a sua geração de renda e auto-estima.

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Usar a expressão “introdução de espécies exóticas” para falar da nova realidade pode não ser adequado para a percepção que os brasileiros têm da mudança nas regras do jogo.  O dendê e o coco também são espécies exóticas.  A questão é saber se devem ser consideradas como estranhas à vida da população da Amazônia, num momento em que o mero extrativismo já se revelou, na prática, insuficiente ou mesmo inviável como alternativa econômica para o conjunto dos pequenos produtores da região.

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As reservas legais em propriedades rurais não encontram paralelos em outros países, e isso talvez seja suficiente para uma reflexão sobre o tema.

Como São Incômodos, Esses Miseráveis do Congo!

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A reportagem de capa da National Geographic na edição brasileira de junho de 2008 é sobre é sobre gorilas e atividades “predatórias” no Parque Nacional de Virunga, no Congo.  Duas fotos absolutamente chocantes e simbólicas fazem parte da reportagem.

A primeira mostra um mulher esquálida, em andrajos, protestando contra dois guarda-parques que apreenderam alguns galhos e tocos de madeira que ela carregava em sua cabeça para vender ou cozinhar.  Na segunda, outra mulher negra de joelhos agarra-se às botas de um indiferente guarda parques que segura um rifle utilizado na apreensão de um saco de carvão e segura um rifle; desesperada, ela implora por perdão, enquanto outra mulher (a filha?), desolada, aparece prostrada em suas costas.

A reportagem fala de um conflito entre humanos sem habitat, vivendo na miséria e vulneráveis à guerra entre milícias locais, de um lado, e a proteção do habitat natural dos gorilas, do outro.  Não é improvável que europeus e instituições financeiras internacionais mandem recursos para a proteção dos gorilas que, em trechos menos violentos do parque, ainda são uma atração turística.  Nenhuma dúvida sobre a importância de proteger o parque e os gorilas.  Nenhuma proposta para assegurar um mínimo a essas populações de humanos subnutridos que necessitam de lenha para cozinhar num país que exporta petróleo.

“A região sustenta não só uma profusão de espécies mas também uma das mais densas populações da África: mais de 400 habitantes por quilômetro quadrado.  Conflitos por recursos e terras irrompem dentro e ao redor do parque, pois milícias, traficantes de carvão, refugiados e líderes políticos competem pelo controle – ou pela sobrevivência.”  Recentes descobertas indicam, também, a existência de uma população de 125.000 gorilas nas florestas do Congo.

A reportagem afirma que o carvão é retirado por “mulas” que abastecem “traficantes”, remunerando-as com menos de 1 dólar por dia.  Nenhum questionamento mais sério sobre a existência de uma demanda pelo carvão decorrente da indisponibilidade de outros energéticos para cozinhar nos campos de refugiados e mesmo nas cidades. 

São bem incômodos, esses miseráveis africanos famintos e maltrapilhos que, além de tudo, dedicam-se a atividades ilegais.

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Uma das fotos mais chocantes dessa reportagem pode ser visualizada em

http://viajeaqui.abril.com.br/ng/materias/ng_slide_284658.shtml.  A National Geographic, feita por uma ONG norte-americana “ambientalista”, parece preferir os gorilas aos humanos (ainda que seja mais do que evidente de que os dois podem conviver, em espaços delimitados), e prefere não falar da corrupção do governo do Congo.

Etanol e Estudos Sérios Sobre Balanços Energéticos

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Os biocombustíveis são uma alternativa saudável aos combustíveis fósseis?  Essa questão, inexistente até alguns anos atrás, tornou-se cada vez mais presente nos fóruns internacionais e nacionais dos países sérios.  E o Brasil continua fazendo de conta que estaríamos no melhor dos mundos se os países ricos abrissem as suas portas ao etanol brasileiro, sem apresentar números.  Tudo como se as terras agrícolas fossem ilimitadas, como fosse possível passar a ter todo o gado confinado, como se não houvesse demanda de água suplementar, e como se não existissem questões de segurança nacional em jogo.

Anuncia-se que o grupo norte-americano Bunge construirá três novas usinas de álcool no estado de Tocantins com grande euforia.  A empresa pretende plantar 100.000 hectares de canaviais, o Estado abriu mão do recolhimento do ICMS por 15 anos, o Supremo aceita uma cautelar para que os exportadores deixem de recolher a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido nas exportações, e la nave va.

Os norte-americanos sabem que se transformassem toda s sua produção de milho em etanol, teriam combustível para abastecer apenas 7% da atual demanda de combustíveis líquidos usados em veículos no país.  Por essa razão, vêm buscar o etanol brasileiro, desconsiderando completamente quaisquer impactos sócio-econômicos ou ambientais.

Já no início dos anos 80, o Departamento de Energia dos EUA (DoE) conduziu um estudo aprofundado no qual demonstrou que o balanço energético da produção de etanol a partir da biomassa era negativo.  Convidados para avaliar o estudo, 26 especialistas independentes confirmaram os seus resultados.

Há poucas semanas, o professor David Pimentel, professor da Faculdade de Agricultura da Universidade de Cornell, e outros, publicaram um artigo intitulado A Produção de Etanol: Energia, Economia e Perdas Ambientais.  Nesse estudo, são considerados TODOS os custos da produção de etanol, incluindo o uso da água, desde a irrigação até a destilação final do etanol, além dos custos ambientais com a poluição decorrente do uso de fertilizantes.  No total, foram considerados 14 insumos.  O resultado foi contundente: para produzir um litro de etanol do milho, que disponibiliza 5.130 Kcal de energia, são necessárias 7.333 Kcal de insumos.  Ou seja, o balanço energético é negativo.

Numa única passagem de seu estudo, David Pimentel faz uma referência ao etanol brasileiro.

“Os defensores dos biocombustíveis apontam para o Brasil e ressaltam que a eficiência energética é bastante melhor no caso da produção do etanol a partir da cana-de-açúcar.  No entanto, como o balanço energético do etanol é negativo, o Brasil subsidiou durante muito tempo essa atividade.  Mais tarde, o governo brasileiro parou de subsidiar diretamente a produção de etanol, que é, hoje, subsidiada pelo consumidor final na bomba dos postos de abastecimento.  Esse subsídio foi estimado em 50% da produção de etanol.  Isso para não mencionar a remoção de florestas nativas e as altas taxas de erosão dos solos.”

Já é tempo do Brasil fazer um estudo com o mesmo nível de seriedade sobre o balanço energético do etanol, nele incluindo todos os insumos considerados no estudo de Pimentel e, também, os custos de transporte de alimentos associados ao deslocamento das fronteiras agrícolas.

Transformando-se num exportador de commodities e considerando que os canais de exportação estão nas mãos de grandes grupos estrangeiros, o Brasil torna-se mais vulnerável do que consegue ver em decorrência da euforia de ter se transformado em nova fronteira de expansão do capital internacional.

Agora que a tal da globalização acabou, inclusive com as crescentes restrições ao livre fluxo de pessoas, talvez seja chegado o momento de dizer claramente que o objetivo fundamental dos investimentos estrangeiros é enviar lucro de volta para os países de origem.

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Resumos de estudos anteriores de David Pimentel podem ser encontrados, em inglês, em  www.news.cornell.edu/stories/july05/ethanol.toocostly.ssl.html ou, em português, em http://resistir.info/energia/biocombustiveis.html.  David Pimentel tem quase 500 trabalhos cientificos publicados, além de 20 livros.

Agravam-se os Sinais das Mudanças Climáticas – As Reuniões Continuam Sem Nenhuma Luz Sequer No Começo dos Túneis

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A semana que passou foi de notícias sombrias.  Reúne-se o Grupo dos 8 países mais ricos nesta segunda-feira em Hokaido, no Japão, para discutir mudanças climáticas e crise de alimentos, entre outras coisas.  A imprensa e o público em geral não parecem ter qualquer expectativa de que alguma decisão minimamente séria sobre saia de mais esta reunião sobre temas que já parecem desgastados.  Nos países sérios, o blá-blá-blá sobre desenvolvimento sustentável já foi substituido pela pela formulação de políticas de adaptação às mudanças climáticas e de garantia da segurança alimentar de suas populações.  Os demais, que se virem.

O presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Rajendra Pachauri, informou que a humanidade tem apenas sete anos – até 2015 – para estabilizar a emissão de gases causadores de mudanças climáticas.  Ou seja, para que a emissão desses gases pare de aumentar, o que significa que cesse o crescimento econômico dos países em desenvolvimento e da aviação comercial, e também que os países muito ricos mudem de atitude (há exceções honrosas, como a Alemanha).  A inércia do sistema econômico, político e social é de tal ordem que não há a mais vaga possibilidade de que essa estabilização das emissões ocorra.

Pachauri ressaltou que as mudanças climáticas estão ocorrendo numa velocidade muito maior do que a prevista pelos cientistas até recentemente, e ressaltou algo também noticiado pela imprensa nos dias anteriores: pela primeira vez na história da humanidade é provável que o Ártico fique sem gelo neste verão.  E ainda que isso não aconteça totalmente, o gelo que lá estará será de formação recente, e não aquele formado ao longo de centenas ou milhares de anos, como ocorria até recentemente.

Na mesma semana, o governo da Inglaterra admitiu que a contribuição do país para as mudanças climáticas é bem maior do que antes de afirmava.  O documento com a informação de que as emissões da Inglaterra são 37% maiores do que antes se afirmava, recebeu um título calhorda que não revela o seu conteúdo: Desenvolvimento de Indicadores de Emissões Ocultas de Carbono.  O governo inglês havia informado até o momento que as emissões do país tinham sido reduzidas em 5% – comparadas com as emissões de 1990.  O novo documento mostra que, na verdade, elas subiram 18%.  A diferença se deve ao fato de que até agora não se contabilizavam as emissões inglesas decorrentes da aviação e do transporte marítimo internacional, e nem as emissões decorrentes da produção de bens produzidos em outros países e consumidos pela Inglaterra.  Esse é um novo conceito que merece análise mais aprofundada.

O cinismo e a mentira dominam o cenário político da Inglaterra, quando isso é de interesse do poder.  Nada muito diferente do que acontece em outros países.

Na mesma semana, o pesquisador George Monbiot (www.monbiot.com) publicou no The Guardian um artigo com uma proposta radicalmente inovadora sobre as formas de contabilizar e responsabilizar os países por suas emissões de gases causadores de mudanças climáticas: cada país deve ter a mesma cota de emissão per capita.  Se os países em desenvolvimento adotarem esse conceito, as possibilidades de um consenso planetário cairão a zero.  E abaixo de zero se as emissões oriundas de produtos de exportação forem levadas à conta dos países importadores, muito mais ricos e que consomem muito mais.

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O fim da era do petróleo está mais próximo do que se pensa.  Uma pesquisa com grande número de especialistas da área de petróleo publicada pela revista New Scientist concluiu que a maioria acredita que a produção desse combustível fóssil atingirá o seu pico máximo em 2010.

Todo o lero-lero em torno do petróleo de águas profundas pode resultar em muito pouco ou nada,  em decorrência de um simples balanço energético: se a extração de cada barril desse petróleo consumir a energia de um barril de petróleo, ou pouco mais, ou pouco menos, a economia não poderá girar na base de trocar 6 por meia dúzia.  Já se sabe que a extração de petróleo das areias xistosas no Canadá tem um balanço energético precário: consome a energia de 1 barril para extrair 2 barris.

Ainda assim os tolos tentam atribuir a rápida elevação dos preços do petróleo à mera especulação financeira.