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	<title>Luiz Prado Blog &#187; Transporte</title>
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	<description>meio-ambiente e desenvolvimento</description>
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		<title>Trens de Alta Velocidade e Mudanças Climáticas &#8211; A China Dá o Seu Recado</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Dec 2009 17:16:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meio Ambiente - Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças Climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de ter sido acusada de contribuir de maneira decisiva para o naufrágio anunciado do encontro sobre mudanças climáticas de Copenhagen, a China esfregou hoje – dia 26 de dezembro – na cara do mundo a inauguração de mais um trem de alta velocidade unindo duas grandes cidades situadas a 835 quilômetros uma da outra: Wuhan e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.luizprado.com.br/wp-content/images/china-high-speed-trains.jpg" title="china-high-speed-trains.jpg"></a>Depois de ter sido acusada de contribuir de maneira decisiva para o naufrágio anunciado do encontro sobre mudanças climáticas de Copenhagen, a China esfregou hoje – dia 26 de dezembro – na cara do mundo a inauguração de mais um trem de alta velocidade unindo duas grandes cidades situadas a 835 quilômetros uma da outra: Wuhan e Guangzhou.  A viagem que antes demandava cerca de 10 ½ horas pôde ser feita em menos de 3 horas, a uma velocidade media de 350 km/hora e uma velocidade máxima de 390 km/h.</p>
<p>A China concluirá a implantação de 42 novas ferrovias de trens de alta velocidade nos  próximos três anos, com o total de 12.000 quilômetros adicionais, disponibilizando assim esse meio de transporte para cerca de 90% da população.  O tempo de viagem ferroviária entre Hong-Kong e Pequim cairá de 23 para 8 horas.</p>
<p>O programa chinês de investimentos em trens de alta velocidade é ambicioso e quando concluído, em 2020, a China terá o maior, mais rápido e mais avançado tecnologicamente sistema de trens do mundo.  Em 2009, o país investiu 50 bilhões de dólares nesse tipo de transporte e o investimento total previsto até 2020 é de 300 bilhões de dólares.  A geração de emprego é imensa e só a ferrovia Xangai-Pequim gerou 110.000 postos de trabalho.</p>
<p>As autoridades chinesas já prevêem uma significativa redução da demanda de transporte rodoviário e, sobretudo, aéreo a partir desses avanços.</p>
<p>Foram necessários 23 anos para elevar a velocidade média dos trens na China de 43 km/hora – em 1978 – para 100 km/hora – em 2001, e apenas 9 anos para mais do que triplicar essa velocidade para os atuais 350 km/h.  A velocidade media dos trens na Alemanha é de 232 km/h, no Japão é de 243 km/hora no Japão e na França de 272 km/hora.</p>
<p>As diferenças de consumo de energia entre os diferentes meios de transporte foram estimadas pelo Departamento de Transportes nos EUA em 1995 e os números encontrados ainda podem servir como referência.</p>
<p>Transportar uma tonelada de carga por uma distância de um quilômetro consome 221 quilojoules de energia por via férrea, 225 quilojoules por via aquática, 2.000 quilojoules se utilizados caminhões e 13.000 quilojoules por via aérea.</p>
<p>Ou seja, o transporte ferroviário nos EUA (que não são um país avançado em matéria de trens de alta velocidade mas têm padrões estritos para a eficiência de motores auto-veiculares) consome pouco mais de 10% da energia utilizada pelo transporte rodoviário.</p>
<p>Se alguém quisesse aplicar o critério da redução das emissões de dióxido de carbono num programa de implantação de ferrovias desse tipo &#8211; que é um programa de eficiência econômica e energética -, os países altamente desenvolvidos teriam que pagar um bocado de dinheiro à China pela redução das emissões de carbono.  Evidentemente, ninguém quer desembolsar dinheiro para que a China acelere ainda mais o seu avanço científico, tecnológico, econômico, social e, como se não bastasse, na área da redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas. </p>
<p>O impacto das emissões do setor de transportes nas mudanças climáticas e na economia é imenso, o que levou o Parlamento Europeu a decidir por elevados investimentos no setor ferroviário.</p>
<p>No caso do Brasil, isso só ocorrerá se for superada a fase do samba de uma nota só do desmatamento e a monopolização do assunto pela área ambiental, que termina eximindo outras áreas do governo de suas responsabilidades no campo das mudanças climáticas.</p>
<p>Até lá, o governo continuará a se render ao lobby das empreiteiras e da indústria (estrangeira) de caminhões, dando prioridade ao transporte rodoviário mesmo nos investimentos a serem feitos na Amazônia, que afirma querer proteger.</p>
<p>Vale ressaltar: a China está implantando seu sistema de trens de alta velocidade com tecnologia própria!</p>
<p>E o Brasil patinando no lero-lero midiático sobre um trem de alta velocidade com tecnologia estrangeira ligando o Rio de Janeiro a São Paulo.  Uns, reduzem as emissões com grandes avanços tecnológicos; outros, propondo o congelamento da realidade, ainda quando os cientistas prevejam a transformação de 30 a 40% da Amazônia em savanas até 2050 em conseqüência do aquecimento global, com ou sem a canoa furada da reserva legal.</p>
<p>***</p>
<p>O mais divertido é que o Brasil exporta minério de ferro para a China e importa o produto sob a forma de trilhos.  Como se não bastasse, há alguns meses o governo do Rio de Janeiro anunciou, em junho de 2010,  com grande orgulho, que importaria da China 30 trens elétricos por US$ 165 milhões.  Logo depois, anunciou-se a aquisição de 114 novos vagões do mesmo fabricante chinês para o metrô do Rio.  O minério sai daqui, a geração de emprego e de valor é feita lá.  E a turma ainda celebra.</p>
<p>***</p>
<p>Imagens dos novos trens chineses e do terminal recém inaugurado dão uma idéia dos avanços tecnológicos do país, em contraste com o  que ocorre nessa área no Brasil.</p>
<p><a href="http://www.luizprado.com.br/wp-content/images/china-high-speed-trains.jpg" title="china-high-speed-trains.jpg"><img src="http://www.luizprado.com.br/wp-content/images/china-high-speed-trains.jpg" alt="china-high-speed-trains.jpg" /></a></p>
<p><a href="http://www.luizprado.com.br/wp-content/images/china-wuhan-railway-station-capital-of-hubei-province.jpg" title="china-wuhan-railway-station-capital-of-hubei-province.jpg"><img src="http://www.luizprado.com.br/wp-content/images/china-wuhan-railway-station-capital-of-hubei-province.jpg" alt="china-wuhan-railway-station-capital-of-hubei-province.jpg" /></a></p>
<p>***</p>
<p>A China não precisa de bolsa-família porque mesmo com uma população que já supera 1,3 bilhão de habitantes já resolveu os seus problemas de educação em todos os níveis, bem como de habitação e saúde pública.</p>
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		<title>Petrobras &#8211; Irresponsabilidade Socioambiental e Termos de Ajuste de Conduta – TAC</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Sep 2008 15:16:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eficiência Energética]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças Climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte]]></category>

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		<description><![CDATA[O ministro Carlos Minc não tem por que se sentir constrangido com a total irresponsabilidade ambiental da Petrobras, que não se preparou para cumprir metas estabelecidas em 2002 para a redução do teor de enxofre no diesel.  E tampouco tem que se justificar perante as ONGs ambientalistas e a sociedade em geral, incluindo os órgãos estaduais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ministro Carlos Minc não tem por que se sentir constrangido com a total irresponsabilidade ambiental da Petrobras, que não se preparou para cumprir metas estabelecidas em 2002 para a redução do teor de enxofre no diesel.  E tampouco tem que se justificar perante as ONGs ambientalistas e a sociedade em geral, incluindo os órgãos estaduais de meio ambiente.  Nem a administração passada do Ministério do Meio Ambiente fez o dever de casa exigindo a apresentação de um cronograma de iniciativas a serem tomadas para o atendimento dessas metas, nem os governos estaduais e as ONGs foram capazes de organizar-se e fazer, se necessário, o mesmo tipo de exigência através do MP federal ou diretamente pela via da ação civil pública perante o Judiciário.</p>
<p>Agora, fala-se em multas e termos de ajuste de conduta (TAC).  As multas nunca são pagas, nem pela própria Petrobras, que vai às últimas consequências em seus recursos ao lentíssimo Judiciário brasileiro.  Já os termos de ajuste de conduta tornaram-se um caminho legal para a violação da lei, bem como dos mais elementares princípios éticos.  O sujeito já faz a coisa errada sabendo que mais adiante poderá assinar um TAC e adiar o cumprimento de suas obrigações mediante a doação de uns trocados para algum programa de interesse eleitoral ou de monitoramento da qualidade de vida de cobras e lagartos.</p>
<p>A verdadeira compensação que a Petrobras deve pagar à Nação é muito simples: subsidiar a introdução de ônibus híbridos, que já são fabricados no Brasil, até o nível de preço de um ônibus comum de maneira a reduzir as emissões totais de enxofre com metas claramente definidas.  Aliás, a introdução desse tipo de veículo nas regiões metropolitanas onde a poluição atmosférica é mais grave só ainda não ocorreu em decorrência da debilidade das políticas públicas estaduais, que já poderia ter tomada iniciativas para viabilizar a introdução de ônibus híbridos em suas regiões metropolitanas há muito tempo.</p>
<p>Um acordo que leve em consideração essa alternativa (ainda que não se limite a ela), possibilita a redução significativa das emissões de enxofre e alavanca a introdução de veículos elétricos ou híbridos de transporte de massa no mercado brasileiro, propiciando uma vitória bem maior do que a mera redução do teor de enxofre do óleo diesel.</p>
<p>Tomada essa diretriz, logo outros fabricantes de ônibus colocarão no mercado os veículos híbridos, com uma queda geral de preços.  Como a taxa de renovação da frota nas capitais e regiões metropolitanas é da ordem de 20% ao ano, ao final de 3 anos seria possível atingir 60% de ônibus híbridos nessas áreas onde a poluição atmosférica é efetivamente um problema, e um problema que não se limita às emissões de enxofre.</p>
<p>Afinal, esses ônibus já são fabricados no Brasil e exportados para países como o Chile e o México &#8211; que têm problemas gravíssimoas de poluição atmosférica em Santiago e na Cidade do México.  A fabricação de ônibus híbridos avança em todos os países sérios, e para demonstrar as suas vantagens muitos desses veículos foram usados na China durante as Olimpíadas, exatamente em decorrência da necessidade de reduzir a poluição atmosférica (w<a href="http://www.cummins.com.br/cla/imprensa_noticias.asp?NoticiaID=213">ww.cummins.com.br/cla/imprensa_noticias.asp?NoticiaID=213</a>).</p>
<p>Mas esses veículos não são utilizados no Brasil por omissão dos órgãos estaduais de meio ambiente, que poderiam exigir a sua adoção progressiva nas áreas de maior poluição, reduzindo, assim, não apenas as emissões de enxofre, mas todas as outras.  E a área tributária não pode continuar fingindo que a saúde pública e a inovação tecnológica não são assuntos de sua competência e pode dar isenções de IPI e de ICMS por prazo definido para esses novos veículos.</p>
<p>Soluções complementares, como a adoção de ônibus capazes de aceitar o B-20 &#8211; já disponíveis no Brasil -, com o consequente fornecimento dessa mistura, podem contribuir de maneira decisiva para o avanço tecnológico, para a redução das emissões de enxofre nas bacias aéreas das regiões metropolitanas e das grandes cidades, e para que se alcance, simultaneamente, uma solução mais econômica para a própria Petrobras, sem perder de vista o estabelecimento do novo prazo para a diminuição no teor de enxofre de todo o diesel vendido no Brasil.</p>
<p>Com esse tipo de abordagem, o Brasil não estaria sendo pioneiro em nada, mas apenas fazendo uso do da experiência internacional.  Quando a Califórnia percebeu que só poderia alcançar as metas de qualidade do ar das grandes cidades através do estabelecimento de padrões de emissão então inatingíveis, fez o mesmo tipo de exigência às montadoras de veículos.  A indústria norte-americana, conservadora e crente em seu poder de lobby, reagiu afirmando que as tecnologias para a redução drástica das emissões não existia e, portanto, as exigências não poderiam ser cumpridas.  E cruzou os braços, exatamente como fizeram a Petrobras e as montadoras brasileiras diante das novas normas para o teor de enxofre do diesel.</p>
<p>Essa tola reação das montadoras norte-americana de veículos abriu as portas para o debate sobre uma alternativa simples: só poderiam vender veículos na Califórnia os fabricantes que comprovassem parcerias com a então nascente indústria de veículos elétricos ou híbridos, de maneira a que fosse alcançada uma meta de redução global das emissões de veículos auto-motores.  Ou seja, estabelecia-se a possibilidade compensações entre os fabricantes dos diferentes tipos de veículos, de maneira a reduzir os preços dos veículos híbridos (sempre mantidos os padrões de emissão federais para os veículos). </p>
<p>Para tanto, foi necessário apenas deixar de trabalhar com padrões individuais de emissões &#8211; sem abandoná-los &#8211; e passar a trabalhar com padrões de carga ou de emissões totais (combinação imprescindível para a recuperação da qualidade ambiental de qualquer corpo receptor).</p>
<p>Enquanto o debate se arrastava, os japoneses avançaram rapidamente no desenvolvimento de veículos elétricos e híbridos e simplesmente engoliram esse novo mercado.</p>
<p>Essa abordagem, sim, permite um tipo de TAC aceitável para a sociedade e para a qualidade do ar das grandes cidades.   Qualquer outro tipo de TAC será mera aceitação do descaso da Petrobras com as normas ambientais em troca de bobagens como alguma contribuição para a simples regulagem dos motores dos ônibus e caminhões.  O único objetivo aceitável do TAC é punir a Petrobras ao mesmo tempo em que coloca no horizonte de curto prazo uma alternativa que efetivamente melhore a qualidade do ar das regiões metropolitanas.</p>
<p>Seja qual for o conteúdo do TAC, não há por que excluir o devido processo criminal contra os diretores da Petrobras responsáveis pelo descaso com a norma ambiental desde a sua  promulgação até a data em que ela deveria entrar em vigor.  Estudos realizados pela União Européia em doze cidades correlacionaram, em muitas delas, um aumento de 50 micra de dióxido de enxofre por metro cúbico de ar com um aumento de 3% o índice diário  de mortalidade (relação direta de causa e efeito).   O mesmo estudo demonstrou que um aumento equivalente nas emissões de fumaça negra (PM-10) result num aumento adicional de 2% na mortalidade diária.  A referência bibliográfica pode ser encontrada em <a href="http://www.bmj.com/cgi/content/abstract/314/7095/1658">www.bmj.com/cgi/content/abstract/314/7095/1658</a>.</p>
<p>Afinal, se esse tipo de descumprimento de uma norma ambiental tão importante fosse feito por um cidadão comum ou por um produtor rural no Tocantins, o processo criminal seria inevitável.</p>
<h5>***</h5>
<p>O tema dos ônibus híbridos e elétricos já foi objeto de artigo neste blog e de comentário na coluna semanal de meio ambiente que o seu autor faz às terças-feiras no programa de Ricardo Boechat, na Band News FM Rio, há cerca de um ano.</p>
<p>A crise pode, então, ser trasnformada em oportunidade, como ocorre nos ideogramas da escrita chinesa.<br />
 </p>
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		<title>Kassab, Infraero, ANAC e Outros Aéreos</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jan 2008 16:21:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meio Ambiente - Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente Urbano]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Num surto de descaso com as boas práticas de urbanismo, o prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, aproveitou as distrações dos cidadãos com as festas de fim de ano e jogou um balão de ensaio: anunciou uma proposta de desapropriação de 2.000 imóveis para ampliar as pistas do aeroporto de Congonhas.  A brincadeira custaria a bagatela de R$ [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num surto de descaso com as boas práticas de urbanismo, o prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, aproveitou as distrações dos cidadãos com as festas de fim de ano e jogou um balão de ensaio: anunciou uma proposta de desapropriação de 2.000 imóveis para ampliar as pistas do aeroporto de Congonhas.  A brincadeira custaria a bagatela de R$ 500 milhões e seria <em>bancada </em>pelo governo federal.  Segundo o prefeito, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, estaria <em>muito inclinado a aceitá-la.</em></p>
<p>De acordo com a reportagem da Folha de São Paulo de 29.12. 2007, Gilberto Kassab teria afirmado que as 2.000 desapropriações poderiam ser feitas <em>rapidamente</em>.  &#8220;Hoje, metade dos imóveis está vazia e a outra metade quer sair (dessa área).  &#8221;Na região tem só dois predinhos baixos e o custo de desapropriação deles é pequeno, algo em torno de R$ 30 milhões.&#8221;  Vamos ver se Nelson Jobim, o <em>ministro-extraordinário e plenipotenciário do apagão aéreo</em>, embarca nessa canoa furada de interesse das empresas de aviação e outros não tão claros.</p>
<p>Kassab desconsiderou qualquer possibilidade de dar aos viajantes os confortos de uma ligação decente, ferroviária, entre o centro de São Paulo e Viracopos ou Cumbica, a exemplo do que acontece nos países sérios e nas cidades bem administradas.  Nada de pensar nos modelos de Londres, Paris, Milão.  Estudo de viabilidade técnica e econômica, estudo de impacto ambiental, consulta pública?  Que nada!</p>
<p>Nas cidades brasileiras, não é raro que as ações do poder público desvalorize drasticamente os imóveis e a propriedade privada, sem qualquer indenização ou respeito.  Entre os melhoes exemplos disso, no Rio de Janeiro, estão o <em>elevado</em> Paulo de Frontin, a Perimetral, e as linhas Vermelha e Amarela; em São Paulo, o não menos infame <em>Minhocão</em>, cujo nome de batismo é Presidente Costa e Silva.</p>
<p>À excessão da Perimetral, no Rio de Janeiro, todos esses <em>elevados</em> passam a pequeníssimas distâncias &#8211; em alguns casos, centímetros &#8211; das janelas de prédios que à época da construção eram habitados e habitáveis.  O valor de mercado desses apartamentos foi para muito além e abaixo do brejo.  Ninguém recebeu qualquer tostão de indenização.  Os nomes ou apelidos das vias &#8211; linha Vermelha e linha Amarela &#8211; dão uma boa idéia de como os governantes e empreiteiras viam e vêem a cidade: uma linha sobre uma planta ou fotografia aérea da cidade.  Sem mais.  Nunca cogitaram, sequer, de sistemas de redução de ruídos como se pode ver às margens de vias de tráfego pesado em países sérios.  Governos e lideranças empresariais que ignoram os cidadãos e as boas práticas da gestão urbana com tal descaramento não podem se credenciar para falar em nome da segurança ou da boa qualidade de vida nas cidades.</p>
<p>Kassab acha que tudo é apenas normal, já que uma boa parte dos imóveis está vazia e os moradores dos demais querem sair de lá.  Primeiro se permite o aumento do número de vôos até a transformação da vida da vizinhança num inferno.  Depois, desapropria-se por trocado.  Ou nada, já que disputas judiciais desse tipo podem levar uma eternidade.</p>
<p>Num país sério, numa cidade bem administrada, iniciativas similares são precedidas de referendos populares.  Em San Francisco, nos EUA, há mais de uma década a população rejeita a construção de mais uma pista no aeroporto da cidade.  Quem quiser que vá pousar em outra cidade, nas proximidades.  Para evitar despesas desnecessárias, os referendos são feitos conjuntamente com as eleições para cargos majoritários e proporcionais.  E os defensores dessa pista adicional já levaram sucessivas sovas nas urnas.</p>
<p>Mas no Brasil o que conta é o vale-tudo.  Inclusive falar num assunto de tamanha importância no dia 29 de dezembro.</p>
<p>***</p>
<p>O <em>estilo Kassab de respeito aos cidadãos</em> pode ser visto no You Tube clicando no endereço <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pkxZ_DkLqis">www.youtube.com/watch?v=pkxZ_DkLqis</a>. </p>
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		<title>Rio de Janeiro &#8211; Sacolejando em Caminhões de &quot;Transporte Público&quot;</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Apr 2007 14:34:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eficiência Energética]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente - Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente Urbano]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte]]></category>

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		<description><![CDATA[A falta de polÃ­ticas pÃºblicas que determinem e incentivem o uso do gÃ¡s natural nos Ã´nibus de transporte pÃºblico e, o que seria ainda melhor, nos Ã´nibus hÃ­bridos (ver adiante), que consomem menos combustÃ­vel fÃ³ssil, merece um breve histÃ³rico para a compreensÃ£o das responsabilidades, omissÃµes e oportunidades na Ã¡rea dos transportes pÃºblicos em algumas regiÃµes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A falta de polÃ­ticas pÃºblicas que determinem e incentivem o uso do gÃ¡s natural nos Ã´nibus de transporte pÃºblico e, o que seria ainda melhor, nos Ã´nibus hÃ­bridos (ver adiante), que consomem menos combustÃ­vel fÃ³ssil, merece um breve histÃ³rico para a compreensÃ£o das responsabilidades, omissÃµes e oportunidades na Ã¡rea dos transportes pÃºblicos em algumas regiÃµes metropolitanas brasileiras.  Se o Rio de Janeiro nÃ£o tem, atÃ© o presente, Ã´nibus para o transporte pÃºblico &#8211; e sim meras carroserias montada sobre chassis de caminhÃ£o, extremamente desconfortÃ¡veis para os passageiros e motoristas, parecendo latas-velhas -, isso se deve, exclusivamente, ao pensamento retrÃ³grado das empresas de Ã´nibus e Ã  sua capacidade de influenciar o  &#8220;poder pÃºblico&#8221;.</p>
<p>JÃ¡ em <strong>1975</strong>, o Grupo Executivo de IntegraÃ§Ã£o da PolÃ­tica de Transportes &#8211; GEIPOT, criado pelo governo federal em 1965, enfatizava que as caracterÃ­sticas dos Ã´nibus urbanos eram causa da<strong> pÃ©ssima qualidade dos serviÃ§os nas principais regiÃµes metropolitantas do paÃ­s</strong>.  Pouco depois, iniciou-se o <strong>Projeto Padron</strong>, destinado a assegurar uma sÃ©rie de <strong>especificaÃ§Ãµes mÃ­nimas</strong> dos Ã´nibus urbanos, especificaÃ§Ãµes que jÃ¡ eram, entÃ£o, comuns nos paÃ­ses sÃ©rios.  Em 1979, o GEIPOT publicou uma lista de especificaÃ§Ãµes bÃ¡sicas em consonÃ¢ncia com padrÃµes internacionais.  <strong>Todos os requisitos foram aceitos pela indÃºstria brasileira</strong>!  Na sequÃªncia, foram fabricados protÃ³tipos, testados em vÃ¡rias capitais do paÃ­s.</p>
<p>Entre essas especificaÃ§Ãµes encontravam-se: (<strong>a) transmissÃ£o automÃ¡tica, (b) direÃ§Ã£o hidrÃ¡ulica, (c) suspensÃ£o pneumÃ¡tica, (d) uso de sistemas redutores dos nÃ­veis de ruÃ­do e das emissÃµes poluentes, (e) 35 centÃ­metros de altura do primeiro degrau, (f) no mÃ­nimo duas portas de 1,20 metro de largura e, em alguns modelos, trÃªs, sendo uma de 1,70 metros, (g) pneus radiais, aumentando a seguranÃ§a e diminuindo os custos por quilÃ´metro rodado, e (h) carrocerias fabricadas com materiais que asseguravam a reduÃ§Ã£o do peso combinado com o aumento da resistÃªncia Ã  deformaÃ§Ã£o, Ã  corrosÃ£o e Ã¡ fadiga (vida Ãºtil minima de 10 anos)</strong>.  AlÃ©m disso, as especificaÃ§Ãµes adotadas nos protÃ³tipos aumentavam significativamente o &#8220;raio de giro&#8221; dos veÃ­culos (ou a versatilidade para fazer curvas mais fechadas), adaptando-os ao meio urbano, bem como a ventilaÃ§Ã£o forÃ§ada de ar (sem considerar o ar condicionado), tornando-a equivalente a 20 vezes o volume interno da Ã¡rea destinada aos passageiros.</p>
<p>A adoÃ§Ã£o desses requisitos resultavam em aumento acentuado dos nÃ­veis de conforto dos passageiros e motoristas, e para comprovÃ¡-lo basta, por exemplo, circular em Ã´nibus urbanos em Curitiba.  A transmissÃ£o automÃ¡tica impede as arrancadas bruscas que tanto maltratam os passageiros na regiÃ£o metropolitana do Rio de Janeiro, e a suspensÃ£o pneumÃ¡tica evitaria que a viagem se torne um permanente chacoalhar de ossos e mentes, que deixa a todos exaustos e estressados.</p>
<p>Em <strong>1982</strong>, o veÃ­culo Padron comeÃ§ou a ser adotado pela Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos &#8211; <strong>CMTC de SÃ£o Paulo</strong> e, no ano seguinte, a Companhia de Transportes Coletivos do <strong>Rio de Janeiro &#8211; CTC</strong> adquiriu 183 desses Ã´nibus.  Curitiba, pioneira em projetos de transporte pÃºblico em decorrÃªncia da implantaÃ§Ã£o da Volvo no estado do ParanÃ¡, adota Ã´nibus articulados e atÃ© veÃ­culos com portas em ambos os lados.</p>
<p>As portas mais largas e os degraus mais baixos nÃ£o apenas aumentavam o conforto dos passageiros mas, tambÃ©m, reduziam de forma significativa o <strong>tempo despendido</strong> nas viagens.  Todo esse conjunto resulta em melhoria significativa da <strong>qualidade de vida</strong>, que Ã© o que diferencia os paÃ­ses sÃ©rios do nosso e de outros paÃ­ses de &#8220;economia perifÃ©rica&#8221;.</p>
<p>O GEIPOT foi extinto em 2001, com a legislaÃ§Ã£o que criou AgÃªncia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a AgÃªncia Nacional de Tranportes &#8211; ANTT (que ainda nÃ£o disse ao que veio), a AgÃªncia Nacional de Transportes AquaviÃ¡rios &#8211; ANTAQ (idem), o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes &#8211; DNIT (idem), e o Conselho Nacional de IntegraÃ§Ã£o da PolÃ­tica de Transportes Terrestres &#8211; CONIT (esse, entÃ£o, totalmente desconhecido).  AtÃ© o presente, o processo de liquidaÃ§Ã£o do acervo do GEIPOT ainda nÃ£o terminou!</p>
<p>Com base nesse histÃ³rico, bem como no que jÃ¡ avanÃ§aram outras capitais e regiÃµes metropolitanas do paÃ­s, <strong>nÃ£o existem razÃµes que justifiquem a pÃ©ssima qualidade dos transportes urbanos no Rio de Janeiro</strong>!  Dizer que os Ã´nibus Padron sÃ£o mais caros nÃ£o Ã© argumento vÃ¡lido, tendo em vista a alta lucratividade das empresas que operam esses serviÃ§os pÃºblicos bem como a <strong>reduÃ§Ã£o dos custos operacionais</strong> alcanÃ§adas pela adoÃ§Ã£o do Ã´nibus Padron.  Isso para nÃ£o falar dos benefÃ­cios para o trÃ¢nsito!  Os gigantescos engarrafamentos provocam aumento no consumo de combustÃ­vel, com imensos custos sociais.  Autoridades e empresas de Ã´nibus da cidade e da regiÃ£o metropolitana do Rio de Janeiro igualam-se em matÃ©ria de <strong>inÃ©rcia</strong> e de <strong>pensamento ret</strong>r<strong>Ã³grado</strong>, tendo como resultado uma verdadeira agressÃ£o ao bom senso e Ã  qualidade de vida.</p>
<p><strong>GÃ¡s Natural e VeÃ­culos HÃ­bridos</strong></p>
<p>Tornar o uso do gÃ¡s natural obrigatÃ³rio no Ã´nibus urbanos das regiÃµes metropolitanas do paÃ­s onde esse combustÃ­vel se encontre disponÃ­vel seria uma excelente iniciativa das autoridades ambientais, como forma de reduzir a poluiÃ§Ã£o urbana e de melhorar a qualidade do ar que respiram milhÃµes de brasileiros.  De fato, <strong>no Rio de Janeiro,</strong> <strong>o abastecimento dos Ã´nibus urbanos com gÃ¡s natural iniciou-se em 1983</strong> com veÃ­culos da entÃ£o estatal CTC!  O programa nÃ£o avanÃ§ou devido Ã  resistÃªncia das empresas privadas de Ã´nibus e Ã  inÃ©rcia do Conselho Nacional de Meio Ambiente &#8211; CONAMA.  O uso do gÃ¡s natural em Ã´nibus urbanos reduziria de forma significativa a poluiÃ§Ã£o atmosfÃ©rica em regiÃµes metropolitanas jÃ¡ <strong>totalmentes saturadas</strong>, como as de SÃ£o Paulo e do Rio de Janeiro!  A conversÃ£o progressiva da frota para o gÃ¡s natural poderia ser determinada pelo CONAMA, da mesma forma que esse Ã³rgÃ£o impÃ´s o uso de catalisadores em veÃ­culos de passeio hÃ¡ cerca de 2 dÃ©cadas.</p>
<p>De fato, nos <strong>paÃ­ses sÃ©rios</strong>, sempre que se estabelecem <strong>padrÃµes de qualidade ambiental </strong>- seja do ar, da Ã¡gua ou dos solos -, sÃ£o estabelecidos, tambÃ©m, procedimentos e prazos para que esses padrÃµes sejam atingidos!  Sem isso, os padrÃµes nÃ£o tÃªm qualquer sentido.  A legislaÃ§Ã£o ambiental requer a apresentaÃ§Ã£o de programas e projetos de curto, mÃ©dio e longo prazo para a reduÃ§Ã£o progressiva da poluiÃ§Ã£o!  Evidentemente, para isso Ã© frequentemente necessÃ¡rio o estabelecimento de restriÃ§Ãµes cada vez maiores Ã s emissÃ³es das fontes individuais de poluiÃ§Ã£o, inclusive proibindo a instalaÃ§Ã£o de novas indÃºstrias em Ã¡reas jÃ¡ saturadas.  Essas crescentes restriÃ§Ãµes tÃªm resultado em avanÃ§os tecnolÃ³gicos significativos, que beneficiam as economias dos paÃ­ses sÃ©rios.</p>
<p>Os veÃ­culos automotores, no entanto, sempre foram um problema.  Os nÃ­veis de emissÃ£o individuais- isto Ã©, por fonte de emissÃ£o &#8211; melhoraram durante anos, mas o nÃºmero de veÃ­culos aumentou desproporcionalmente.  Isso ocorreu atÃ© o momento em que o conselho de qualidade do ar da CalifÃ³rnia admitiu que seria impossÃ­vel atingir os padrÃµes em algumas cidades sem a introduÃ§Ã£o de veÃ­culos elÃ©tricos.  Sem um plano consistente, a CalifÃ³rnia nÃ£o poderia acessar certas fontes de recursos financeiros do governo federal.  A indÃºstria automobilÃ­stica norte-americana estrilou, afirmou que carros elÃ©tricos teriam um preÃ§o muito elevado, que nÃ£o existia tecnologia para dar-lhes a autonomia requerida pelos compradores, e assim por diante.  E, de fato, essa tecnologia nÃ£o existia.</p>
<p>O governo da CalifÃ³rnia endureceu e os japoneses acabaram abocanhando uma boa parcela do mercado com veÃ­culos denominados hÃ­bridos, isto Ã©, que sÃ³ usam combustÃ­vel lÃ­quido nas aceleraÃ§Ãµes e nas subidas, e que tÃªm a tecnologia para captar a energia dissipada quando a velocidade Ã© reduzida ou nas descidas, utilizando-a para carregar baterias.   A notÃ¡vel reduÃ§Ã£o do uso de combustÃ­veis fÃ³sseis resultou em equivalente diminuiÃ§Ã£o nas emissÃµes de poluentes determinada pelo poder pÃºblico.  Os veÃ­culos hÃ­bridos &#8211; inclusive os de passeio &#8211; jÃ¡ sÃ£o responsÃ¡veis por 5% do mercado norte-americano de veÃ­culos automotores e o crescimento das vendas Ã© tÃ£o acentuado que as projeÃ§Ãµes indicam que esse percentual dobrarÃ¡ nos prÃ³ximos 3 anos.</p>
<p>Tendo perdido competitividade em decorrÃªncia da atitude retrÃ³grada, hoje a indÃºstria automobilÃ­stica norte-americana corre atrÃ¡s do prejuÃ­zo.  Ou nem corre mais.</p>
<p>No Brasil, uma indÃºstria de Ã´nibus hÃ­bridos jÃ¡ se encontra instalada desde 1999!  A empresa exporta, ganha prÃªmios internacionais. fabrica Ã´nibus que usam muito menos combustÃ­vel e portanto reduzem significativamente a poluiÃ§Ã£o, mas nÃ£o consegue o apoio do poder pÃºblico brasileiro que uma montadora estrangeira facilmente tem conseguido: isenÃ§Ãµes ou diferimento de IPI, ICMS, linhas de crÃ©dito especialmente favorÃ¡veis no BNDES, etc.  Nos paÃ­ses sÃ©rios, uma empresa com tal nÃ­vel de inovaÃ§Ã£o tecnolÃ³gica de impacto positivo sobre o interesse pÃºblico receberia mesmo uma isenÃ§Ã£o temporÃ¡ria de imposto de renda.</p>
<p>Enquanto o Brasil patina, os veÃ­culos hÃ­bridos avanÃ§am rapidamente nos paÃ­ses sÃ©rios.  Todos os grandes fabricantes de veÃ­culos europeus jÃ¡ lanÃ§aram ou pretendem lanÃ§ar em 2007 veÃ­culos de passeio hÃ­bridos.  Mas, aqui, pelo jeito, um fabricante brasileiro nÃ£o tem o &#8220;status&#8221; necessÃ¡rio para convencer as autoridades, que sÃ³ concederÃ£o benefÃ­cios tributÃ¡rios e linhas de crÃ©dito especiais quando a empresa for comprada por um &#8220;investidor estrangeiro&#8221;.</p>
<p>Por enquanto, fica a sugestÃ£o de que os Ã´nibus Padron sejam os Ãºnicos a serem agraciados pelo BNDES por suas ultra-generosas linhas de crÃ©dito para o setor quando se destinarem ao uso nas regiÃµes metropolitanas onde jÃ¡ se constate a violaÃ§Ã£o dos padrÃµes de qualidade do ar &#8211; como Ã© o caso do Rio de Janeiro -, e que os governos estaduais concedam isenÃ§Ã£o de temporÃ¡ria de ICMS e reduÃ§Ã£o do IPVA para os veÃ­culos que atenderem Ã s especificaÃ§Ãµes acima relacionadas.  A isenÃ§Ã£o total ou parcial do ICMS para o gÃ¡s natural fornecido a esses veÃ­culos tambÃ©m pode e deve ser consideradas.  E aÃ­, quem sabe, o governo federal acorda e concede a isenÃ§Ã£o total do IPI para os Ã´nibus hÃ­bridos atÃ© que a indÃºstria possa se consolidar.</p>
<p>A qualidade de vida, bem como a consistÃªncia entre a formulaÃ§Ã£o e a implementaÃ§Ã£o de polÃ­ticas pÃºblicas agradeceriam, penhoradamente.</p>
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		</item>
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		<title>Rio de Janeiro &#8211; Sacolejando em Caminhões de &#8220;Transporte Público&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Apr 2007 14:34:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eficiência Energética]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente - Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente Urbano]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>A falta de polÃ­ticas pÃºblicas que determinem e incentivem o uso do gÃ¡s natural nos Ã´nibus de transporte pÃºblico e, o que seria ainda melhor, nos Ã´nibus hÃ­bridos (ver adiante), que consomem menos combustÃ­vel fÃ³ssil, merece um breve histÃ³rico para a compreensÃ£o das responsabilidades, omissÃµes e oportunidades na Ã¡rea dos transportes pÃºblicos em algumas regiÃµes metropolitanas brasileiras.  Se o Rio de Janeiro nÃ£o tem, atÃ© o presente, Ã´nibus para o transporte pÃºblico &#8211; e sim meras carroserias montada sobre chassis de caminhÃ£o, extremamente desconfortÃ¡veis para os passageiros e motoristas, parecendo latas-velhas -, isso se deve, exclusivamente, ao pensamento retrÃ³grado das empresas de Ã´nibus e Ã  sua capacidade de influenciar o  &#8220;poder pÃºblico&#8221;.</p>
<p>JÃ¡ em <strong>1975</strong>, o Grupo Executivo de IntegraÃ§Ã£o da PolÃ­tica de Transportes &#8211; GEIPOT, criado pelo governo federal em 1965, enfatizava que as caracterÃ­sticas dos Ã´nibus urbanos eram causa da<strong> pÃ©ssima qualidade dos serviÃ§os nas principais regiÃµes metropolitantas do paÃ­s</strong>.  Pouco depois, iniciou-se o <strong>Projeto Padron</strong>, destinado a assegurar uma sÃ©rie de <strong>especificaÃ§Ãµes mÃ­nimas</strong> dos Ã´nibus urbanos, especificaÃ§Ãµes que jÃ¡ eram, entÃ£o, comuns nos paÃ­ses sÃ©rios.  Em 1979, o GEIPOT publicou uma lista de especificaÃ§Ãµes bÃ¡sicas em consonÃ¢ncia com padrÃµes internacionais.  <strong>Todos os requisitos foram aceitos pela indÃºstria brasileira</strong>!  Na sequÃªncia, foram fabricados protÃ³tipos, testados em vÃ¡rias capitais do paÃ­s.</p>
<p>Entre essas especificaÃ§Ãµes encontravam-se: (<strong>a) transmissÃ£o automÃ¡tica, (b) direÃ§Ã£o hidrÃ¡ulica, (c) suspensÃ£o pneumÃ¡tica, (d) uso de sistemas redutores dos nÃ­veis de ruÃ­do e das emissÃµes poluentes, (e) 35 centÃ­metros de altura do primeiro degrau, (f) no mÃ­nimo duas portas de 1,20 metro de largura e, em alguns modelos, trÃªs, sendo uma de 1,70 metros, (g) pneus radiais, aumentando a seguranÃ§a e diminuindo os custos por quilÃ´metro rodado, e (h) carrocerias fabricadas com materiais que asseguravam a reduÃ§Ã£o do peso combinado com o aumento da resistÃªncia Ã  deformaÃ§Ã£o, Ã  corrosÃ£o e Ã¡ fadiga (vida Ãºtil minima de 10 anos)</strong>.  AlÃ©m disso, as especificaÃ§Ãµes adotadas nos protÃ³tipos aumentavam significativamente o &#8220;raio de giro&#8221; dos veÃ­culos (ou a versatilidade para fazer curvas mais fechadas), adaptando-os ao meio urbano, bem como a ventilaÃ§Ã£o forÃ§ada de ar (sem considerar o ar condicionado), tornando-a equivalente a 20 vezes o volume interno da Ã¡rea destinada aos passageiros.</p>
<p>A adoÃ§Ã£o desses requisitos resultavam em aumento acentuado dos nÃ­veis de conforto dos passageiros e motoristas, e para comprovÃ¡-lo basta, por exemplo, circular em Ã´nibus urbanos em Curitiba.  A transmissÃ£o automÃ¡tica impede as arrancadas bruscas que tanto maltratam os passageiros na regiÃ£o metropolitana do Rio de Janeiro, e a suspensÃ£o pneumÃ¡tica evitaria que a viagem se torne um permanente chacoalhar de ossos e mentes, que deixa a todos exaustos e estressados.</p>
<p>Em <strong>1982</strong>, o veÃ­culo Padron comeÃ§ou a ser adotado pela Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos &#8211; <strong>CMTC de SÃ£o Paulo</strong> e, no ano seguinte, a Companhia de Transportes Coletivos do <strong>Rio de Janeiro &#8211; CTC</strong> adquiriu 183 desses Ã´nibus.  Curitiba, pioneira em projetos de transporte pÃºblico em decorrÃªncia da implantaÃ§Ã£o da Volvo no estado do ParanÃ¡, adota Ã´nibus articulados e atÃ© veÃ­culos com portas em ambos os lados.</p>
<p>As portas mais largas e os degraus mais baixos nÃ£o apenas aumentavam o conforto dos passageiros mas, tambÃ©m, reduziam de forma significativa o <strong>tempo despendido</strong> nas viagens.  Todo esse conjunto resulta em melhoria significativa da <strong>qualidade de vida</strong>, que Ã© o que diferencia os paÃ­ses sÃ©rios do nosso e de outros paÃ­ses de &#8220;economia perifÃ©rica&#8221;.</p>
<p>O GEIPOT foi extinto em 2001, com a legislaÃ§Ã£o que criou AgÃªncia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a AgÃªncia Nacional de Tranportes &#8211; ANTT (que ainda nÃ£o disse ao que veio), a AgÃªncia Nacional de Transportes AquaviÃ¡rios &#8211; ANTAQ (idem), o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes &#8211; DNIT (idem), e o Conselho Nacional de IntegraÃ§Ã£o da PolÃ­tica de Transportes Terrestres &#8211; CONIT (esse, entÃ£o, totalmente desconhecido).  AtÃ© o presente, o processo de liquidaÃ§Ã£o do acervo do GEIPOT ainda nÃ£o terminou!</p>
<p>Com base nesse histÃ³rico, bem como no que jÃ¡ avanÃ§aram outras capitais e regiÃµes metropolitanas do paÃ­s, <strong>nÃ£o existem razÃµes que justifiquem a pÃ©ssima qualidade dos transportes urbanos no Rio de Janeiro</strong>!  Dizer que os Ã´nibus Padron sÃ£o mais caros nÃ£o Ã© argumento vÃ¡lido, tendo em vista a alta lucratividade das empresas que operam esses serviÃ§os pÃºblicos bem como a <strong>reduÃ§Ã£o dos custos operacionais</strong> alcanÃ§adas pela adoÃ§Ã£o do Ã´nibus Padron.  Isso para nÃ£o falar dos benefÃ­cios para o trÃ¢nsito!  Os gigantescos engarrafamentos provocam aumento no consumo de combustÃ­vel, com imensos custos sociais.  Autoridades e empresas de Ã´nibus da cidade e da regiÃ£o metropolitana do Rio de Janeiro igualam-se em matÃ©ria de <strong>inÃ©rcia</strong> e de <strong>pensamento ret</strong>r<strong>Ã³grado</strong>, tendo como resultado uma verdadeira agressÃ£o ao bom senso e Ã  qualidade de vida.</p>
<p><strong>GÃ¡s Natural e VeÃ­culos HÃ­bridos</strong></p>
<p>Tornar o uso do gÃ¡s natural obrigatÃ³rio no Ã´nibus urbanos das regiÃµes metropolitanas do paÃ­s onde esse combustÃ­vel se encontre disponÃ­vel seria uma excelente iniciativa das autoridades ambientais, como forma de reduzir a poluiÃ§Ã£o urbana e de melhorar a qualidade do ar que respiram milhÃµes de brasileiros.  De fato, <strong>no Rio de Janeiro,</strong> <strong>o abastecimento dos Ã´nibus urbanos com gÃ¡s natural iniciou-se em 1983</strong> com veÃ­culos da entÃ£o estatal CTC!  O programa nÃ£o avanÃ§ou devido Ã  resistÃªncia das empresas privadas de Ã´nibus e Ã  inÃ©rcia do Conselho Nacional de Meio Ambiente &#8211; CONAMA.  O uso do gÃ¡s natural em Ã´nibus urbanos reduziria de forma significativa a poluiÃ§Ã£o atmosfÃ©rica em regiÃµes metropolitanas jÃ¡ <strong>totalmentes saturadas</strong>, como as de SÃ£o Paulo e do Rio de Janeiro!  A conversÃ£o progressiva da frota para o gÃ¡s natural poderia ser determinada pelo CONAMA, da mesma forma que esse Ã³rgÃ£o impÃ´s o uso de catalisadores em veÃ­culos de passeio hÃ¡ cerca de 2 dÃ©cadas.</p>
<p>De fato, nos <strong>paÃ­ses sÃ©rios</strong>, sempre que se estabelecem <strong>padrÃµes de qualidade ambiental </strong>- seja do ar, da Ã¡gua ou dos solos -, sÃ£o estabelecidos, tambÃ©m, procedimentos e prazos para que esses padrÃµes sejam atingidos!  Sem isso, os padrÃµes nÃ£o tÃªm qualquer sentido.  A legislaÃ§Ã£o ambiental requer a apresentaÃ§Ã£o de programas e projetos de curto, mÃ©dio e longo prazo para a reduÃ§Ã£o progressiva da poluiÃ§Ã£o!  Evidentemente, para isso Ã© frequentemente necessÃ¡rio o estabelecimento de restriÃ§Ãµes cada vez maiores Ã s emissÃ³es das fontes individuais de poluiÃ§Ã£o, inclusive proibindo a instalaÃ§Ã£o de novas indÃºstrias em Ã¡reas jÃ¡ saturadas.  Essas crescentes restriÃ§Ãµes tÃªm resultado em avanÃ§os tecnolÃ³gicos significativos, que beneficiam as economias dos paÃ­ses sÃ©rios.</p>
<p>Os veÃ­culos automotores, no entanto, sempre foram um problema.  Os nÃ­veis de emissÃ£o individuais- isto Ã©, por fonte de emissÃ£o &#8211; melhoraram durante anos, mas o nÃºmero de veÃ­culos aumentou desproporcionalmente.  Isso ocorreu atÃ© o momento em que o conselho de qualidade do ar da CalifÃ³rnia admitiu que seria impossÃ­vel atingir os padrÃµes em algumas cidades sem a introduÃ§Ã£o de veÃ­culos elÃ©tricos.  Sem um plano consistente, a CalifÃ³rnia nÃ£o poderia acessar certas fontes de recursos financeiros do governo federal.  A indÃºstria automobilÃ­stica norte-americana estrilou, afirmou que carros elÃ©tricos teriam um preÃ§o muito elevado, que nÃ£o existia tecnologia para dar-lhes a autonomia requerida pelos compradores, e assim por diante.  E, de fato, essa tecnologia nÃ£o existia.</p>
<p>O governo da CalifÃ³rnia endureceu e os japoneses acabaram abocanhando uma boa parcela do mercado com veÃ­culos denominados hÃ­bridos, isto Ã©, que sÃ³ usam combustÃ­vel lÃ­quido nas aceleraÃ§Ãµes e nas subidas, e que tÃªm a tecnologia para captar a energia dissipada quando a velocidade Ã© reduzida ou nas descidas, utilizando-a para carregar baterias.   A notÃ¡vel reduÃ§Ã£o do uso de combustÃ­veis fÃ³sseis resultou em equivalente diminuiÃ§Ã£o nas emissÃµes de poluentes determinada pelo poder pÃºblico.  Os veÃ­culos hÃ­bridos &#8211; inclusive os de passeio &#8211; jÃ¡ sÃ£o responsÃ¡veis por 5% do mercado norte-americano de veÃ­culos automotores e o crescimento das vendas Ã© tÃ£o acentuado que as projeÃ§Ãµes indicam que esse percentual dobrarÃ¡ nos prÃ³ximos 3 anos.</p>
<p>Tendo perdido competitividade em decorrÃªncia da atitude retrÃ³grada, hoje a indÃºstria automobilÃ­stica norte-americana corre atrÃ¡s do prejuÃ­zo.  Ou nem corre mais.</p>
<p>No Brasil, uma indÃºstria de Ã´nibus hÃ­bridos jÃ¡ se encontra instalada desde 1999!  A empresa exporta, ganha prÃªmios internacionais. fabrica Ã´nibus que usam muito menos combustÃ­vel e portanto reduzem significativamente a poluiÃ§Ã£o, mas nÃ£o consegue o apoio do poder pÃºblico brasileiro que uma montadora estrangeira facilmente tem conseguido: isenÃ§Ãµes ou diferimento de IPI, ICMS, linhas de crÃ©dito especialmente favorÃ¡veis no BNDES, etc.  Nos paÃ­ses sÃ©rios, uma empresa com tal nÃ­vel de inovaÃ§Ã£o tecnolÃ³gica de impacto positivo sobre o interesse pÃºblico receberia mesmo uma isenÃ§Ã£o temporÃ¡ria de imposto de renda.</p>
<p>Enquanto o Brasil patina, os veÃ­culos hÃ­bridos avanÃ§am rapidamente nos paÃ­ses sÃ©rios.  Todos os grandes fabricantes de veÃ­culos europeus jÃ¡ lanÃ§aram ou pretendem lanÃ§ar em 2007 veÃ­culos de passeio hÃ­bridos.  Mas, aqui, pelo jeito, um fabricante brasileiro nÃ£o tem o &#8220;status&#8221; necessÃ¡rio para convencer as autoridades, que sÃ³ concederÃ£o benefÃ­cios tributÃ¡rios e linhas de crÃ©dito especiais quando a empresa for comprada por um &#8220;investidor estrangeiro&#8221;.</p>
<p>Por enquanto, fica a sugestÃ£o de que os Ã´nibus Padron sejam os Ãºnicos a serem agraciados pelo BNDES por suas ultra-generosas linhas de crÃ©dito para o setor quando se destinarem ao uso nas regiÃµes metropolitanas onde jÃ¡ se constate a violaÃ§Ã£o dos padrÃµes de qualidade do ar &#8211; como Ã© o caso do Rio de Janeiro -, e que os governos estaduais concedam isenÃ§Ã£o de temporÃ¡ria de ICMS e reduÃ§Ã£o do IPVA para os veÃ­culos que atenderem Ã s especificaÃ§Ãµes acima relacionadas.  A isenÃ§Ã£o total ou parcial do ICMS para o gÃ¡s natural fornecido a esses veÃ­culos tambÃ©m pode e deve ser consideradas.  E aÃ­, quem sabe, o governo federal acorda e concede a isenÃ§Ã£o total do IPI para os Ã´nibus hÃ­bridos atÃ© que a indÃºstria possa se consolidar.</p>
<p>A qualidade de vida, bem como a consistÃªncia entre a formulaÃ§Ã£o e a implementaÃ§Ã£o de polÃ­ticas pÃºblicas agradeceriam, penhoradamente.</p>
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