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Amazônia - Verdades e Mentiras

Enquanto rolam os ciúmes e outras ceninhas decorrentes da muito justa  e apropriada divulgação do papel do INCRA no desmatamento da Amazônia, vale a publicação de uma imagem daquilo que se encontra fora dos olhares dos turistas em quase todas as cidades da região: pobreza, falta de saneamento básico, inexistência de serviços médicos, e muito mais.  Na foto, uma mulher limpa um peixe às marges do rio nas proximidades dos esgotos da pequena cidade, que ali são despejados.  A transmissão de doenças é certa como 2 e 2 são quatro.

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Então, nem o ministro Carlos Minc tem que “se explicar” com a justificativa de que não leu o documento antes - documentos do serviço público, exceto quando classificados como confidenciais, são de domínio público -, e nem a turma INCRA, responsãvel pelos anêmicos assentamentos rurais em todo o Brasil, precisa ”fazer biquinho”.

Ministros não têm que ler todos os documentos por uma questão de “precaução” e nem o INCRA tem que ficar fiscalizando o que fazem os pequenos produtores rurais “assentados”.  Afinal, o desmatamento total é permitido nos casos de mineração (para exportar minério barato e de baixo valor agregado para país ricoa), para a geração de energia elétrica (para abastecer esses algum beneficiamento desses minérios, na etapa que requer mais energia), e para todas as iniciativas assuntos “de interesse social”.  E não vale para assentamentos de pequenos produtores?

Na verdade, a imprensa e os brasileiros de um modo geral sofrem de um mal comum: o pensamento mágico.  Uma lei pode não ser legítima, o caboclo do interior da Amazônia pode nem saber que ela existe, até porque ela, em nome da proteção à natureza, pode contrariar a natureza… humana, aquela dos habitantes da região que também querem melhorar o seu nível de renda e a sua qualidade de vida (tanto a que é imposta pelo napalm cultural da Rede Globo quando o mero acesso aos serviços básicos de educação, saúde, energia elétrica, telecomunicações).

Tudo bem, todos sabem que o ser humano é que é o grande problema.  Mas é possível simplesmente retirá-lo do cenário amazônico… ou planetário?  Não!  Então, seria mais interessante que alguém conseguisse explicar a tal regra nascida em 2001, por Medida Provisória de FHC, para dar à imprensa internacional um ar de severidade, segundo a qual 80% das propriedades rurais devem se manter como “reserva legal”.  Por que 80% e não os anteriores 50% ou outro percentual qualquer?  Apenas em função do pensamento mágico?

Os caboclos foram informados disso?  A turma de Xapuri cumpre?  Não!  A cada dia mais os próprios caboclos criam gado.  O “modo de produção” extrativista já se revelou um sonho do passado e o ideal de preservação integral ou quase da “Hiléia”, floresta indomável, terá que ser revisto, como já está sendo, na prática, e não apenas pelos grandes, mas também por alguns milhões de pequenos.

A não divulgação da lista muito antes é que se constituiu em verdadeira crime de “lesa pátria”: sonegação de informações à Nação.  Difícil saber onde terminava a fidelidade partidária e começava a abulia mal mascarada pela falsa aparência da existência de um bastião de resistência ideológica dentro do governo.  Ideologia caracterizada pelo esforço para encaixotar a realidade dentro de um conjunto de conceitos téóricos.

É a própria ”natureza da lei” que deve ser questionada.  Ela pode ser legal e não legítima e/ou não ser aplicável.

Quem quer a proteção integral das florestas amazônicas, em lugar da proteção das unidades de conservação claramente definidas e demarcadas?  O governo da Noruega que compra caças de guerra milionários para proteger as suas potenciais reservas de petróleo no Ártico (mais gases causadores de mudanças climáticas) e doa uns carminguás para a proteção das florestas com o objetivo de acalmar a consciência pesada dos seus eleitores?  Assim não vale.  O paraíso. no imaginário do caboclo, não é mais a floresta, mas Oslo, a Noruega, com a sua elevadíssima renda per capita, a sua rede de seguridade social, e a sua realeza envolvida nas trampas dos desertos verdes - do tipo Aracruz Celulose - que produzem “madeira certificada”.

Na imagem abaixo, capa de um tablóide do Acre, um jacaré tenta nadar em meio ao Igarapé São Francisco, coberto de lixo e garrafas PET.  Uma homenagem ao jubileu do cinismo dos noruegueses, ingleses - que invadem e massacram para assegurar mais petróleo - e da União Européia em geral.

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