Archive for the 'Energias Renováveis' Category

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Como São Incômodos, Esses Miseráveis do Congo!

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A reportagem de capa da National Geographic na edição brasileira de junho de 2008 é sobre é sobre gorilas e atividades “predatórias” no Parque Nacional de Virunga, no Congo.  Duas fotos absolutamente chocantes e simbólicas fazem parte da reportagem.

A primeira mostra um mulher esquálida, em andrajos, protestando contra dois guarda-parques que apreenderam alguns galhos e tocos de madeira que ela carregava em sua cabeça para vender ou cozinhar.  Na segunda, outra mulher negra de joelhos agarra-se às botas de um indiferente guarda parques que segura um rifle utilizado na apreensão de um saco de carvão e segura um rifle; desesperada, ela implora por perdão, enquanto outra mulher (a filha?), desolada, aparece prostrada em suas costas.

A reportagem fala de um conflito entre humanos sem habitat, vivendo na miséria e vulneráveis à guerra entre milícias locais, de um lado, e a proteção do habitat natural dos gorilas, do outro.  Não é improvável que europeus e instituições financeiras internacionais mandem recursos para a proteção dos gorilas que, em trechos menos violentos do parque, ainda são uma atração turística.  Nenhuma dúvida sobre a importância de proteger o parque e os gorilas.  Nenhuma proposta para assegurar um mínimo a essas populações de humanos subnutridos que necessitam de lenha para cozinhar num país que exporta petróleo.

“A região sustenta não só uma profusão de espécies mas também uma das mais densas populações da África: mais de 400 habitantes por quilômetro quadrado.  Conflitos por recursos e terras irrompem dentro e ao redor do parque, pois milícias, traficantes de carvão, refugiados e líderes políticos competem pelo controle – ou pela sobrevivência.”  Recentes descobertas indicam, também, a existência de uma população de 125.000 gorilas nas florestas do Congo.

A reportagem afirma que o carvão é retirado por “mulas” que abastecem “traficantes”, remunerando-as com menos de 1 dólar por dia.  Nenhum questionamento mais sério sobre a existência de uma demanda pelo carvão decorrente da indisponibilidade de outros energéticos para cozinhar nos campos de refugiados e mesmo nas cidades. 

São bem incômodos, esses miseráveis africanos famintos e maltrapilhos que, além de tudo, dedicam-se a atividades ilegais.

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Uma das fotos mais chocantes dessa reportagem pode ser visualizada em

http://viajeaqui.abril.com.br/ng/materias/ng_slide_284658.shtml.  A National Geographic, feita por uma ONG norte-americana “ambientalista”, parece preferir os gorilas aos humanos (ainda que seja mais do que evidente de que os dois podem conviver, em espaços delimitados), e prefere não falar da corrupção do governo do Congo.

Etanol e Estudos Sérios Sobre Balanços Energéticos

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Os biocombustíveis são uma alternativa saudável aos combustíveis fósseis?  Essa questão, inexistente até alguns anos atrás, tornou-se cada vez mais presente nos fóruns internacionais e nacionais dos países sérios.  E o Brasil continua fazendo de conta que estaríamos no melhor dos mundos se os países ricos abrissem as suas portas ao etanol brasileiro, sem apresentar números.  Tudo como se as terras agrícolas fossem ilimitadas, como fosse possível passar a ter todo o gado confinado, como se não houvesse demanda de água suplementar, e como se não existissem questões de segurança nacional em jogo.

Anuncia-se que o grupo norte-americano Bunge construirá três novas usinas de álcool no estado de Tocantins com grande euforia.  A empresa pretende plantar 100.000 hectares de canaviais, o Estado abriu mão do recolhimento do ICMS por 15 anos, o Supremo aceita uma cautelar para que os exportadores deixem de recolher a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido nas exportações, e la nave va.

Os norte-americanos sabem que se transformassem toda s sua produção de milho em etanol, teriam combustível para abastecer apenas 7% da atual demanda de combustíveis líquidos usados em veículos no país.  Por essa razão, vêm buscar o etanol brasileiro, desconsiderando completamente quaisquer impactos sócio-econômicos ou ambientais.

Já no início dos anos 80, o Departamento de Energia dos EUA (DoE) conduziu um estudo aprofundado no qual demonstrou que o balanço energético da produção de etanol a partir da biomassa era negativo.  Convidados para avaliar o estudo, 26 especialistas independentes confirmaram os seus resultados.

Há poucas semanas, o professor David Pimentel, professor da Faculdade de Agricultura da Universidade de Cornell, e outros, publicaram um artigo intitulado A Produção de Etanol: Energia, Economia e Perdas Ambientais.  Nesse estudo, são considerados TODOS os custos da produção de etanol, incluindo o uso da água, desde a irrigação até a destilação final do etanol, além dos custos ambientais com a poluição decorrente do uso de fertilizantes.  No total, foram considerados 14 insumos.  O resultado foi contundente: para produzir um litro de etanol do milho, que disponibiliza 5.130 Kcal de energia, são necessárias 7.333 Kcal de insumos.  Ou seja, o balanço energético é negativo.

Numa única passagem de seu estudo, David Pimentel faz uma referência ao etanol brasileiro.

“Os defensores dos biocombustíveis apontam para o Brasil e ressaltam que a eficiência energética é bastante melhor no caso da produção do etanol a partir da cana-de-açúcar.  No entanto, como o balanço energético do etanol é negativo, o Brasil subsidiou durante muito tempo essa atividade.  Mais tarde, o governo brasileiro parou de subsidiar diretamente a produção de etanol, que é, hoje, subsidiada pelo consumidor final na bomba dos postos de abastecimento.  Esse subsídio foi estimado em 50% da produção de etanol.  Isso para não mencionar a remoção de florestas nativas e as altas taxas de erosão dos solos.”

Já é tempo do Brasil fazer um estudo com o mesmo nível de seriedade sobre o balanço energético do etanol, nele incluindo todos os insumos considerados no estudo de Pimentel e, também, os custos de transporte de alimentos associados ao deslocamento das fronteiras agrícolas.

Transformando-se num exportador de commodities e considerando que os canais de exportação estão nas mãos de grandes grupos estrangeiros, o Brasil torna-se mais vulnerável do que consegue ver em decorrência da euforia de ter se transformado em nova fronteira de expansão do capital internacional.

Agora que a tal da globalização acabou, inclusive com as crescentes restrições ao livre fluxo de pessoas, talvez seja chegado o momento de dizer claramente que o objetivo fundamental dos investimentos estrangeiros é enviar lucro de volta para os países de origem.

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Resumos de estudos anteriores de David Pimentel podem ser encontrados, em inglês, em  www.news.cornell.edu/stories/july05/ethanol.toocostly.ssl.html ou, em português, em http://resistir.info/energia/biocombustiveis.html.  David Pimentel tem quase 500 trabalhos cientificos publicados, além de 20 livros.

Agravam-se os Sinais das Mudanças Climáticas – As Reuniões Continuam Sem Nenhuma Luz Sequer No Começo dos Túneis

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A semana que passou foi de notícias sombrias.  Reúne-se o Grupo dos 8 países mais ricos nesta segunda-feira em Hokaido, no Japão, para discutir mudanças climáticas e crise de alimentos, entre outras coisas.  A imprensa e o público em geral não parecem ter qualquer expectativa de que alguma decisão minimamente séria sobre saia de mais esta reunião sobre temas que já parecem desgastados.  Nos países sérios, o blá-blá-blá sobre desenvolvimento sustentável já foi substituido pela pela formulação de políticas de adaptação às mudanças climáticas e de garantia da segurança alimentar de suas populações.  Os demais, que se virem.

O presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Rajendra Pachauri, informou que a humanidade tem apenas sete anos – até 2015 – para estabilizar a emissão de gases causadores de mudanças climáticas.  Ou seja, para que a emissão desses gases pare de aumentar, o que significa que cesse o crescimento econômico dos países em desenvolvimento e da aviação comercial, e também que os países muito ricos mudem de atitude (há exceções honrosas, como a Alemanha).  A inércia do sistema econômico, político e social é de tal ordem que não há a mais vaga possibilidade de que essa estabilização das emissões ocorra.

Pachauri ressaltou que as mudanças climáticas estão ocorrendo numa velocidade muito maior do que a prevista pelos cientistas até recentemente, e ressaltou algo também noticiado pela imprensa nos dias anteriores: pela primeira vez na história da humanidade é provável que o Ártico fique sem gelo neste verão.  E ainda que isso não aconteça totalmente, o gelo que lá estará será de formação recente, e não aquele formado ao longo de centenas ou milhares de anos, como ocorria até recentemente.

Na mesma semana, o governo da Inglaterra admitiu que a contribuição do país para as mudanças climáticas é bem maior do que antes de afirmava.  O documento com a informação de que as emissões da Inglaterra são 37% maiores do que antes se afirmava, recebeu um título calhorda que não revela o seu conteúdo: Desenvolvimento de Indicadores de Emissões Ocultas de Carbono.  O governo inglês havia informado até o momento que as emissões do país tinham sido reduzidas em 5% – comparadas com as emissões de 1990.  O novo documento mostra que, na verdade, elas subiram 18%.  A diferença se deve ao fato de que até agora não se contabilizavam as emissões inglesas decorrentes da aviação e do transporte marítimo internacional, e nem as emissões decorrentes da produção de bens produzidos em outros países e consumidos pela Inglaterra.  Esse é um novo conceito que merece análise mais aprofundada.

O cinismo e a mentira dominam o cenário político da Inglaterra, quando isso é de interesse do poder.  Nada muito diferente do que acontece em outros países.

Na mesma semana, o pesquisador George Monbiot (www.monbiot.com) publicou no The Guardian um artigo com uma proposta radicalmente inovadora sobre as formas de contabilizar e responsabilizar os países por suas emissões de gases causadores de mudanças climáticas: cada país deve ter a mesma cota de emissão per capita.  Se os países em desenvolvimento adotarem esse conceito, as possibilidades de um consenso planetário cairão a zero.  E abaixo de zero se as emissões oriundas de produtos de exportação forem levadas à conta dos países importadores, muito mais ricos e que consomem muito mais.

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O fim da era do petróleo está mais próximo do que se pensa.  Uma pesquisa com grande número de especialistas da área de petróleo publicada pela revista New Scientist concluiu que a maioria acredita que a produção desse combustível fóssil atingirá o seu pico máximo em 2010.

Todo o lero-lero em torno do petróleo de águas profundas pode resultar em muito pouco ou nada,  em decorrência de um simples balanço energético: se a extração de cada barril desse petróleo consumir a energia de um barril de petróleo, ou pouco mais, ou pouco menos, a economia não poderá girar na base de trocar 6 por meia dúzia.  Já se sabe que a extração de petróleo das areias xistosas no Canadá tem um balanço energético precário: consome a energia de 1 barril para extrair 2 barris.

Ainda assim os tolos tentam atribuir a rápida elevação dos preços do petróleo à mera especulação financeira.

Mudanças Climáticas – Mudanças na Agenda Internacional

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Os países ricos estão investindo maciçamente em veículos híbridos – parcialmente movidos a eletricidade – como forma de se protegere, do fim da era do petróleo e sob a alegação de que assim contribuem para a redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas.  O desenvolvimento dessas tecnologias é em grande parte subsidiado pelos governos.  Se um dia os países pobres quiserem produzir veículos com essas tecnologias, os royalties pela tal da propriedade intelectual serão altos.  As montadoras brasileiras, todas estrangeiras, remeterão para os países ricos não apenas os lucros, mas também esse dízimo incessante nunca auditado pela Receita Federal.

Enquanto os países sérios usam as mudanças climáticas para gerar mais tecnologia e mais lucros, no Brasil os políticos e a imprensa chafurdam no mesmo fatigado tema da proteção e da regularização fundiária na Amazônia.  Sem cair no monótono discurso governamental da distribuição de renda sem educação de boa qualidade, há que se dizer uma verdade: os muito ricos falam nos interesses maiores da humanidade mas não vão transferir nenhuma dessas novas tecnologias sem mandar a conta, certamente mais pesada do que as doações para a proteção das florestas….. ah, essas florestas amazônicas que eles querem preservar sempre que não tiverem interesse nos minérios que nelas se escondem.

As novas tecnologias não se limitam, é claro, aos veículos automotores.  Disputam palmo a palmo a liderança na geração eólica e a partir da energia das marés, dos biocombustíveis de segunda geração ou com o cultivo de algas, as tecnologias de eficiência na geração, na transmissão e no uso da energia, e por aí afora.

Seguramente já é hora de mudar o foco dos debates internacionais sobre as mudanças climáticas.  Ou então, é melhor que se pare de fingir que existem interesses comuns de uma tal de humanidade.

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Sem o ínterminável blá-blá-blá dos intelectuais paulistanos que engoliram Marina Silva sem nenhum conhecimento da Amazônia, o ministro Carlos Minc pode convencer o Itamaraty a trocar o velho disco já gasto que se resume a pedir doações para a Amazônia.

Dia Mundial do Meio Ambiente – Algo a Comemorar?

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Nada a comemorar no dia mundial do meio ambiente.  No Brasil, fracassaram até mesmo os programas mais elementares de mero saneamento – isto é, coleta e tratamento de esgotos, coleta e disposição final adequada de lixo.  Alguns bilhões de dólares foram investidos em programas de despoluição do Tietê, do Guaíba, da baía de Guanabara, sem indícios de resultados positivos. 

Para ninguém dizer que se trata de implicância ou mau-humor, O Globo publicou, no tal dia, em primeira página, uma imensa foto mostrando a enorme mancha de esgotos oriunda do complexo lagunar da Barra da Tijuca e se estendendo ao longo das praias, quase chegando às ilhas.  Coisas da CEDAE, que não vai ser multada, como seria uma indústria qualquer.  Parabéns ao jornal O Globo e ao seu fotógrafo.

E continua o trololó sobre a Amazônia, que serve de cortina de fumaça para a incapacidade de administrar até mesmo os parques nacionais e estaduais - nossos famosos parques de papel -, bem como para a ausência de políticas ambientais consistentes em áreas tão simples e importantes quanto a gestão dos recursos hídricos.  Lula assinou a criação de mais algumas unidades de conservação, sem projeto ou previsão orçamentária para a sua efetiva implantação.

Então, vale deixar esses assuntos de lado e voltar à onda otária da substituição de derivados de petróleo por produtos de origem vegetal.  Enquanto a turma perde tempo e dinheiro público em Roma, oscilando entre jogos de cena políticos e a linguagem diplomática para falar de etanol, no espaço de poucos dias uma grande indústria petroquímica anunciou a “busca de parceiro para o carro verde”.  Quem lê, até acredita que se trata de um grande progresso.  Afinal, verde é, hoje, parte da estruturação de imagens de marca para vender as mais diversas bobagens.

Essa indústria – a Braskem – fabricará polietileno verde e quer fechar parcerias com os fabricantes de automóveis para substituir “peças de plástico tradicional, de origem fóssil, por plástico verde”.  O plástico verde já está sendo fabricado a partir do etanol e de outros produtos agrícolas em diversos países, aumentando a competição pelo uso da terra.  E Lula ainda passeou por Roma brincando de garoto-propaganda e carregando a tiracolo um carrinho de brinquedo produzido com o tal plástico verde fabricado pela Braskem.

Dias depois de anunciar a instalação da primeira unidade de produção do tal plástico verde, a ser implantada em Triunfo, no Rio Grande do Sul, e que começará a operar em 2010, a mesma Braskem anunciou que já busca definir o local para a implantação da segunda unidade.  Ah – a unidade de Triunfo será abastecida de eletricidade por uma usina térmica a carvão…. nem tão verde.

Verde que te quero verde, mas ninguém se arrisca a calcular o total das terras agriculturáveis necessárias a substituição de 20% do petróleo hoje consumido no mundo por produtos de origem vegetal – incluindo, agora, o plástico verdee o impacto disso sobre a produção e o preço dos alimentos.

Como única comemoração do dia mundial do meio ambiente, vale mostrar aos jovens  – e aos adultos também – o filme intitulado A História das Coisas, antes citado neste blog mas agora já com subtítulos em português – de Portugal – e que mereceria um prêmio especial na área dos projetos de educação ambiental.  Parabéns à Annie Leonard e à Tides Foundation!  Gente criativa, alegre, leve, otimista, sem medo de dizer a verdade de forma simples e direta.  As corporações que tiverem de fato interessadas em trabalhar com educação ambiental, poderiam fazer 0s sub-títulos em português e tirar alguns milhões de cópias para os estudantes de todos os níveis.

http://video.google.com/videoplay?docid=-3412294239230716755

Banco Mundial – Mentiras Sem Meias Verdades

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A despeito da retórica oficial – ou da mentira pura e simples, não menos oficial -, o Banco Mundial e o seu braço armado, a Corporação Financeira Internacional – IFC, que faz empréstimos e toma participações acionárias em projetos privados, está, sim, financiando a rápida expansão da indústria sucroalcooleira.

A IFC já investiu em frigoríficos e ampliação da criação de gado na Amazônia e, agora, aprovou um megaprojeto em Goiás.  Infelizmente, ainda apenas em inglês, as informações podem ser encontradas em http://www.ifc.org/ifcext/spiwebsite1.nsf/2bc34f011b50ff6e85256a550073ff1c/4af3a140be617199852573d80070d924?opendocument.

Trata-se da quase duplicação da capacidade de processamento da Usina São João, de 5,5 milhões para 10 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, parte com a ampliação da unidade já existente em Quirinópolis e parte com a construção de uma nova unidade em Cachoeira Dourada.  Em números aproximados, para cada 1 milhão de tonelada de cana-de-acúcar são necessárias terras num círculo de 25 km no entorno da unidade de esmagamento.

Com o cinismo usual, a IFC (na sigla em inglês), enfatiza nas informações disponíveis ao público por força dos regulamentos internos do Banco Mundial (impostos na década de 80 pelo governo norte-americano e pela tradição anglo-saxônica) que estará, assim, beneficiando pequenos produtores de cana-de-açúcar.

Mentira!  Nunca, em nenhuma situação, em toda a história da indústria sucroalcooleira no Brasil, pequenos produtores de cana-de-açúcar foram beneficiados.

O contrato já foi assinado – em março de 2008! –  mas o Estudo de Impacto Ambiental ainda não está disponível.  Vale ressaltar que, cinicamente, a IFC incluiu o projeto na Categoria B de riscos ambientais (a categoria A é aquela que tem mais riscos e requer estudos ambientais mais aprofundados, e a B é aplicada quando os riscos não são considerados tão significativos).

E, com cinismo igual, o processo que levou ao contrato foi analisdo e aprovado na mais completa discreção, e o estudo de impacto ambiental completo não foi disponibilizado através da internet.

O projeto inclui, em princípio, a plantação de cana-de-açúcar em 25.100 hecatares de adicionais em terras próprias e em terras de terceiros.  Os investimentos totais serão de US$ 355 milhões ou, ao dólar no ralo em que se encontra, R$ 568 milhões.

Com os subsídios do governo de Goiás para novas atividades – na faixa de R$ 6 para cada R$ 1 investidos -, o rombo nos cofres públicos do estado se amplia, com prejuízos para a educação, a saúde, o saneamento e a habitação.

Seria bem melhor que o Banco Mundial e o braço armado parem de mentir.  E seria bem melhor, também, que Lula acordassse para o fato de que o Brasil também concede elevados incentivos fiscais para os biocombustíveis.  Desde o início do Proálcool, o grosso desses subsídios foi pago pelo consumidor, na bomba de gasolina, já que o setor sucroalcooleiro sempre teve o poder de fazer com que o governo alterasse o teor de álcool na gasolina ao sabor de seus interesses momentâneos.

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A IFC também aprovou US$ 54 milhões para aumentar a produção de gado na India, para a exportação de carne e queijo para países desenvolvidos.  Um subsídio à cadeia Pizza Hut, de comida-lixo (junk-food, em inglês; aquela que causa diabetes e muitas outras doenças).

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“Crédito verde” é só denominação propagandística, inútil, até porque os grandes não precisam de dinheiro dos bancos estatais, já que podem conseguir financiamento muito mais barato lá fora.

Golpe de Misericórdia nos Biocombustíveis?

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“Os EUA e a União Européia tiveram uma atuação criminosa ao contribuir para o aumento explosivo dos preços globais dos alimentos em decorrência dos estímulos ao uso colheitas para a produção de biocombustíveis”- afirmou o relator da ONU (www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=26478&Cr=food&Cr1=ziegler).  A declaração foi feita durante o encontro sobre a crise global de alimentos que se iniciou ontem na Suíça.

No mesmo pronunciamento, ele propôs uma moratória de 5 anos na produção de biocombustíveis.

Esse pode ser considerado o golpe de misericórdia na ilusão de que seria possível uma expansão indefinida das fronteiras agrícolas do mundo de maneira a assegurar a substituição tanto do petróleo quanto de seus derivados.  Ilusão, sim.  Não porque não exiistam as tecnologias, mas em função da população já existente no planeta e de seu contínuo crescimento.

Jean Ziegler, o relator especial da ONU, enfatizou, também, a manipulação dos mercados internacionais por empresas como a Cargill, que controla 25% da produção mundial de cereais, e pediu novas medidas medidas regulatórias para conter esse poder dos oligopólios e dos mercados futuros sobre a produção e os preços dos alimentos. 

Nada muito diferente do poder quase sem limites que os produtores de soja e de etanol têm sobre o governo brasileiro, inclusive fazendo Lula circular pelo mundo como um antiquado vendedor de enciclopédias clamando pelo fim dos subsídios europeus e  norte-americanos à produção agrícola.  Em especial quando isso aconteceu nos mesmos dias em que o governo brasileiro aceitou os termos impostos pela bancada ruralista para perdoar ou adiar o pagamento de dívidas bilionárias, reduzindo os juros a patamares desprezíveis.  Ou seja, uma política de fortes subsídios aos poderosos, em nada diferente do que fizeram governos anteriores.

Ziegler também criticou  “a política aberrante” do FMI e do Banco Mundial que estimularam países pobres a orientarem a produção agrícola para a exportação em substituição à produção de alimentos para consumo de suas populações.   Tudo com o único objetivo de assegurar o pagamento de dívidas externas.

Vale ressaltar que todo esse caos já se configura quando a regra, no caso brasileiro, é a adição de apenas 2% de óleos vegetais ao diesel e de um percentual que oscila em torno de 20% de etanol à gasolina (percentual sempre manipulado em função dos interesses da indústria sucro-alcooleira, controlada por 3 ou 4 grandes grupos, e sob o domínio crescente de fundos de investimento estrangeiros puramente financeiros).

Isso sem falar na massiva aquisição de terras por grupos estrangeiros para a produção de biocombustíveis para a exportação nos anos recentes.  Essas monoculturas geram poucos empregos e aumentam a pressão no sentido do êxodo rural para a periferia das grandes cidades.  Também nas cidades de porte médio a favelização é visível e se acentua a cada dia.

Afirmar que o aumento da demanda de alimentos pela China é o principal fator do aumento dos preços é mera enganação de má-fé, já que o uso de alimentos para a… alimentação é apenas natural e inevitável.

Falar em “modernização das técnicas agrícolas” de maneira a evitar a expansão da fronteira agrícola em direção à Amazônia e ao Pantanal também é enganação.  Essa modernização pressupõe taxas mais elevadas de aplicação de fertilizantes derivados do petróleo e mecanização.

Além disso, os europeus que fazem politicagem buscando a certificação devem saber perfeitamente que eles podem importar biocombustíveis produzidos em outras regiões do Brasil sem deixar de contribuir para o aumento das pressões no sentido aa inevitável expansão das fronteiras agrícolas nos ecossistemas que fingem querer proteger.

Já é tempo de se desenhar uma política de segurança alimentar que não seja restrita à bolsa-família.   E isso não ocorrerá através do “zoneamento econômico-ecológico” cuja ênfase esteja na proteção de uma biodiversidade ainda pouco conhecida.  São necessárias políticas de verdade para a segurança alimentar e energética.

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Sistemas similares à bolsa-família foram usados em muitos países hoje altamente industrializados durante quase todo o seçulo XX, em particular nos momentos de crise.  Mas em conjunto com outras políticas públicas, sistêmicas e de longo prazo, inexistentes no Brasil há bastante tempo.

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O secretário-geral da ONU ressaltou, em seu discurso de encerramento da conferência, a crescente possibilidade de “distúrbios sociais”, mesmo nas áreas urbanas, em função da escassez e dos preços dos alimentos.  A melhor denominação para tais “distúrbios” é violência mesmo.

A Mentira Certificada e o Jogo da Enganação

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Acordos negociados ao longo de muito anos para flexibilizar as regras da aviação internacional entram em vigor neste mês e permitirão uma explosão dos vôos entre a Europa e os Estados Unidos, com passagens muito mais baratas.  Especialistas britânicos estimam em 200 novas partidas diárias só dos aeroportos da Inglaterra a partir de abril de 2008.   

Com isso, o blá-blá-blá dos países ditos desenvolvidos sobre a importância do Brasil preservar as florestas amazônicas em prol do bem comum da humanidade já se tornaram piadas.  Fica comprovado que esse tipo de discurso serve mesmo é para desviar a atenção de seus cidadãos para as próprias responsabilidades.

Aos fatos.  Em 2005, um estudo do Centro Tyndall de Pesquisa em Mudanças Climáticas (www.tyndall.ac.uk) mostrou que se o uso do transporte aéreo pelos ingleses continuasse a crescer no ritmo dos anos anteriores o aumento das emissões decorrente seria mais do que suficientes para neutralizar o conjunto de reduções alcançadas pelo país em todas as outras áreas até 2050.  Nos cálculos, foram consideradas a adoção de novas fontes de energia e os programas de eficiência energética.

O estudo, que se estende a outros países da União Européia e aos EUA, pode ser baixado em www.tyndall.ac.uk/publications/working_papers/wp84.pdf.

Mas nenhum alerta desse tipo, mesmo proveniente dos mais sérios centros de pesquisa científica, vai frear os projetos de expansão de aeroportos europeus e norte-americanos, bem como todo um conjunto de medidas para tornar os vôos mais acessíveis.  Estima-se que até o final de março, com a nova política de Céus Abertos (Open Skyes), o número de vôos transatlânticos partindo só do aeroporto de Heathrow aumente em cerca de 25%, com 524 novos vôos por mês.

Nada diferente dos movimentos de direitos humanos inglêses e norte-americanos que silenciaram diante do genocídio e das atrocidades cometidas pelos invasores do Iraque sedentos de petróleo, ou das torturas em Guantánamo, mas discursam sobre as condições dos presídios no Brasil.

Se esse é o caminho predileto de nações ditas civilizadas e o Brasil entra no jogo, então, prevalece a mentira certificada já denunciada pelo divertidíssimo grupo também inglês  cuja página na internet merece ser revista – www.cheatneutral.com.   A gente faz de conta que impede o desmatamento na Amazônia com um belo e dispendioso jogo de cena envolvendo numerosas forças policiais e os países altamente industrializados fingem que vão mudar os seus estilos de vida do qual resultam abundantes emissões de gases causadores de mudanças climáticas.

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Evidentemente, a mentira de lá não justifica a daqui.  O governo brasileiro não tem um projeto estratégico para as florestas amazônicas e nem para o Cerrado.  Na verdade, não tem um conjunto de políticas ambientais consistentes, mas apenas um conjunto de restrições das quais são excluídas as grandes mineradoras, hidrelétricas e outros poderosos, além favelados e assentados. 

Etanol, Biodiesel e Outras Tolices

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Cresce a dificuldade de assegurar um mínimo de alimentos para os mais pobres do mundo.  Esse é o resultado do rápido aumento nos preços dos produtos agrícolas decorrente do aumento da demanda por biocombustíveis.  Não se trata de uma opinião, mas de uma constatação da FAO, a agência da ONU para agricultura e alimentação.

“Estamos vendo um crescente número de pessoas com fome.  E a quantidade de comida que a FAO pode adquirir para tentar dar algum alimento para essas crianças caiu para 40% do que era há 5 anos.”

Essa declaração da diretora-executiva da FAO, Josette Sheeran, feita há poucos dias, não repercutiu na imprensa brasileira.  Aqui, ainda se anuncia como algo sensacional a decisão da Petrobras de investir numa mega-usina de biodiesel em Minas Gerais.  Misturam-se decisões eleitoreiras – ganhar votos em território governado por outro partido – com a velha crença colonial de que os recursos naturais são inesgotáveis.  Um mega-projeto desse tipo só pode gerar monocultura e migração dos pequenos proprietários rurais para a periferia das grandes cidades.

A estimativa da FAO é de que 100 milhões de toneladas de grãos estão sendo redirecionadas anualmente para a produção de biocombustíveis.  Em escala global, a maior parte desse percentual é constituída de milho - 12% de todo o milho produzido no mundo.  Mas no Brasil a quase totalidade do biodiesel é proveniente da soja.  A redução da produção de alimentos básicos da dieta dos brasileiros – como feijão – já foi anunciada pela EMBRAPA há algum tempo.  O aumentos dos preços dos alimentos que constituem a cesta básica dos brasileiros de menor renda pesou de maneira decisiva na inflação de 2007.

Os resultados desse direcionamento dos cereais para a produção de biocombustíveis já vêm sendo anunciados pelos órgãos do governo norte-americano desde o início de 2007.  A cotação de cereais subiu para patamares nunca antes atingidos, com aumento de 25% nos preços do trigo, do milho e da soja.  O aumento da demanda de cereais pela China e Índia influiram nesse aumento, mas não foram apontados pelas autoridades norte-americanas como o principal fator, que continua sendo a demanda por biocombustíveis.

Faz-se urgente a criação de cinturões verdes em torno das cidades brasileiras por razões de segurança alimentar, incluindo menores custos de transporte, um dos mais graves efeitos perversos dos preços garantidos pelo governo aos poucos produtores de etanol.  Há décadas, o etanol brasileiro é subsidiado de muitas formas.  Entre elas, pela constante variação no teor obrigatório de mistura à gasolina utilizada pelos consumidores brasileiros.  Isso, sim, é que é parceria público-privada!  Uns ficam com a receita garantida e outros com a gasolina malhada.

Além dos cinturões verdes por razões de segurança alimentar – que não pode se restringir à caridade com dinheiro público -, a única coisa que se pode acrescentar a esse quadro perverso é o rápido aumento da eficiência energética, a utilização de energias renováveis que não demandem terras agrícolas (inclusive os biocombustíveis de segunda geração).  E, o que é mais importante, ações no sentido da rápida mudança nos padrões de consumo.

Acordos Internacionais e Esquizofrenia Energética

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Há cerca de 2 anos, a British Petroleum derramou um rio de dinheiro no mercado publicitário tentando mudar a percepção pública de sua sigla – BP.  Em todos os luminosos de Times Square, em Nova York, lia-se BP – Beyond the Limits (BP - Além dos Limites).  A publicidade afirmava o compromisso da empresa com energias renováveis.  E, de fato, quem visita de maneira superficial a página da BP na internet é capaz de acreditar que se trata de uma empresa verde.  A BP, como outras petroleiras, inclusive a Petrobras, tenta, com afã, acreditar ou fazer com que os outros acreditem que são empresas de energia caminhando em direção às energias renováveis.  Para isso, as petroleiras contam com o apoio da mídia, que além de bons contratos de propaganda tenta com igual afã – no melhor estilo Globo – garimpar boas notícias sobre o meio ambiente para não assustar a clientela.

A BP está se preparando mesmo é para investir R$ 5,2 bilhões numa área até agora intocada do Canadá, na extração de combustível fóssil das chamadas areias betuminosas.  Só a extração desse combustível – isto é, sem falar no uso final do combustível dela resultante -  resultará na emissão de 100 milhões de toneladas anuais de gases causadores de mudanças climáticas.  Isso para não mencionar o desmatamento de 140.000 kmde florestas nativas e a contaminação de imensos volumes de água. 

Na verdade, a BP é apenas mais uma petroleira entrando no que já está sendo chamado de “corrida do petróleo”, num paralelo com a  ”corrida do ouro” do antigo faroeste.  Nessa corrida já estão a anglo-holandesa Shell e a norte-americana Esso.  E a proposta conta com o enfático apoio do governo do Canadá, já que com as areias betuminosas o país passará a ser o segundo maior detentor de reservas de combustíveis fósseis, logo depois da Arábia Saudita.

Evidentemente, acusar apenas a BP é uma atitude um tanto esquizofrência, já que se ela não participar dessa corrida do petróleo outras petroleiras o farão, como já estão fazendo.  A corrida já se estende, por antecipação, à Antárdida e a outras áreas onde se encontram jazidas de petróleo de grande profundidade e cuja exploração vem se tornando viável com o aumento dos preços dessa fonte de energia.

Além disso, denunciar a atuação das empresas de petróleo sem fazer o mesmo em relação ao comportamento de seus países de origem – que subscreveram ao Protocolo de Quioto – não faz sentido.

Alguém acredita mesmo, com toda a sinceridade, que a humanidade está preparada, política ou culturamente, para abrir mão de uma Arábia Saudita de petróleo, mesmo ao custo do colapso climático e talvez civilizatório?

Quem acredita pode, talvez, olhar para a China, onde se situam mais da metade das 45.000 maiores hidrelétricas do mundo.  Com uma sólida bases tecnológica e financeira, empresas e bancos chineses estão, hoje, participando da construção de pelo menos 46 grandes hidrelétricas em 26 países, tais como Laos, Paquistão e Nigéria.  Contratos bilionários para gerar energia limpa, renovável?  Tudo como parte do pacote de ajuda a países mais pobres, mas em troca de acesso a reservas de petróleo e minérios.  A China tem anunciado metas ambiciosas de eficiência energética e de participação de energias renováveis em sua matriz energética.  Mas, evidentemente, sem abrir mão do tal do crescimento econômico, que demanda mais e mais energia.

A adoção de fontes renováveis de energia não resultará em redução do consumo de combustíveis fósseis, mas em seu aumento até o limite do possível.  Ou seja, a emissão de gases causadores de mudanças climáticas também continuará a crescer, exceto em alguns bolsões de riqueza onde a população e os níveis de consumo já se estabilizaram.

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Na produção de um barril de petróleo convencional são emitidos 29 kg de CO2, o que coloca os países produtores de petróleo entre os maiores responsáveis pela emissões causadoras das mudanças climáticas per capita.  Na produção de combustível fóssil a partir das areias betuminosas essas emissões sobem para 125 kg de CO2 por barril.

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No Canadá, nenhum cretino dirá que a exploração de novas reservas não contribuirá para as mudanças climáticas como afirmou um representante do governo brasileiro quando questionado pela imprensa na entrevista coletiva em que foi feito o anúncio da descoberta das reservas de grande profundidade de Tupi.